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Entre Eva e Maria: a construção do feminino e as representações do pecado da luxúria no Livro das Confissões de Martin Perez

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA LETÍCIA SCHNEIDER FERREIRA Entre Eva e Maria: a construção do feminino e as representações
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA LETÍCIA SCHNEIDER FERREIRA Entre Eva e Maria: a construção do feminino e as representações do pecado da luxúria no Livro das Confissões de Martin Perez TESE DE DOUTORADO ORIENTADOR JOSÉ RIVAIR MACEDO PORTO ALEGRE UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA LETÍCIA SCHNEIDER FERREIRA Entre Eva e Maria: a construção do feminino e as representações do pecado da luxúria no Livro das Confissões de Martin Perez Tese de Doutorado em História, para a obtenção do título de Doutora em História Universidade Federal do Rio Grande do Sul Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Programa de Pós-Graduação em História Orientador José Rivair Macedo Porto Alegre AGRADECIMENTOS A concretização deste trabalho é uma conquista que possui um imenso significado para mim, por sua magnitude, pelo esforço empreendido e pela paixão que o tema despertou em mim. Porém, é um fato que a produção de um estudo sempre é um processo coletivo, pois não é possível construir uma tese sem o apoio daqueles que fazem parte da vida e do cotidiano do pesquisador. Assim sendo, faço questão de agradecer a todos àqueles que direta ou indiretamente me ajudaram a realizar este trabalho e compartilharam desta experiência tão gratificante e singular. Agradeço em primeiro lugar aos meus pais, Maria Clarisse Schneider Ferreira e Acir Honório Nunes Ferreira, cuja dedicação, carinho e apoio foram essenciais para despertar minha paixão pelo aprender. Devo a eles o que tenho e em grande medida quem eu sou e por isso merecem todo meu reconhecimento e amor. Agradeço também a minha irmã Natália, as minhas tias e primas e toda a minha família pela torcida e companheirismo neste momento em que muitas vezes nos distanciamos daqueles que amamos dada a exigência de um trabalho acadêmico. Não é possível esquecer todos aqueles que integram uma família muito especial, que nós mesmos escolhemos: os amigos. Assim, agradeço ao meu querido Lucas Maximiliano Monteiro, à Scherida Coimbra de Barcellos e família, à Érica Toledo Marques, Jules Soares, Jonas Eugênio e família, e Vanessa Moura e família. Agradeço também a amizade de duas pessoas maravilhosas: Valter e Maria do Socorro, que mesmo distantes estão sempre presentes. Também não poderia faltar desta lista a querida Mabi, sempre prestativa e amiga. A realização deste trabalho não seria possível sem vocês. Agradeço aos locais de trabalho pelos quais passei e onde ainda atuo pela compreensão da importância de participar de congressos e eventos, assim como das aulas presenciais do doutorado, fundamentais para a consecução do estudo ao qual me propus. Assim, agradeço aos colegas de trabalho, em especial às colegas Simone Machado e Silvana Fernandes. E claro, não é possível esquecer-se de oferecer um agradecimento carinhoso a todos os meus alunos com os quais tive a honra de conviver e àqueles com os quais trabalho hoje em dia, e que tantas alegrias me proporcionam. A 3 energia e a vibração de vocês certamente são fundamentais para continuarmos nossa caminhada. O apoio institucional mostra-se fundamental para que possamos alcançar nossos objetivos. Deste modo, agradeço a UFRGS, instituição da qual me orgulho e que tem sido meu segundo lar desde a graduação. Obrigada a todos os colegas e aos mestres que fizeram parte desta trajetória, principalmente ao Professor Enrique Serra Padrós, professor e amigo, exemplo de docente e de ser humano. Enfatizo o meu muito obrigada à banca de seleção de doutorado que acreditou no meu projeto, à CAPES, que financiou meus estudos durante um período, ao PPG em História, especialmente à Marília, que sempre se esforçou para resolver qualquer problema que eu tivesse. Agradeço à minha banca de qualificação, Professores Cybele Crossetti Almeida, sempre prestativa e que me atendeu e auxiliou tantas vezes e Nilton Mullet Pereira, cujas orientações foram essenciais para melhorar o meu trabalho. Também agradeço à Professora Rejane Jardim, que me emprestou tantas obras que me ajudaram a qualificar o debate teórico proposto e à Doutora Carlinda Mattos, a quem tanto admiro. De igual modo agradeço aos colegas medievalistas com os quais tive o privilégio de conviver e com os quais tanto aprendi: agradeço a Bárbara, ao Rodrigo, Fernando, Marcos, Darlan, Cassiano Malacarne, Irma, Igor e Edson por tudo o que aprendi a partir do convívio com vocês. Agradeço também à Professora Manuela que foi tão simpática e prestativa e cuja obra muito me auxiliou neste trabalho. Finalizo meus agradecimentos citando uma pessoa que esteve presente e me auxiliou muito, que acreditou bastante no meu potencial, a quem muito admiro como profissional, intelectual e ser humano: meu orientador José Rivair Macedo. Obrigada pelo apoio, pela disponibilidade e pela preocupação que demonstras para com teus alunos. Aprendi muito contigo, não apenas sobre o período medieval, mas também sobre como deve ser um professor. Agradeço também à sua esposa Karen, sempre tão gentil comigo. Obrigada e espero que este seja o primeiro de outros estudos em parceria. Por fim, e talvez por isso mesmo o mais especial dos agradecimentos, quero registrar meu muito obrigada ao meu companheiro Sandro Gonzaga, que está sempre ao meu lado, com cujo apoio e amor incondicional eu tenho a felicidade de contar. Tu és meu amor e meu melhor amigo e espero que possamos compartilhar muitas conquistas juntos, pois estas só são possíveis por tu estares aqui comigo. 