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MAPAS, MAPEAMENTOS E A CARTOGRAFIA DA REALIDADE

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Although Geography is a predominantly visual discipline that claims the map as one of its most powerful tools, spatial representations are threatened to lose their meaning in our image-laden society. For this reason, Cartography must be appraised as
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  G EOGRAFARES , Vitória, n o 4, jun. 2003 49 M APAS , MAPEAMENTOS   E   A C ARTOGRAFIA   DA R EALIDADE  Jörn Seemann Departamento de Geociências, Universidade Regional do Cariri (URCA). INTRODUÇÃO Os meios de comunicação, a veiculação de infor-mações pela mídia e as tecnologias do entretenimentocada vez mais sofisticadas representam fábricas gera-doras de imagens que estão transformando a nossa re-alidade em uma seqüência rápida de imagens virtuaisas quais, muitas vezes, não conseguimos processar nanossa mente. Computadores, “multimídia” e “infovias”estimulam a digitalização de textos, imagens, sons emensagens, levando a sociedade a uma inteligênciacoletiva no ambiente de um “ciberespaço” (Lévy,1998). Buoro (2002, p. 34) observa que as imagensocupam um espaço considerável no cotidiano das pes-soas: “Livros, revistas, outdoors , internet, cinema,vídeo, tevê, para citar apenas as fontes mais comuns,produzem imagens incessantemente, quase sempre àexaustão e diante de olhares de passagem”. Para a so-ciedade pós-moderna está sendo declarada a “morteda imagem”, porque o indivíduo do terceiro milênioparece não mais acreditar o suficiente em suas ima-gens para chegar a entendê-las (Debray, 1994, p. 13).Devido à grande quantidade de informações, estabele-cemos relações visuais pouco significativas com asimagens (Buoro 2002, p. 34).Há mais de vinte anos, o geógrafo humanístico Yi-Fu Tuan discutiu os benefícios e perigos de sermosexpostos à magia dos mundos virtuais, constatando que“a experiência visual pode dar prazer e conhecimentobem como enfeitiçar, cativar, subjugar ou até escravi-zar” (Tuan, 1979, p. 413). Ao mesmo tempo, Tuan le-vantou as seguintes questões: O que implica a nossadependência na mídia para nossa compreensão domundo? Será que estamos plenamente conscientes doviés e das limitações dos recursos visuais?Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) afir-mam que a Geografia é uma ciência que procura ex-plicar e compreender o mundo por meio de uma leitu-ra crítica a partir da paisagem e suas imagens. Destamaneira, “ela poderá oferecer uma grande contribui-ção para decodificar as imagens manipuladoras que amídia constrói na consciência das pessoas, seja em re-lação aos valores socioculturais ou a padrões de com-portamentos políticos nacionais” (Brasil, 1998, p. 29).  G EOGRAFARES , Vitória, n o 4, 2003J ÖRN S EEMANN 50 Para a Geografia, essa transição para uma socieda-de imagética causa impactos mais profundos, porquea ciência geográfica é uma disciplina visual, isto é,como caso único entre as ciências humanas, a visão équase indubitavelmente um pré-requisito para as suasbuscas. Recursos visuais caraterizam tanto as ativida-des na sala de aula e no gabinete quanto as aulas decampo, nas quais a observação e o treinamento do olharsão essenciais. Pocock (1981, p. 385) afirma que poresta razão os geógrafos são (ou devem ser) fortementeinteressados na natureza da visão para descrever e com-preender as relações entre o homem e o meio.A visão é geradora de imagens e exerce um papelfundamental na apreensão do real, sobretudo no queconcerne ao ensino de Geografia. Devido a essas cir-cunstâncias, é preciso repensar as práticas do ensinode Geografia para uma sociedade imagética, utilizan-do-se de novas tecnologias e (re)descobrindo diferen-tes linguagens. Esse resgate visual se torna ainda maisimportante diante das influências pós-modernas nopensamento geográfico que dão preferência às metá-foras “auriculares” (diálogo, conversação, polifoniaetc.), em detrimento do “discurso visual” através de“espelhos”, “leituras” e “olhares” (Sui, 2000).A Geografia sempre vem associada aos mapas. Nodiscurso geral da disciplina, os mapas representam aGeografia, e a Geografia continua sendo um sinônimode fazer mapas. A prática, portanto, mostra que o mapa,muitas vezes, não passa de mera ilustração, isto é, ima-gem, emblema ou logomarca sem conteúdos espaci-ais. Fonseca e Oliva (1999, p. 76), ao discutir a Carto-grafia