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A fragmentação do éthos no mundo contemporâneo.txt

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  Gilberto Safra0 ser humano, a m de que possa acontecer e emergir como simesmo, precisa iniciar seu processo de constituição a partir de umaposição, de um lugar. Esse lugar não é um lugar físico, é um lugar nasubeti!idade de um outro. ão é !erdade que o fato de uma criançater nascido garanta que ela tenha tido um início como um serparticipante do mundo humano. E muito grande o n#mero de pessoasque !i!em no mundo sem pertencer a ele, que !i!em nele sem quetenham tido início como um ser frente a um outro. $% necessidade,para o acontecer humano, que a criança sea recebida e encontradapor um outro humano, que lhe d& esse lugar, que lhe proporcione oiníciç de si mesma. ão é possí!el se falai' de alguém sem que sefale de um (innicott )*+*- armou que 'não eiste um beb& sem asua mãe'/ isto assinala um princípio fundamental para acompreensão do ser humano não eiste o ser humano sem o outro/ oser humano acontece no mundo. Esse acontecimento srcin%rio iniciaa cria1nça em um processo de temporali2ação, pois no momento emque a criança nasce na subeti!idade de alguém, passa a ter umahist3ria pessoal. E!identemente, a hist3ria pessoal !em precedida deconcepç4es assentadas em tradiç4es, mitos, mas esse momentoorigin%rio signica que a criança nasce em um mundo humanoencontrando um sentido de temporalidade, decorrente do encontrode seu corpo com a corporeid5de do outro. Encontramos aqui umaaproimação ao conceito russo de so6b orno st, que arma que cadaser humano é singulari2ação de tpda a hist3ria humana. Em cadapessoa, acontece o encontro entre os antepassados, oscontempor7neos e aqueles que ainda !irão..8 acontecer humano demanda a presença de um outro. primeirasorgani2aç4es psíquicas do beb&, a entrada na temporalidade, aabertura da dimensão espacial, a personali2ação s3 se constituem eganham reali2ação pela presença de alguém signicati!o. 9 tempora6  li2ação se d%, inicialmente, pelo interogo entre as pessoas no meioambiente e a criança. E um tempo que acontece a partir do ritmo dacorporeidade humana. 9 presença humana signica o respirar, obatimento cardíaco, o ciclo de mamadas. $% aqui o aparecimento dosentido temporal e da subeti!idade. São ritmos que indicam apresença de um outro, banham o corpo da criança com a presençahumana. 8 corpo da criança, por meio de !ariaç4es de temperaturas,teturas, lu2es e formas, encontra no mesmo gesto ou em formasestéticas a presença de si e a presença materna )Safra, *+++-.:om isso, quero assinalar que a srcem da subeti!idade humana sed% nesse registro das trocas sensoriais que alcançam o registro dec3digos signicantes, elementos que indicam a presença humana eque originam o idioma da dupla mãe6beb&. Esse idioma temimport7ncia não s3 por ser um campo de codicação, mas tambémpor ser uma organi2ação que acontece ao longo do tempo. 9 medidaque a eperi&ncia estética do par tem continuidade, o beb& tem aoportunidade de eistir em formas sensoriais/ ele torna6se um ser!i!ente no mundo humano. ;ma criança que ainda não disp4e deinstrumental que lhe permita intermediar a relação com o mundoatra!és do campo simb3lico é etremamente afetada pelos sentidosde temporalidade e pelas organi2aç4es espaciais que lhe sãoofertadas esteticamente.$anna 9rendt )*+<- ensina6nos que a realidade do mundo égarantida pela presença dos outros. 8 mundo consiste nas coisas, quede!em a sua eist&ncia aos homens e que, por sua !e2, tambémcondicionam os autores humanos. 9ssim, tudo o que adentra omundo humano torna6se parte da condição humana. 8 trabalho e seuproduto, os artefatos humanos, emprestam perman&ncia edurabilidade ao car%ter ef&mero do tempo humano. 