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Comparative analysis of the behaviors associated with the use of block and cross in high-level male and female team handball

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Análise comparativa dos comportamentos associados à utilização do bloqueio e cruzamento no Andebol masculino e feminino de alto nível Comparative analysis of the behaviors associated with the use of block
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Análise comparativa dos comportamentos associados à utilização do bloqueio e cruzamento no Andebol masculino e feminino de alto nível Comparative analysis of the behaviors associated with the use of block and cross in high-level male and female team handball Duarte Filipe Sousa 1 ; José António Lopéz Lopéz 2 ; Pedro Sequeira 3 ; João Prudente 1 1 Centro de Ciências Sociais-Universidade da Madeira 2 Universidade de Málaga-Espanha 3 Escola Superior de Desporto de Rio Maior-IPSantarém RESUMO A procura de respostas que justifiquem o sucesso desportivo, levam a que os especialistas se debrucem cada vez mais sobre a análise do jogo. No Andebol, reconhece-se a importância da eficácia no jogo 2vs2 para o sucesso das equipas. Este estudo tem como objetivo comparar os comportamentos associados aos duelos 2vs2 na utilização dos meios táticos bloqueio e cruzamento, em masculinos e femininos, em competições de alto nível. Utilizou-se a metodologia observacional e, para a análise dos dados, recorreu-se à análise estatística descritiva com médias e frequências e à técnica de coordenadas polares. A amostra foi composta pela totalidade de situações 2vs2 ocorridas, em situação de jogo de ataque organizado em igualdade numérica, em 32 jogos referentes ao Campeonato do Mundo 2011 e Campeonato da Europa 2012, de femininos e masculinos, respetivamente. Como principais resultados obtidos podemos referir que é significativa a probabilidade de: 1) o cruzamento com finalização estar associado aos remates falhados, nos femininos, e ao livre de 7 metros nos masculinos; 2) o cruzamento com continuidade ativar a falta técnica, e inibir o remate para fora, nos femininos e masculinos respetivamente; 3) o bloqueio ativar o golo, nos masculinos, e a continuidade de jogo, nos femininos. Palavras-Chave: Andebol, 2vs2, Metodologia Observacional, Coordenadas Polares. 1. INTRODUÇÃO O estudo do Andebol constitui um enorme desafio do ponto de vista científico pela sua estrutura organizacional, a qual promove a cooperação com os colegas e o confronto com a equipa adversária, num ambiente altamente imprevisível. Essa imprevisibilidade leva a que os processos de decisão do jogador tenham que ser solicitados no momento de realizar uma ação, já que, segundo Tani (2008) relativamente aos JDC, realizar um movimento desligado do contexto, sem ter em consideração a leitura do envolvimento, não caracteriza uma habilidade. Desta forma, Sequeira (2012), referindo-se ao Andebol, reconhece que a tomada de decisão e o factor táctico-técnico são determinantes em todos os momentos da partida, sejam as ações individuais, de grupo ou de equipa. Tendo em consideração que o objetivo do jogo é marcar golo, há uma procura por respostas acerca dos factores ou características que apresentavam as equipas mais eficazes e o que as leva ao sucesso. Essa procura leva-nos às situações de 2vs2 e a estudos sobre a modalidade (Prudente, 2006; Silva, 2008; Sequeira, 2012; Sousa, 2014) em que os autores apontam para a importância dessas relações. Por forma a aprofundar o conhecimento do jogo nesta área, permitindo que a sua abordagem seja realizada de uma forma cada vez mais eficaz, consideramos necessário e importante estudar de uma maneira mais exclusiva e pormenorizada as relações de 2 vs 2 que acontecem no ataque organizado no Andebol. Assim, este estudo tem como objetivo comparar os comportamentos associados aos duelos 2vs2 na utilização dos meios táticos bloqueio e cruzamento, em masculinos e femininos, em competições de alto nível, PROBLEMA Definição do problema Nos últimos anos, o desporto de rendimento evoluiu, levando os especialistas a se debruçarem cada vez mais sobre a análise do jogo (Prudente, 2006; Silva, 2008; Sequeira, 2012; Sousa, 2014). Cada vez mais o sucesso das equipas nos jogos desportivos coletivos depende em muito das relações complexas estabelecidas entre colegas e adversários, como defendem alguns autores (Prudente, 2006; Silva, 2008; Sequeira, 2012). Apoiando-se em estudos anteriores que defendem que os comportamentos, as condutas e as ações dos jogadores