4 Dedico este trabalho à Lígia Clara, que foi escolhida para abrilhantar o mundo 5 Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres (Rosa Luxemburgo) Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina, Sê um arbusto no vale mas sê O melhor arbusto à margem do regato. Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore. Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva E dá alegria a algum caminho. Se não puderes ser uma estrada, Sê apenas uma senda, Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela. Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso... Mas sê o melhor no que quer que sejas Sê (Pablo Neruda) 6 RESUMO Este estudo tem por finalidade analisar as representações relacionadas ao feminino durante o período medieval averiguando a existência ou não de uma associação entre as características atribuídas às mulheres e o pecado da luxúria. Neste intuito, a pesquisa utilizará fontes variadas a fim de contextualizar a concepção sobre o feminino, valendose especialmente do Livro das Confissões de Martin Perez, compilado por monges do Mosteiro de Alcobaça em A preocupação com o pecado permeia o imaginário medieval e se traduz em uma série de discursos que visam orientar as relações sociais e explicar a realidade. O pensamento e as práticas identificadas durante o medievo sofrem uma série de transformações com o passar do tempo, sendo um exemplo o estabelecimento da confissão auricular, bem como as modificações existentes na apresentação dos pecados capitais. Assim, para a adequada compreensão do feminino e do masculino neste momento histórico é fundamental a reflexão sobre o pecado, suas possibilidades de manifestação e as formas de evitá-lo, uma vez que a reflexão sobre este permite a proposta de determinados modelos de pensar e agir. A realidade feminina em suas diferentes esferas de atuação, especialmente nos âmbitos do matrimônio e da maternidade, e sua vinculação ao pecado sob a análise de gênero, permite compreender mais profundamente as sociabilidades, bem como aspectos políticos, econômicos e culturais aos quais estavam submetidos os sujeitos que vivenciaram o período medieval. Palavras-chave: Gênero; Feminino; Pecado; Luxúria; Matrimônio; Confissão. 7 ABSTRACT This study aims at analyzing representations related to the feminine in the mediaeval period, searching for the existence or not of some association between characteristics given to women and the sin of luxury. With this aim, the research uses different resources in order to contextualize the conception of the feminine and it also takes advantage, mainly, of Livro das Confições (Book of Confessions) of Martin Perez, organized by monks of the Alcobaça Monastery in Worries concerning sin passed through the mediaeval imaginary and were made up of a range of discourses which intended to guide social relationships and apply the reality. Thought and practices identified along the mediaeval context suffered a number of transformations as time passed by. An example of this is the institution of the auricular confession and also modifications observed in the presentation of capital sins. Thus, for an adequate understanding of the feminine and the masculine in that historic moment, it is fundamental to make a reflection about sin, its possibilities of manifestation and ways of avoiding it, in that the reflection about it allows the suggestion of certain models of thinking and acting. The feminine reality, with its diversified range of action, especially marriage and motherhood, and its connection with sin, under gender analysis, allows a deeper understanding of social behaviors as well as well as political, economical and cultural aspects to which were submitted the subjects who lived in that period. Key words: Gender; feminine; sin; luxury; marriage; confession. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO p.10 1 O FEMININO: OLHARES E REPRESENTAÇÕES p O Gênero e o feminino p Mulheres e suas representações na Idade Média p O Feminino e o espaço privado: as mulheres e o matrimônio p Da Castidade à Prostituição: os extremos da sexualidade na Idade Média p A LUXÚRIA NO LIVRO DAS CONFISSÕES p Martin Perez e o Livro das Confissões p O pecado e o imaginário medieval p A luxúria e o feminino no Livro das Confissões p CASAMENTO E PECADO NO LIVRO DAS CONFISSÕES p O feminino e o matrimônio através das representações das rainhas e damas portuguesas p O Casamento e os bens materiais p As representações do matrimônio e do exercício da sexualidade entre os cônjuges no Livro das Confissões p.256 ANEXO I p. 307 ANEXO II p. 308 ANEXO III p. 309 CONSIDERAÇÕES FINAIS p. 310 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS p INTRODUÇÃO A investigação sobre o período medieval, seus aspectos culturais, políticos e econômicos, pode mostrar-se um verdadeiro desafio, dadas as dificuldades muitas vezes encontradas para o acesso às fontes ou mesmo ao preconceito existente em diversos espaços acadêmicos, os quais ainda questionam a relevância de pesquisar temas relacionados ao medievo em locais que não vivenciaram tal realidade. Entretanto, o historiador imbuído do objetivo de contribuir para o avanço do conhecimento estimulase diante de tais obstáculos, procurando, em muitas ocasiões, romper paradigmas e demonstrar a validade dos seus estudos para uma maior compreensão de uma determinada situação histórica ou de uma sociedade específica. De fato, a identificação da importância da realização de um determinado estudo é um tópico gerador de polêmicas, pois acarretaria na reflexão sobre quais são os atores sociais que selecionam e classificam os objetos de pesquisa válidos e quais motivações estão implicadas em tais escolhas. Além do exposto, acrescenta-se a indagação sobre a real necessidade de evidenciação da relevância prática de um determinado estudo, o que poderia induzir a crença de que alguns temas seriam de maior interesse social do que outros. Assim, tais comentários não visam responder a estas questões, as quais talvez possuam natureza insolúvel, mas sim levantar questionamentos que acreditamos pertinentes no momento da proposição de uma pesquisa científica, e, no presente caso, histórica. A realização de um estudo deve justificar-se na medida em que propicie a reflexão sobre um tema vinculado à realidade social de um grupo, incentivando o debate teórico e propiciando novas posturas e questionamentos. Acredito que a proposição de uma pesquisa não pode prescindir de um compromisso ético e uma atitude de responsabilidade social, uma vez que para sua consecução são mobilizados, muitas vezes, investimento de recursos públicos financeiros, porém também dedicação de todos aqueles que estão envolvidos com o problema proposto. O pesquisador não pode negligenciar o fato de que seu estudo deve proporcionar senão respostas conclusivas, aspecto que cada vez mais se mostra utópico, ao menos a abertura de outros questionamentos por parte de novos investigadores. Deste modo, independe o espaço geográfico ou temporal do objeto a ser pesquisado: o essencial é a forma com a qual o pesquisador posiciona-se frente a seu objeto de pesquisa e seu compromisso em contribuir para o avanço do conhecimento. 10 A partir desta perspectiva, é possível vislumbrar a importância da investigação sobre temas do medievo para analisar categorias do âmbito cultural, jurídico, econômico e político que refletem formas organizacionais as quais permitem a identificação de rupturas e continuidades frente a determinados elementos. O presente estudo tem por finalidade observar a representação do feminino presente na obra O Livro das Confissões de Martin Perez, redigida no início de século XIV. Pouco se conhece sobre o autor além de sua profunda erudição e de seu provável vínculo eclesiástico: acreditase que Martin Perez tenha freqüentado a Universidade de Salamanca, onde poderia acessar conhecimentos de ordem filosófica e jurídica, os quais permeiam sua narrativa. De fato, a obra de Martin Perez alcançou considerável repercussão, pois há diversas citações relacionadas a sua leitura e à validade de seus ensinamentos, como o Leal Conselheiro do rei Dom Duarte, e é uma obra recorrente nos registros dos acervos de bibliotecas dos nobres portugueses. O original castelhano recebeu uma versão portuguesa traduzida e compilada por monges alcobacenses em 1399, a qual é objeto da análise do estudo desenvolvido nesta pesquisa. A linguagem acessível e a abrangência de temas diversificados possivelmente tornaram o Livro das Confissões atraente para os mais diferentes públicos, incluindo aqueles que, segundo o autor se acham brutos e mĩguados e busca das migalhas que caãen das mesas dos que som ricos de letteras (MARTIN PEREZ, p.21). A classificação da obra de Martin Perez em uma categoria determinada ainda é um tópico controverso, sendo considerado por alguns como um penitencial, ou seja, uma obra cuja finalidade maior seria arrolar os pecados e suas penitências a fim de orientação espiritual. O Livro das Confissões parece extrapolar esta perspectiva no sentido em que possui um cunho pedagógico bastante explícito, procurando conceituar elementos como pecado, sacramento, etc. De igual modo, procura embasar sua argumentação nas palavras dos maiores teóricos e pensadores do medievo bem como santos e figuras bíblicas, evidenciando as motivações existentes nos conselhos oferecidos. Assim, identificado como um Manual de Confessores, obras cuja função