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LAWSON - Como Arquitetos e Designers Pensam - Capitulo 7 - Problemas Soluções e o Processo de Projeto

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Capitulo 7 - Problemas Soluções e o Processo de Projeto
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    LAWSON, Brian. Como arquitetos e designers pensam. ; tradução: Beatriz 1 Medina. São Paulo: Oficina de Textos: 2011. pp 110-123 2 7 3 Problemas, soluções e o processo de projeto 4 5 A única pessoa que é artista é aquela que consegue fazer um quebra- 6 cabeça a partir da solução. 7 Karl Kraus, Nachts 8 Tudo o que é absorvido e registrado por nossa mente soma-se à coleção de 9 idéias armazenadas na memória. Uma espécie de biblioteca que podemos 10 consultar toda vez que surge um problema. Assim, essencialmente, quanto 11 mais tivermos visto, experimentado e absorvido, mais pontos de referencia 12 teremos para nos ajudar a decidir que direção tomar: nosso quadro de 13 referencia se expande. 14 Herman Hertzberger, Lições de Arquitetura 15 16 7.1 Agora e quando 17 18 O projetista tem uma tarefa mais normativa do que descritiva. Ao 19 contrário dos cientistas, que descrevem como o mundo é, o s projetistas 20 sugerem como poderia ser. Portanto, até certo ponto, todos os projetistas são 21 “futurólogos”. A própria essência do seu trabalho é criar o futuro, ou, pelo 22 menos, algumas características dele. Obviamente essa é uma atividade muito 23 arriscada e traz consigo pelo menos duas maneiras de ser impopular. Em 24 primeiro lugar, o novo costuma parecer estranho e, pelo menos para algumas 25 pessoas, inquietante e ameaçador. Em segundo lugar, é claro que o projetista 26 pode estar errado quanto ao futuro. É muito mais fácil com o maravilhoso 27 beneficio de examinar o fato depois do ocorrido, encontrar falhas em projetos. 28 Os prédios de apartamentos residenciais construídos na Grá-Bretanha agora 29 parecem tão obviamente insatisfatórios que nos perguntamos como é que os 30 projetistas puderam ser tão estúpidos! 31 Mas até numa escala temporal bem mais curta, o projetista tem 32 preocupações e incertezas a respeito do futuro. O cliente gostará do projeto e 33 autorizará sua execução? O projeto será aprovado por legisladores e 34    reguladores? Será caro demais? Será bem aceito pelos usuários? Essas e 1 outras questões fundamentais só podem ser respondidas pela passagem do 2 tempo, e os projetistas precisam manter a calma durante o processo, terminar 3 o trabalho, submetê-lo à prova do tempo e aguardar com paciência o veredito. 4 Essas duvidas e preocupações devem ter atormentado a mente de muitas 5 gerações de projetistas, mas agora há incertezas novas e ainda mais 6 inquietantes a serem enfrentadas pelos projetistas contemporâneos. 7 A sociedade tecnocrática avançada para a qual o projetista 8 contemporâneo trabalha está mudando rapidamente. Ao contrario das 9 gerações anteriores, vivemos num mundo que, em termos comparativos tem 10 pouca tradição e estabilidade cultural. A imensa maioria do nosso ambiente 11 cotidiano foi projetada e ate inventada durante nossa geração. O automóvel e a 12 televisão influenciam profundamente nossa vida cotidiana, numa extensão que 13 talvez espantasse os seus inventores. O meu pai viu praticamente toda a 14 revolução criada pelo automóvel, e eu vivi a revolução criada pelo computador. 15 No entanto, meu pai não tinha muita compreensão das consequências do 16 computador na mudança da nossa vida. Mas agora esse nível de mudança é 17 tão grande que causa impacto sobre a vida de um único individuo. Muitos 18 autores defendem que hoje a tecnologia projetada é um dos aspectos mais 19 significativos da nossa ordem social contemporânea. 20 Sabidamente, Marshall McLuhan (1967) comentou a importância da 21 explosão de informações provocada pela imprensa, pela televisão e pelos 22 computadores, e conclui que a única certeza da vida moderna é a mudança. 23 Dickson (1974) vê a tecnologia como o maior determinante da estrutura da 24 sociedade e defente que os efeitos sociais negativos da alta tecnologia indicam 25 que deveríamos buscar formas de tecnologia alternativas e menos prejudiciais. 26 Toffler (1970) avisou que, se a tecnologia continuar avançando da maneira 27 atual, todos sofreremos a desorientação cultural que ele chama de “choque do 28 futuro”. 