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Herberto Sales - Folclore Vivo

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  Folclore VivoLiteratura em Minha CasaTexto de Tradição Popular Volume 5Herberto SalesImpressão braille em volume único, do volume 5, da 1ª edição, Rio de Janeiro, 2002, da EditoraBertrand Brasil LtdaVolume ÚnicoMinistério da EducaçãoInstituto Benjamin ConstantAv. Pasteur, 350/368 - Urca22290-240 Rio de JaneiroRJ - BrasilTel.: (0xx21) 2543-1119Fax: (0xx21) 2543-1174E-mail: ibc@ibcnet.org.br http://www.ibcnet.org.br - 2003 -(C) Maria Juraci Xavier Chamusca Sales e Heitor Herberto Sales, herdeiros de Herberto Sales, 2002Direção do projeto e seleção de textos: Rosemary AlvesCoordenação editorial:Rafael GoldkornRedação de biografia: Ninfa ParreirasISBN 85-286-0968-5Todos os direitos reservados pela: Editora Bertrand Brasil Ltda.Rua Argentina, 171 - 1º andar - São Cristóvão20921-380 - Rio de Janeiro - RJTel.: (0xx21) 2585-2070Fax: (0xx21) 2585-2087<I>[Nota da digitalização: destinando-se o presente texto a ser lido por meios electrónicos, foiretirada do texto a formatação braille e a Nota Oficial da Comissão Brasileira do Braille, bemcomo a secção Seu Livro em Braille .]  <VII>CIP - Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de livros. RJS155~f Sales, Herberto, 1917-1999Folclore vivo/Herberto Sales; [ilustrações, Mariana Massarani]. - Rio deJaneiro: Bertrand Brasil, 200248p.: il.; - (Literatura em minha casa; v. 5)ISBN 85-286-0968-51. Literatura infanto-juvenil.2. Conto brasileiro.I. Massarani, Mariana.II. Título.III. Série.CDD - 028`.502-0826 ¨ CDU - 087`.5Caro aluno,Você está recebendo uma coleção composta por cinco livros de diferentes tipos de texto: poesia,conto, novela, literatura universal e teatro ou literatura popular.A importância desses livros é muito grande: com eles, você irá descobrir muitas coisas novas,conhecer pessoas diferentes e mundos diferentes. Você também irá saber que existem muitasmaneiras de se escrever e que cada uma delas serve para passar ao leitor, isto é: para você, umtipo de mensagem.Esta coleção foi feita para que você possa ler quando quiser e o texto que quiser. Eles vão estar todos ali, aguardando uma oportunidade para mostrar-lhe novos lugares, novas pessoas edespertar novos - e velhos - sentimentos. Não esqueça, também, que esta é uma pequena coleção. Há muitos outros livros mundo afora evocê<IX> poderá descobri-los na biblioteca de sua escola ou de sua cidade.Esperamos que esta coleção possa contribuir para aumentar sua vontade de conhecer o mundo daleitura e aventurar-se no universo das palavras.Aproveite para contar a seus amigos e parentes sobre essa aventura, que está apenas começando.[]Tire o melhor proveito deste livro e procure conservá-lo. Ele éuma fonte permanente de consulta.<XIII>  SumárioApresentação, por Rogério Andrade Barbosa .........: 1O lobisomem ...............:: 4A guerra dos curupiras ...... 27Os botos ..................:: 35O caapora ..................: 37As artes do saci ............ 64Glossário ..................: 72Sobre o autor ............... 75<5>folclore vivo> A lenda, porque lenda, é verdadeira. - Thiago de MelloApresentação No Brasil, país marcado pela pluralidade cultural, se mantém o velho costume de contar e ouvir histórias de diferentes srcens. Lendas e mitos da nossa rica e variada tradição são transmitidosoralmente de geração a geração há muito e muito tempo,Ao percorrer as páginas deste livro, recheado de histórias recolhidas e recriadas por um de nossosmaiores autores, você sentirá, com certeza, um frio a lhe escorrer pela espinha. São contos plenosde encantamento, nos quais imperam o maravilhoso e o sobrenatural. Neles, seres fantásticos surgem em noites de lua cheia, saltam da escuridão, mergulham em rios,correm pelas florestas e cavalgam por campinas sem fim. Na primeira narrativa, num lugarejo chamado Passagem, acompanhe a luta de uma mãe, acorajosa Dona Aninha, contra a triste sina de ter um filho - o sétimo - predestinado a ser um “ lobisomem ” .Depois, não se engane com falsas pistas e siga os rastros invertidos dos protetores dos animais eárvores das florestas brasileiras: os  “ curupiras ” , incríveis seres de cabelos vermelhos como fogo eque têm os dedos dos pés virados para trás e os calcanhares para a frente.