são determinados pela ação táctica, pelo contexto aleatório em que decorre o jogo e pela sua complexidade, Prudente (2006) defende que, para ser coerente, a análise do rendimento da modalidade deverá concentrar-se nos comportamentos e ações dos jogadores no contexto de jogo, de forma a respeitar o carácter dinâmico do mesmo onde acontecem jogos reduzidos (1vs1, 2vs2 e 3vs3) que influenciam os jogos seguintes. Recorrendo ao sistema de hierarquias proposto por Martin Acero (1996), que vão desde o micro-nível - que se refere à luta jogador contra jogador - até ao macro- nível - luta equipa contra equipa - podemos colocar o nosso estudo, que se debruçou sobre o 2vs2, como estando num ponto intermédio Objetivos Com o presente estudo pretendemos comparar os comportamentos associados aos duelos 2vs2 na utilização dos meios táticos bloqueio e cruzamento, em masculinos e femininos, em competições de alto nível. 2. METODOLOGIA 2.1. Amostra A amostra foi constituída pela totalidade de situações 2vs2 ocorridas em situação de jogo de ataque organizado (n=802), em igualdade numérica 6vs6, em 32 jogos das fases finais do Campeonato do Mundo 2011 de seniores femininos (n=412) e do Campeonato da Europa 2012 de seniores masculinos (n=390) Instrumentos Para a observação e análise dos jogos, foi criado um sistema de observação para registar e analisar os comportamentos ofensivos durante os jogos. Recorreu-se a estudos realizados na área da análise do jogo de andebol (Ribeiro, 2002; Prudente, 2006; Silva 2008; Volossovitch, 2008) para a seleção das variáveis para a análise das ações. Para a recolha de dados referentes aos jogos foi construído e validado um instrumento de observação, sistema misto de formato de campo com sistemas de categorias, tendo-se definido como critérios axiais do sistema: a Organização Defensiva, o Tipo de Defesa, o Tempo de Jogo, o Score, os Postos Específicos, a Ação Tática e o Resultado da Ação. A partir destes critérios, foram construídos os sistemas de categorias e definidos os indicadores referentes a cada uma delas Procedimentos Todos os jogos foram gravados a partir de imagens televisivas, tendo a observação sido feita a partir das imagens guardadas. Recorreu-se a um sistema de observação ad hoc construído, validado e introduzido no software HOISÁN 1.2. Todas as sequências foram observadas tantas vezes quantas as necessárias, tanto em câmara lenta, como em velocidade normal, de forma a registar corretamente as situações ocorridas. Os dados foram registados sequencialmente no software acima referido. Para análise dos dados recorreu-se ao programa GSEQ 5.1 e HOISÁN 1.2 (coordenadas polares). 3. DISCUSSÃO No presente capítulo estão apresentados e discutidos os dados do estudo efectuado, cujos objetivos consistiam em comparar os comportamentos associados aos duelos 2vs2 na utilização dos meios táticos bloqueio e cruzamento, em masculinos e femininos, recorrendo a duas técnicas de análise na procura de valores de referência para equipas de elite. Como verificamos na Figura 1, partindo da conduta focal Bloqueio, nos masculinos, é significativa a probabilidade do bloqueio ativar o golo e a falta atacante (FA) e inibir o livre de 7 metros (7M). Esta situação poderá estar associada ao jogo predominantemente mais físico e de luta corpo a corpo, na procura por ganhar posição, levando a que, nos casos de sucesso nessa luta, haja uma associação positiva ao golo, enquanto que, nos casos de insucesso, o pivot provoque uma falta atacante por má colocação. Será pertinente realçar estes resultados que vão de encontro ao que já tinha sido referido por Sousa (2014) e por Sequeira (2012), que associavam o bloqueio a situações de sucesso e de finalização eficaz. Já na Figura 2 referente aos femininos, é significativa a probabilidade do bloqueio ativar a continuidade de jogo (CJ) e inibir o remate com defesa do guardaredes (RDGR). A associação à continuidade de jogo, poderá ser explicada pela maior dificuldade do ataque relativamente às respostas dadas pela defesa, impedindo a finalização pelos intervenientes do bloqueio e levando a uma situação de continuidade da circulação da bola (CJ). Figura 1 - Conduta focal Bloqueio Masculinos Figura 2 - Conduta focal Bloqueio Femininos Já tendo por conduta focal o bloqueio com continuidade, não detetámos situações associadas ao sucesso. Podemos verificar na Figura 3 que é significativa a probabilidade do bloqueio com continuidade ativar a Continuidade de jogo (CJ) e inibir o remate com defesa do guarda-redes (RDGR) e o livre de 7 metros (7M), nos masculinos, e