Sheet Music

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA DE AGENTES INFECCIOSOS E PARASITÁRIOS

Description
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA DE AGENTES INFECCIOSOS E PARASITÁRIOS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS BUCAIS EM PORTADORES DO HIV-1 NO MUNICÍPIO
Categories
Published
of 46
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA DE AGENTES INFECCIOSOS E PARASITÁRIOS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS BUCAIS EM PORTADORES DO HIV-1 NO MUNICÍPIO DE CACOAL, RONDÔNIA GRAZIELA DE CARVALHO TAVARES DA ROCHA Belém-PA 2013 GRAZIELA DE CARVALHO TAVARES DA ROCHA MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS BUCAIS EM PORTADORES DO HIV-1 NO MUNICÍPIO DE CACOAL, RONDÔNIA Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários. Orientador: Prof. Dr. Luiz Fernando A. Machado Belém-PA 2013 Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Rocha, Graziela de Carvalho Tavares da, Manifestações patológicas bucais em portadores do HIV-1 no município de Cacoal, Rondônia / Graziela de Carvalho Tavares da Rocha Orientador: Luiz Fernando Almeida Machado. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários, Belém, AIDS (Doença) Complicações e sequelas. 2. HIV (Vírus) Cacoal (RO). 3. Boca Doenças. I. Título. CDD 22. ed 1 GRAZIELA DE CARVALHO TAVARES DA ROCHA MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS BUCAIS EM PORTADORES DO HIV-1 NO MUNICÍPIO DE CACOAL, RONDÔNIA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários, do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Pará como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários. Orientador: Prof. Dr. Luiz Fernando Almeida Machado Instituto de Ciências Biológicas, UFPA Banca Examinadora: Profa. Dra. Rosimar Neris Martins Feitosa Instituto de Ciências Biológicas, UFPA Profa. Dra. Ana Cláudia Braga Amoras Instituto de Ciências da Saúde, UFPA Profa. Dra. Vânia Nakauth Azevedo Instituto de Ciências Biológicas, UFPA Prof. Dr. Antonio Carlos Rosário Vallinoto (suplente) Instituto de Ciências Biológicas, UFPA Belém, 13 de junho de 2013. 2 AGRADECIMENTOS A Deus, e ao Programa de Pós-Graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários da UFPA, mesmo frente a todas as dificuldades e adversidades permitiram a conclusão deste trabalho. pesquisa. A equipe do SAE de Cacoal por terem aberto suas portas e viabilizado nossa Agradecimento em especial ao Professor Dr. Luiz Fernando A. Machado, por ter me acolhido em momento tão especial e decisivo. 3 DEDICATÓRIA Dedico ao meu marido, Julio Cesar e às minhas filhas Maria Fernanda e Giovana Maria, pela tolerância e paciência em minhas ausências, somado ao carinho, apoio e amor incondicional. À minha avó Ana Massa, exemplo de todas as pessoas boas, caridosas, perseverantes e que têm amor e respeito ao próximo. 4 Conduta de pais, caminho de filhos. 5 SUMÁRIO LISTA DE TABELAS LISTA DE FIGURAS RESUMO ABSTRACT INTRODUÇÃO O VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) Biologia do HIV Replicação do HIV EPIDEMIOLOGIA DO HIV MANIFESTAÇÕES ORAIS NA INFECÇÃO PELO HIV Importância do HIV-1 na Geração de Lesões Odontológicas RELAÇÃO ENTRE MANIFESTAÇÕES ESTOMATOLÓGICAS, CONTAGEM DE LTCD4 + E CARGA VIRAL EM PACIENTES HIV-1 POSITIVOS LESÕES BUCAIS Líquen Plano Candidíase Doenças Periodontais Tuberculose Leucoplasia Pilosa Doença das Glândulas Salivares Associadas ao HIV-1 Hiperplasia da Parótida Estomatite Aftóide Recidivante Herpes Simples Herpes Zoster Sarcoma de Kaposi Linfoma Não-Hodgkin Lesões Verrucosas Bucais Xerostomia OBJETIVOS Objetivo geral Objetivos específicos MATERIAL E MÉTODOS... 