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A Extensão vista de perto

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Out 2016 / N 13 ISSN Entrevista com Luiz Fernando Martins Kruel A Extensão vista de perto Publicação da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul QUALIDADE HIGIÊNICO-SANITÁRIA
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Out 2016 / N 13 ISSN Entrevista com Luiz Fernando Martins Kruel A Extensão vista de perto Publicação da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul QUALIDADE HIGIÊNICO-SANITÁRIA DO LEITE DESTINADO À FABRICAÇÃO DO QUEIJO ARTESANAL SERRANO, CAMPOS DE CIMA DA SERRA - RS DA BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DE EDUCANDOS E EDUCADORES AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO AUDITIVO EM CRIANÇAS PORTADORAS DO VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA O CINEMA E A EXTENSÃO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS: MÉTODOS, TRAJETÓRIAS E RESULTADOS EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E INTERDISCIPLINARIDADE NA EDUCAÇÃO MÉDICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA ACOLHIMENTO A FAMILIARES DE PACIENTES POR ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM EM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA DE HOSPITAL UNIVERSITÁRIO TEATRO DE BONECOS: UMA EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO NA FORMAÇÃO DE EDUCADORES DESTAQUES DO SALÃO DE EXTENSÃO UFRGS 2015 Apresentação Como dizia Paulo Freire, a Extensão, assim como o conhecimento, caracteriza-se pela relação ser humano-sociedade que se constitui a partir da premissa de uma transformação. Esse encontro-relação se dá propiciando o aperfeiçoamento e a problematização da mesma. Ela, a Extensão, com sua diversidade prática e conceitual, felizmente, interfere efetivamente tanto no pensar como no fazer da Universidade e, considerando sua trajetória, fruto de longos processos de discussões teórico-políticas e de práticas, ressignifica as experiências docentes e discentes tanto interna quanto externamente. Este número apresenta justamente essas reflexões importantes sobre os fazeres extensionistas e a repercussão no currículo, no conhecimento e na formação de profissionais nas áreas da saúde, da educação, da agronomia, da formação de professores e da infância, além da reflexão sobre a própria Extensão Universitária. Já a entrevista com o professor Luiz Fernando Kruel apresenta sua trajetória tanto como extensionista de uma das áreas mais atuantes nesse campo quanto sua atuação nos espaços regulatórios da extensão na UFRGS. Boa leitura. Claudia Porcellis Aristimunha Vice-Pró-Reitora de Extensão Editorial Segundo é corrente em diversas culturas, o número 13 é pleno de significados, e pode ser associado tanto à sorte quanto à falta dela. Inclusive, alguns medos e fobias incomuns do número 13 e suas representações receberam nomes próprios, corroborando a sua importância real e imaginária nas sociedades. No caso da nossa Revista, chegar à décima terceira edição, também é muito representativo. O número 13 é motivo de orgulho que simboliza a coragem e a disposição de inovar desde o lançamento; também reflete o desafio de manter atitude positiva perante os obstáculos de cada edição. A Revista da Extensão se mantém firme nas trincheiras da extensão universitária brasileira, mais do que nunca, buscando defender a Constituição Federal de 1988, que, no Artigo 207, define: As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Gozar de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira implica na responsabilidade em dar retorno à sociedade que mantém as universidades públicas. Portanto, neste número, temos 7 artigos e 10 textos que foram destaques do Salão de Extensão UFRGS Todos são resultados de ações de extensão desenvolvidas em diálogos com comunidades dos meios rural e urbano. O princípio da indissociabilidade acadêmica é apresentado na Revista como o somatório de diferentes processos e de variadas formas das atuações extensionistas, dentre outras, cito: o relato de estudantes que refletem