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A GEOGRAFICIDADE DOS FREQUENTADORES E NÃO FREQUENTADORES DO SDS CONIC, DF.

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Universidade de Brasília UnB Instituto de Ciências Humanas IH Departamento de Geografia - GEA A GEOGRAFICIDADE DOS FREQUENTADORES E NÃO FREQUENTADORES DO SDS CONIC, DF. Tomé de Pádua Frutuoso Orientadora: Glória Maria Vargas Universidade de Brasília UnB Instituto de Ciências Humanas IH Departamento de Geografia - GEA A GEOGRAFICIDADE DOS FREQUENTADORES E NÃO FREQUENTADORES DO SDS CONIC, DF. Tomé de Pádua Frutuoso Orientadora: Glória Maria Vargas Monografia apresentada ao Departamento de Geografia, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Geografia, sob a orientação da professora doutora Glória Maria Vargas. Brasília, fevereiro de 2013 Universidade de Brasília UnB Instituto de Ciências Humanas IH Departamento de Geografia - GEA Tomé de Pádua Frutuoso A GEOGRAFICIDADE DOS FREQUENTADORES E NÃO FREQUENTADORES DO SDS CONIC, DF. Monografia apresentada ao Departamento de Geografia do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Geografia. Aprovado por: Professora orientadora: Glória Maria Vargas Professora examinadora: Marilia Luiza Peluso Professor examinador: Fernando Luiz Araújo Sobrinho Brasília, 28 de fevereiro de 2013. À todos aqueles que trabalham e frequentam o SDS CONIC. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, a minha família e a todos os professores, professoras e colegas que me ajudaram e incentivaram durante toda a graduação. Agradeço também aos ilustres desconhecidos que cederam parte do seu precioso tempo para responder aos questionários durante a pesquisa de campo, sem eles essa pesquisa nunca teria sido finalizada e seria inútil, o trabalho foi feito para aqueles que frequentam e gostam daqueles espaços. Me sinto em casa em qualquer lugar Mas sou turista em todos Sou viajante em qualquer lugar Sou uma parte do todo. Forfun RESUMO O presente trabalho aborda a geograficidade dos frequentadores e não frequentadores do SDS CONIC, um setor muito conhecido do Distrito Federal. Para investigar os aspectos da geograficidade são abordados os conceitos de geograficidade, topofilia, topofobia, pertencimento, insideness, outsideness e de paisagens alternativas, todos dentro da abordagem humanista da Geografia. As bases metodológicas da pesquisa foram calcadas na abordagem fenomenológica e culminaram na pesquisa de campo com a análise qualitativa dos dados. Palavras-chave: Geograficidade, CONIC, Topofilia, Topofobia, Insideness, Outsideness. ABSTRACT This paper is about the geographicity of the SDS CONIC. CONIC is a place long known in the Federal District, in Brasil. To investigate aspects of geographicity we examined the concepts of geographicity, topophilia, topophobia, sense of belonging, insideness, outsideness and alternatives landscapes, all within the humanistic approach of Geography. The methodological basis of the research relied on a phenomenological approach and culminated in field research with qualitative data analysis. Keywords: Geographicity, CONIC, Topophilia, Topophobia, Insideness, Outsideness. ÍNDICE 1. Introdução Objeto Objetivo geral Objetivos particulares Perguntas de pesquisa Justificativa Marco Teoricoconceitual Abordagem fenomenológica Geograficidade Topofilia Topofobia Pertencimento (sense of belonging) Insidness Outsidnnes Paisagens alternativas culturas excluídas Procedimentos metodológicos Desenho da pesquisa de campo Questionários Desenho dos formulários Análises dos questionários Sobre os dados pessoais Sobre insideness e outsideness Sobre a geograficidade, topofilia e topofobia Sobre imagens e símbolos Conclusões Considerações finais Referências bibliográficas Anexos Questionários respondidos...53 LISTA DE IMAGENS Imagem 1 O traçado de Lúcio Costa...4 Imagem 2 Vista aérea dos setores de diversões sul e norte...5 Imagem 3 Visão interna do CONIC atual (imagens disponíveis na internet)...7 Imagem 4 Entradas principais. Imagem obtida pelo Google Earth...8 Imagem 5 Festa Mad Drops #2 no subsolo do CONIC. Foto de divulgação Lucas Hamann...8 Imagem 6 Fotos do interior do CONIC...26 Imagem 7 Paisagens topofílicas...41 Fonte das imagens* - *exceto imagem 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Divisão