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Poesias do Marreco

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Dedicatória Para você que ama as palavras As faz como linguagem da alma E usa como inspiração Dores, afetos e amores do coração Para você que escreve Para…
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Dedicatória Para você que ama as palavras As faz como linguagem da alma E usa como inspiração Dores, afetos e amores do coração Para você que escreve Para você que lê Então as friezas da mente aquece E coloca para fora o que ninguêm vê Agradecimentos A elaboração de “Poesias do Marreco” só foi possível graças a colaboração e confiança de muitas pessoas que ajudaram a torná-lo realidade. Primeiramente, agradecemos a nossa professora Regina Macedo por nos dar a liberdade de dar asas as nossas ideias e por desde sempre, acreditar e apoiar nosso projeto. Aos coordenadores do Festival Marreco, Vicente Santos e Ciro Nunes, agradecemos imensamente por toda a prontidão de ajuda e fornecimento das poesias. Por fim, agredecemos a nossos queridos autores, desconhecidos, amadores e poetas de alma e coração! Nada seria possível sem a arte de vocês. Cada um teve um papel essencial para o sucesso do livro, obrigada a todos! “A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” André Maurois “Poesias do Marreco” é composto pelas poesias expostas no Festival Marreco 2016, um evento de cultura independente que ocorre anualmente há nove anos em Patos de Minas. O Festival do Marreco proporciona palestras, shows, barracas de vendas de roupas e produtos artesanais, apresentações teatrais e de dança, além de um varal de poesias, proporcionando diversão completa para seus participantes. Sumário AMOR...............................................................07 Verso 1....................................................08 Verso 2....................................................09 Ela.....................................................10-11 A mais bela.........................................12-13 Letras do coração...............................14-15 Isomeria imperfeita..................................16 Alforia......................................................17 Ela(...)................................................18-19 Ao meu guarda-chuva amarelo...........20-21 NATUREZA.......................................................22 Chuva de Verão..................................23-24 Coqueiros................................................25 Tal e Qual................................................26 A seca e a fé.......................................27-28 A flor e a náusea......................................29 Águas turvas......................................30-31 Tempinhos...............................................32 Urubus...............................................33-34 Cantorias.................................................35 SER.................................................................36 Maquiagem mais valia............................37 A pedra filodofal ...............................38-39 Dez minutos......................................40-41 Cômica e Trágico...............................42-43 Fonte dos desejos..............................44-45 Corpo inútil.......................................46-47 O rei bebê.........................................48-49 Verso 3...................................................50 Já..........................................................51 VIDA................................................................52 Sacrifício...........................................53-54 Irônico....................................................55 Egocêntrico.......................................56-57 Para Carlos [gauche] Drummond.......58-59 Verso 4...................................................60 A poesia em meu mundo...................61-62 Sobre a vida......................................63-64 AMOR Coração