sobre suas incursões fora dos muros das universidades; o respeito aos interesses, reivindicações e necessidades das comunidades; a democratização da produção, o acesso e a circulação dos diversos saberes. Entendemos que a produção de artigos é mais do que a sistematização e a divulgação de resultados das ações extensionistas, é também a tentativa de dar voz e vez às demandas sociais. José Antônio dos Santos Editor Sumário Entrevista com Luiz Fernando Martins Kruel 04 Qualidade higiênico-sanitária do leite destinado à fabricação do queijo artesanal serrano, Campos de Cima da Serra - RS 13 Da bolsa de iniciação à docência: contribuições para a formação de educandos e educadores 20 Avaliação e monitoramento auditivo em crianças portadoras do vírus da imunodeficiência adquirida 26 O cinema e a extensão em relações internacionais: métodos, trajetórias e resultados 30 38 Extensão universitária e interdisciplinaridade na educação médica: relato de experiência 42 Acolhimento a familiares de pacientes por acadêmicos de Enfermagem em serviço de emergência de hospital universitário 46 Teatro de bonecos: uma experiência de extensão na formação de educadores 51 Destaques do Salão de Extensão UFRGS 2015 Integralidade e intersetorialidade na extensão universitária: o projeto multiprofissional e comunitário InterSossego Oficinas fonoaudiológicas para terceira idade: prevenção e promoção da saúde Implantações de tecnologias voltadas ao desenvolvimento educacional, socioambiental e de bem-estar das escolas do campo do município de São Gabriel RS Aventureiros do universo: universidade e escola trilhando juntas novos caminhos Atuação da Odontologia para pessoas com deficiências 2015 Memórias da Vila Dique 2015 olhares multiplicados Semeando o diálogo intercultural a partir de ações multidisciplinares na aldeia Mbyá Jatai ty, Viamão, RS Os impactos das obras para a Copa do Mundo na região da Grande Cruzeiro e o direito à moradia Entre celebração, análise e debate: a África como tema de reflexão na UFRGS Programa de prevenção de doenças crônicas não comunicáveis em escolas de educação infantil 4 Entrevista com Luiz Fernando Martins Kruel Entrevista: José Antônio dos Santos e Vicente Fonseca Transcrição da entrevista: Elias Santos, Paola Pavezi e Vicente Fonseca Fotos: Paola Pavezi Revista da Extensão: Fale um pouco sobre sua trajetória e a escolha pela Educação Física e pela Natação. Luiz Fernando Martins Kruel: Minha história na Educação Física começou aos seis anos, quando meu pai se tornou sócio da Associação Cristã de Moços. Comecei, então, a fazer atividade física dentro da ACM. Lá tive uma iniciação de todos os esportes, e comecei a praticá-los. RdE: E como foi sua primeira experiência como professor de natação? Kruel: Um professor da ACM dava aula e precisava de monitores. Perguntou ao grupo de liderança juvenil, que ajudava em várias atividades, quem queria participar. Ali eu iniciei minha vida de dar aula de natação, como monitor do Prof. Sérgio Stockner por cerca de dois anos, ajudando ele a trabalhar com aquelas crianças. RdE: O senhor chegou a ser técnico de vôlei e natação, ainda enquanto aluno. Acumulando tantas atividades, como foi realizar sua pós-graduação? Kruel: Nessa época, na nossa área, não existia mestrado e doutorado. Tinham implantado aqui na então ESEF um dos primeiros cursos de especialização na área de Educação Física. Aí, veio uma bolsa da França pra fazer doutorado, e os professores tinham que indicar um aluno que estivesse se formando pra ir fazer o doutorado na França. Fui indicado pra ir pra lá e sentei para conversar com os professores sobre as vantagens e desvantagens disso, e eles disseram que a Universidade não via o professor mestre ou doutor como um futuro, principalmente na nossa área. Era a realidade da época. Aí, aqueles mesmos professores que tinham me indicado e que eu tinha como referência, disseram que não iriam, pois estaria abrindo mão de ser treinador dos dois principais clubes do estado no esporte mais forte naquela época o voleibol era um dos esportes mais fortes da Sogipa e eles optariam por