por grupos e sexo...30 Tabela 2 Variação na idade...31 Tabela 3 Tempo de moradia no DF...31 Tabela 4 Nível de escolaridade...32 Tabela 5 Frequência semanal...33 Tabela 6 Local de moradia...33 Tabela 7 Meio de acesso ao CONIC...34 Tabela 8 Questão 1, o CONIC é ou não um lugar de trânsito?...35 Tabela 9 Questão 2, sente vontade de conhecer os espaços interiores?...36 Tabela 10 Questão 3, sente-se confortável ou não ao transitar pelo local?...36 Tabela 11 Questão 4, causa do desconforto...37 Tabela 12 Questão 5, conhece bem o CONIC?...38 Tabela 13 Questão 6, sentimentos pelas imagens...38 Tabela 14 Questão 7, sobre as fotos...40 Tabela 15 Questão 8, a paisagem que mais agrada...40 Tabela 16 Questão 10, a paisagem que menos agrada...42 Tabela 17 Questão 12, definindo o CONIC em uma palavra...43 Tabela 18 Questão 13, a paisagem lembrada...45 Tabela 19 Questão 14, histórias ouvidas...46 1. INTRODUÇÃO É praticamente impossível que uma pessoa passe por um local qualquer sem que faça uma interpretação do mesmo, ainda que de maneira superficial. Transitamos por vários locais cotidianamente e muitos desses lugares parecem se destacar, de maneira positiva ou negativa; a alguns lugares atribuímos valores afetivos, como à nossa casa, que muitas vezes chamamos de lar e, a outros, atribuímos valores negativos, como a um cemitério ou um beco mal iluminado, que muitas vezes associamos a lugares perigosos. Atribuímos valores sentimentais aos lugares da mesma forma que fazemos com pessoas e animais; essa atribuição se dá naturalmente de acordo com o nosso envolvimento com eles. A relação do sujeito com o espaço recebe o nome de geograficidade e essa relação entre o humano (sujeito) e o material (espaço) permaneceu em segundo ou terceiro plano para a Geografia durante muitas décadas, pois ela se ocupava em descrever feições e quantificar elementos, tanto humanos quanto naturais. Analisar, apenas, os locais do medo e da violência, de paz e alegria, descrevê-los ou catalogá-los não é suficiente para que se possa ter uma dimensão ampla da relação de sensações percebidas neles. A dimensão humana deve ser considerada e destacada; toda relação humana se dá em algum espaço, logo, analisar a ação humana sem considerar a dimensão espacial é um recorte incompleto, da mesma forma que analisar o espaço sem considerar as relações humanas. Participamos dos fenômenos espaciais à medida que somos afetados por eles, e afetamos as transformações espaciais com algumas das nossas práticas humanas, seja em pequena ou grande escala espacial. Os espaços, independentemente da sua extensão, sejam eles nacionais ou locais, carregam uma infinidade de símbolos que lhes foram atribuídos e, para conhecer bem esses símbolos, é preciso investigar, não apenas o receptor de tal atribuição (o espaço), mas também, o seu emissor (o humano). É necessário conhecer o frequentador desses locais para entender os símbolos e signos atribuídos a esses espaços e reproduzidos ali, pois é na relação do frequentador com o local que se dá o fenômeno. A atribuição de valores aos espaços se dá em diversas escalas espaciais. Aos Estados e Nações são atribuídos hinos, bandeiras e heróis nacionais; a alguns becos e vielas são atribuídas histórias e lendas urbanas. No Brasil, temos a nossa Bandeira e um Hino Nacional que exalta heróis e lugares, como o Rio Ipiranga. Mas também, vários lugares são maculados por sentimentos negativos, como alguns presídios que, mesmo desativados, despertam o medo de moradores das regiões próximas e, muitas vezes, despertam lembranças e emoções apenas 2 por ouvir falar o nome de um presídio específico onde ocorreu uma grande rebelião, por exemplo. No caso do Distrito Federal não é diferente. Vários bairros e locais específicos são relacionados à grandeza da pátria ou ao sucesso deste ou daquele governo; monumentos e obras tornam-se símbolos de poder, enquanto alguns bairros e quadras são associados a ausência do Estado, sendo vistos como livres para uma série de práticas ilícitas. Os humanos vivem nos espaços, atribuem-lhes significados e compartilham essa atribuição com outros humanos, contando histórias, por exemplo, e os receptores dessas histórias atribuem outros significados e reinterpretam os significados anteriores modificando o espaço vivido para corresponder a nova