precípua seria guiar os confessores em sua atividade de orientar os pecadores individualmente, o Livro das Confissões aborda uma série de questões importantes para a compreensão da dinâmica social do período, bem como sobre as representações dos atores que vivenciaram este momento histórico. Apesar da distância temporal e espacial entre a obra original e sua 11 versão portuguesa, é possível supor que a fidelidade observada entre o conteúdo das mesmas reflita o fato de que a abordagem proposta pelo autor possua relevância para o contexto português do início do século XV. A obra de Martin Perez mostra-se uma fonte riquíssima para compreender o pensamento e as tradições cotidianas do período em questão, independentemente se as orientações ali referidas fossem seguidas ou não de modo concreto. Entre os temas passíveis de pesquisa, a opção pelo estudo da representação do feminino se traduz no interesse pela temática de gênero e a perspectiva de sua importância na rede de relações entre os atores sociais nas mais diferentes esferas: econômica, política e cultural. Os estudos relacionados ao feminino vêm recebendo uma atenção considerável sendo observado o aumento no número de jornadas acadêmicas, encontros, congressos e grupos de trabalho que se dedicam à reflexão sobre a situação das mulheres e os discursos referentes a este segmento social. Porém, os temas referentes ao feminino estão longe de se esgotar ou se tornarem obsoletos, pois os pesquisadores revelam uma tendência a diversificar as problemáticas e as indagações oriundas da análise das fontes. Os estudos sobre as mulheres valem-se, geralmente, de duas perspectivas diferentes: a ótica que se vale da história das mulheres e os estudos de gênero. Ambas as ferramentas de análise guardam em si singularidades e possibilidades para a reflexão relativa a uma determinada condição histórica, bem como diferem em sua construção e arcabouço teórico e, portanto, não poderiam ser confundidas. Todavia, é comum observarmos as dificuldades encontradas pelos autores que estudam tais áreas do conhecimento em delimitar estes dois instrumentos de análise e esclarecer suas escolhas entre os mesmos. Desta forma, o primeiro capítulo desta pesquisa procurou debater as categorias analíticas citadas, procurando evidenciar a historicidade presente na construção de cada um dos conceitos, os quais se desenvolveram, aperfeiçoaram e se diferenciaram a partir de disputas entre atores no interior de um cenário em constante transformação. O leitor, ao acompanhar a exposição da discussão presente na obra, deve estar seguro sobre quais os conceitos trabalhados pelo autor e qual a posição do mesmo sobre estes, assim como qual percepção histórica está em debate. O primeiro capítulo tem por objetivo apresentar exatamente tais pontos: quais conceitos serão abordados e sob qual ótica, os motivos da escolha de tais categorias em detrimento de outras possibilidades, os principais autores que inspiram a reflexão do pesquisador, sua posição frente às 12 propostas teóricas levantadas, os compromissos acadêmicos e sociais assumidos, entre outros elementos. Assim, o primeiro capítulo abriga um esforço em esclarecer os principais conceitos que permeiam a obra, tal como gênero e poder, termos intrinsecamente vinculados e essenciais para a compreensão da discussão proposta. A necessidade de clareza muitas vezes induz a um exercício de esmiuçar estas reflexões teóricas e a exposição categórica sobre o cenário de constituição de um conceito pode acarretar no equívoco de um combate excessivamente militante em prol de um determinado ponto de vista. Certamente, o autor de um estudo não pode mais ser considerado neutro frente a suas opções teóricas e acadêmicas e a militância, termo que sem dúvida possui um caráter negativo no ambiente acadêmico, pode não ser um fator prejudicial à realização do estudo, mas sim um estímulo a uma investigação criteriosa. As repercussões negativas de uma postura movida por um ideário específico não são referentes a tais concepções, mas sim à busca da comprovação de alguma afirmação sob qualquer hipótese, olvidando os critérios metodológicos que envolvem uma pesquisa. O primeiro capítulo tem o papel de orientar o leitor através da discussão conceitual e introduzi-lo à aplicação deste arcabouço ao período medieval. Assim, além dos principais tópicos relevantes sobre as lutas feministas para demonstrar a importância dos estudos sobre as mulheres e suas relações sociais, procura-se refletir sobre como as mulheres eram percebidas durante o medievo, observando de forma panorâmica as principais instâncias relacionadas às mulheres neste momento histórico. O primeiro capítulo irá tratar da contextualização das referências relativas à atuação feminina na sociedade medieval e os discursos presentes na documentação, a qual, comumente é produzida por homens. Dada a escolha pela definição de gênero, que procura ultrapassar a tendência de identificar uma guerra dos sexos entre homens e mulheres e basear-se na relação interde
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