fazer uma carreira aqui dentro, e foi o que eu fiz. Foi o meu primeiro grande erro acadêmico, pois se eu tivesse ido naquela época teria voltado na primeira leva de doutores na área de Educação Física de todo o Brasil. RdE: Como foi o seu primeiro contato com a natação voltada para portadores de deficiência? Kruel: Ainda aluno, no União, fui convidado pelo Prof. Mauri Fonseca, que queria implantar um projeto que só existia em Pernambuco e em São Paulo. Era um programa de natação para portadores de deficiência. Comecei a trabalhar com ele nessa área. Era treinador do União e de noite comecei a trabalhar com deficiente físico e deficiente mental numa parte de ensino e aprendizagem, para tentar, através da natação, melhorar a mobilidade e a qualidade de vida daquelas pessoas. 5 6 RdE: E do seu trabalho com a natação de alto rendimento, o que destacar? Kruel: Logo que saí do União, o Mauri passou a implantar um projeto muito interessante. O União tinha a hegemonia do estado há 28 anos na natação e disputava palmo a palmo no cenário nacional com clubes de São Paulo. Ele estava implantando um projeto para formação de uma equipe para ser campeã estadual em cinco anos. Fez uma escolha de alguns técnicos, e tive a sorte de ser selecionado. Saímos do zero com o Mauri na parte de natação de alto rendimento, onde o União tinha uma larga tradição, e conseguimos ser campeões estaduais em quatro anos, antes do previsto inicialmente. RdE: E os primeiros passos na carreira como docente universitário? Kruel: Depois de formado, fui fazer uma especialização em Natação, depois outra em Treinamento e depois mais uma em Medicina Esportiva as duas primeiras aqui na UFRGS e a outra na antiga Fundação Faculdade Católica de Medicina (atual UFCSPA). Nessa pós em Medicina Esportiva na Fundação, em 1979, conheci o Prof. Raul Bornesch Rodrigues, que ministrava a disciplina de Cinesiologia e de Biomecânica. Em 1980, me indicou para dar aula na Fundação nas disciplinas de Cinesiologia e Biomecânica, e eu assumi no lugar dele na Feevale. Eu já dava consultoria em algumas academias e para algumas equipes na área de natação. Tornei-me sócio em uma academia em Canoas, mas o meu foco já era o ensino superior. Iniciei na Feevale e estava surgindo uma disciplina nova no Brasil, que a UFRGS tinha sido uma das primeiras a implantar, três anos antes, que era a Fisiologia do Exercício. Para melhorar o desempenho dos meus atletas, eu vinha fazendo cursos nas áreas de Biomecânica e Fisiologia. A Feevale me convidou para assumir a disciplina de Fisiologia do Exercício e dava aula também de Cinesiologia nos cursos de Educação Física e Fisioterapia. Em 1984, fiz um concurso para 20 horas aqui na UFRGS na área de natação. Então fiquei com 20 horas aqui, continuei por dois anos de sócio da academia em Canoas e dando aula na Feevale. Depois saí da academia em Canoas e passei para 40 horas na UFRGS e continuei na Feevale. Em 1988, decidi pela Dedicação Exclusiva aqui na UFRGS. RdE: Vamos falar de UFRGS, então. Conte mais sobre seu começo aqui na Universidade. Kruel: Divido esse período da UFRGS em dois momentos: um mais acadêmico e técnico e outro mais administrativo na área da extensão e da pesquisa. Entrei em 1984 e me convidaram para administrar o prédio da piscina. Comecei com alguns cursos de extensão, e, num deles, o curso de natação para bebês, numa discussão do curso, a gente começa a ver a importância de trabalhar com natação para crianças asmáticas. Aí, em 1986 eu criei um grupo de ensino, pesquisa e extensão na área de água com um programa de natação para crianças asmáticas. Nosso grupo agora está fazendo 30 anos. Começamos com cinco alunos, numa parceria com o Hospital de Clínicas. O Professor Fernando Abreu ajudou muito a estruturar esse serviço de atendimento à criança asmática desde o início implantamos esse programa de extensão como serviço, e junto com pesquisa. RdE: Foi nessa época então que o senhor passou a se voltar mais para a área da saúde... Kruel: Isso. Fui para natação e crianças asmáticas, um ponto de rompimento forte. Nesse ano de 1986, em que eu