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CHESNEAUX, J. Devemos fazer tábula rasa do passado São Paulo, ática, 1994..pdf

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  ~ .. ã , fi - , ti W .. .. ~ ' .. ' 4 -- ã ã ã ã \. I: I· I. ã ã ã ã ' ã 20 DEVEMOS FAZER TABULA RASA DO PASSADO? dêmico OU balanço complexo da experiência chinesa. Caminho si nuoso, espinhoso, que é apenas a expressão de minhas incertezas- bem distante do esquema linear em três ou nove partes, a partir do qual deve brilhar o plano de uma aula de efetivação , Como dizia meu velho mestre Charles E. Perrin .. [vias a história é decididamente muito importante para ser relegada aos historiadores .. Ci-'\U'I-JU',h l J. :) , ·,YY\c<,\~,.~l~' ~.1,'-'\c' .,::::,C' c\ <' .. bc ... S.~r:.. w ? 0:.;( ::; f?(.i,...>J< L; /\'-t'I'CC . ~('Vrb --- -r ' ã j i \e;)(t.c, ('(t _ Uni nc\~ '\ V 1 LIVRARIA UNI XEROX prOf.:~.C!Q Ano: ]- DISC::..e4...: __ ·_;~.2{)..J).t curso:~~ ... __ Quant. Cópias: (2 Data:221.S:;:§,R A história como relação ativa . com o passado Territórioespecializado ou memória coletira -.-\ fome dehistória _ Em que campo Se situa o saber hi~tórico? - .-\rmadilhas do intelectualismo e do profissionalismo - C ma expansão artificial Muitos historiadores vivem noconforto corporativo. A história é seu ofício, seu território . Eles são os especialistas e são respeitados enquanto tais. A impren sa, ainda mais, a .tevê, tem tornado concreta e familiar sua situação de privilegiados experts em passado. Esse conforto corporativo está . solidamente instalado na própria ambigüidade do termo histó ria ; ao !l1~?~o tempo o movimento ~~fu~dQ <10 te~~~_e-o e~~o que lel~É!' faz, A biologia estuda a vida; a astronomia, os astros. Mas a história estuda a história : indício de identificaçào que .. BLOCH, M. Apologle pOlir /'histoire 01l1t' lI/cf la d'!listoriel1. Ed. portuguesa: Introdução à história. Trad. Maria Manuel Miguel e Rui Grácio. Lisboa, Publicações Europa América, 1965. (~ ... LADURIE, E. Le Roy. Le terntaire de /'Justoncu.  ã 22 DEVEMOS fAZER TABULA RASA DO P.'\SSADO~ alimenta uma extraordinária presunção, indício deumaarmadilha que se fecha sobre si mesma. Toda\'ia,cada um sente muito bemque a história é uma cai- . sa totalmente diferente e que ela diz respeito a todos nós. A lin guagem_cotidiana está cheia de referências à históna-. Exi úe-j ro da da história ,que gira implaca\'elmente mas pode parar, acelerar-se, recuar. Existem as ironias da história, seusardis, suas armadilhas , seus. desígnios , suas faces ocultas mesmo para os obse.T\'adores. A história seria uma grande máquina auto seleti\'a, capaz de reter ou esquecer as pessoas, as datas, os fatos; ela tem atésuasquestões menores, porque está bem organizada. Ela seria capaz de dar lições, de distribuir lauréis àqueles que conseguiram manter-se em cena ou mesmo de conduzir julga mentos do alto de seu tribunal . e às \'ezes ela guarda seus enigmas , recusa-se a fabr.Por trás dessas ~La.5, tão habituais que nãochamam a I atenção, há alguma coisa de coe_rgn~G. e perigos?, ~~? perigosa i quanto a pret~nsão dos historiadores profissi.o.nais .de esgo.tarem o i passa(:Ió, a saber, a idéia de que a história domina os home~s a par- ! hr de um lugar externo, exerce sobre eles uma autoridade suprema' porque inscrita num passado por definição irr'e·v·erSí\,-el e q~; é preciso inclinar-se docilmente diante dela. Que. éopassad Cl ,. p~r: tanto, que comanda0 p'~esen_tç. '------ - . . _. - Toda\'ia , diz Marx, a história não faz nada, ela não possuinenhuma imensa riqueza, ela não tra\'a nenhuma batalha. É sobre tudo o homem, o homem realmente \'i\'o, que executa tudo, que domina e 'l--lJE~-tltq . Se 0eassad_o mnta é..peloc[llesignifica para ,:,?S l~l~'_~-ºEo- duto de nossa memória coletiva, é o seu tecido fundamental. Quer' -_. _ ._- . - ---------,,- -_ .. se trate daquilo que se sofreu passivamente -Verdun, a crise de 1929,1930, a ocupação nazista, Hiroshima -ou do que se viveuativamente -a Frente Popular, a Resistência, Maio de 1968. Mas : .:s~s~~?.:1d~, próx_imo .ou longínguo, t~.m sempre um sentido para I ós. Ele nos ajuda a compreender melhor a sociedade na qual vivemos hoje, a saber o que defender e preservar, saber também o que mudar e destruir. A história tem uma relação ativa com o.