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Teoria da Arquitetura II FAU -UFRJ -2018.2 Prof

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Arquitetura Nova: um programa para a arquitetura brasileira O ponto de partida para a concepção do Grupo Arquitetura Nova, composto por Flávio Império, Rodrigo Lefèvre e Sérgio Ferro, se deu através da influência do arquiteto Artigas, formado pela
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  Teoria da Arquitetura II   FAU  –  UFRJ  –  2018.2   Prof: Ana Paula Polizzo  Alunas: Raphaela Cruz e Julia Sève   Arquitetura Nova : um programa para a arquitetura brasileira   O ponto de partida para a concepção do Grupo Arquitetura Nova, composto por Flávio Império, Rodrigo Lefèvre e Sérgio Ferro, se deu através da influência do arquiteto Artigas, formado pela USP e ativamente engajado na vida política como membro do Partido Comunista Brasileiro  –  PCB. Artigas possui um papel muito importante na formulação de um novo perfil profissional, em que o arquiteto não se limita apenas à atuação de artista e de engenheiro, mas também desenvolve uma consciência à respeito do seu papel social e das decisões projetuais. A arquitetura e o modo de pensar de Artigas estiveram diretamente relacionados com o surgimento do movimento novo brutalismo na Inglaterra em meados do século 50. O movimento critica o modernismo por propor uma arquitetura dentro de novos padrões estéticos que seriam possibilitados pela reprodução em escala industrial e que ainda garantia a distribuição equitativa de seus produtos para a sociedade. No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, observou-se que essa racionalidade defendida não cumpriu o seu papel social idealizado pelos arquitetos modernos, ao contrário, ela se mostrou potencialmente destrutiva. Com isso, o novo brutalismo defende a união entre projeto e produção, separados pelo modelo de produção industrial, através de uma construção que revele a verdade dos materiais. Essas críticas se mostram presentes na arquitetura de Artigas que, no entanto, teve que enfrentar as especificidades do país e, consequentemente, desenvolver um caráter próprio de sua arquitetura. Para o arquiteto, a técnica construtiva deveria estar diretamente atrelada às condições nacionais, ou seja, ao contexto político-econômico com o objetivo de construir uma “brasilidade” nas construções e superar o subdesenvolvimento. Diferentemente de  Artigas, Lúcio Costa e Rino Levi acreditavam no resgate da brasilidade através da interpretação do clima, da natureza e costumes brasileiros, forjando uma interação entre passado colonial e natureza tropical e criando uma transição natural entre os estilos, acobertando qualquer conflito ou ruptura que possível.   O engajamento e atuação de Artigas na arquitetura moderna estimulou o desenvolvimento da Escola Paulista e da Arquitetura Nova. Ambas escolas engajaram-se com a relação entre arte e técnica. Possuem uma concepção espacial  moderna, relacionando e integrando os espaços internos entre si e esses espaços internos com jardins.Também se caracterizam pelo jogo de planos que se expõem em seus volumes, onde se vê desencontros de coberturas, pisos e paredes. Assim criam espaços externos cobertos e espaços internos descobertos, não impondo um limite brusco entre exterior e interior. Através de suas coberturas, com lajes planas para a Escola Paulista e abóbadas para a Arquitetura Nova, a organização do espaço interno os princípios de espaço mínimo e integrado da arquitetura moderna.  A divergências entre essas duas vertentes acontece, principalmente, no construtiva do canteiro de obras. Apesar de seguirem caminhos diferentes, ambas correntes surgiram em um momento privilegiado, em questões técnicas construtivas, para a arquitetura do país. Para Sérgio Ferro a Escola Paulista seguiu Artigas em seu lado formal, na organização de plantas, no espaço e no uso do concreto, enquanto seu grupo, da Arquitetura Nova, se aproximou mais na crítica política e ética que o arquiteto fazia da arquitetura anterior.   Para os arquitetos da Escola Paulista o canteiro de obras é visto como um espaço em que se supera o desenvolvimento e como um espaço para se experimentar sofisticadas soluções técnicas. Essa experimentação das inovações estende-se até o limite da capacidade técnica disponível, sempre buscando a aprimoração. Se contrapondo a essas características mencionadas, a Arquitetura Nova valoriza a manufatura e o uso de materiais baratos e disponíveis no Brasil. O canteiro de obras é gerido como a resistência aos processos de exploração do trabalho e se diferenciavam de Artigas ao empregar uma intensiva mão-de-obra e investir pouco mecanização. Villa Novas entendia que era necessário a adoção de um projeto exportado de modernização técnica para superação do subdesenvolvimento. Por isso, o canteiro se mantinha simples, aumentando o acesso à arquitetura. Em “A casa popular”, de Sérgio Ferro, o autor destrincha três tipos de casas, popular, média e burguesa. A casa popular é realizada com os recursos disponíveis, com técnica acessível à população e com processos produtivos possíveis de serem utilizados. Já a classe média se apropria de valores da classe alta com os materiais ao seu alcance. Enquanto a burguesia trabalha com materiais artesanais, talhados cuidadosamente e exclusivos, a classe média copia esses produtos industrialmente, o que diminui o valor. O autor reforça no texto a escolha de suprimir o trabalho do operário na obra, esconder o material bruto, através de revestimentos, o que representa uma forma de alienação.   A não valorização do trabalho também ocorre dentro do próprio canteiro de obras com o ideal de máxima modernização quando não estão disponíveis os equipamentos adequados e então o esforço das máquinas ficam sob responsabilidade dos trabalhadores. O operário, então, se torna um peão dentro de uma lógica cruel de alienação e capitalização.  A racionalização do trabalho proposta pelos arquitetos da Arquitetura Nova busca separar as etapas de construção, assim as equipes responsáveis teriam mais autonomia na confecção. Essa fragmentação possibilitaria a redução de inspeção dos operários e das equipes, que se auto coordenariam.Todas as etapas são valorizadas.  A finalização da obra aconteceria quando todas as etapas de trabalho fossem articuladas.  
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