estruturei o grupo, saiu um curso em São Paulo de hidroginástica. Eu queria algo que fosse dentro d água, mas que não fosse natação. Eu tinha começado a estruturar aquele grupo de asma no ano anterior, estava em funcionamento há mais ou menos meio ano quando saiu esse curso. Peguei cinco alunos, fomos pra São Paulo com apoio da UFRGS e da Pró-Reitoria de Extensão fazer esse curso, voltamos para cá e montamos um programa de extensão em hidroginástica. Ele foi pioneiro nessa área no Rio Grande do Sul, e virou referência mundial. Quando começamos a parte de hidro, não tínhamos equipamento nenhum. A primeira turma foi no segundo semestre de 1986, com 20 alunos. Desses 20 que começaram, oito ainda fazem aula conosco até hoje, de forma ininterrupta, por 30 anos. É aí que o meu grupo começa a ir mudando de cara, de sentido de pesquisa. RdE: Como foi essa mudança gradual de foco nos trabalhos do grupo? Kruel: Começamos trabalhando com um público jovem. Nesse meio tempo, implantamos outra atividade, no início de 1987, que chamamos de jogging aquático (deep water running). Achávamos que tinha sido uma atividade nova no mundo, mas depois vimos que ela já existia há muito tempo, só não era difundida, assim como a hidroginástica existem relatos de que esta atividade já existia em 470 a.c.. Assim, implantamos o deep water running no Brasil em 1987, também por um programa de extensão da UFRGS. Ao longo de algumas dezenas de cursos que acabei ministrando, começamos a difundir por uma parte científica o deep water e a hidroginástica no Brasil, e depois virando referência no mundo. O grupo começou a crescer, eu saí pra fazer mestrado e doutorado, trabalhando na área de alterações fisiológicas e biomecânicas no meio líquido. A nossa base é tentar trabalhar e olhar o comportamento e o fenômeno por prismas diferentes. Mesmo quando eu estive fora os projetos seguiram ocorrendo de forma continuada e ininterrupta. Passaram pelo meu grupo como bolsistas de extensão e de pesquisa mais de 300 pessoas, uma formação grande de alunos de mestrado e de doutorado. RdE: Os alunos que trabalham com o senhor são em geral mais maduros ou estão no começo do curso? Kruel: Eu procuro trazer os alunos para o meu grupo no final do primeiro semestre, para dar uma formação para eles dentro da graduação, deixar eles prontos. Isso dá muito trabalho. Tu pegas um aluno de primeiro semestre, verde, totalmente cru, pra fazer uma formação, para posteriormente fazer mestrado e doutorado. Tenho vários alunos ao longo desse período que ficaram de 10 a 15 anos comigo, do primeiro semestre da graduação ao doutorado, e alguns até o pós-doutorado. RdE: Isso certamente deve fazer muita diferença para a continuidade desses projetos... Kruel: Com certeza. Não só dos projetos, mas na formação dessas pessoas, que hoje têm grupos consolidados com pesquisa e extensão, e formando gente com uma base boa em diversas Universidades do País. RdE: O seu trabalho já recebeu inúmeros prêmios mundo afora. Tem algum que o senhor considera mais importante na sua trajetória? Kruel: Acho que dois deles são muito significativos. O primeiro, na ordem cronológica, é de uma associação aquática internacional, com sede nos Estados Unidos, que congrega 42 países. Ela trabalha, divulga e forma profissionais no mundo inteiro. O conselho científico desta associação é composto por vários doutores de todo o mundo. Antes, eles premiavam só o melhor trainee da associação no mundo. Aí, em 2006, o conselho resolveu premiar um pesquisador no mundo. Fiz uma reunião com o meu grupo em 2007 e disse; espero que algum de vocês ganhe o prêmio, pois com certeza não vou ser eu que vou ganhar, já estou quase me aposentando. Eu pensava que até um brasileiro ganhar o prêmio ia demorar muito. Pois para minha surpresa, o primeiro pesquisador mundial que ganhou fui eu. Foi um reconhecimento pelo que o nosso grupo tinha produzido de conhecimento pra estruturar as aulas de hidroginástica no mundo inteiro e pela contribuição para a indústria da água. O outro que me tocou muito foi mais recente, em O CNPQ tem um prêmio há 33 ou 34 