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Um estudo de caso sobre a resistência ao acompanhamento terapêutico no CAPS Cidade (1).pdf

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UM ESTUDO DE CASO SOBRE A RESISTÊNCIA AO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NO CAPS CIDADE Mayara dos Santos Santana1 Soraya Inêz Fagundes Novo2 Francisco de Assis Lima Filho3 RESUMO O presente estudo descreve as experiências vivenciadas no estágio supervisionado em ênfase em saúde com os usuários do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS Cidade, localizado no município de Cariacica – ES, tendo como objetivo realizar um estudo sobre a resistência que um dos usuários apresenta ao acompanhamento terapêut
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    UM ESTUDO DE CASO SOBRE A RESISTÊNCIA AO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NO CAPS CIDADE Mayara dos Santos Santana 1  Soraya Inêz Fagundes Novo 2  Francisco de Assis Lima Filho 3   RESUMO O presente estudo descreve as experiências vivenciadas no estágio supervisionado em ênfase em saúde com os usuários do Centro de Atenção Psicossocial  –   CAPS Cidade, localizado no município de Cariacica  –   ES, tendo como objetivo realizar um estudo sobre a resistência que um dos usuários apresenta ao acompanhamento terapêutico oferecido pelos alunos de Psicologia da Faesa. Este demonstra descrença no trabalho do psicólogo e reage ironicamente às investidas da equipe, sentindo-se incomodado ao realizar qualquer atividade proposta. Essa resistência ocorre devido às distorções cognitivas do usuário sobre as relações interpessoais que estabelece, com tendência a generalizar a idéia aos demais profissionais e repetir o comportamento arredio diante de novas investidas. Para a coleta de dados foi utilizada a observação, a estimulação de diálogo e de atividades lúdicas que permitiram o acesso a conteúdos mais detalhados sobre o seu histórico. Todos os dados foram minuciosamente descritos nos diários de campo, para registro de informações relevantes e, posterior, análise de conteúdos. Esse estudo possibilita a desconstrução da idéia que se tem de saúde mental e o desenvolvimento de estratégias para compreender esse comportamento resistente no decorrer do acompanhamento terapêutico, utililzando técnicas da Teoria Cognitiva Comportamental. Palavras-chave: CAPS; Resistência ao acompanhamento terapêutico; Teoria Cognitiva Comportamental.  No Brasil a situação da saúde mental e da assistência psiquiátrica vem sofrendo significativas modificações nos últimos 30 anos. Em função da reorientação do modelo tradicional hospitalocêntrico para uma rede aberta de assistência em saúde mental, desafios significativos  para manutenção e desenvolvimento deste circuito, tais como, por exemplo, a adesão de 1  Graduanda em Psicologia na FAESA, Vitória, ES, Brasil  –   mayarapsi87@gmail.com 2  Graduada em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda (FAESA  –   2004/2) e graduanda em Psicologia na FAESA, Vitória, ES, Brasil  –   sorayaif@gmail.com 3  Professor Orientador do presente estudo de caso  –   professor.francisco.vix@gmail.com   2 usuários a Centros de Atenção Psicossocial e a Serviços Residências Terapêuticos, vêm ocorrendo em grande escala. Isso por sua vez, impõe a busca por novas estratégias de cuidado e assistência à “loucura”.  O interesse por este estudo surgiu a partir das experiências do Estágio da Ênfase em Saúde do curso de Psicologia da AEV/FAESA. Este ocorre no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que fica localizado no município de Cariacica-ES. A fase inicial da pesquisa ocorreu entre os meses de março e maio, com uma avaliação do campo e criação de vínculo com os usuários,  bem como a escolha do tema e do usuário estudado. Seguido pela fase de pesquisa ocorrida entre os meses de junho e novembro, que envolveu um conhecimento mais estreito do usuário, participante desse estudo de caso. A fase posterior a pesquisa, consistiu na avaliação dos dados obtidos com o mapeamento de suas crenças através do questionamento socrático e análise de suas reações comportamentais que ocorreu entre os meses de outubro e novembro , sendo todos os meses do ano de 2015. O estágio no CAPS Cidade parece desafiador por promover a convivência com pessoas com algum tipo de transtorno mental. E, de fato, é um desafio diário lidar com suas demandas,  porém um desafio prazeroso. Através do contato mais estreito com os usuários do CAPS,  pode-se desinstitucionalizar a idéia que se tem de saúde mental e do campo de estágio. Conforme descrito e como forma de ilustrar um dos desafios que a rede aberta de cuidado em saúde mental nos impõe, este estudo propõe investigar os fatores determinantes para a resistência constante de um usuário do referido CAPS à adesão ao acompanhamento e seu relato quanto ao descontento diante da falta de escuta dos profissionais de saúde que o acompanharam. Nota-se que essas experiências anteriores afetam a sua forma de se comportar diante das investidas de novos profissionais e técnicas de tratamento propostas, bem como o seu modo de interagir com os outros usuários diagnosticados com o mesmo transtorno. Visando desconstruir a institucionalização da “doença mental”, busca -se trabalhar de modo a suprimir ou amenizar o sofrimento desse usuário com base na construção de estratégias que  permita contato com novidades, facilitando sua adaptação ao meio para melhoria do convívio social. Esse estudo promove uma interação entre as crenças que conduzem a esta resistência e as técnicas da Teoria Cognitiva Comportamental, pois dependerá de um trabalho próximo e colaborativo com o usuário para que este encontre a melhor estratégia de lidar com seus sintomas.   