<6>Em seguida, mergulhe nas águas profundas e misteriosas dos rios da Amazônia e se encante comas façanhas dos galantes conquistadores de moças ríbeírinhas: os saltitantes  “  botos ” , que nos bailes costumam se disfarçar de moços bonitos, vestidos de terno branco e chapéu pra esconder ofuro no alto das cabeças.Logo adiante, penetre no coração da mata escura e descubra o que o  “ Caapora ” , que andamontado num porco selvagem, costuma fazer com os caçadores que, como o coitado doDomíngos, ousam desobedecer às suas ordens.E, finalmente, vibre com as diabruras e peraltices de um dos personagens mais populares efascinantes de nosso folclore. Sempre de barrete vermelho, pulando numa perna só, fumandocachimbo e aprontando mil e uma confusões. Ele mesmo, o  “ saci ” .Enfim, deslumbre-se com os personagens que fazem parte do imaginário popular. Leia, releia ereconte estas histórias. É essa prática que assegura a vivacidade e a dinâmica de nosso folclore.Rogério Andrade Barbosa  <7>O lobisomemO lugar chamava-se Passagem, sabe-se lá por quê. Porque - e ainda lá vive a sua gente maisantiga, que não nos deixa mentir - não era de uso e costume ninguém passar por ali, por obrigação de viagem ou de caminho.O lugar era um finzinho-de-mundo, comparativamente falando: esquecido de Deus, ou por Deus poucas vezes lembrado, com o perdão da heresia que aqui se comete - não por desrespeito, mas por modo de dizer - contra a memória do Criador. Pois uma coisa é sabida: na Sua Misericórdia,mesmo tardando, mas não falhando, Ele nunca se esquece - por descuido ou intenção - doshomens que pôs na Terra e nela espalhou.Mas o finzinho-de-mundo, Passagem só no nome, de tão fechado em si mesmo, e em si mesmotão abandonado, era de tal forma e jeito, que dele se pode dizer: foi ali que o Diabo perdeu as botas, a acreditar-se que o dito ente as tenha perdido em algum lugar, que outro não podia ser senão aquele. No arruado tinha uma casa, bem na esquina, a última. Morava ali Sebastião de Aninha, queAninha era o nome de sua mulher: mulata de cabelo mole, vistosa, seiúda. Tinha um dente deouro, que fazia questão de mostrar, sorrindo à toa: com motivo ou sem motivo. E por via distoganhou fama de alegre, mas nem só por isto. Era, mesmo, de verdade, alegre. Por fora e por dentro: no dente de ouro que mostrava, e nas coisas que guardava no coração.Mas é o caso de se perguntar: como houvera de ser triste uma mulher que tudo tinha, a começar  pela boniteza, que de si e por si já era um tudo?Sim: porque por via da boniteza dela viera o marido,<8>Sebastião. E com ele o resto: a casa, o quintal com mangueiras, murado, o único assim do lugar, ea satisfação de todos os desejos, do visto e do sonhado. Pois Sebastião era homem de posses enegar-lhe a ela nada não sabia.Da união dos dois, na boa forma da lei de Deus e dos homens, nasceram seis filhas, uma por ano,em seis anos de casados.E pagãzinhas não ficaram por mais de uma semana. Batizadas logo foram, como mandava aSanta Madre Igreja, pois dela eram seguidores os pais, de nascença e tradição.Mas Aninha não tirava da cabeça a idéia de um filho. Até promessa de missa ela fez para obter agraça. Pois é isto: Aninha queria ter um filho homem. Aninha, não; Dona Aninha, que era mulher casada e merecia respeito.O vigário - tão piedoso quanto idoso - animava a ovelha do seu pequeno rebanho:- Reze; peça a Deus. Peça a Deus, minha filha, que Ele há de ouvi-la.E Dona Aninha rezava e pedia. Queria porque queria um filho homem.Sebastião empenhava-se no mesmo propósito e fim, não tanto pelo sonhado menino, pois tudoera filho, ainda que filha sendo, mas só por causa de ver satisfeito o desejo da mulher: nuncadeixara de dar o que ela queria e pedia, isto era sabido. E, além de sabido, louvado.Sebastião, que assim se chamava por haver nascido no dia do santo de igual nome, mártir daIgreja, a ele recorreu com fé, pedindo-lhe que o ajudasse na empresa. E fez também a sua promessa, em termos de homenagem especial, apropriada: o menino se chamaria, da mesmaforma, Sebastião. E teria por padrinho o próprio santo, de que já era xará o pai.Consultado, o vigário concordou; mas fez uma exigência<10>natural, do protocolo: alguém teria de representar, na cerimônia do batismo, o padrinho celeste,São Sebastião, levando na mão a imagem dele, ainda que em quadro fosse, no feitio de estampa,

Kandinskyrobert

Aug 2, 2017
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