acelerado Respiração Pesada Nesta dança perfeita entre dois amantes Seguimos o mesmo ritmo O gosto da sua boca O toque suave da sua pele Nesta dança perfeita nossos corpos se unem Ainda posso sentir seu calor em mim Nós deixamos de ser apenas dois amantes e nos tornamos uma só alma Charles 08 Só não te dou uma rosa Porque nela há espinhos Mas te dou meu coração Que está cheio de carinho De: Priscila Luana Para: Jean Reinaldo 09 Ela Mulher, um mar revoltoso e miragem. Paraíso e inferno se fundem num corpo inteiro. Um copo cheio de lascívia e ternura Onde quem mergulha primeiro afoga E não chega a tona. Cheia de ilhas que salvam e despertam O inexperiente navegador desorienta o mais sábio E o mais néscio vira presa fácil Caído no entreabrir do lábio da fêmea O leme do velejador. Como domar uma tormenta tão forte Que ao mesmo tempo vira um leve cicio O vento que retesa as velas e faz viajar Sobre o macio dorso, e, mesmo com o leme nas mãos. O nosso destino é o colo delas. 10 Um mar desconhecido por quem ama Um mar conhecido por quem é amado Um mar quente que fácil inflama Um mar frio quando quer congelado Um mar doce quando por lágrimas salgado. Mar que desbravo se direção ou tino Sem me importar com o final destino Mar que mata rádio e docemente E por mais que eu lamente Quebro minha bússola e novamente desatino. Vicente Santos 11 A mais bela Olha a coisa mais linda, que eu cantava Cantando a mais linda, que passava na porta. Será que ela se importa? Eu pensava... Ela a princesa, eu, a Moura torta. Aqueles olhos verdes, ou azuis conforme a hora Olhavam-me de soslaio, sorrindo de mim, ou para mim. Sentia um vazio enorme quando ela ia embora E levava embora o riso, como promessa sem fim. Como esquecer aquela voz, aquela sensível bela. Que não via a ostra que eu era e ainda sou Talvez visse em mim uma amizade sincera E por ironia a amizade se transformou. Ainda guardo em mim o olhar penetrante Que por trás das aparências me via de cima E nem digno de me apaixonar podia, aquela menina. Tão alta vivia, e eu aqui embaixo, morria. 12 Morrer de amor é doce como morrer no mar, De Caymmi, de Ednardo, Vinícius, Chico ou Gil Para serenatas na sua janela, a cantar Para os olhos mais lindos que vi ao luar. Seu nome ficará escondido, pois ela não sabe que Até hoje levo comigo, na minha vida chatinha. Pois o sentido da minha vida seria ter comigo Minha doce e meiga Só... minha. Vicente Santos 13 Letras do coração Deixo-te agora ainda a tempo Para reparações, minhas também. Culpa mútua e falta de sincronismo Apaga-se a paixão coruscante Anulando o brilho, mata-se o riso. Desapego não por faltar o amor Este ainda vive o que morreu Foi à amizade entre amantes A troca do riso diário E o não entendimento Que o toque físico É um complexo vocabulário E não percebes que nesta matéria Tens um péssimo vocabulário. Um corpo fala para o outro corpo surdo E não há mais comunicação Se não fala o tato, tudo emudece. E os detalhes do falar táctil No conceito oposto desce. 14 A saída é penosa, mais digna. Mesmo com o ardor latente Sinto o viajar para lugar algum Se o destino é dissidente Melhor que um convívio forçado É o sacrifício de um. Algumas palavras te ensinei. Desse meu livro de afetos Não sei se surtirão efeitos Ou não foram verbos diretos Então, que atinjam outro peitos Este meu sutil alfabeto. Vicente Santos 15 Isomeria imperfeita E eu a olho do espelho Fingindo que não mais a vejo Menina... Você não é. Por que se trair assim? Vale a pena esse copo de Gim? E você que sempre disse que é um caminho sem volta E eu dizia que é só dar meia volta. Então você pergunta sobre a imagem que contribuiu Eu me calo e penso – de que adianta se a destruiu? Foge. Corre! Esconda-se no tempo sem horas Nas alucinações da cama De tanto aquilo que a mostra em pelo... E eu, Eu continuo aqui. M.V (06/01/12) Olhando-a do espelho... Blogspot: putz-e-agora.blogspot.com.br 16 Alforria Cansei de abrir portar pra você entrar Já quis tentar