como linguagem geográfica, observam que aCartografia, em vez de se estruturar como linguagemprivilegiada, está se constituindo “como técnica repre-sentativa, derivada automaticamente das tecnologiasmodernas – e por vezes também de imperativos peda-gógicos, numa trajetória de desenvolvimento autôno-mo, alheia às discussões internas e de renovação daGeografia”. A Cartografia parece ser o “carro-chefe”da Geografia, mas poucos geógrafos sabem dirigi-lo,isto é, utilizá-lo! Esse problema se agrava com a apre-sentação midiática das imagens. O mapa, já bastantemenosprezado como documento de valor informativo,corre o risco de se perder no desfile de uma seqüênciacontínua de imagens.Para não perder o espaço na sua disciplina, osgeógrafos precisam ver os mapas como linguagem(carto)gráfica: uma forma de comunicação que devefazer parte do nosso “pensar geográfico”. Vale salien-tar que esse paradigma de comunicação na Cartogra-fia não deve ser visto como mera comunicação de in-formações do cartógrafo para o usuário dos mapas,erroneamente declarada como objetiva e imparcial, mascomo abordagem que leve em conta muitas outrasmaneiras de fazer e usar mapas e a contribuição daarte no processo cartográfico (Sluter Jr., 2001, p. 29).Sob essa perspectiva, o presente artigo objetivapropor algumas visões alternativas da Cartografia comolinguagem, que não correspondem necessariamente aopensamento euclidiano do espaço geográfico e quevisam a uma “Cartografia da Realidade” (Wood, 1978)e uma “Cartografia Social” (Paulston e Liebman, 1994)na sociedade brasileira. Essa concepção da Cartogra-fia enfatiza menos o radical carto (isto é, mapa no sen-tido técnico e “oficial” do termo) e mais o radical grafia (mapeamento e uso de uma linguagem gráfica), deacordo com a definição do mapa como “representaçãográfica que facilita a compreensão espacial de coisas,conceitos, condições ou acontecimentos no mundohumano” (Harley e Woodward, 1987). O espaço nãoseria expresso pela fria geometria das distâncias físi-cas estabelecidas pela escala de um mapa, mas confor-me fatores como tempo, decisões, preferências e ou-tras visões subjetivas. O   PODER   COMUNICATIVODOS   MAPAS É comum tratar a Cartografia como linguagem decomunicação que se fundamenta nas teorias lingüísti-cas de Ferdinand de Saussure, responsável por umageração inteira de estruturalistas, não apenas na suaprópria área, mas também na Antropologia (por exem-plo, Lévi-Strauss) e na Cartografia (Jacques Bertin).Essa visão concebe a linguagem cartográfica como umalíngua com seu próprio sistema de signos verbais (=vocabulário) e regras para o emprego desses signos (=gramática) para efeito de comunicação. Existe, por-tanto, uma diferença clara entre língua e linguagem.Conforme qualquer dicionário (por exemplo, Luft,1991, p. 390), linguagem é a faculdade humana decomunicação, especialmente ( mas não exclusivamen-te !) verbal e abrange tudo que serve para exprimiridéias e sentimentos, isto é, não apenas as palavras,  G EOGRAFARES , Vitória, n o 4, 2003M APAS , MAPEAMENTOS   E   A C ARTOGRAFIA   DA R EALIDADE 51 mas também outros recursos como gráfica, gestos etc.,os quais não obedecem rigorosamente a regras grama-ticais.Os PCNs enfatizam a importância que as “lingua-gens diferentes” (verbal, musical, matemática, gráfica,plástica e corporal) podem ter no ensino de Geografia.Entre os objetivos para o ensino fundamental consta queos alunos (e também os professores!) devem ser capa-zes de utilizar essas linguagens “como meio para pro-duzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar eusufruir das produções culturais, em contextos públicose privados, atendendo a diferentes intenções e situaçõesde comunicação” (Brasil, 1998, p. 7-8).A Cartografia, sem dúvida, representa uma lingua-gem importante para a Geografia, mas não deve ser vis-ta com o rigor de uma gramática da língua portuguesa.No sentido convencional da Cartografia, tratamosos mapas como analogias, ou melhor, como meios deexplanação, enquanto o mapa, quando visto comometáfora, pode representar um meio de expressão(Downs, 1981), levando-se em conta que os mapasdiretamente servem para o desejo ou até a necessidadede visualizar processos do pensamento humano(Muehrcke, 1978, p.254).Mapas, de certa forma, também são imagens, por-que eles também recriam ou reproduzem fenômenosou idéias e representam uma “maneira de ver” (Berger,s/d, p. 9-10, Fremlin e Robinson, 1998). Como obser-va Tuan (1979, p. 417), essas imagens são meros indi-cadores de uma realidade subjacente que não é direta-mente acessível ao olho.Diante do problema da leitura de mapas, precisa-se perguntar se qualquer imagem pode ser lida e sepodemos criar uma leitura para qualquer imagem.Buoro (2002) utiliza expressões como “olhar pensante”e “consciência visual”, afirmando que estamos perden-do a capacidade de pensar por imagens, de produzirimagens ligadas ao contato direto com aquilo que évisto (p. 51). Por isso, é preciso saber observar, por-que “saber produzir imagens verbais e visuais plenasde significação, descrições reveladoras de um envol-vimento direto e concreto com a realidade [são] rela-tos que jamais poderiam ser produzidos por leitores deolhares rápidos e descompromissados” (p. 49).Neste sentido, mapas e imagens também podem servistos como pinturas. Alpers (1999), que analisou oimpulso cartográfico na arte holandesa do século XVII,constata que “desenhamos aquilo que vemos e, inver-samente, ver é desenhar” (p. 56) e que “os espelhos,os mapas e [...] os olhos também podem figurar ao ladoda arte como formas de pinturas assim entendida” (p.84). Substituindo a palavra pintura pelo termo mapa,podemos dizer que há dois modos diferentes de pintar(mapear) o mundo: (1) a pintura (mapa) consideradacomo um objeto no mundo, uma janela emolduradapara a qual dirigimos os nossos olhos e (2) a pintura(mapa) tomando o lugar do olho, com o enquadramentoe a nossa localização assim deixada indefinida (p. 118).Falar de mapas sempre implica a bilateralidade dacomunicação: sempre há leitores e fazedores. A con-fecção de um mapa, entretanto, se limita quase exclu-sivamente ao ambiente acadêmico-científico-tecnoló-gico, fazendo com que o cidadão comum não partici-pe do processo de elaboração, que, aliás, nem sequerconhece. Como resultado, a Cartografia se torna umrecurso inacessível para os “mortais”. Cabe dizer quesaber fazer mapas não significa saber usá-los e vice-versa! Crampton (2002, p. 14) complementa essa ob-servação, afirmando que a maneira como usamos osmapas provavelmente afeta a nossa compreensão de-les: “Talvez se não soubermos como pôr os mapas emprática, ganharemos apenas uma compreensão limita-da deles!” INTRODUZINDO   A   CARTOGRAFIADA   REALIDADE O espaço representado no mapa não correspondeàs propriedades do espaço concebido pela mente hu-mana. Enquanto “o espaço convencionalmente repre-sentado no mapa é contínuo, isotrópico e bidimensio-nal, o espaço humano é descontínuo, anisotrópico etridimensional e sofre mudanças em termos, principal-mente, de tempo e custo” (Oliveira, 1978, p. 25). Mui-tas ciências, portanto, inclusive a Cartografia na suaconcepção como “ciência exata”, fundamentam-se nasidéias do filósofo francês René Descartes, segundo oqual a matemática seria a linguagem essencial e a úni-ca chave para desvendar a natureza, e o próprio espa-ço poderia ser expresso por meio de fórmulas algébri-cas. A matemática seria considerada a ciência ideal e ageometria o espaço ideal (Santos, 2002).Para introduzir uma visão não-cartesiana do espa-ço, Muehrcke (1978, p. 255) utiliza o termo mapea-  G EOGRAFARES , Vitória, n o 4, 2003J ÖRN S EEMANN 52 mento funcional quando chega à conclusão de que omapeamento planimétrico é alheio à nossa concepçãocotidiana do ambiente: nós podemos saber a distânciafísica entre dois pontos, mas essa informação fornecepoucos indícios sobre a distância funcional que depen-de de fatores como trânsito, condições das estradas oumeio de viagem. As subjetividades humanas, portan-to, se escondem atrás da “aparência bem ajustada edefinida que um mapa bem desenhado apresenta, em-prestando-lhe um ar de autenticidade científica quepode ter merecimento ou não” (Wright, 1942, p. 527).Downs (1981, p. 291) afirma que existe uma dife-rença entre o que a mente mapeia e o que o mapa, defato, representa, e levanta três questionamentos (queele mesmo responde logo em seguida):(1)A representação espacial da mente precisa ser se-melhante ao mapa cartográfico? Não necessariamente.(2)Seria o mapa cartográfico a base apropriada paraavaliar as propriedades das representações espaciaisda mente? Possivelmente.(3)Existe um mapa cartográfico padrão que servecomo medida para a comparação? Muito seguramentenão!Como já discutido em outro lugar (Seemann, 2003),a própria cultura ocidental, muitas vezes, concebe comoobjeto o que de fato é um processo. Mapas, por exem-plo, não são meros produtos finais, mas uma seqüên-cia de ações, tanto para sua confecção quanto para sualeitura. Essa observação é de suma importância na horade mapear o espaço vivo e dinâmico cuja descrição eexplicação vem se tornando um desafio para a Geo-grafia e para a Cartografia (Oliveira, 1978, p. 25). Nodia-a-dia, as pessoas não agem com base nos mapasoficiais com suas distâncias em quilômetros, mas se-gundo critérios como tempo, conveniência ou esfor-ço, resultando nem sempre na escolha do caminho maiscurto.Wood (1978) introduz o termo “Cartografia daRealidade”, enfatizando a disjunção entre a percepçãocotidiana de distâncias e do espaço que conhecemosmuito bem através das nossas experiências e o padrãocartográfico para representá-la (Wood, 1978, p. 207).Como poderia ser feita esta “tradução”? Segundo Wood(idem, ibidem), os três princípios seguintes devem serlevados em consideração:(1)a experiência individual é a única medição válidado mundo real,(2)o mundo real é apenas acessível para cada um denós pessoalmente (todos nós temos a nossa própriaautobiografia) e(3)a estrutura do mundo real deve ser uma “geome-tria natural” que se baseia na experiência humana in-dividual.Wood salienta que a “Cartografia da Realidade” nãopretende questionar a Cartografia científica, porque eladeve ser considerada mais um método do que um gera-dor de produtos como mapas. Para ilustrar melhor estasidéias, seguem alguns exemplos tirados do mundo real. Exemplo 1: O tapete de lã O primeiro exemplo diz respeito à noção de escala queas pessoas têm. Wood (1978), de uma maneira nãomuito convencional, narra a história de um casal quedecide comprar um tapete de lã e cuja noção da gran-deza do produto varia conforme as circunstâncias. Afigura 1 mostra como o tamanho real aumenta e enco-lhe na percepção das pessoas. O tapete aparentementegrande, pelo menos a julgar pelo preço, pela propa-ganda da loja e pela forma facilitada do pagamento,encolhe dramaticamente na sala de estar do casal. Masquando a jovem mulher, numa mistura de raiva e de-cepção, começa a chorar e, para o desespero do casal,sua lente de contato cai em cima da mercadoria, o“minúsculo tapete milagrosamente assumiu proporçõesdo deserto do Saara” (Wood, 1978, p. 209). Exemplo 2: O caminho do trabalho para casa As figuras 2, 3 e 4 mostram um exemplo de um ma-peamento funcional do percurso da minha casa emFortaleza para o Campus da Universidade Estadual doCeará, onde ensinei por quatro anos e meio. A figura2A mostra a distância em linha reta entre os dois luga-res (como costuma-se medir nos exercícios de cálculode escala), enquanto a figura 2B representa o percursode ônibus seguindo a rede viária da cidade de Fortale-za. A distância real chega a mais de 18 quilômetros,mas pode parecer muito maior após um longo dia detrabalho ou no horário de pico no trânsito fortalezense,quando há congestionamentos em quase todos os cru-zamentos e quando os semáforos sempre fecham quan-do os carros começam a arrancar. As figuras 3A e 3Bsão desenhos que não apontam a distância, mas o tem-po de viagem num dia tranqüilo e sob condições“estressantes” (muito trânsito, chuva, acidente etc.),  G EOGRAFARES , Vitória, n o 4, 2003M APAS , MAPEAMENTOS   E   A C ARTOGRAFIA   DA R EALIDADE 53 respectivamente. Conforme o meio de transporte (a pé,de ônibus), o tempo de espera nas paradas e no termi-nal e o fluxo do trânsito, o percurso casa–trabalho podeparecer mais curto ou mais longo.Em vez de usar um gráfico do tempo, também épossível traduzir essas informações de uma maneiradiferente. Ao “esticar” ou “encolher” os trechos con-forme a sua demora e o seu tempo de viagem, pode serconfeccionada uma anamorfose do tema, representadana figura 4 ao lado dos mapas com a distância real dopercurso e do tempo de viagem. Nesse exemplo, aanamorfose liga o espaço ao tempo, tornando-se umalinguagem compreensível e de alto potencial comuni-cativo, que permite escolher as melhores rotas e indi-car os trechos e horários a ser evitados. Langlois eDenain (1996) observam que a Cartografia comoanamorfose tem como objetivo adaptar o mapa não àrealidade física, mas à realidade percebida. Em vez deser considerado um modelo da realidade geográfica, omapa se torna um documento de comunicação! Exemplo 3: Mapeamento sensorial A visão é inquestionavelmente o sentido mais podero-so para a geografia. Como conseqüência, deixamos de
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