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Sua Majestade a Biblioteca (1)

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  Sua Majestade a Biblioteca: a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil: (1808 - 1811)  Autor: Derick Alves Elois Orientadora: Priscila Leonel RESUMO Muitos livros endereçados aos reis portugueses da dinastia de Bragança, permanecem no Brasil até os dias atuais, e muitos deles só existem no país. Os mesmos foram trazidos para o continente, no contexto da vinda da família real portuguesa, no início do século XIX e, ao contrário dos reis, não mais retornaram a Portugal. Numa revisão bibliográfica, tendo por base a principal pesquisadora da biblioteca dos reis portugueses no Brasil, a historiadora Lília Moritz Schwarcz, e no trabalho de conclusão de curso de história de uma pesquisadora iniciante, a historiadora Simone Aparecida Fontes, pretendeu-se analisar a influência da Real Biblioteca da Ajuda no Brasil, após sua chegada ao Rio de Janeiro. Foi levantado que a Real Biblioteca estimulou a difusão de livros e bibliotecas pelo país influenciando assim a biblioteconomia brasileira como um todo. INTRODUÇÃO  A Biblioteca Nacional do Brasil, a maior da América Latina e a 7ª maior do mundo, teve o seu início, no chamado período Joanino (1808  –  1821), onde o na época príncipe regente D. João de Bragança, criou as bases da instituição na antiga Real Biblioteca da Ajuda, trazida para o Brasil para que ficasse a salvo, da pilhagem dos exércitos de Napoleão Bonaparte. A partir de um processo de catalogação de livros antigos, foram encontrados muitos que pertenciam a Real Biblioteca, o que incentivou a pesquisa pela busca do local onde estão armazenados esses livros reais, a influência na difusão de bibliotecas e livros pelo Brasil.   JUSTIFICATIVA  A escolha do tema veio a partir, de um processo de catalogação de livros portugueses do século XVIII, onde foi descoberto que os mesmos só existem no Brasil. A importância desta pesquisa, está primeiramente na questão da influência da Real Biblioteca da Ajuda, de onde vieram os referidos livros, na biblioteconomia brasileira, que exigiu políticas de acesso, conhecimento técnico e de armazenamento, além da difusão de livros e do hábito de leitura no país, mostrando a evolução na relação da população brasileira com os livros no geral. Pesquisadores portugueses que quisessem analisar, a história de Portugal através dessas obras, muitas delas endereçadas aos reis portugueses da dinastia de Bragança, teriam de vir ao Brasil, pois essas permanecem no Brasil, mesmo muito tempo após o período Joanino, e nem a atual relação de amizade entre Brasil e Portugal motivou o seu retorno para o seu local de srcem. O MISTÉRIO DOS LIVROS PORTUGUESES Em um processo de catalogação de um acervo bibliográfico de obras raras, utilizavam-se como referência, catálogos de bibliotecas dos países de srcem dos livros. Eles eram muitos e extremamente variados, livros de direito, de história, dicionários, biografias, religiosos, enciclopédias entre outros, de diversas datas entre os séculos XVII e XX, de diversos países como França, Reino Unido, Estados Unidos, Brasil e Portugal. Dentro deste mesmo processo, catalogando um conjunto de livros portugueses do século XVIII, não foram encontrados registros destes livros, em catálogos de bibliotecas portuguesas, e devido ao insucesso, foi feita a busca de registros dos mesmos livros, no catálogo da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil, e surpreendentemente, todos os livros portugueses possuíam registros nela. O catálogo da Biblioteca Nacional informava que, esses mesmos livros, pertenciam à Biblioteca Real trazida para o Brasil no início do século XIX, no  contexto da transferência da Corte de Portugal para o Brasil. O catálogo do acervo de obras raras foi feito, mas o local onde essas obras se encontravam gerou a indagação: por que estes livros permaneceram no Brasil após o retorno de D. João VI à Portugal em 1821? E qual a influência que a Biblioteca Real exerceu sobre sociedade brasileira, em sua chegada ao Rio de Janeiro? A presente pesquisa foi realizada para sanar estas questões. A FUGA DA CORTE