fugir, você quis me acompanhar. Conheço de cor este filme, é antigo. Eu morro no final. Já cansei de pedir calmaria Carinho demais eu já dei, Agora é hora da minha alforria E sofrer por quem eu amei Já posso ir agora, se falta não te faz. Eu levo o que sobrou, os restos, nada mais. Não posso ficar, pois ficar é castigo. Não volto jamais. Pode rir ou chorar de alegria Ou pedir pra ficar com você Más, não posso, não quero, então sigo. Fechando feridas para sobreviver. Vicente Santos 17 Ela(...) Ela vem de muitos jeitos Filha da lembrança E do pensamento Anda grudada na mãe, passeia muito com o pai. Me olha, sorri. Chama pra parar um pouco Sentar-me e aproveitar Sua companhia junto com o pensamento E a lembrança. E então, meio que atrasada, a dor, sua irmã, Se ajunta E o grupo se completa Num mix de velhos 18 Velhos sábios... idiotas. Que correm no carro do tempo. Usando a memória como combustível. Quanto mais correm, pior fica E ela cresce. Exuberante. Forte. Distinta. Dolorida Em mim, pai e mãe a ela muito devotos Todo pensamento é dela, toda lembrança leva a ela A saudade. blog spot: putz-e-agora.blogspot.com.br 19 Ao meu guarda-chuva amarelo... Sua alma é feita de constelações, onde ligo estrelas em meio ao caos de um descontrole nosso. Universo, nos teus olhos castanhos claros e brilhantes. Nosso sorriso radiante. Corpo e alma em comunhão de desejo. Teu beijo. As marcas que deixa em mim, sob e além da pele. Nossos lugares. Almoxarifados. Uma química só nossa, jogados no chão. Quase nenhum controle da situação. E as máscaras de apenas amigos, e os beijos escancarados. O jeito bobo durante o dia junto com os pensamentos mais safados. Faz parte de nós e do que somos. Um floco de neve caindo sobre um guarda-chuva (amarelo). Uma chama. Um cogumelo. 20 No êxtase dos sentidos. (No pensamento e nas ideias) [Na intimidade em constante criação]. E o cheiro da sua pele embriaga, me deixa em transe. E meu sorriso bobo é seguido de uma mordida. As mãos deslizam... Suprimos as lacunas do que precisamos. Razão e emoção misturados. É cais. É caos. É Ordem. Somos nós. Somos a transparência vitral de sonhos reticentes... O carinho exaltado em arranhões, junto com tesão disfarçado em cafunés. E sua boca se abre no sorriso mais gostoso onde se morrer. Afinal, a senhora é a mulher que consegue fazer meu coração parar só com um sorriso. Folofle 21 NATUREZA Chuva de Verão Para MP... O vento assobia uma canção antiga Uma das que eu ouvia, quando era feliz e sabia. Uma saudade de uma boa amiga Que me ensinou coisas lindas em ideias sadias Também era a musica do adolescente ginasial Era uma lâmpada acesa, eu, um pirilampo perto dela. O tempo entre nós passou tal e qual Depois se abriu uma fresta de uma janela. Eu a tive e ela a mim também se apegou O fiz uma sabedora do meu eu, apaixonado infante. E que ela meiga, me acolheu. Amei sua amizade com a volúpia de um amante. Tiramos um do outro, respeito mútuo e carinho. Depois de que nos vimos, por dentro e fora, nos afastamos. Como essas coisas das ironias do destino Ou das correntes as vezes une, outras arrastamos. Um dia, com o seu riso fácil e falar sutilmente. 23 Ela disse: foi bom enquanto durou, chuva de verão, na paz. “Podemos ser amigos simplesmente”? “Coisas de amor nunca mais”? Linda amiga, que não foi só chuva de verão, pois. Que Caetano tão lindamente cantou Saiba que cada vez, que dobrar um tapete em dois, Vai se lembrar do dedo verde, em seu jardim plantou... Vicente Santos 24 Coqueiros Eu ouvia as histórias Da fazenda, da roça, Não sabia que seria eu. Tenho os quatro sisos, Cabelo cheio, pele viva. Volto pra roça, ainda têm Coqueiros tem morro, pouco pasto. A entrada penetra o ontem, Ainda ontem era muito. Os bichos não mudaram, Não sei os nomes dos pássaros. Mas eles cantam, eles cantam. A água não aumentou a mina Segue sadia, mas com pouca água. Uma listra que acompanha o pasto. Uma listra que escorre em mim. Jordano Souza @poesiasorganicas 25 