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MEMÓRIA E TRADIÇÃO: PERCORRENDO OS CAMINHOS DO CULTO DA JUREMA NA PARAÍBA 1 MEMORY AND TRADITION: TRAVERSING THE WAYS OF THE JUREMA CULT IN PARAÍBA

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XVI Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (XVI ENANCIB) ISSN GT 10 Informação e Memória Comunicação Oral MEMÓRIA E TRADIÇÃO: PERCORRENDO OS CAMINHOS DO CULTO DA JUREMA NA PARAÍBA
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XVI Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (XVI ENANCIB) ISSN GT 10 Informação e Memória Comunicação Oral MEMÓRIA E TRADIÇÃO: PERCORRENDO OS CAMINHOS DO CULTO DA JUREMA NA PARAÍBA 1 MEMORY AND TRADITION: TRAVERSING THE WAYS OF THE JUREMA CULT IN PARAÍBA Maria Nilza Barbosa Rosa, UFPB Bernardina Maria Juvenal Freire de Oliveira, UFPB Resumo: Este artigo de revisão apresenta etapas parciais do trabalho de pesquisa em desenvolvimento cujo objetivo principal é compreender a tradição do Culto da Jurema em João pessoa e sua importância informacional, considerando o papel das subjetividades na transformação da realidade e na construção de memórias sociais. Nesse sentido, este trabalho busca reafirmar as relações existentes entre informação e memória, por meio de uma revisão bibliográfica, a fim de traçarmos as bases para um quadro conceitual e metodológico necessário para a sustentação da pesquisa. Nesta direção temática, em trabalho de campo, a primeira perspectiva a que se propõe, é saber quais motivações fizeram certos indivíduos escolher entre o Culto da Jurema a outras práticas religiosas em João pessoa. A segunda refere-se à observação do processo de expansão e/ou retração dos seguidores de práticas religiosas, as atividades a que essa prática dá origem, sua estrutura ocupacional e social, entre outros aspectos. O trabalho situa-se na abordagem quantitativa e qualitativa e o aprofundamento da análise seguirá o método descritivo-interpretativo como predominante para compreensão sobre o fenômeno. O repertório consiste na observação dos cerimoniais, da estrutura hierárquica entre as entidades e os integrantes do culto, os ritos de passagem e a relação desses ritos com seus participantes, e de que modo estas práticas se convergem ao significado cultural da Jurema. Este estudo cria oportunidade de olhar o espaço da Jurema, sob a perspectiva de sua trajetória, de sua historicidade e da preservação da memória, além de suscitar reflexões sobre a produção e disseminação de informação. Palavras-chave: Informação. Tradição da Memória. Jurema. Abstract: This review article presents partial stages of on going research work whose main objective is to understand the Jurema Cult tradition in Paraíba and its informational importance, considering the 1 O conteúdo textual deste artigo, os nomes e s foram extraídos dos metadados informados e são de total responsabilidade dos autores do trabalho. role of subjectivity to transform reality and to build social memories. Thus, this paper seeks to reaffirm the links between information and memory through literature review in order to trace the basis for a conceptual and methodological framework for research support. On this thematic direction, with field work under way, the first perspective it proposes is to know what motives made certain individuals choose between the Cult of Jurema other than other religious practices in Paraíba. The second one refers to the observation of the process of expansion and/or contraction of the number of followers of religious practices, the activities to which this practice gives rise, the occupational and social structure, and some other relevant aspects. The work uses quantitative and qualitative approach and further analysis will follow the descriptive and interpretative method essencial for understanding the phenomenon. The repertoire consists of observing the ceremonial sessions, the hierarchical structure between the entities and the cult members, rites of passage and the relationship of these rites with its participants, emphasizing how these practices converge to the cultural meaning of Jurema. This study creates opportunity to look at the space of Jurema from the perspective of its historicity and memory preservation, and cast light on the production and dissemination of information. Keywords: Information. Tradition of memory. Jurema. 