E O ABANDONO DE UM POVO E DE UMA BILIOTECA Em novembro de 1807, em função de uma invasão francesa em Portugal, devido à quebra de um bloqueio econômico-comercial à Inglaterra, fixado pelo imperador dos franceses e rei da Itália Napoleão Bonaparte, o Príncipe regente de Portugal e Algarves, D. João de Bragança, toma a difícil decisão nunca antes vista na história, transferir a Corte de Portugal e todo aparelho jurídico-administrativo e econômico, de primeiro escalão português para a terra que nenhum monarca europeu havia posto os pés: a América (Imagem -01). Imagem  –  01 - Embarque da família real portuguesa no cais de Belém, em 29 de novembro de 1807. Fonte: Henri L’Evêque, 31 de Dezembro de 1811.   Segundo Schultz (2007) como parte e sintoma de uma verdadeira “era de revoluções” que questionava os padrões políticos, sociais e culturais do Antigo  Regime, a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, ocorreu em épocas da revolução americana e haitiana, dos movimentos de independência da América espanhola, entre outros. Uma verdadeira reviravolta que transformou o Brasil, e mais especificamente o Rio de Janeiro “colonial” e “atrasado” na capital vice -real e sede do império ultramarítimo português. Conforme Cavalcanti (2008) o Rio de Janeiro desde 1763, já possuía o status de capital da colônia, era a segunda cidade mais importante do império, depois de Lisboa, já sediava um bispado desde 1676, o Tribunal das Relações 1  desde 1752 além de sediar os comandos do exército e da marinha colonial. No viés econômico era a porta de entrada dos produtos manufaturados da metrópole e do tráfico negreiro, além de escoar as riquezas produzidas por toda a colônia para a metrópole. Entretanto mesmo com sua importância, a cidade do Rio de Janeiro possuía poucas acomodações dignas de uma família real europeia, pouco se foi feito para a “a grandiosidade” e “formosura” da cidade condizentes com a importância da mesma, para o império português durante o período colonial. Então teve início, uma reforma estrutural, cultural e política que tornasse a cidade do Rio de Janeiro uma morada digna para um monarca europeu, seguiu-se uma sucessão de esforços para reproduzir na nova sede, os mesmos aparelhos que a Corte dispunha em Lisboa, um destes merece atenção especial: a Real Biblioteca da Ajuda. Um acervo ajuntado pelos monarcas portugueses ao longo de séculos, tido como um símbolo do poder real, e que segundo a historiadora Lilian Schwartz (2002), sua preciosidade foi compara ao ouro brasileiro, que de tempos em tempos aportava em Lisboa, livros e documentos raros “decoravam” a monarquia portuguesa e simbolizavam suas conquistas e poder. Na transferência da corte para o Brasil, o príncipe regente abandonou a Livraria Real no porto de Belém em Portugal, para dar lugar aos milhares de refugiados que seguiam El Rey, em sua fuga da invasão francesa. Pelo medo da pilhagem aos livros e documentos secretos do império português, D. João deixou ordens para que a Real Biblioteca fosse queimada, mas esse tesouro em papel foi 1  Tribunal judicial de segunda instância em Portugal e em outros países de tradição judicial portuguesa. Disponível em http://www.ambito- juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=17717&revista_caderno=9. Acesso em: 27/11/2017  salvo pelos bibliotecários régios, que ligados a ela recusaram a cumprir as ordens destrutivas da coroa, mais de 60 mil volumes entre livros como a primeira edição de Os Lusíadas de Camões (Imagem  –  2), a Bíblia de Guttemberg (Imagem - 3 ), mapas das colônias portuguesas na África e na Ásia, coleções particulares, obras estrangeiras traduzidas para o português a mando da coroa enfim, uma infinidade cultural, social e política, foi salva pelos bibliotecários régios, que em seu instinto bibliófilo protetor, impediram a pilhagem francesa e o holocausto literário. (SCHWARCZ, 2007) Imagem  –  2  –   Primeira Edição de “Os Lusíadas”  Fonte: http://www.lerjorgedesena.letras.ufrj.br/ressonancias/novo-jorge-de-sena-e-o-exemplar-de-os-lusiadas-que-teria-pertencido-a-camoes/. Acesso em: 02/11/2017. Imagem  –  3  –  Bíblia de Guttemberg
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