Tal e qual Um lagarto verde e marrom passou por mim Olhou-me e ignorou por completo E nem pensou se eu fosse bom ou ruim Apenas passou devagar, alheio a tudo e foi direto. Cuidar da sua presa que avistara de baixo capim. Por que me ignorou rastejante esperto? Não pensou no mal que eu poderia fazer a ti? Ou não tinha a certeza que eu alerto assim Não ficaria entre sua comida e seu bote certo Ou pensou que eu era uma estátua em seu jardim? Mas, penso que sabias quem eu era, seus olhos fitaram os meus. E viu minha calma, com sua alma limpa. O mal que eu não faria a Deus, pois, se os animais, uma alma tem Não viste o mal que há em mim Com sua pureza enxergaste o bem. Vicente Santos 26 A seca e a fé Lavrador das terras áridas do sertão Sulca o chão seco com sua enxada Inchando as mãos e olha pro céu em vão Mas, a única água que caiu é da sua testa molhada. Sua cor se mistura á terra por ele trabalhada. Sua dor não consegue apagar sua fé no chão E a seca torra os ossos da pobre malhada Sacrificada, para suster a prole e o seu cão. Amigo fiel, e como ele, só pele sobre as costelas. Assim vão os dois amigos, cão e homem, como farrapos. Rezando junto com as beatas, as dores delas. Cobrindo suas cabeças com os últimos trapos. Mas a fé é a certeza do que existe e não vemos E o camponês sertanejo não desiste de sua fé E ora, pedindo a Deus a mudança dos ventos. Por Nossa Senhora, mãe de Jesus e São José. O seu clamor chegar ao céu, do temente ao Clemente. 27 E aos poucos o tempo, começa a pálida mudança. Uma nuvem aqui, outra acolá, bem do tamanho da semente. Que o bravo sertanejo semeou na terra com esperança. E assim, por fé, o céu azul e o calor abrasador. Vai se pintando de cinza e a novena aumenta. E de tanto pranto caído na terra, chora também o Senhor. Que abre as comportas do céu, graças à fé que alimenta. Depois da safra colhida Vem o caboclo no altar oferecer Das primícias a Deus o dízimo E na sua fé agradecer. Vicente Santos 28 A flor e a náusea Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. Carlos Drummond de Andrade 29 Águas turvas Vive a favor do vento Sentir-se como um barco a vela Com o vento de popa E as velas içadas Enquanto na correnteza Tudo vaga E na mente tudo apaga O som das águas Canta o que embala E eu sonho Com o tempo que não tive Como quem não vive A obrigação da vida A incerteza da dúvida A espera insensata Até imagino golfinhos Acenando o rumo Cada medo que tive, morre. A rosa dos ventos cheira? A planta dos pés tem raízes? 30 Mas, a maça do rosto dela. Foi encantada pela sereia má. Que quer meu naufrágio Por isso tapo meus ouvidos Para não ouvir o canto E não cair no encanto Não outra vez, não mais. Sou meu próprio barco Dentro do meu próprio mar Tenho meu próprio cais Já sei como navegar. Vicente Santos 31 Tempinho Para encurtar o tempo Entrei no vento que passou por mim Mas só passou e não me levou e eu fiquei assim Triste, pois o vento não me levou. E nem o cheiro dela Que devia vir a tempo, não o senti. Sem ti o tempo não passa E nem passa Essa saudade que aumenta o tempo Que só por si passa Mas trespassa meu peito E o efeito que sobra São as rugas que a pele dobra Este tempo ingrato, Relativo e anormal Que passa lento por mim E não me deixa tão mal. Vicente Santos 32 Urubus Amo observar os urubus sobrevoando a carniça Estes lixeiros alados que voam organizados Quase nem usam suas asas, parecem estar com preguiça. Ou estão sempre cansados Como são lindos no céu, acho que nem são daqui. Aparecem no alto como extraterrestre Alienígenas do bem, que chegam para limpar aqui. Nosso mau cheiro que sentem além Onde ficam seus ninhos? Nas nuvens altas ou na lua? São sérios em seu trabalho, não se distraem na rua. Acho que são sacis que perdem as pernas e ganham asas E habitam os redemoinhos 33 Esta charada eu matei, e tem gente que vai duvidar. Da lenda que inventei para o mistério explicar O segredo dos urubus, que comem mortos e não morrem. São zumbis, os alados