3 CONTEXTO HISTÓRICO DA DOENÇA MENTAL Diante do contexto que movimentava o mundo, o indivíduo que apresentava qualquer alteração que resultasse em ociosidade deveria ser afastado da sociedade. Foram criados estabelecimentos para internação de quaisquer indivíduos que destoassem em algum ponto do contexto social vigente na época. Desde os loucos à portadores de deficiência física ou doença venérea, de idosos improdutivos à desordeiros da lei. Uma mistura de hospital com presídio onde se acomoda o refugo social. Não existe intervenção médica, pois essas pessoas não são internas para serem tratadas, mas sim para serem mantidas fora da sociedade. (FOUCAULT, 1978, p.49-51) Decorrente dessa história, a loucura passa a ser vivenciada em silêncio, tanto devido a pouca informação e estudos na área, como pelo fato da loucura configurar um padrão distorcido da sociedade atual. Por estarem exilados com diversos criminosos, os loucos passam a ser visto socialmente como eles, como indivíduos culpados por interferirem no andamento moral da sociedade. Culpados por palavras, gestos e atitudes, às vezes, violentas (AMARANTE, 1998) Até então, o internamento simbolizava opressão, mas também a possibilidade de suprir as necessidades financeiras do louco, embora parcialmente improdutivo diante da sociedade capitalista. Ainda que os loucos tivessem ajuda financeira e a liberdade, o que fazer com aqueles que são perigosos (violentos) para suas famílias? A partir daí, os manicômios mantêm internos somente os loucos, os outros pacientes são devolvidos a sociedade e recebem assistência em suas casas, sendo que agora os internos nas residências recebem intervenção médica sobre seus sintomas. Segundo Alda Gonçalves, Tratar do doente mental foi então sinal de exclusão, de reclusão e asilamento. Hoje, esta realidade ainda existe, porém de forma mais consciente e menos exclusiva. Por não se admitir a exclusão, corre-se o risco de não se admitir a diferença. Esta não  pode ser negada, é necessário reconhecê-la e conviver com ela sem ter que excluir, conforme a grande aspiração da reforma psiquiátrica (GONÇALVES, 2001, p.49)  Na década de 60, surge na Europa o movimento proposto por Franco Basaglia em prol da reforma psiquiátrica. Já no Brasil, esse movimento inicia-se, apenas, no século XX ao final da década de 70, “num contexto em que se d emonstrava a crise do modelo de cuidados, centrado no hospital psiquiátrico, e se verificava a eclosão do surgimento dos movimentos sociais que lutavam pelos direitos das pessoas com transtornos mentais (ALMEIDA FILHO, 2015, p. 2)   4 A Reforma Psiquiátrica te m como objetivo transformar a relação da sociedade com o “doente mental”, e é vista como um complexo de ações políticas, sociais, culturais, administrativas e  jurídicas. Refere-se a um processo que tem como desafio mudar as práticas sociais sob um novo olh ar ao portador de “transtorno mental”, tendo em vista que a reforma vai desde as transformações na instituição e no saber médico-psiquiátrico até às práticas sociais com estes indivíduos. As denúncias de maus tratos não esclarecidas que ocorriam nos hospitais  psiquiátricos brasileiros contribuíram para o início da crise, no qual se reuniram vários  profissionais ao Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). O MTSM foi o primeiro movimento em saúde com participação popular surgido no ano de 1979 durante o I Encontro Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental, realizado em São Paulo. Esse movimento não visava apenas desospitalizar os pacientes dos manicômios, mas desinstitucionalizar a idéia que a sociedade possuía em relação ao doente mental. Segundo Sales e Dimenstein, É obvio que o trabalho de desinstitucionalização abrange também ações de desospitalização, entretanto, não se reduz a estas. Trata-se, além da saída do manicômio, de colocar como real objeto das intervenções o sofrimento dos indivíduos bem como de buscar com eles outras possibilidades de existência que dêem outros sentidos a suas vidas (SALES, 2009, p.6) Dessa forma, surgiram novos serviços substitutivos em saúde mental com a finalidade de  proporcionar a continuidade ao acompanhamento médico e terapêutico que os internos dos hospitais psiquiátricos deixariam de ter acesso decorrente do fechamento dos manicômios. Destacando-se entre esses serviços substitutivos, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Os CAPS surgem a partir da idéia de que o tratamento dos pacientes psiquiátricos graves, anteriormente exilados, necessita de condições terapêuticas que não podem ser encontradas nos ambulatórios e hospitais psiquiátricos. Nesses centros, o atendimento-dia permite que o  paciente compareça todos os dias da semana, caso seja necessário, oferecendo atividades terapêuticas diversificadas e a constituição de uma equipe multiprofissional. O foco em um usuário permite a observação da evolução da doença perante as intervenções estabelecidas, visando amenizar os sintomas e promover o bem estar do mesmo diante das  presentes manifestações, pois, segundo Noronha, “cada indivíduo é um arranjo singular de relações [...] A todo o momento, essas relações se modificam, se recompõem ou se decompõem em decorrência dos encontros casuais do indivíduo com os outros corpos no mundo” (NORONHA, 2003, p. 132). Desse modo, embora muitos dos usuários do CAPS apresentem diagnósticos iguais, neste caso, a esquizofrenia, cada um conta com manifestações
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