1 INTRODUÇÃO Para bem conhecer uma coisa é preciso tudo ver, tudo aprofundar, comparar todas as opiniões, ouvir os prós e os contras (Allan Kardec, Rev. Espírita, set de 1866). A preocupação com experiência religiosa de indivíduos e grupos sociais representa tópico central em várias ciências dedicadas ao estudo do homem. Sob a influência desse tema propomos um estudo direcionado à cultura da memória, ou seja, as memórias que conectam passado e presente dos grupos sociais e que orientarão as relações com o futuro. Nesta ótica, buscamos a abordagem de temas relacionados à tradição da memória popular, que nos conduz a experiências de indivíduos e grupos sociais. A Cultura Popular, especificamente a Memória das Tradições, retratando a realidade e o imaginário popular, certamente contribui para incentivar os relacionamentos sociais. Esta literatura vem atraindo a atenção de estudiosos como fonte e campo de pesquisa, também na Ciência da Informação. A Representação da Informação e do Conhecimento e as práticas culturais populares nos despertaram para a pesquisa nesta área, na qual buscamos revitalizar os estudos sobre memória social e coletiva, nos termos empregados pelos estudos antropológicos. Nesse sentido, o foco atual de pesquisa é o Culto da Jurema, bem como os referenciais de memória dessas práticas, entre outros aspectos. A jurema pode ser uma planta, uma bebida, uma entidade. Como uma entidade, a Jurema é a personificação espiritual das forças das florestas brasileiras, mais especificamente, das matas nordestinas. Como forças atuantes na permanência e atualização de uma cultura, os mitos ganham relevância para coesão de grupos sociais, instituindo sentido na organização de determinadas sociedades. O mito é, pois, memória coletiva, produto de experiências vividas pelos sujeitos e internalizadas em práticas de rituais e de cerimônias. Nesta direção temática, a primeira perspectiva a que se propõe é saber as motivações que fizeram certos indivíduos escolher entre o Culto da Jurema a outras práticas religiosas. A segunda perspectiva refere-se à observação do processo de expansão e/ou retração dos seguidores de práticas religiosas, as atividades a que essa prática dá origem, sua estrutura ocupacional e social, entre outros aspectos. Na modalidade de enfocarmos o fenômeno da memória, no que se refere ao Culto da Jurema, buscamos ainda a confluência de vários outros tipos religiosos, como a Umbanda, o Catolicismo, o Candomblé e o Kardecismo. Reconhecendo a importância da reflexão sobre a realidade e, quiçá, do reconhecimento de ambivalências entre a influência católica e das tradições culturais na prática da Jurema, surge a possibilidade de vislumbrarmos algumas digressões sobre a dinâmica das relações desta tradição com outras religiões mediúnicas e de possessão. Investigar os diversos temas da religiosidade no Brasil é um desafio, principalmente quando se tenta juntar propostas teóricas e metodológicas nos estudos sobre memória social, seja nas formas e conteúdo dos registros, seja na busca de preservação da identidade de grupos sociais e de hábitos e costumes em seus diversos diálogos para preservação ou ressignificação de uma memória coletiva que os une enquanto uma sociedade específica (KOURY, 2000). As formas culturais populares consoantes ao religioso abrem caminhos para entendimento de como se dá a ascensão da Jurema nesse campo. Ou seja, um espaço que se estrutura na interação entre diversas formas de expressão articuladas em torno de elementos, tanto da tradição quanto da religião, da política, e que por este motivo, podem ser publicamente acessíveis. São fatores representacionais que se reúnem, se transformam ou contrastam entre si. Em termos processuais, esta modalidade de análise faz-se necessária para a explicação da variedade no comportamento humano, em diferentes contextos culturais ou situacionais. Conceitos como os de símbolo, imagem, representações, saber organizado ajudam na compreensão de diferentes formas de processamento e de codificação do estímulo e exprimem os diversos modos de organização das respostas. Na esteira do tema da informação e da memória, propomos realizar um estudo do panorama do contexto religioso no Brasil, incluindo um estudo bibliográfico sobre o surgimento do Culto da Jurema na Paraíba. Complementaremos este estudo destacando as contribuições do catolicismo, do kardecismo, da umbanda e do candomblé para o Culto da Jurema. Paralelamente, mapearemos os locais em que ocorre o Culto da Jurema na cidade de João Pessoa. Este estudo encontra-se em desenvolvimento. Já em trabalho de campo, selecionaremos alguns terreiros para realização do estudo, nos quais buscaremos identificar os seguintes elementos: cerimonial, hinos, danças e transe ritual, a estrutura hierárquica entre as entidades e os membros do culto, além de observar e enumerar os ritos de passagem, a relação desses ritos com seus participantes e de que modo estas práticas se convergem ao significado cultural da Jurema. Os dados serão construídos a partir da observação prolongada e sistemática dos eventos nos quais estão inscritos os processos que analisamos. Ou seja, a memória de uma sociedade cuja cultura é transmitida essencialmente por via oral, reforçando a ideia de que tais narrativas constituem uma síntese da cultura popular e ajudam na perpetuação da sociedade juremeira. Complementaremos a abordagem metodológica realizando entrevista não padronizada com mestres do terreiro e demais integrantes do grupo. As histórias sobre o Culto da Jurema, narradas por seus integrantes, certamente servirão de base para demonstrarmos que a investigação e a análise das histórias e silêncios do testemunho oral podem revelar a natureza e os significados da experiência de cada integrante. Complementaremos a atividade de coleta de dados, realizando o reconhecimento da estrutura espacial dos centros, as