sacis, eles nos socorrem. Vicente Santos 34 Cantorias Fazia cores no céu Ao redor da nossa casa, Era tanto desenhar, que eu, Meu irmão e minha irmã Não conseguíamos pingar As cores no caderno. Tem cores que parecem Cantorias, e cantorias servem Só para embelezar as vistas. Pingar cor nas cantorias É tentar pingar secura no rio Que molha a poesia. Jordano Souza @poesia orgânica 35 SER Maquiagem mais valia Tédio Essa vontade de consumir Meu desejo é fratura Exposta Para alguma lorota Cantada em algum outdoor Ladrões honestos Contam com a idiotice do meu coração Botaram uma coleira no lovo Inventaram máquinas para economizar tempo Meu desejo é um padrão Na planilha de algum patrão Que bom que ainda não cobram Pelo ar que respiro! Autor desconhecido 37 A pedra filosofal Já tive o afã de procurar A pedra filosofal O ouro de Midas A panacéia universal Em que tudo o que tocasse Em ouro virasse E andei por caminhos Em mapas antigos Sem me importar com os espinhos Sem contar com amigos Ou Deus como guia De tanto que andei Fui colhendo mais pistas E ao fim do pecurso 38 A frustração me pegou E quase morrendo Uma voz me gritou Dizendo-me: desista Esse ouro não existe O que existe está dentro Da mina que tens No interior do teu ser Procure no âmago Da tua existência E quando encontrar Garimpe esta mina É ouro de cima Que do alto vem O ouro é a própria busca É o ouro que não ofusca Quem reparte o que tem Autor desconhecido 39 Dez minutos Ainda que minhas melhores ideias Levaram-me aos piores lugares Aprendi com elas as aflições Mas, se não me guio por elas Caio em maiores turbilhões Não sei, sigo as piores? E já Que autossuficiência Não constitui ciência Ouço dizer que estou A dez minutos da demência E o tempo está correndo E contra o relógio eu corro E se paro, eu morro. Morrendo não aprendo nada Vivendo, aprendo o errado Perante as convenções mundanas Por isso esta alma cigana que Fez-me ser mais um nômade Quero ser menos abstrato 40 Ou que Artêmis me cace Sei que vou ser uma presa fácil Mas, quero que uma deusa me lace Não quero mais ser caçador Minha presa é tão fugidia E também completa o verso Mas, a vadiagem faz parte Por isso minhas ideias Completam o resto E os dez minutos passaram Vicente Santos 41 Cômico e trágico Bem melhor agora Precisava sair a tempo Sair de mim E me ver de fora Como espectador mudo da minha vida Uma tragédia adaptada em drama Que lonesco adoraria Vesti-la de absurdo Desperto agora Pela lufada tardia Do despertado do tempo Arrebatado da beira do cume Para mais alto ainda Para me ver pequeno E olhar de cima Juntas as peças, agora encenava Entre cacos do improviso Que a claque soprava Já que o roteiro perdia 42 Encontrei o fio da meada Tenho agora a guia Sou protagonista e diretor Também escrevo novo roteiro E sou o novo produtor E os lucros da produção Divido com a coadjuvante: Atriz revelação! Vicente Santos 43 Fonte dos desejos Gostaria de encontrar a fonte dos desejos Atiraria nela todas as moedas Talvez algum diamante negro Se o tivesse, é claro. Quem sabe ela me devolvesse Todos os beijos e o amor Que doei de graça E meu sentimento jogado às traças Pediria também meu tempo perdido Meus segredos revelados ao pé do ouvido E confiados a ninguém Minha lucidez e meu vigor outrora E a música que cantei ao ir te ver E nem era bela, era um réquiem. À fonte pediria todas as velas Que todo aniversário soprei Na espera infantil dos sonhos Que não realizei, velas idiotas. Sobre bolos confeitados de feliz, 44 Letra profana para o fim descobrir, Se tratar de mais uma lenda urbana Como a água de Ponce de Leon Junto à fonte da juventude Babaquice de quem não tinha o que fazer E inventava mitos para sobreviver. Vicente Santos 45 Corpo inútil Espírito, por que estás ouvindo a voz De um corpo imundo e queres matar-se E tu alma limitada pelo parco espaço Queres fugir de dentro de mim e alar-se? Não voes sem me levar junto e deixando Me
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