ativar o remate ao poste (RPst) e inibir o livre de 7 metros (7M), o remate para fora (RFr) e o remate para o bloco (RBl), nos femininos (Figura 4). Podemos associar esta inibição aos vários tipos de remate por ser uma ação tática de grupo que privilegia a continuidade da circulação de bola. Figura 3 - Conduta focal Bloqueio com Continuidade Masculinos Figura 4 - Conduta focal Bloqueio com Continuidade Femininos Quando nos debruçámos sobre o cruzamento com finalização, detetámos diferenças ao nível dos resultados que poderão ser explicadas pela diferença da abordagem do jogo ao nível dos masculinos e dos femininos. Partindo da conduta focal cruzamento com finalização, verificámos que é significativa a probabilidade do cruzamento com finalização ativar o livre de 7 metros (7M), a continuidade de jogo (CJ) e o remate com defesa do guarda-redes (RDGR) e inibir a falta atacante (FA), nos masculinos (Figura 5). Esta associação do cruzamento com finalização ao livre de 7 metros é explicada pela elevada capacidade físico-atlética dos masculinos, que lhes permite um remate em penetração promovendo a ocorrência do 7 metros, estando por isso associado a uma situação iminente de golo. Por outro lado, e juntamente com os femininos (Figura 6) está associado ao insucesso através dos remates falhados, seja por defesa do guarda-redes (RDGR), seja por remates para fora (RF) ou remates para o bloco (RBl), reforçando estudos anteriores (Antón Garcia, 2005; Sequeira, 2012) que relacionavam o cruzamento com finalização aos remates falhados. Figura 5 - Conduta focal Cruzamento com Finalização Masculinos Figura 6 - Conduta focal Cruzamento com Finalização Femininos Por último, relacionámos o cruzamento com continuidade com o resultado dessa utilização e, uma vez mais, verificámos diferenças entre masculinos e femininos. Na Figura 7, relativa aos masculinos, é significativa a probabilidade deste cruzamento ativar o remate para o poste (RPst) e inibir o remate para fora (RF), enquanto que nos femininos (Figura 8) há uma associação positiva entre este cruzamento e a falta técnica (FT). Estes resultados poderão ser explicados pela menor qualidade técnica dos femininos, que levam a uma maior taxa de maus passes e recepções deficientes. Figura 7 - Conduta focal Cruzamento com Continuidade Masculinos Figura 8 - Conduta focal Cruzamento com Continuidade Femininos Referências Bibliográficas Antón Garcia, J. (2005). El modelo de juego en alto nivel en el balonmano de 2005: características, índices y escalas de rendimiento como bases para un modelo de preparación eficaz. Area de Balonmano- Cuadernos técnicos (37), 1-9. Martin Acero, R. (1996): La construcción neuromuscular del joven futbolista, Training Fútbol, N.10, pp Prudente, J. (2006). Análise da performance táctico-técnica no Andebol de alto nível: estudo das ações ofensivas com recurso à análise sequencial. Tese de Doutoramento (não publicada). Universidade da Madeira. Funchal. Ribeiro, B. (2002). A importância dos meios tácticos de grupo ofensivos na obtenção do golo de Andebol: um estudo com recurso à análise sequencial. Monografia de Licenciatura da Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, Universidade do Porto. Porto. Sequeira, A. (2012). Análisis de los Factores de Eficacia de las Acciones de Prefinalización y Finalización en Ataque Organizado en el Balonmano de Alto Nivel. Tesis Doctoral. FCD - Universidad de Castilla-La Mancha. Toledo. España. Silva, J. (2008). Modelação Táctica do Processo Ofensivo em Andebol - Estudo de situações de igualdade numérica, 7 vs 7, com recurso à Análise Sequencial. Tese de Doutoramento (não publicada). FCDEF UP. Porto. Sousa, D. (2014). Estudo das Situações de Jogo 2 vs 2 Ocorridas em Ataque Organizado em Situação de Igualdade Numérica 6 vs 6, no Andebol de Alto Nível Masculino e Feminino. Análise do Campeonato da Mundo 2011 de Seniores Femininos e do Campeonato da Europa 2012 de Seniores Masculinos, com recuso à análise sequencial. Tese de Doutoramento (não publicada). Universidade da Madeira. Funchal. Tani, G. (2008). Equivalência motora, variabilidade e graus de liberdade: desafios para o ensino de jogos desportivos. In F. Tavares, A. Graça, J. Garganta & I. Mesquita (Eds.), Olhares e Contextos da Performance nos Jogos Desportivos (pp ). Faculdade de Desporto, Universidade do Porto. Volossovitch, A. (2008). Análise dinâmica do jogo de andebol. Estudo dos factores que influenciam a probabilidade de marcar golo. Tese de Doutoramento (não publicada). FMH-UTL. Lisboa.
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