9 cadanascimento, o no!o começo pode fa2er6se sentir no mundo, porque orecém6chegado possui a capacidade de iniciar algo no!o agir.  9dentramos no mundo ao nascer =e o deiamos ao morrer. 8 mundotranscende a duração de nossa !ida, tanto no passado como nofuturo. Ele preeistia > nossa chegada e sobre!i!er% > nossa bre!eperman&ncia. 8 nascimento humano e a morte de seres humanos nãosão ocorr&ncias simples e naturais, mas se referem a um mundo aoqual !&m e do qual partem como indi!íduos #nicos, entidadessingulares, impermut%!eis e irrepetí!eis. a situação clínica, tenho ou!ido in#meras !e2es pacientes falandode um tipo de sofrimento de uma maneira bastante pr3ima >quelasformulaç4es utili2adas por 9rendt para se referir > condição humana.Sem d#!ida, pode6se afrmar que é preciso entrar no mundo para queo indi!íduo se sinta !i!o e eistente, mas tem de ser de uma maneirasingular e pessoal. ão basta, para a humani2ação do beb&, que omundo estea pronto com suas estéticas, com seus c3digos, com seusmitos. 9 criança precisa, por seu gesto, transformar esse mundo emsi mesma. E preciso que o mundo, inicialmente, sea ela mesma, paraque ela possa apropriar6se dele e compartilh%6lo com outro. 9m de ?que essa situação possa ocorrer, ela precisar% ser acolhida pelahospitalidade do mundo oferecida pelos seus pais. 9 hospitalidadeprecisar% ser reencontrada por todo ser humano ao longo do percursode sua !ida, para que sua sanidade sea preser!ada.9 realidade compartilhada é construção de muitos, é campo em queeiste a construção de todos. :om 9rendt, poderíamos armar que aeist&ncia é o que aparece a todos.@ela eperi&ncia de onipot&ncia, o beb& cria a sua mãe, e isso lhepossibilita a entrada no mundo. A um momento em que, por seu,gesto, ele recria o mundo preeistente > sua imagem e semelhançatransformando6o, por intermédio de sua mãe. Este também é o pontoque se constitui a dimensão étnica de seu ser, pois, na medida en  que o beb& toma o corpo materno como o pr3prio, organi2a6sesegundo os aspectos étnicos da comunidade em que nasceu. Esseselementos étnicos se desen!ol!em e ganham sosticação, ao longodo desen!ol!imento, pelo con!í!io da criança com as pessoas em seumeio am-Biente, pela apropriação do éthos, reCetido na corporeidade,nas emoç4es e atitudes, desses outros signicati!os. 9 situação quenão ocorre frente ao outro ser humano surge e se es!ai como umamiragem despro!ida da realidade do mundo compartilhado. Este é oponto de partida para que o indi!íduo !enha, ao longo de sua hist3ria,a alcançar as diferentes nuances do habitar o mundo compartilhadocom outros.:om a maturação do beb& humano, na medida em que a pessoacaminha rumo ao campo social, h% a necessidade de que o indi!íduopossa articular, ao6mesmo tempo, a !ida pri!ada e a !ida social, paraencontrar, no campo social, inserç4es que preser!em o seu estilo deser e a sua hist3ria. E o momento da participação na sociedade pormeio do trabalho, do discurso, da obra , da ação política, ou sea, dacapacidade criati!a acontecendo no mundo com os outros. @ela açãocriati!a no mundo, o homem colabora com a durabilidade do mundo ecom o processo hist3rico da sociedade.Simone (eil )*+5B- tem colocaç4es muito l#cidas a respeito dessasquest4es. Ela nos ensina que o ser humano tem uma rai2 por suaparticipação real, ati!a e natural na eist&ncia de uma coleti!idade,que conser!a !i!os certos tesouros do passado e certopressentimento do futuro. Ela alerta para as decorr&ncias dodesenrai2amento, que podem se dar por desemprego, m% qualidadede situação de trabalho, imigração, falta de instrução. @ara ela, odesenrai2amento é a mais perigosa doença das sociedades humanas,pois multiplica a si pr3pria. 8s desenrai2ados, segundo ela, s3 t&mdois comportamentos possí!eis ou caem numa inércia de alma
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