Documents

A Fraude Ideológica Do Existencialismo

Description
Desmascarando a filosofia existencialista
Categories
Published
of 12
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
  08/11/2015 A fraude ideológica do existencialismo (ou “porque não gosto de Fado”) | perspectivashttps://espectivas.wordpress.com/2009/01/30/existencialismo/ 1/12 perspectivas Sexta-feira, 30 Janeiro 2009 A fraude ideológica do existencialismo (ou “porque não gosto de Fado”) Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:30 am Tags: existencialismo, filosofia, Platão Platão defende a ideia de que o ser humano não pode ser avaliado em função de uma circunstânciaexistencial ― como defenderam Ortega y Gasset e todos os existencialistas contemporâneos ―, mas éo ser humano que, independentemente das características do mundo que o rodeia, molda a sua formade estar perante a circunstância.Ortega Y Gasset disse: “Eu sou eu e a minha circunstância” . Platão, embora não o tenha dito, deduz-se da suas ideias que poderia ter dito: “Eu sou eu e a causa  da minha circunstância”. Para Gasset, a sua circunstância (o “mundo da vida”) era o objecto do seu sujeito, mas também era umefeito sem causa.Para Platão, o objecto do seu sujeito era a causa que determinou a sua circunstância. A suacircunstância era apenas o efeito de uma causa.O existencialista comporta-se como um determinado aluno a quem o professor de matemática colocaum problema algébrico para resolver. Perante o problema, o aluno pensa que aquele é o único problema que lhe poderia ter calhado, e que o professor não lhe poderia ter dado outro. Esse problemaalgébrico é aceite pelo aluno existencialista como uma facticidade , isto é, algo que é contingente esem razão intrínseca nem justificação racional. Perante esta aceitação determinista e fatalista ― ofado ― em relação àquele (e só aquele) problema algébrico que lhe calhou, o aluno existencialista parte para a sua definição de responsabilidade e liberdade, isto é, o aluno parte de um princípioirracional para especular sobre a sua responsabilidade e liberdade. Obviamente que quando partimosde princípios irracionais para analisar o que quer que seja, as nossas conclusões não podem ser racionais.O aluno platónico pensa de forma diferente. Perante o problema algébrico que o professor dematemática lhe deu para resolver, ele pensa que existe uma razão  qualquer para que o professor lhetenha dado aquele problema algébrico específico e não outro, embora ele não saiba exactamente qualé essa razão, porque só o professor a poderia explicar. E perante a possibilidade da existência de umarazão por parte do professor, o aluno platónico parte para a sua definição de responsabilidade eliberdade, isto é, a sua definição de responsabilidade e de liberdade parte do princípio de que terá queexistir uma relação causal que racionalize essa definição.A diferença entre os dois alunos está na racionalidade da avaliação da sua situação. O alunoexistencialista aceita a facticidade, isto é, a irracionalidade primordial da sua situação (a“circunstância” de Ortega y Gasset), enquanto que o aluno platónico, embora não estando por dentrode toda a informação que o condiciona, parte do princípio de que essa informação (o Conhecimento)estará eventualmente disponível através de uma dialéctica de indagação subjectiva e objectiva.Para Platão, o filósofo é aquele que ama o conhecimento na sua totalidade e não somente em alguma parte singular, e o conhecimento é “aquilo que absolutamente é, é absolutamente cognoscível, aquiloque de nenhum modo é, de nenhum modo é cognoscível” . Portanto, o conhecimento não é só aquilo  08/11/2015 A fraude ideológica do existencialismo (ou “porque não gosto de Fado”) | perspectivashttps://espectivas.wordpress.com/2009/01/30/existencialismo/ 2/12 que nos parece óbvio e transparente de acordo com as aparências, mas também aquilo quedesconhecemos. Usando a metáfora dos alunos, podemos dizer que as razões do professor ao optar  por um determinado teste de álgebra e não outro ― embora essas razões sejam desconhecidas pelosalunos ―, elas não deixam de fazer parte do conhecimento potencial (Razão) que circunscreve arealidade dos dois alunos.Portanto, o existencialismo parte de um princípio irracional que é a facticidade, e por isso não podefazer parte filosofia propriamente dita. Também não pode fazer parte da ciência, porque o princípioque norteia a ciência é ― ou deveria ser ― o mesmo princípio da filosofia segundo o qual oconhecimento é “aquilo que absolutamente é, é absolutamente cognoscível, aquilo que de nenhummodo é, de nenhum modo é cognoscível” . Quando o incognoscível (considerado “a priori” comosendo perene, mas que pode ser circunstancial) passa a ser o limite da Razão, passamos para odomínio da ideologia política, e é isso que o existencialismo é ― se não é uma ideologia política emsi mesma, é concerteza um adereço ou instrumento de acção de uma ideologia política. Ora, a filosofiae a ciência não são ideologias políticas.A “abertura ao mundo” defendida pelos existencialistas nada mais é do que uma tentativa deocultação do “pecado srcinal” existencialista que consiste em recusar a existência da razão como pressuposto e causa da existência, por mais que nós desconheçamos as características dessa razão.Partindo de um pressuposto irracional, todo o desenvolvimento da teoria existencialista está, à partida,inquinado por esse pecado srcinal. Mas o fenómeno da corrupção dos princípios básicos que semprenortearam a filosofia passaram a corromper a ciência, através da dogmatização absolutista doempirismo que limita o progresso do conhecimento, e tudo isto em nome de um princípio totalitárioque tem marcado o século vinte, protagonizado pela mente revolucionária.Segundo