atividades desenvolvidas em cada culto, a estrutura ocupacional e social e os processos de mudança ocorridos nesses espaços. Trata-se, portanto, de estudo descritivo analítico, utilizando como recurso metodológico a história oral e a etnografia. O testemunho oral pode gerar novas histórias, e a criação de novas histórias pode contribuir para o processo de dar voz a experiências vividas por indivíduos e grupos. As observações dos rituais, as informações colhidas com as narrativas dos integrantes, as conversas informais, certamente fornecerão material empírico significativo para análise, como também poderão aflorar a nossa percepção a respeito da função social da Jurema e sua forma de ser. Esse trabalho não se limita à discussão e conceituação da memória da tradição. É, antes de tudo, uma tentativa de entendimento desse conceito para que, a partir dele, possamos apreender a sociedade, as crenças, os ritos, representados no Culto da Jurema na Paraíba. 2 INFORMAÇÃO, CULTURA, RELIGIOSIDADE O estudo em pauta compreende a informação na conjunção de outras disciplinas, para o alinhamento interdisciplinar da Ciência da Informação com temas que insurgem nos debates de outras ciências. Nesse sentido, algumas áreas do conhecimento têm contribuído para uma percepção mais ampla de tal conceito. Capurro e Hjørland (2007) assinalam uma tendência em incorporar a interdisciplinaridade na área da Ciência da Informação, após apresentarem o conceito de informação no sentido de conhecimento comunicado. Os autores entendem que, a depender de diferentes perspectivas, é possível verificar o que está sendo informativo em um determinado contexto. Informações e representações produzidas em nossa sociedade, em determinada época, ajudam os estudiosos a compreenderem que articulações essas informações e representações possuem com os diferentes grupos sociais, as diversas formas de referência às coisas religiosas resultantes do convívio de culturas diversas e de seus modos de comunicação até reconstituí-las como um sistema articulado com a totalidade histórica. A informação é uma qualidade da realidade material a ser organizada, e não existe fora do tempo (ZEMAN, 1970). Tal compreensão a respeito de informação abre brecha para ampliarmos o seu conceito, inserindo nele a produção de significados socialmente aceitos, isto é, a produção de um bem simbólico, sua disseminação e consumo, que implica na sua própria reprodução, ou seja, na própria organização do conhecimento. A Ciência da Informação é um campo interdisciplinar de conhecimento e responde aos problemas informacionais da sociedade, de sua origem voltada ao uso da informação nos diferentes contextos humanos. Essa consideração de Saracevic (1996) se estende às subáreas da Ciência da Informação, como a preservação de lugares da memória da humanidade considerada como um aspecto central de preocupação e ocupação dos sujeitos que atuam nos espaços destinados à memória. Buckland (1994) apresenta três conceitos de informação: informação como processo; informação como conhecimento; e informação como coisa. No primeiro caso, o autor esclarece que o conhecimento do receptor se transforma quando o transmissor informa (intangível). No segundo caso, a informação como conhecimento refere-se ao cúmulo de informações em determinados lugares, coisas e pessoas (intangível). Complementando a explicação da informação como coisa, Buckland (1994) considera qualquer expressão, descrição ou representação, nesse caso, a informação pode ser considerada tangível e intangível. A teoria da representação aproxima-se do conceito de informação, ampliando os pressupostos de Buckland (1994), devido à sua relação com o receptor da informação. A informação como processo faz parte de uma constante cultural, sendo exterior ao sujeito. A informação está no mundo e a cultura está na mente humana, sendo formada pelo sentido, pelas experiências e valores do indivíduo. Capurro e Hjørland (2007) e Buckland (1994), destacam que a informação é mais material, enquanto o conhecimento é mais imaterial. A comunicação entre os emissores e receptores, do ponto de vista comunicacional, histórico e cognitivo, é o que irá produzir elementos que são da ação cultural e científica do ser humano. A organização do conhecimento como área de estudo, se diferencia em duas concepções de conhecimento: uma, enquanto processo cognitivo individual constitui-se em uma certeza subjetiva ou objetivamente conclusiva da existência de um fato ou do estado de um caso adquirido por meio de reflexão; e a outra, enquanto algo sobre o qual existe certo consenso social. Albuquerque (2001) esclarece que os sistemas de organização do conhecimento existem desde os tempos remotos e estão presentes em todas as áreas do conhecimento humano, de modo mais simples aos mais complexos. Para a autora, coletar, organizar, identificar, catalogar e classificar qualquer tipo de suporte informacional constitui atividade que norteia o tratamento de seus acervos e que fazem dessas instituições, depositárias de coleções, parte da história de diferentes culturas. Albuquerque (2011) coloca ainda em evidência a organização do conhecimento, e ressalta que a organização diz respeito ao desenvolvimento de teorias em determinadas áreas de assunto com o objetivo de elaborar instrumentos para representarem essas informações. Para ela, as principais características da representação da informação residem na substituição do texto do documento por sua descrição abreviada, utilizada como um artifício para recuperar o que é essencial no documento, isto é, o tema (ALBUQUERQUE, 2011, p.03). Ao estudarmos a história das culturas e o modo pelo qual elas foram sendo transmitidas de geração para geração, verificamos que, na transmissão de seus valores de base, a informação foi o seu principal veículo. Informação oral foi a principal forma pela qual recebemos a herança da tradição que nos cabe transformar, tal qual, outros o fizeram antes de nós, com os valores herdados e, por sua vez, renovados. A propósito do termo Cultura, Le Goff (2003) preceitua que a materialidade da cultura, no momento em que ela se exprime de maneira abstrata, a cultura material não está mais em questão. Isso designa não apenas o domínio das representações mentais, do direito, do pensamento religioso e filosófico, da língua e das artes, mas também as estruturas socioeconômicas, as relações sociais e as relações de produção, em suma a relação entre os homens (LE GOFF, 2003, p ). Por sua vez, a cultura popular a partir das características que lhe são peculiares é mediada pela interpretação que cada povo tem das histórias populares narradas, da recepção contextualizada na história local. Assim, a cultura popular mescla dados do dia a dia, associa o passado ao presente preservando a memória, além de constituir uma maneira própria de ver o mundo; assim, a cultura popular compõe seu enredo com contribuições que nascem de intervenções da própria comunidade (CANCLINI, 2003). Ainda no que se refere ao termo cultura popular, Canclini (2003, p.12) revela a necessidade de redefinir o que hoje é cultura popular e que essa redefinição precisa juntar-se a uma estratégia de investigação capaz de abranger tanto a produção, quanto a circulação e o consumo. Canclini (2003, p. 29) limita o uso do termo cultura: À produção de fenômenos que contribuem a representação ou reelaboração simbólica das estruturas materiais, para a compreensão, reprodução ou transformação do sistema social, ou seja, a cultura diz respeito a todas as práticas e instituições dedicadas à administração, renovação e reestruturação do sentido. No que se refere aos fenômenos culturais tradicionais, Canclini (2003, p.220) esclarece que são hoje o produto multideterminado de agentes populares e hegemônicos, rurais e urbanos, locais, nacionais e transnacionais. Por extensão, é possível pensar que procedentes de diversas classes e nações o popular é constituído por processos híbridos e complexos, usando como signos de identificação elementos. Chauí (1982) entende que a cultura popular é construída por práticas realizadas em uma cultura dominante, podendo apropriar-se ou resistir a ela. Nesse sentido, esclarece a autora: Fala-se de cultura popular enquanto cultura dominada, invadida, aniquilada pela cultura de massa e pela indústria cultural, envolvida pelos valores dominantes, pauperizada intelectualmente pelas restrições impostas pela elite, manipulada pela folclorização nacionalista, demagógica e explorada, em suma, impotente face à dominação e arrastada pela potência destrutiva da alienação (CHAUÍ, 1982, p. 63). Em seus estudos sobre a cultura popular, Xidieh (1967) destaca a complexidade oculta na aparência singela. Chama a atenção este autor, para o fato de que as elaborações da literatura popular flutuam entre o real e o imaginário e projetam-se em torno de personagens humanos, animais, vegetais e do mundo inanimado. Do silêncio do diálogo entre o espiritual e o material resultam fantasmas, almas do outro mundo, entidades espirituais, ou seja, criações míticas de uma cultura híbrida. São elementos que exsudam de um ato de fé, sem explicação racional, recebida como uma mensagem na qual se lê as marcas da intervenção de Deus em nosso mundo. Definir a cultura popular não é tarefa simples, pois envolve, no dizer de Bosi (2001, p.63), escolha de um ponto de vista, e em geral, implica tomada de posição. Como se vê, o popular revela uma plasticidade conceitual, imprimindo uma definição que passa por movimentos intrínsecos ao próprio conceito, inserido nos limites teóricos da tradição e atualizado para as atuais necessidades e exigências. No que se refere ao conceito de religião, Geertz (2001) considera-o como um sistema de símbolos que atua para estabelecer modos de longa duração e motivações nos homens por meio de formulação de concepções de ordem geral da existência. O autor se debruça sobre a crença de que, revestidos dessas concepções, com tal aura de factualidade é que os humores e motivações parecem singularmente realistas. A preocupação com a experiência religiosa de indivíduos e grupos sociais representa tema central em várias ciências dedicadas ao estudo do homem. Esta preocupação aparece na Ant
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