30 6 2.1 TIPO DE ESTUDO LOCAL DE ESTUDO CASUÍSTICA E COLETA DE DADOS CRITÉRIOS DE INCLUSÃO CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO ANÁLISE ESTATÍSTICA ASPECTOS ÉTICOS RESULTADOS CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO EM ESTUDO CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO ESTUDADA QUANTO AOS FATORES DE RISCO PARA AQUISIÇÃO DO HIV CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE LTCD4+ E DE CARGA VIRAL PLASMÁTICA DO HIV CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO QUANTO ÀS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS NA CAVIDADE ORAL DISCUSSÃO CONCLUSÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXO ANEXO ANEXO 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Perfil sócio-demográfico dos portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de Tabela 2: Perfil sócio-econômico dos portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de Tabela 3: Distribuição dos fatores de risco dos portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de Tabela 4: Associação entre o perfil sócio-demográfico e a presença de alterações bucais observadas nos pacientes portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de Tabela 5: Associação entre os fatores de risco e a presença de alterações bucais observadas nos pacientes portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Quantificação da carga viral dos pacientes portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de Figura 2: Descrição dos níveis de LTCD4 + e LTCD8 + dos pacientes portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal- RO, no período de 1999 a janeiro de Figura 3: Distribuição das alterações bucais observadas nos pacientes portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal- RO, no período de 1999 a janeiro de Figura 4: Distribuição das alterações bucais com relação a carga viral nos pacientes portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de Figura 5: Distribuição das alterações bucais com relação ao número de LTCD4 + nos pacientes portadores do HIV-1 atendidos no Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de Cacoal-RO, no período de 1999 a janeiro de 9 RESUMO A AIDS é um problema de saúde pública mundial e as manifestações patológicas bucais podem servir como marcadores para o prognóstico da infecção pelo Vírus da imunodeficiência humana 1 (HIV-1) por meio do aparecimento de doenças oportunistas. O presente estudo descreve as manifestações patológicas bucais em indivíduos portadores do HIV-1 de Cacoal, Rondônia, assim como sua correlação com os níveis de carga viral plasmática do HIV e o número de linfócitos T CD4 +. Foram analisados os prontuários de 113 pacientes atendidos no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Cacoal, RO, no período de 1999 a janeiro de Foi observado um leve predomínio de portadores do HIV do gênero feminino, sendo que a maior parte dos pacientes eram casados, com baixo nível de escolaridade, com renda familiar de 1 a 3 salários mínimos e com parceiro único. A prevalência de lesões bucais foi baixa (28,3%), quando comparada a outros estudos no Brasil, sendo que a candidíase e a úlcera aftosa foram as lesões bucais mais freqüentes (19,4%), predominando entre indivíduos do gênero masculino, na faixa etária compreendida entre 36 e 52 anos de idade. Não foi observada associação entre os fatores de risco para a aquisição do HIV e as alterações patológicas na cavidade bucal e as lesões bucais foram associadas, de forma estatisticamente significativa, com elevados índices de carga viral plasmática do HIV e baixo número de LTCD4 +, na população examinada. Palavras-chave: HIV-1, Lesões bucais, Patologias. 10 ABSTRACT AIDS is a worldwide public health problem and the oral pathological manifestations can serve as markers for the prognosis of the infection with human immunodeficiency virus 1 (HIV-1) by the emergence of opportunistic diseases. The present study describes the oral pathological manifestations in individuals with HIV-1 in Cacoal, Rondônia, as well as its correlation with the levels of HIV plasma viral load and the number of TCD4 + lymphocytes. The charts of 113 patients treated at the Centro de Atendimento Especializado (SAE) (Specialized Centre Care), in Cacoal, RO, they were analysed in the period from 1999 to January A slight prevalence of HIV was observed in