-r..assado. QE'ssado est~J!resente ~!]}.J:iliia~-ª5_esf~ra.sda fida sô~, O trabalho profissional dos historiadores especializados faz parte dessa 1 ã A HISTORIA COMO RELAÇÃO A TI\' A COM O PASSA X) 23 relação coletiva e contraditória de nossa sociedade com seu passa do. Nada mais é, porém, d0'l.':'.e um aspecto particular, nem sempre o mais importante e jamais independente do contexto social e daideologia dominante. -.k.. A relação coletiva com o passado, o conhecimento ativo do passado, é, ao mesmo tempo, uma exigência e uma necessidade. O passado pesa e deseja-se romper com ele~-';De~e;nos faz~;:- tábularasa do passado' Ao mesmo tempo, ~~~?~e umagrande fome de história entre i o povo , segundo a fórmula empregada pelo historiador ama- . dor Claude Manceron, num debate com Claude Mazauric, notá vel da Universidade e historiador especialista do PCF mas apa rentemente sem conseguir interessar seu interlocutor nessa' questão *. Tem-se sempre necessidade de ancestrais quando o pre sente vai mal , ressaltou Le Monde (26 de julho de 1974) por ocasião do lançamento simultâneo de um livro sobre os gauleses e de um outrosobre os caubóisamericanos. Com efeito; essa 'lome de história pode conter algo de vis ceral e primitivo, a busca de um refúgio contra o que vai mal, !TIªs pode também significar uma vontade de luta, uma ligação ativa. A fogueira dê'Montségur está intensam-eÍü€ presente na consciência\ occitana de modo renovado e o tráfico de negros, no movimento Black Power, quaisquer que sejam as ambigüidades e, as incertezas do mo,-imento accitano ou çio movimento negro .. 6J1i~tória,. o passado, isso é do interesse de todos. Certos historiadores profissionais têm sentido isso, eles têm buscado dar à '-j , história e ao conhecimento histórico uma definição mais coletiva, ~.'- menos especializada e técnica: É o que uma época julga importante numa outra 0. Burc khardt). É a necessidade que cada grupo humano experimenta, acada momento de sua evolução, de buscar e questionar, no passado, os fatos, os acontecimentos, as tendências que preparam o tem po presente e permitem compreendê-lo, que ajudam a vivê-lo (Lucien Febvre). .. FranceNouvelIe. 6 de jan.. 1975. 41 , ti! fifi ã i ã ãã ã i, ããã ã ã ã ãã ã ã 1 ãã , 41 , ã ã 1 ã ã  , , - -- ã , I' I 1= i-   ã -  ãã . .. .... .. .- .- .- ' ' ' ~ ~ ia >' 24 DEVEMOS FAZER TÁBULA RASA DO PASSA[X)? Sem dúvida, e esses historiadores da velha geração eram, afinal de contas, bem mais modestos que nossos tecnocratas de com putador, eles aceitavam estar, antes de mais nada, à escuta de seutempo e de seu povo. Mas l' rmaneciam, ainda assim, intelectuilis: :'observar 6-passádo) compree~dero presente ... A eu~ olhos: o2õruiéomentüif;telectual do passado, mesmo coletivo, bastava por sC~mo;eie não tinha de esclar~~er uma prátiéa-soCiãL ~n2~nga j~~erit-o ativo_econ creto. Todavia, nosso conhecimento do passado é um elemento ah VQ do movimento da sociedade, é uma articulação das lutas políti : cas e ideológicas, uma zona asperamente disputada. O passado e o, conhecimento histórico podem funcionar a serviço do conservadorismo social ou das lutas populares. A história se insere na luta declasses; ela nunca é neutra, nunca está acima da peleja. O cantor militante occitano Claude Marti canta os alístados rebeldes Janguedocianos de 1811, negando-se a sedeixar matar em nome de Napoleão na Alemanha ou na Rússia, canta os vinhatei ros revoltosos de 1907. Mas no verão de 197~;6 tricentenário do marechal Turenne deu ao primeiro ministro Chirac ocasião paraexaltar as virtudes do Estado Nacional /em