o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, a mente revolucionária tem três característicasessenciais: A inversão da percepção do tempo As pessoas normais consideram que o passado é algo imutável e que o futuro é algo de contingente ―“o passado está enterrado e o futuro a Deus pertence”, diz o senso-comum.A mente revolucionária não raciocina desta forma: para ela, o futuro utópico é um objectivo que seráinexoravelmente atingido ― o futuro utópico é uma certeza; não pode ser mudado.Por outro lado, a mente revolucionária considera que o passado pode ser mudado (e ferozmentedenunciado!) através da reinterpretação da História por via do desconstrucionismo ideológico(Heidegger → Sartre → Foucault → Derrida → Habermas). Em suma: o futuro é uma certeza e o passado uma contingência. A inversão da moral Em função da crença num futuro utópico dado como certo e determinado, em direcção ao qual asociedade caminha sem qualquer possibilidade de desvio, a mente revolucionária acredita que essefuturo utópico inexorável é isento de “mal” ― esse futuro será perfeito, isento de erros humanos. Por isso, em função desse futuro utópico certo e dado como adquirido, todos os meios utilizados paraatingir a inexorabilidade desse futuro isento do “mal” estão, à partida, justificados. Trata-se de umamoral teleológica: os fins justificam todos os meios possíveis. Inversão do sujeito – objecto A culpa dos actos de horror causados pela mente revolucionária é sempre das vítimas, porque estasnão compreenderam as noções revolucionárias que levariam ao inexorável futuro perfeito e destituído  08/11/2015 A fraude ideológica do existencialismo (ou “porque não gosto de Fado”) | perspectivashttps://espectivas.wordpress.com/2009/01/30/existencialismo/ 3/12 Tweet  0  0 de qualquer “mal”. As vítimas da mente revolucionária não foram assassinadas: antes suicidaram-se, ea acção da mente revolucionária é a que obedece sem remissão a uma verdade dialéctica imbuída deuma certeza científica que clama pela necessidade desse futuro sem “mal” ― portanto, a acção damente revolucionária é impessoal, isenta de culpa ou de quaisquer responsabilidades morais ou legaisnos actos criminosos que comete.Segundo a mente revolucionária, as pessoas assassinadas por Che Guevara ou por Hitler, foram elas próprias as culpadas da sua morte (suicidaram-se), por se terem recusado a compreender ainexorabilidade do futuro sem “mal” de que os revolucionários seriam simples executores providenciais. Partilhar isto: Comments (5) 5 Comentários » 1. “razão como pressuposto e causa da existência”. Não compreendo essa passagem… O que vocêquer dizer como a razão ser causa da existência? Comentário por eduardo — Sexta-feira, 30 Janeiro 2009 @ 12:30 pm  | Responder    0 Partilhar  Mais   Gosto Be the first to like this.  Ortega y Gasset (2) Ortega y Gasset Olavo de Carvalho e ocientificismo Relacionado    Seguir Follow“perspectivas” Get every new post deliveredto your Inbox.  Junte-se a 680 outros seguidores Introduza o seu endereço de em Sign me up Build a website with WordPress.com  08/11/2015 A fraude ideológica do existencialismo (ou “porque não gosto de Fado”) | perspectivashttps://espectivas.wordpress.com/2009/01/30/existencialismo/ 4/12 Eduardo: “Tudo o que é racional, é real. Tudo o que é real, é racional”  ―Hegel.A razão é a própria realidade. Platão defendeu o mesmo, embora sem asofisticação de Hegel. Acontece que o “incognoscível” de Platão é o“infinito” de Hegel, e ambos pertencem à razão. Se a realidade é racional, a causa da realidade (existência) terá queser também racional. Comentário por O. Braga — Sábado, 31 Janeiro 2009 @ 10:06 am  | Responder 2. O autor desse texto não deixa claro em que momento a “facticidade” passa a ser um princípioirracional. A espontaneidade e a casualidade do universo não são apenas ideias nascidas dostrabalhos científicos, elas também resolvem os problemas ontológicos. Afinal, se houvessealguma razão (no sentido teleológico) para o universo entraríamos em um argumento circular ou talvez até mesmo no ceticismo regressivo. O existencialista apenas diminui, em seu discurso,a importância de uma causa para o universo. Há uma razão, mas a sua natureza não é capaz dealterar a nossa condição enquanto animais, não é capaz de solucionar o problema de nossafinitude, logo, da ausência de sentido. Comentário por Gregory House (@Houseracional) — Domingo, 22 Setembro 2013 @ 10:33  pm  | Responder Eu prefiro uma teoria deficiente, a nenhuma teoria. Mesmo que uma teoria tenha falhas, é preferível tê-la assim mesmo, do que negar qualquer teoria alegando as falhas que ela possa ter. É preferível uma teoria que se baseie em uma Causa do universo, do querecusar qualquer teoria sobre a srcem do universo.O cepticismo é a recusa e a negação de qualquer teoria que não se possa medir,esquecendo que a própria medição é uma teoria.O procedimento científico está sempre imbuído de considerações teóricas, e não há factosirredutíveis isentos de qualquer teoria. O cientista interpreta as descobertas científicassempre com o auxilio de alguma teoria. O que interessa ao cientista não é apenas o ponteiro do instrumento de medição, mas antes, a medição só tem valor se estiver emconjugação com uma interpretação do seu significado — para além do facto de oinstrumento ter um erro finito experimental (que pode ser infinito, do ponto de vista dafísica quântica). Não há nenhuma lei experimental exacta. Só as há aproximadas, e estão sujeitas a a umainfinidade de traduções simbólicas e, entre estas traduções, o cientista tem que escolher uma delas, que lhe dê uma hipótese conveniente, e sem que a sua escolha tenha sidoguiada de algum modo pela experiência.
Search
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks