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O DISCURSO E O PODER POLÍTICO DO CORONEL DO CACAU NA IMPRENSA REGIONAL NO ANO DE 1949: BREVE ANÁLISE

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O DISCURSO E O PODER POLÍTICO DO CORONEL DO CACAU NA IMPRENSA REGIONAL NO ANO DE 1949: BREVE ANÁLISE Josemar Tonico 1 Maria D Ajuda Alomba 2 RESUMO Este artigo aborda um breve estudo do discurso e das
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O DISCURSO E O PODER POLÍTICO DO CORONEL DO CACAU NA IMPRENSA REGIONAL NO ANO DE 1949: BREVE ANÁLISE Josemar Tonico 1 Maria D Ajuda Alomba 2 RESUMO Este artigo aborda um breve estudo do discurso e das posições assumidas pelos jornais que circulavam nas cidades do sul da Bahia, Ilhéus e Itabuna, sobre o poder que o coronel do cacau assumiu quando migrou das fazendas para o cenário político regional. O objetivo principal dessa pesquisa é o de analisar aspectos do funcionamento do discurso do Jornal Intransigente, de Itabuna, e do Jornal Diário da Tarde, de Ilhéus, sob a política e a interferência do poder político do coronel do cacau, no ano de A pesquisa se fundamenta nos estudos históricos e culturais de Andrade (2003), Lippiello (1996), bem como nas contribuições da Análise do Discurso de Pêcheux (1993) e Orlandi (2006), entre outros. Palavras-chave: Discurso. Coronéis. Jornais. ABSTRACT This article covers a brief study of the speech and the positions taken by the newspapers that circulated in the cities of southern Bahia, Ilheus and Itabuna, about the power that the colonel cocoa assumed when migrated from farms to the regional political environment. The main objective of this research is to analyze aspects of the functioning of the speech of the Journal Intransigente, Itabuna, and the Journal Diário da Tarde Ilheus, under the political interference and political power of colonel cocoa in The research is based on the historical and cultural studies of Andrade (2003), Lippiello (1996), as well as the contributions of Discourse Analysis Pecheux (1993) and Orlandi (2006), among others. Keywords: Discourse, Colonels, Newspapers. Introdução A região sul da Bahia foi, e ainda é, uma região fortemente marcada pela cultura do cacau. Nessa história, o coronel do cacau, durante certo período, desempenhou relevante papel regional nas esferas sociais, históricas e culturais. Conforme Maria Palma Andrade (2003, p. 31), a história da região se mistura com a história dos coronéis do cacau, cuja influência foi positiva, como força propulsora do desenvolvimento regional, pois de 1890 a 1930 eles influenciaram, direta e indiretamente, o 1 Mestre em Letras: Linguagens e Representações pela Universidade Estadual de Santa Cruz BA. 2 Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade de Alcalá de Henares-Espanha. Página200 funcionamento das instituições e a dinâmica regional. Segundo Sergio Lippiello (1996, p.18), a cultura ilheense e, consequentemente, a cultura regional, não é a do povo que imigrou para cá, mas a dos que se identificam com o cacau, que se tornou uma divindade, que tudo abrange e justifica e todos vivem dele e com ele passam a viver para ele, [...] criando a cultura de adoração do cacau, quase uma religião, criando uma mitologia (LIPIELLO, 1996, p.20). A história do coronelismo na região sul da Bahia não é longa, mas, como elemento de poder, eles se colocavam acima das instituições jurídicas, religiosas e administrativas. E é nesse sentido que Andrade (2003, p.31) afirma: A história do coronelismo na região do cacau é curta e surgiu na época em que a cacauicultura adquiriu status de riqueza e poder. Os coronéis foram agentes de desenvolvimento social e urbano, como plantadores de cacau e fundadores de cidades. Eram o donos do poder. Promoviam o desenvolvimento regional e sua força política estava acima do Intendente, do Padre, do Juiz e do Delegado. O cargo de Intendente equivalia ao que é hoje o Prefeito. Eles manipulavam as pessoas conforme seus interesses maiores, mantendo para isso, o serviço de pequenos exércitos de jagunços que, a seu mando, saqueavam fazendas e matavam aqueles que o contrariavam. Contudo, muitos coronéis preferiam a lei à violência (grifo nosso). Dito isso, podemos perceber que o termo coronel tem uma forte relação com a questão do poder regional, pois eles, usando do seu poderio econômico, conseguiam se sobrepor, via articulação com o Estado, sobre as demais esferas da administração local. Assim, desde a consolidação da lavoura cacaueira no sul da Bahia, na segunda metade do século XIX, segundo Gustavo Falcón (1995, p. 26), que se dá, sobretudo, pelos atrativos preços do produto nos mercados internacionais, esse elemento [o coronel] passa a ter notoriedade, sobretudo pelo uso da força coercitiva e econômica. De acordo com Andrade (2003), na região sul da Bahia havia dois distintos tipos de coronéis: os que adquiriram (compraram) suas patentes na Corporação dos Oficiais da Guarda Nacional 3, preenchendo requisitos legais; e os que, enriquecidos, conquistavam o poder político e o respeito da população, a qual passava, por conseguinte, a chamá-los de coronéis, como símbolo de respeito. 3 De acordo com Andrade (2003, p. 32) a Guarda Nacional foi criada em 1831 e constituiu a Coorporação dos Oficiais da Guarda Nacional, no final do século, com uma medida que objetivava mais uma fonte de renda, com a venda de patentes. [...] Nem todos os coronéis da zona do cacau eram efetivamente coronéis da Guarda Nacional, mas o apelido coronel ficou generalizado. Página201 Retomando os estudos de Falcón (1995, p. 64), podemos entender que o declínio dos coronéis começou a ocorrer por volta de 1930 com o advento do Estado Novo, quando foi retirando do coronel a condição de centro das decisões. Também nessa época começaram aparecer as primeiras pragas e sinais de crises na região, que se agravam com a queda do preço do cacau no cenário internacional. Comum a toda sociedade em crescimento, os jornais reportam o cotidiano e materializavam discursivamente os fatos e acontecimentos da vida regional. Nessa época em Ilhéus, circulava o jornal Diário da Tarde, fundado em 1928; e, em Itabuna, O Intransigente, fundado em 1926, ambos de propriedade de coronéis e, com base nos enunciados apresentados neles, vamos observar como se dava a influência do poder político dos coronéis. Breve histórico Na década de 50, Ilhéus e Itabuna eram cidades em pleno desenvolvimento. A estrada que ligava as duas cidades estava sendo pavimentada, estavam sendo iniciadas as obras da construção do Porto Internacional do Malhado (inicialmente criado para atender às demandas de exportação do cacau da região), ocorriam obras de melhoramentos nas duas cidades, e também havia uma efervescência cultural e social, patrocinada, ainda, pelos coronéis de cacau. Michel Pêcheux e Catherine Fuchs (1993) mostram que a AD se constitui no espaço de questões criadas pela relação entre três domínios: a Linguística, o Marxismo e a Psicanálise. A Linguística se constitui pela não transparência da língua, a História tem seu real afetado pelo simbólico e o sujeito do discurso é descentrado, pois afetado pelo real da língua e também pelo real da história. As noções de sujeito e de linguagem, que estão na base das Ciências Humanas e Sociais no século XIX, já não têm atualidade após a contribuição da Linguística e da Psicanálise. Ampliando essas relações transdisciplinares da AD com as outras áreas de conhecimento, Pêcheux e Fuchs (1993, p ) discorrem sobre esses entrecruzamentos epistemológicos: a o materialismo histórico é compreendido como a teoria das formações sociais. É na/pela história que se pode observar as condições de produção do Página202 discurso, ou seja, o porquê da aparição de um enunciado em um dado momento e lugar e não outro em seu lugar. b - a Linguística é tomada como teoria dos mecanismos sintáticos e dos processos de enunciação. Na AD, trabalha-se com elementos linguísticos que possibilitam a materialização de discursos; observa-se no material de análise a inter-relação constitutiva da linguagem face à sua exterioridade. c - a teoria do discurso é o tratamento dado a determinação histórica dos processos semânticos. Refere-se à produção dos sentidos decorrentes dos fenômenos históricos (PÊCHEUX; FUCHS, 1993, p ). A Análise do Discurso, de linha francesa na vertente pecheutiana, propõe um quadro teórico que associa o linguístico ao socio-histórico, à ideologia (Althusser) e ao discurso (Foucault). Para a AD, o enunciado muda de sentido a depender do momento histórico em que foi produzido. Segundo Freda Indursky e Maria Cristina Leandro Ferreira (2007, p. 15), a AD soube dar um caráter revolucionário ao modo como abordou o papel da linguagem, rompendo com a visão estruturalista. Sob o viés discursivo, a linguagem ganha um traço diferencial no que tange a constituição do sujeito e do sentido. Pensando o sentido de um texto, percebemos que esse significa de forma diferente para sujeitos diferentes, a depender do local, da apropriação desse texto. Segundo Terezinha Marlene Lopes Teixeira (2005), o aporte da teoria psicanalítica, com base nos estudos de Lacan, permite a inclusão daquilo que foi recalcado na fundação estruturalista da linguística: o sujeito e o sentido, pois O projeto pêcheutiano de análise de discurso constrói-se sob a articulação de três regiões do conhecimento científico, a saber: materialismo histórico, [...], a linguística [...] e teoria do discurso [...], as três regiões atravessadas e articuladas por uma teoria da subjetividade de natureza psicanalítica (TEIXEIRA, p. 17). No tocante às contribuições de Jacques Lacan, residem, sobretudo, na retomada de forma crítica o conceito de signo em Ferdinand Saussure, focalizando, o conceito de significante. Em uma de suas retomadas da Linguística, pode-se ler: o significante, por sua natureza, sempre se antecipa ao sentido, desdobrando como que adiante de sua dimensão. [...] Donde se pode dizer que é na cadeia significante que o sentido insiste, mas que nenhum dos elementos da cadeia consiste na significação de que ele é capaz nesse momento. Impõe-se, portanto, a noção de um deslizamento incessante do significado sob o significante (LACAN, 1988, p. 297). Página203 Podemos concluir, que sem cadeia de significante não há sujeito (do inconsciente) e, ao mesmo tempo, o sujeito advém representado nesses significantes que o constituem. De acordo com Lacan (1988, p. 296), para haver sujeito há que haver uma inscrição do significante, ou melhor, de um primeiro significante e de uma cadeia que a ele sucede. O inconsciente é marcado como uma linguagem, funciona à moda de uma linguagem. Segundo Lacan (1988, p. 297), com efeito, o que o inconsciente mostra é que esta estrutura significante já está lá antes que o sujeito tome a palavra e com ela se faça portador de alguma verdade. Nessa construção teórica, fica clara a mudança de paradigma na AD. Teixeira (2005) assinala a substituição da dicotomia língua/fala saussureana por língua/discurso. Também o conceito de função é substituído por funcionamento da linguagem, ou seja, percebe-se que existe algo que é exterior a fala, mas que condiciona o falar. No Brasil, a grande expoente e destaque no cenário da AD, de vertente pecheutiana, é Eni Orlandi, que difundiu os estudos de Pêcheux e institucionalizou os estudos do discurso em várias universidades brasileiras. Orlandi (2006, p. 14) afirma: ao se separar língua e fala, separa-se ao mesmo tempo o que é social e o que é histórico. Ela explica essa quebra de paradigma feita pela AD: A dicotomia saussuriana entre língua e fala fazia com que se pudesse analisar a língua enquanto sistema com sua organização e funcionamento mas tornava impossível a análise da fala, que se apresentava assim como a-sistemática e desorganizada. Ao deslocar, não dicotomizando, para a relação língua e discurso, o discurso desta vez é sujeito à análise de seu funcionamento, contanto que atentemos para a relação do que é linguístico com a exterioridade que o determina. No discurso temos o social e o histórico indissociados (ORLANDI, 2006, p. 14). Assim, fechando essa discussão sobre as articulações com as áreas de conhecimento, Orlandi (2007, p. 20), vai estabelecer o que a AD vai retirar delas: [...] A AD Interroga a Linguística pela historicidade que deixa de lado, questiona o Materialismo perguntando pelo simbólico e se demarca da Psicanálise pelo modo como, considerando a historicidade, trabalha a ideologia como materialmente relacionada ao inconsciente, sem ser absorvida por ele. Página204 Assim, de acordo com essa teoria, a linguagem não deve ser considerada apenas no seu aspecto formal, linguístico, mas vinculada a formações sociais, históricas e ideológicas. A língua é, portanto, o lugar onde se materializa o discurso, objeto de estudo da AD, e onde se realiza a produção de sentidos. Análise de enunciados Nos enunciados apresentados abaixo (um pequeno recorte), veremos como se dá o conflito entre os jornais e os ocupantes de cargos diretivos dos municípios. Esses conflitos aparecem de forma direta e calorosa no jornal O Intransigente, e mais indireta e moderada no jornal Diário da Tarde. Dessa forma podemos estabelecer duas formações discursivas no tocante ao trato dos jornais com os representantes dos cargos diretivos nos respectivos municípios. De acordo com os enunciados elencados: uma formação discursiva se configura como favorável a gestão vigente e outra contrária a gestão vigente. Assim, os enunciados abaixo (1) e (2) mostram esse antagonismo entre as formações discursivas que permeiam a posição do jornal O Intransigente frente ao prefeito da cidade: 1 - O sr. Ubaldino não quer dar a conhecer. Parece ter chegado à conclusão de que está fazendo um papel ridículo à frente da administração de Itabuna, mal ajudado ainda, pois não há um só dos seus auxiliares de quem se possa dizer benza-te Deus (Coluna Política& Política. Edição nº 26 de 05/01/49). 2 - Fazendo justiça, louvamos a atitude forçada do Prefeito Brandão, que compungindo embora, recalcando seus inalienáveis caprichos políticos, lembrou-se, à ultima hora que era Prefeito do município e devia, como tal, recepcionar condignamente o governador. Nossos parabéns (Coluna Política& Política. Edição nº 37 de 29/01/49). Como podemos observar, o enunciado (1) tem a predominância de uma formação discursiva contrária à gestão vigente, enquanto que a outra (2) uma formação discursiva favorável à gestão vigente. Desse modo, o enunciador, que descredencia e elogia ao Página205 mesmo tempo, ocupa uma posição sujeito. E essa posição sujeito atende a uma ideologia dominante. Se as atitudes do prefeito não estão de acordo com sua ideologia políticopartidária, estabelece-se o conflito, entretanto, se este se aproxima de sua ideologia, o enunciador atenua a crítica. Contudo, por vinculação a formação discursiva contrária à gestão vigente, o jornal O Intrangisente vai ter recorrente em sua materialidade discursiva a questão de negativa a prática política do prefeito. No tocante, vemos que o discurso está sendo levado em conta como uma materialidade de uma ideologia. Pois, segundo Pêcheux e Fuchs (1993, p. 11), uma ou mais formações discursivas inter-relacionadas vão determinar o dizer, numa dada conjuntura. Em outras palavras, o fato de um jornal posicionar-se favoravelmente ou contrariamente a um prefeito, vai estar condicionado à vinculação que este tem com o partido do coronel, que é dono do jornal. Todo discurso concreto produzido por um sujeito no interior de uma formação discursiva está, portanto, dependente dos elementos pré-construídos. Segundo Pêcheux (1993, p. 147), o discurso sempre fala antes, em qualquer lugar e independentemente do sujeito do enunciado. O que fica claro no jogo político é que o poder é que o foco, a briga reside em que está ou não com o poder. Nos próximos enunciados (3) e (4) percebemos uma posição menos incisiva no tocante ao representante municipal. As formações discursivas que permeiam a posição do jornal Diário da Tarde frente ao prefeito da cidade são de tom moderado, entretanto há posições opostas. Sendo que o enunciado (3) tem a predominância de uma formação discursiva favorável à gestão vigente, enquanto que a outra (4) uma formação discursiva contrária à gestão vigente. 3 - Quanto á posição do prefeito Artur Leite da Silveira, que alguns admitiam esta um tanto divorciado do espírito partidário, estamos informados que s.s. acertou os ponteiros com sr. Eunapio de Queiroz e vai demonstrar, através duma nova orientação político-administrativa, que não haverá solução de continuidade na orientação que se traçou, fiel aos compromissos assumidos com os interesses de Ilhéus, o seu partido, a UDN e o PRP (Coluna O momento político na zona do cacau. Edição nº de 06/01/49). Página206 4 - A nomeação de administradores para os novos distritos a serem criados, ao que presume constituirá motivo para outros choques entre os partidos que forma a coligação do prefeito. Sabe-se, por exemplo, que o PRP está reivindicando para um seu candidato a administração do distrito de Pouso Alegre. Por outro lado, afirma-se que o atual administrador de Itajuipe e que tem ligações no prospero distrito, juntamente com o sr. Humberto Badaró, estariam empenhado em fazer o dirigente de Pouso Alegre (Coluna O momento político na zona do cacau. Edição nº 6133 de 11/01/49). O jornal Diário da Tarde, por ter uma vocação menos engajada no que se refere a política, porém não menos ideológica, trata o administrativo municipal sob vigilância velada, pois coaduna do sua ideologia partidária. Contrariamente, do que ocorre com o jornal da cidade vizinha, em que o posicionamento é mais contundente. Desse modo, percebendo os enunciados (1) e (4) em oposição ao (2) e (3), vemos claramente que a política no contexto regional configura-se como uma formação ideológica para os jornais em questão, permitindo, a depender, da filiação partidária do prefeito em relação ao jornal de seu município, admite posicionamentos distintos dando origem a duas formações discursivas. Corroboram com as análises acima as considerações de Pêcheux (1993, p ) feitas sobre os conceitos de formação ideológica e de formação discursiva e que ilustram essa relação: Toda ideologia é dividida, portanto, toda formação discursiva deve ser necessariamente analisada, ao mesmo tempo, de um ponto de vista de classe e de um ponto de vista regional ; A formação ideológica dominante não se sobrepõe às formações ideológicas dominadas como que de fora para dentro falsa contradição, originária de uma visão estática da ideologia dominada mas as pressiona de dentro para fora. Portanto somos confrontados a uma dominação que se manifesta na própria organização interna de uma ideologia dominada Toda formação discursiva se define pela relação interna que entretém com seu exterior específico. Percebemos que os enunciados partem de uma classe dominante, dentro de um contexto de política regional na zona do cacau, em que a formação ideológica que se sobrepõe às outras é político-partidária e que formações que sustentam essas residem Página207 em retomadas de um já-dito, que assegurava ao coronel o poder de escolha sobre os gestores de seus municípios. Conforme Eul Soo Pang (1979, p.31) essa vinculação entre coronel e município se dá, sobretudo, por que: o município era o baluarte político-administrativo de um coronel. Na maioria dos estados era a unidade administrativa mais baixa da federação. Era dividido em um ou mais distritos, porém o chefe do executivo e legislativo eram situados na sede do município. Era de lá que o coronel lutava com seus rivais para manter o domínio político dos processos administrativos e legislativos. De modo geral, um coronel era o principal chefe de um município e de vez em quando chegava ao cargo de deputado ou senador, e governador do estado. Assim, as posições assumidas pelos jornais vozes dos coronéis assumem e se respaldam na história, bem como na questão da manutenção do poder, uma vez que o cenário político vigente, não pressupunha o uso da força como elemento de poder e que a antiga divida de coronel, respaldava. Considerações finais Como todo discurso, o discurso jornalístico político que circulava nos municípios de Ilhéus e Itabuna no ano de 1949, é uma forma materializada de ideologia, no interior de práticas sociais, num dado contexto sócio-histórico. Nesse sentido, em nosso trabalho buscamos explicitar quai
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