plena explosão da revolta corsa. Cada um escolhe seu passado, e essa escolha nunca é mocente Em que campo se situa o saber histórico, em que sentido fun ciona a relação ativa com o passado? Nenhum historiador pode eludir essa questão, mesmo que queira. Ao colocar a relação coletiva com o passado como base do conhecimento histórico, inverte-se radicalmente a relação passadopresente. Não é mais o passado que comanda, que dá lições, que julga do alto de seu tribunal. É o presente que questiona e faz as intimaçõesMas o presente só tem necessidadedopassado em relação ao futuro. Nãose trataapenas de melhor viver o presente ,como se contentava Lucien Febvre, mas de mudá-Io,{ou defendê-lo). A memória coletiva e o apelo à história desempenham o papel de últimainstância em relação ao futuro. A relação dialética entre passado e ·1 futuro, elemento, ao mesmo tempo, de continuidade e ruptura, de C' ' P' P' ,,=. hó oQ 1 ã A HlSTÓRlA COMO RELAÇÃO ATIVA COM O PASSADO 25 A história da humanidade é um movimento constante do reino danecessidade rumo ao reino da liberdade. Numa sociedade onde subsistem classes. a luta de classes não poderá acabar. E a luta entre o velho e o novo. entre o verdadeiro e o falso, p:-osseguiráindefinidamente na sociedade sem classes. [ .. ] A função final do saber histórico é. portanto, fazer um balanço das experiências dahumanidade, em matéria de descoberta. em matéria de invenção,em matéria de criação. em matéria de progresso*. i\firmando.,? ?!#~.er 0ã9 .pgn~.~ col~tivo mas ativo do conhecimento histórico~~._I.:eL9S~9.CQm, o. passado, repele-se, ~orn 9 me;;: mo lance, para ° undo da cena 05 temas usuais do discurso histó rico, ·.·su-a·s la'iSas eyidêDçi.as tão comumente admitidas que ninguém se dá nem ao trabalho dedemonstrar: ã O intelectualislIlo. O conhecimento intelectual do passado seria um objeto válidopor si mesmo, independente da vida socialconcreta. Engenhosamente, os historiadores inventaram a distin ção entre história-que-se-faz e história-que-se-escreve. A primeira seria coisa de políticos , ocasionalmente com intervenção, feliz ou lastimável (segundo se é de direita ou esquerda),dasmassas populares. A segunda, a qu~ se ess~eve, seria coisa dehistoriado res . .\tIas esseínfeTéc·tUaÜ~.mo está profundamente enraizado. É evidente para os historiadores de ofício, e o grande público , por sua vez, está habituado com. ele. Marc Bloch escreveu sua Apologia da história quando foi expulso da Sorbonne, acossado pelos nazistas, rumo à resistência clandestina, às torturas, à morte. Todavia, ele ali declarou, em .sua linguagem de diriasta universitário: Tivesse a história de ser eternamente indiferente ao Homo (aber ouao Homo politicus. e já lhe bastaria para sua defesa ser reconhecidacomo necessária à plena realizaçã<? do Homo sapiens [ .. ; a história tem prazeres estéticos que lhe são próprios ( .. ã O objetivismo apofítico. Sorri-se com desdémquando se cita a frase de Fénelon: O _b_om historiador não é de nenhum tempo nem de nenhum país ;velha-q~e:~.!.a ultrap_assada, diz-se. Mas .. TSE~TL't\;G, Mao. Petit liim;, rouge. p 218.  26 D[\'EMOS rAZEI~ TMIl'LA RASA DO j'ASS,-'.DO' Paul Veyne, especialista em história antiga muito estimado por seus colegas, escreve ainda em 1968, na EllC.l/clopcdia Univcrsalis: Um historiador sério, quer dizer, desinteressado, não se in teressa pela história da França porque é francês. Ele se interessapor ela por amor à história ,Pouquíssimos historiadores de ofício aceitam refletir séria erigorosamente sobre o papel que tcm sua ah idade profissional na vida política e social francesa: ela atua a favor da ordem estabelecida ou a·favor das lutas revolucionárias? Pouquíssimos aceitam re fletir sobre as relações que existem entre os temas de seus estudos,a própria forma pela qual são conduzidos e o equilíbrio da socie dade burguesa. Vivem confortavelmente na idéia do isolamento entre ofício e sociedade. ã O profissiollalismo. A hJstóna, o conhecimento do passado, dependeria principalmente das qualificações técnicas, da habilidade, do ofício. O saber histórico circularia na sociedade de acor do com um dispositivo de mão única: ele se elaboraria em circuito fechado, nas esferas eminentes de pesquisa especializada, paradepois tornar a descer, de andar em andar,degradando-se à me dida que o faz - manuais escolares, historiadores amadores , vulgarização . Recusar esse discurso _eliti$ta não significa que não se colo- quem problemas reais e difíceis: tem-se necessidade de uma certa . divisão de trabaU10 visando a conhecer o passado? Pode-se criticar',( o profissionalismo do historiador €, ao. mesmo temI?0,- manter a: i i' --_ .. - . '------~~-- - -- --- --.----.- -----~._-- -'._ -. _ . __ . -- --- ;1. exigência de rigor científico? Mas as pessoas do ofício só discutem es-ses problemas no interior de seu pequeno mundo corporativo e privilegiado; elas consideram seus privilégios cOl-poranvos óbvios. É preciso, pelo contrário, partir do lugar global e do papel do passado em nossas sociedades divididas contra elas mesmas, dilacera~ das por contradições sociais agudas, e só então se E9~e.IlJ._abordar ';,_~ ~_~_ . c o~roblemas técnicos próprios ao s_aber hjstórico. ...\. ---'----~_. -~-_. A produção histórica se encontra hoje em expansão, e muitosprofissionais se felicitam por isso, centenas de teses, revistas especializadas que se multiplicam, inumeráveis volumes para o grandepúblico, colóquios eruditos a propósitodetudo,reedições freqüentes de documentos antigos e outras lucrativas operações'de , 1 ã A HISTÓRIA COMO RELAÇÃO ATIVA COM o PASSADO 27 mercado livreiro. Mas essa expansão espetacular oculta um debate político: ela atua em que sentido e a favor de quem' Enq~-;~to a yelha- hi~tÓ;ia - ia-ZhiaTse~~antém muito viva, notadamente no cinema e ria tevê, duas correntes históricas estão ho je em fase ascendente: ~ Nova História, da qual os volumes coleti os de P,erre Nora e acq~ofT(Faire de l'histoire) foram como que um manifesto e que está ávida por influência junto ao grande público (publicação, tevê, etc.); ~la_se quer atraente!_aberta a tod_osos problemas do homem, mentalidades, técnicas, ;'ida e morte .. Eálhistória uni,:-~~~sh~ri~_ii1ar~~!f:) ap~iada no prestígio e nos'meios materiais da história acadêmica soviética, assim como nas posiçõesganhas após 1968 pelo Partido Comunista na inshtuição universitária (VER, revistas, colóquios, etc.). Essas duas correntes, entre as quais intervé~ um jogo complexo de rivalidades, compromissos,cooperações, estão ambas tun<i9-E:.~r::_!~~_~,~.~u!!l.? _~_se!t?..Çã.o __ 0!!l.~_!TI das falsas ev.idências do saber histórico (capítulo 6) e das regras sociais de funcionamento de instituições de historiadores'li:apitulo iftssãs duas éorrentes, a respe-ito de cuja influência se retornará muitas \'ezes no~ capítulos seguintes, propagam, uma e outra, uma concepção dos mecanismos históricos que se apóia na lenta conti- l1iiTdade, -nos processos exteriores ao movimento á-tivodãS -ffiãsSãs. O tecido fundamental da história seria constituído, num caso, pela longa duração braudeliana; no outro, pelaJenta_ dinâmica das fmças produtivasentrando inelutavelmente em contradição com as relações de produção (como explicou doutamente Althusser aJolm Le ,is). Q que tem por desfecho, de qualquer maneira, desa ~propriar e expulsar as massas populares de sua história, simulta neamente porque se reserva seu estudo aos especialistas privil~ giados e porque se lança a dúvida sobre sua capacidade de intervenção ativa, sua capacidade de fazer história . Adeptosda Nova História e marxistas acaclênuc;;, a;sim como a velha históriafactual, ignoram a relação fundamental entre saber histórico e prá-.~ tica social. \ \' 't'~ ., j \ / .   '. ã , ., ... ...... ...... .. .. .. .. .. fi' ... .. .. ... .. .. fi! . til r r ,. ~ ~ ~
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