anos, que é o Jovem Cientista. Dentro desse prêmio, 18 anos atrás, foi criado um na categoria de mérito científico. A cada ano, o Jovem Cientista tem um tema e eles veem em todas as áreas de conhecimento quais os pesquisadores sêniores, e as associações científicas e de classe indicam pessoas pra ganhar 7 8 o mérito científico do CNPQ. O pesquisador não se inscreve, foi até uma surpresa quando ligaram falando de um prêmio que eu nem sabia que estava concorrendo (risos). Desses 18 anos que existe o prêmio, fui o sexto brasileiro de todas as áreas do conhecimento a ganhá-lo, e o único gaúcho. Em todos os anos ocorre o prêmio, mas em nem todos as pessoas indicadas conseguem preencher os requisitos. Ganhei na área de inovação tecnológica em esporte. O prêmio é dado pelo Presidente República. O que foi valorizado na minha avaliação foi desenvolvimento de protocolos de avaliação e prescrição de exercícios de baixo custo e de fácil acesso às pessoas. Por exemplo: tem um equipamento de fazer avaliação no Lapex que custa 400 mil dólares, mas quantas pessoas podem usá-lo no Brasil e no mundo? Com esses equipamentos aqui, a gente desenvolveu um protocolo de avaliação e prescrição de exercícios com custo zero, para o público poder usar, e validamos através do aparelho. Claro que quando a gente faz a pesquisa nós usamos material de ponta, mas quem está na linha de frente (academias e escolas) dando aula não dispõe dele. A gente desenvolveu vários protocolos na parte de avaliação e também na de saúde de crianças, e foi através desses protocolos de baixo custo que o pessoal considerou isso uma inovação tecnológica. RdE: E os seus projetos de extensão, que há tanto tempo estão em atividade? Kruel: Ao longo dessa trajetória, implantamos cinco projetos de extensão que estão ocorrendo desde Começamos com o de natação para asmáticos, que foi de 1986 a 1998 eu não tinha mais estrutura para atender os asmáticos e parei, mas implantei nesse meio tempo um programa pra atendimento a portadores com Síndrome de Down. Hoje a gente atende 360 pessoas. A ideia era fazer a pesquisa para melhorar o atendimento e produzir um conhecimento também a partir da extensão e para a extensão, que é pegar o que o público precisa e devolver isso pra ele, mas, como o pessoal quase não sai do programa, essas turmas foram envelhecendo. Então, quando começamos, estávamos montando aulas para pessoas de 20 a 30 anos. O nosso público hoje é de pessoas de 70, e tenho uma aluna de 93 anos. Elas entraram 30 anos atrás e foram ficando no grupo (risos). Aí, por afinidade, como a turma é mais velha, o público já não vem, e acabam vindo integrantes novos que já sejam de mais idade. Assim, começamos a trocar o nosso foco de pesquisa: além de estudar a parte mais voltada ao rendimento, passamos a estudar mais a saúde. Foi aí que começamos com projetos tipo o de como fazer prescrição e avaliação de diabético tipo 2, de dislipidêmico e para osteoporose. Também fomos mudando nossa forma de avaliar e prescrever, pois havia alguns modelos que a gente usava de prescrição que, quando o pessoal começou a envelhecer e usar alguns medicamentos, aquele já não era mais o melhor modelo. Então, começamos a desenvolver projetos de mestrado, doutorado e pós-doutorado para dar um suporte para aquele problema do dia a dia da extensão. O meu grupo começou com dois alunos, depois foi para cinco, e hoje temos 48 alunos fazendo ensino, pesquisa e extensão juntos. Tenho aluno do primeiro semestre que participa de reuniões com aluno de pós-doutorado. E eu não aceito que esse pós-doutorando venha ao grupo só para fazer pesquisa: ou ele vem para trabalhar junto em pesquisa, extensão, formação de pessoa de base, ou ele não faz o pós-doutorado dentro do grupo. RdE: Qual a importância que o senhor vê de ensino, pesquisa e extensão andarem juntos na área de Educação Física? Kruel: Total, não só na Educação Física. Acho que temos uma coisa no regimento que não é cumprida: a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Eu não consigo vê-los de forma separ
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