female patients, and that most patients were married, with low education levels, a family income of 1 to 3 minimum wages and a sole partner. The prevalence of oral lesions were low (28.3%) when compared to other studies in Brazil, knowing that the oral candidiasis and the aphthous ulcer were the most commons (19.4%), predominantly among males aged between 36 and 52 years old. There was no association between the risk factors for HIV acquisition and pathological changes in the oral cavity and oral lesions were associated significantly with high levels of plasma viral load of HIV and low number of LTCD4 +, in the population examined. Keywords: HIV-1, Oral lesions, Pathologies. 11 1 INTRODUÇÃO Os retrovírus têm se destacado no grupo de agentes infecciosos de natureza viral. A família Retroviridae compreende vírus que infectam primariamente vertebrados, determinando-lhes uma variedade de doenças imunossupressoras e neoplásicas, embora já tenham sido encontrados retrovírus infectantes de outros seres, tais como aves, répteis, insetos e moluscos (Gallo & Wong-Staal, 1982). Os retrovírus patogênicos ao homem incluem os (i) vírus linfotrópicos de células T humanas tipos 1 e 2 (HTLV-1 e HTLV-2), relacionados a distúrbios neurológicos e hematológicos, classificados no gênero Deltaretrovirus e os (ii) vírus da imunodeficiência humana 1 e 2 (HIV-1 e HIV-2), classificados no gênero Lentivirus (Gallo, 1991; Liu, 1996; ICTV, 2012). A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma moléstia crônica causada pelo HIV, a qual infecta principalmente LTCD4 +, tendo como consequência a redução progressiva destas células, ocorrendo maior probabilidade de aquisição de infecções oportunistas importantes pelos indivíduos acometidos (Alves et al., 2004). 1.1 O VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) O HIV é classificado como membro da família Retroviridae, subfamília Lentivirinae, gênero Lentivirus (ICTV, 2012). Possui um capsídeo em forma de cone que comporta o genoma do vírus formado por duas moléculas de RNA de fita simples (Turner & Summers, 1999) Biologia do HIV-1 O HIV-1 é esférico com, aproximadamente, 100 nm de diâmetro, apresentando o genoma, duas fitas idênticas de RNA associadas a enzima DNA polimerase RNA dependente (transcriptase reversa), estabilizados por um capsídio protéico, circundado por um envelope externo de glicoproteína específica do vírus a gp160, precursora da gp120 e gp41, em uma membrana lipídica originada do hospedeiro (Wong-Staal & Gallo, 1985; Tripathi & Agrawal, 2007). 12 O genoma do HIV contém dois filamentos idênticos de RNA de fita simples e polaridade positiva, contendo nove genes delimitados por duas regiões terminais longas e repetitivas chamadas LTR (Long Terminal Repeats). Estes genes estão divididos em três genes estruturais (gag, pol e env), típicos dos retrovírus, dois genes regulatórios (tat e rev) e quatro genes acessórios (nef, vif, vpu e vpr) (Greene, 1991). O HIV-1 é caracterizado por uma enorme variabilidade genética e antigênica, na região que codifica as glicoproteínas do envelope (gene env), estima-se que o tamanho da diversidade possa ser superior a 10% em um único paciente e chegue a 50% entre cepas de diferentes grupos. Dificultando o desenvolvimento de vacinas e o tratamento com drogas anti-retrovirais, mas permitindo a reconstrução de diversos aspectos da história evolutiva do vírus (Pinto & Struchiner, 2006). A análise de sequências conhecidas do HIV-1 permitiu classificá-lo em três grupos distintos denominados M, O e N. O grupo M (major) envolve a maioria das infecções em todo o mundo e é composto por nove subtipos filogeneticamente distintos, denominados A, B, C, D, F, G, H, J e K, cujas sequencias de genes diferenciam entre si em cerca de 20%. O subtipo C é o mais prevalente, sobretudo na Índia, enquanto o subtipo B é o mais difundido em todos os continentes. Foram descritas 43 formas recombinantes circulantes (CRF) que são responsáveis por 18% do total das infecções. O CRF BF