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Kalagatos - REVISTA DE FILOSOFIA DO MESTRADO ACADÊMICO EM FILOSOFIA DA UECE A ÉTICA EM MICHEL DE MONTAIGNE (ANÁLISE DO ÚTIL E DO HONESTO) Tereza de Castro Callado * RESUMO Os Ensaios III de Montaigne revelam na descrição de Do útil e do honesto do método montaigneano a transparência de um
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     K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   -     R    E   V   I   S   T   A   D   E    F    I   L   O   S   O   F   I   A   D   O    M    E   S   T   R   A   D   O    A    C   A   D    Ê   M   I   C   O   E   M     F    I   L   O   S   O   F   I   A   D   A    U   E   C   E   F    O   R   T   A   L   E   Z   A  ,    V  .   2    N  .   4 ,   V    E   R    Ã   O    2   0   0   5 ,    P  .   1   6   9 -   2   0   0 . l L 169 Tereza de Castro Callado    *  *   Professora da Graduação e do Curso de Mestrado em Filosofia da Universidade Estadual do Ceará - UECE , Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo - USP  . RESUMO Os  Ensaios III   de Montaigne revelam na descrição de Do útil e do honesto do método montaigneano a transparência de umparâmetro de conduta moral para a mentalidade doRenascimento que será alcançada à luz da sabedoria de De Officiis   de Cícero. PALAVRAS-CHAVE:   Kathórtoma  . Kathékon  . Phronesis  .  Nonchalance  . Ética. ABSTRACT  The III Essays of Montaigne reveal in the description Of the Useful and of the Honest of the Montaignean methodthe transparency of a parameter for the necessary moralconduct of Renaissance mentality that will be reached by the wisdom from Cicero´s De Officiis  . KEY-WORDS: katórthoma  . Phronesis  . Kathékon  .  Nonchalance  .Ethics. A É  TICA   EM  M ICHEL   DE  M ONTAIGNE (A NÁLISE   DO   ÚTIL   E   DO   HONESTO  )     K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   K  a    l  a  g  a   t  o  s   -     R    E   V   I   S   T   A   D   E    F    I   L   O   S   O   F   I   A   D   O    M    E   S   T   R   A   D   O    A    C   A   D    Ê   M   I   C   O   E   M     F    I   L   O   S   O   F   I   A   D   A    U   E   C   E   F    O   R   T   A   L   E   Z   A  ,    V  .   2    N  .   4 ,   V    E   R    Ã   O    2   0   0   5 ,    P  .   1   6   9 -   2   0   0 . l L 171  Não há utilidade, pela qual se possa privar a consciência de sua merecida tranqüilidade  Uma concepção de sabedoria a partir da escritura do si mesmo O capítulo I do Livro III dos  Ensaios  , escritos entre 1580a 1588, desenvolve uma reflexão acerca do comportamento moralque concilia ou divide o útil e o honesto . Para seu autor – Michelde Montaigne – nascido em 1533 e morto em 1592, a formade dar realce a um pensamento inserido na tradição, da qualse faz leitor, é um exemplo da maneira de aliar-seespiritualmente à moralidade dos antigos. Sem deixar derecorrer a uma análise crítica com o fim de nortear a própriainterioridade, o método de Montaigne tem por fim alcançaratravés de si, a compreensão do mundo exterior. O livro IIIdos  Ensaios constituem a iniciativa, de modo peculiarmentecético, de expor-se para avaliar o que no seu exterior pareceentregue à dispersão 1 . A verossimilhança do propósito derestituição a si próprio é garantida pela opção do gêneroescolhido: o ensaio é adequado à expressão do fenomênico,oportuno, casual, por ser uma estrutura aberta, sobretudo,nesse caso peculiar, pela metodologia de despojamento e 1  Um aspecto da erudição de Montaigne se espelha na antiguidade clássica.Essa cultura constitui o modelo, na recuperação do racionalismohumanista, pra reagir à passividade e degenerescência da força da vontade,mas um outro aspecto encarrega-se de arejar o rigor racionalista. A atraçãoque o Renascimento exerce sobre Montaigne reside na forma de preservar,de maneira invulgar, a reputação humanista dos  Exempla   na traduçãoestóica de Cícero a Sêneca. A versão montaigneana do desapego estóicoempresta o vigor e a atualidade de uma “subjetividade” agora desveladanas tentativas de auto-retratar-se.     C   A   L   L   A   D   O ,   T    E   R   E   Z   A   D   E    C    A   S   T   R   O  .   A    É    T   I   C   A   E   M     M    I   C   H   E   L   D   E    M    O   N   T   A   I   G   N   E  -   A    N    Á   L   I   S   E   D   O       Ú   T   I   L   E   D   O   H   O   N   E   S   T   O  . l L 172 intimação ao eu 2 . Os  Ensaios   constituem uma auto-avaliação. Aí o pensamento filosófico é orientado por uma espécie deinterdição à inteireza e plenitude da individualidade, para sedar no entremeio das decisões sem contrariar a exceção, osingular e o periférico. Desliza no espaço crítico que reconheceo empalidecimento, no convívio público contemporâneo – daquilo do qual Montaigne vai se tornar um observadorexímio – da ética dos antigos. Montaigne discute com asdoutrinas filosóficas dos antigos. A atualidade de Montaigneestá também na busca à arte de viver. Consegue vislumbrar orisco a que se submete o próprio ser na alienação através doconvívio em sociedade. Com esse apoio Montaigne faz umaleitura da carência geral de valores no meio público do seutempo, pois reconhece que “ o mundo está direcionado apenas para o espetáculo ”. O viés crítico justifica o esforço de recuperar aexemplaridade da cultura antiga. Na técnica de averiguar cadacaso, ao deter-se na sua singularidade, o estilo de Montaignese sobressai na particularidade de renunciar à impertinênciado enfático, resistir à eloqüência e despedir a resposta deefeito. Assim Montaigne assume a nonchalance  .O objetivo da reconfiguração da moralidade, propostanos  Ensaios  , não visa de imediato o público e privado alheios, 2  Se por um lado a recuperação do ideal humanista é um obstáculo à porosidadepara crenças ingênuas, o espectro da vanitas, no século XVI, reapareceexacerbando o sentimento de finitude e desestabilizando as estruturas apoiadasna ratio posteriormente formalizada por Descartes. O cogito ergo sum   utiliza-seda primeira pessoa e se inscreve no rompimento de uma tradição queconsiderava a srcinalidade da subjetividade no espaço da vanitas vanitatae  . Comoposteriormente fará Descartes, Montaigne assume esse sujeito singular junto àfragilidade da subjetividade em jogo (agora alienada das concepções religiosas). Talvez numa estratégia para evitar sua dispersão. Montaigne antecipa esse eu,por um caminho inverso, isto é, ao retomar a antiguidade clássica.
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