29 Por mais que alguns desses autores populares sejam polêmicos, não 30 há duvida de que mudanças assim tão rápidas resultam num mundo cada vez 31 mais difícil de entender e prever, de modo que estamos, ao mesmo tempo, 32 empolgados e temerosos com o futuro. Talvez realmente vivamos no “Mundo 33 em Fuga”, como disse Leach: 34   1 Os homens tornam-se parecidos com deuses. Já não é horar de 2 entendermos nossadivindade? A ciência nos oferece o domonio total 3 do ambiente e do destino mas, em vez de nos alegrarmos, sentimo-  4 nos profundamente assustados. 5 (Leach, 1968) 6 Tudo isso torna a vida ainda mais difícil para o projetista, que hoje 7 alimenta incertezas não só quanto ao projeto, como também quanto à natureza 8 do mundo em que esse projeto terá de se encaixar. Muitas vezes nos últimos 9 anos, vimos o processo de projeto ser realmente ultrapassado por mudanças 10 sociais, econômicas ou tecnológicas. Realmente a natureza da medicina e dos 11 sistemas de gerenciamento da assistência medica mudou depressa demais 12 para projetistas e construtores de hospitais, de modo que edificações novas já 13 estão desatualizadas ou pequenas demais antes mesmo de ficarem prontas. 14 Em áreas urbanas densas como Hong Kong, o valor do terreno muda mais 15 depressa do que a construção de prédios, o que torna os projetos 16 antieconômicos antes que sejam concluídos. O poder dos meios de 17 comunicação de massa pode criar mudanças súbitas e fundamentais na moda 18 e no gosto, fazendo os itens produzidos em massa, como automóveis, 19 parecerem desatualizados muito antes do fim de sua vida útil. Novos materiais 20 e métodos de fabricação podem alterar tão drasticamente o custo dos itens que 21 pode ficar mais caro manter as versões antigas do que comprar itens 22 inteiramente novos. 23 Como, então, o projetista deve reagir a essa incerteza diante do futuro? 24 O arquiteto americano John Johansen descreve a situação de maneira bem 25 concisa: 26 27 Numa época de rápida mudança social e tecnológica, é raro o 28 programador ou arquiteto que seja capaz de pressupor 29 verdadeiramente que consegue lidar sozinho com o presente. Sem 30 duvida, o incorporador ou financista que assume o risco da 31 possibilidade de certa obsolescência funcional é bem míope. 32 (Suckle, 1980) 33 34    Assim, como o projetista pode reagir ao futuro incerto? Ao contrario do 1 cientista, o projetista não pode se candidatar a mais uma bolsa de pesquisa e 2 redigir um artigo elegante para descrever a complexidade da situação. Espera- 3 se que os projetistas ajam. Há três maneiras principais de lidar com isso no 4 processo de projeto, as quais chamaremos de procrastinação, projeto evasivo 5 e projeto descartável. Cada uma dessas maneiras parece mais popular em 6 grupos específicos de projetistas. 7 8 7.2 Procrastinação 9 10 A primeira abordagem, procrastinação baseia-se na idéia de que, de 11 certo modo, o futuro pode tornar-se mais garantido caso esperemos um 12 pouquinho. Quando não é possível ter certeza das nossas ações agora, talvez 13 seja mais fácil tomar a decisão no ano que vem ou no seguinte. Encontro 14 regularmente pessoas tentadas a adotar essa abordagem na hora de comprar 15 um computador. O argumento é que, se eu comprar agora, logo surgirá uma 16 maquina mais nova e ficarei com um modelo ultrapassado. Tento ressaltar que 17 isso também será verdade na semana que vem e no mês que vem e no ano 18 que vem; logo, não há razão para esperar. Essa estratégia também é comum 19 em que toma decisões para períodos longos, como políticos e planejadores 20 urbanos. É com base nisso que levamos tanto tempo para construir o terceiro 21 aeroporto em Londres e que não temos uma politica energética nacional clara. 22 No fundo, essa parece ser uma das razões pelas quais os governos seguem o 23 exemplo de Margareth Thatcher e se afastam do planejamento estratégico 24 central para deixar que o mercado decida. As decisões de projeto tomadas por 25 governos, sejam eles nacionais, estaduais ou municipais, as quais podem mais 26 tarde ser criticadas, são virtuais pesos eleitorais amarrados ao pescoço dos 27 políticos. Então, é muito melhor ser desapegado e livre de toda culpa! 28 A verdadeira dificuldade dessa reação à incerteza é que, quando se 29 identifica um problema, não se pode mais evitar as consequências e tomar uma 30 decisão. Retardar a decisão propriamente dita aumenta a incerteza e, portanto, 31 pode acelerar o problema. Assim que se identifica a necessidade de ações de 32 planejamento numa região deteriorada da cidade, o mais provável é que essa 33
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