surgiu na América do Sul, tendo como origem o subtipo F da África. No Brasil, predominam os subtipos B, C, D e F e os CRF: BF, BD e BC (Santos et al., 2009). Plantier et al. (2009) relataram uma importante descoberta de um novo grupo do HIV-1 encontrado em uma mulher camaronesa. A nova variante é distinta dos grupos M, N e O. Os testes para HIV-1 nesta mulher estavam todos reativos para o grupo M, entretanto as proteínas mostraram-se pouco reativas com a gp120 e nenhuma reatividade com a gag18. O genoma viral foi completamente sequenciado e esta variante do HIV-1 foi denominado grupo P. A análise filogenética das variantes dos vários grupos do HIV-1 e de sequências do HIV-2 foi peça importante na montagem de um dos quebra-cabeças mais instigantes da epidemia de HIV/AIDS: a história da introdução do vírus na espécie humana. Neste sentido, apesar de uma relação entre os lentivírus humanos (HIV-1 e HIV-2) e retrovírus de primatas (Simian immunodeficiency virus, SIV) ter sido sugerida desde o início da epidemia, a reconstrução das relações filogenéticas 13 entre as principais variantes do HIV e os SIV somente ocorreu na medida em que cresceu o número de vírus isolados de diferentes espécies de símios (Pinto & Struchiner, 2006) Replicação do HIV-1 A ligação do HIV-1 com a célula hospedeira ocorre por interação entre uma glicoproteina do envelope viral, a gp120, e a molécula CD4 das células hospedeiras (linfócitos CD4 +, monócitos, macrófagos, células de Langerhans, entre outras), e propicia a internalização da partícula viral. Apenas a interação gp120-cd4 não é suficiente para a entrada do vírus, sendo necessária a presença dos receptores de quimiocinas CCR5 ou CXCR4, identificados como os principais correcepetores in vivo para o HIV-1, promovendo as alterações conformacionais que facilitam as ligações ao correceptor e a entrada viral. O envelope viral se funde com a membrana celular, processo facilitado pela gp41 (Ferreira et al., 2010). Uma vez no interior da célula hospedeira, o vírus sofre desnudamento e seu RNA é convertido em DNA, por meio da ação da enzima transcriptase reversa, quando então o DNA viral será incorporado ao DNA do hospedeiro, por meio da enzima viral integrase (Ortigão-de-Sampaio & Castello-Branco, 1997). O DNA viral integrado passa a ser denominado de pro-vírus e servirá como molde para a síntese de todas as proteínas e genomas necessários para compor os novos vírus (Veloso et al., 2010). À medida que a doença progride, ocorre comprometimento do sistema imunológico, onde o número de LTCD4 + no sangue periférico declina de seu nível normal (1.000 a células/mm³), para menos de 200 células/mm³ nos estágios avançados da AIDS. Ao mesmo tempo, a relação entre células LTCD4 + e LTCD8 + no sangue diminui seu valor normal de 2 para menos de 0,5. À medida que o número de LTCD4 + diminui, o sistema imunológico torna-se incapaz de conter as infecções causadas pelo HIV, permitindo a maior disseminação e multiplicação do vírus com aumento da viremia, assim, indivíduos infectados exibem lesões bucais frequentemente associadas à imunossupressão, as quais são causadas por patógenos oportunistas (Trentin et al., 2007). EPIDEMIOLOGIA DO HIV-1 No mundo inteiro, estima-se que 33,4 milhões de pessoas estão infectadas com o HIV-1. Na África subsaariana, a AIDS é a principal causa de mortes, sendo que a expectativa de vida nestes países caiu de 62 para 47 anos (Melo et al., 2006). O Boletim Epidemiológico de AIDS, do Ministério da Saúde, em 2012, informou que de 1980 a 2012 foram identificados casos de AIDS no Brasil, distribuídos em: casos na Região Sudeste (56,0%), casos no Sul (19,9%), casos no Nordeste (13,5%), casos no Centro-Oeste (5,7%) e casos na região Norte (4,9%). Em 2011 a taxa de incidência de AIDS no Brasil foi de 20,2 casos para cada habitantes, a taxa da Região Norte foi de 20,8. Existem mudanças no perfil da AIDS no Brasil. As mudanças devem-se à difusão geográfica da doença a partir dos grandes centros urbanos em direção aos municípios de médio e pequeno porte e ao aumento da transmissão por via heterossexual (Brito et al., 2000). O aumento da contaminação pela relação heterossexual tem contribuído para a feminização da epidemia (Gabriel et al., 2005). Atualmente, identifica-se o sexo feminino numa curva ascendente de incidência da doença. Em razão desse quadro, aumenta-se o número de transmissões verticais do HIV-1 e a taxa da via vertical passa de 20 a 40%, consequentemente o número de crianças afetadas pela doença começa a ocupar espaço na epidemiologia (Guerra et al., 2007). Com o aumento do número de mulheres soropositivas aumentou a preocupação com a transmissão vertical do HIV-1 às crianças. Quando expostas ao vírus desde sua formação intra-uterina e/ou até os 03 meses de vida, as crianças têm seu sistema imunológico afetado na plenitude de seu desenvolvimento e crescimento, podendo desenvolver anormalidades neuropsicológicas e falhas no desenvolvimento normal (Grando et al., 2002). Outro aspecto de mudança na epidemiologia da contaminação pelo HIV-1 é o aumento na proporção de casos nos indivíduos com menor escolaridade, denominado pauperização (Gabriel et al., 2005) Com a introdução da terapia anti-retroviral (TARV) em 1996, ocorreu uma importante queda na mortalidade, estabilizando-a em aproximadamente 6,4 óbitos anuais a partir de 2000 (Veloso et al., 2010). 15 Segundo Brito et al. (2000), essa redução não foi homogênea em todas as regiões, nos dois sexos, nas diversas faixas etárias, nem relacionadas ao declínio da incidência, já que a epidemia está em crescimento nas regiões Sul e Nordeste e em declínio no Sudeste. É relevante ressaltar três grandes fases na evolução desta epidemia: Uma fase inicial, caracterizada pela infecção entre homens que fazem sexo com outros homens e por um nível de escolaridade alto dos pacientes; uma segunda fase, caracterizada pelo incremento de casos devido à transmissão por uso de drogas injetáveis, como a consequente diminuição do grupo etário e maior disseminação entre indivíduos heterossexuais; terceira e atual fase, quando se acentua a tendência de disseminação entre os heterossexuais, principalmente as mulheres (Melo et al., 2006). 1.3 MANIFESTAÇÕES BUCAIS NA INFECÇÃO PELO HIV-1 Em virtude da alta prevalência de lesões bucais em portadores de HIV-1, muitas lesões podem ser diagnosticadas apenas pelas suas características clínicas devido à facilidade do exame da boca e orofaringe por profissionais de saúde, o que pode auxiliar no diagnóstico precoce da infecção pelo HIV e na avaliação da progressão da mesma (Amorim et al., 2009). A infecção pelo HIV compromete o sistema imune de maneira sistêmica, o que ocasiona também depleção na função imunológica da mucosa bucal, tornando-a suscetível a diversas alterações, tais como: candidíase, leucoplasia pilosa, sarcoma de Kaposi, linfoma não-hodgkin, gengivite ulcerativa necrozante aguda e periodontite. As manifestações bucais da infecção pelo HIV são comuns e podem representar um importante valor diagnóstico da doença. Aproximadamente 60% dos indivíduos infectados pelo HIV e 80% daqueles com AIDS apresentam tais manifestações. Portanto, a presença de alterações bucais sugestivas de um estado de imunodepressão induz a busca no paciente da possibilidade de infecção pelo HIV, ou alerta para uma queda imunológica naqueles que tem a doença (Gasparin et al., 2009). Grando et al. (2002) afirmam que a maioria dos pacientes com AIDS desenvolve manifestações estomatológicas em algum momento da infecção. Destaca que cerca de 40% dos sinais e sintomas da AIDS encontram-se na região 16 da cabeça e do pescoço. Os primeiros artigos sobre AIDS já mencionavam o fat
Search
Similar documents
View more...
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks
SAVE OUR EARTH

We need your sign to support Project to invent "SMART AND CONTROLLABLE REFLECTIVE BALLOONS" to cover the Sun and Save Our Earth.

More details...

Sign Now!

We are very appreciated for your Prompt Action!

x