significação; essa modificação do espaço vivido acarreta uma nova onda de ressignificações. Devemos nos lembrar também que a atribuição de significado não é uniforme cada sujeito, dentro de suas capacidades cognitivas e visão de mundo, atribui um significado a um lugar. Diante disso, o olhar para o lugar em questão é o olhar do sujeito que atribui um significado ao mesmo. O fenômeno ocorre na relação do sujeito com o lugar. Para que o olhar do sujeito seja priorizado, a abordagem usada nesse trabalho é fenomenológica, pois com ela é possível investigar com maior propriedade esse aspecto da percepção que se da entre sujeito e espaço, a geograficidade. 1.1.OBJETO O caso a ser analisado neste trabalho é o da geograficidade de frequentadores e nãofrequentadores do Setor de Diversões Sul - SDS CONIC. Situado na região central de Brasília, o CONIC é conhecido por abrigar uma diversidade de serviços que variam desde igrejas e lojas de doces a cinemas para exibição de filmes adultos e lojas de sex shop; Sendo ainda utilizado como ponto de prostituição durante a noite. Essa diversidade de serviços oferecidos no CONIC fornece subsídios para o imaginário popular, podendo tanto ser associado a coisas boas, quanto com coisas ruins, dependendo do histórico de cada sujeito e sua visão de mundo. O planejamento de Brasília compreende a divisão da cidade em diversos setores, Setor de Indústria e Abastecimento SIA, Setor de Grandes Áreas Norte SGAN, entre outros. Dentre eles, destaca-se para a pesquisa, o Setor de Diversões Sul SDS. Na época da sua construção, o Setor de Diversões Sul recebe o apelido de CONIC em referência a construtora que ergueu os primeiros prédios do setor e é conhecido por esse apelido até os dias atuais. Os setores de 3 diversões norte e sul estão situados na plataforma superior que compreende o cruzamento dos dois principais eixos rodoviários do DF (figuras 5 e 7, Imagem 1). O Eixão que se estende pelas Asas Sul e Norte; e o Eixo Monumental que se estende do Palácio da Alvorada (extremo leste do Plano Piloto) até a via EPIA (Estrada parque Indústria e Abastecimento), próximo ao Setor de Indústria e Abastecimento SIA (extremo oeste). A construção do setor data do inicio da construção de Brasília e tinha como plano inicial ser um setor com cafés, restaurantes, teatros e cinemas, de acordo com seu idealizador, Lúcio Costa: Nesta plataforma onde, como se via anteriormente, o tráfego é apenas local, situouse então o centro de diversões da cidade (mistura em termos adequados de Piccadilly Circus, Times Square e Champs Elysées). A face da plataforma debruçada sobre o setor cultural e a esplanada dos ministérios, não foi edificada com exceção de uma eventual casa de chá e da ópera, cujo acesso tanto se faz pelo próprio setor de diversões, como pelo setor cultural contíguo, em plano inferior. Na face fronteira foram concentrados os cinemas e teatros, cujo gabarito se fez baixo e uniforme, constituindo assim o conjunto deles um corpo arquitetônico contínuo com galeria, amplas calçadas, terraços e cafés, servindo as respectivas fachadas em toda a altura de campo livre para a instalação de painéis luminosos de reclame (imagem 1 fig. 11) (COSTA, 1962). Imagem 1 O traçado de Lúcio Costa Com o passar do tempo, a configuração do CONIC mudou bastante, tanto em relação ao setor de diversões norte quanto ao plano original (Imagem 2). No setor de diversões norte 4 hoje se encontra o Shopping Conjunto Nacional, ocupando a área relativa ao CONIC no lado norte. O CONIC, que logo após sua inauguração atraiu algumas sedes de embaixadas, teve um esvaziamento com a construção do setor de embaixadas. Com isso começam a aparecer clubes noturnos, bares pouco sofisticados, dando início à degradação da área, na medida em que afasta a classe média do Plano e é esquecido pelas autoridades locais. (NUNES, 2009, p. 19). Imagem 2 Vista aérea dos setores de diversões sul e norte Com essa nova configuração no uso dos espaços do CONIC, agora com várias lojas e serviços, o público frequentador também é diferente. Diferentemente do Setor norte, onde as lojas e serviços são padronizados por fazerem parte de um shopping, no CONIC as lojas e serviços apresentam diversidade maior e também um bom nível de especialização. A abrangência varia de restaurantes e bares populares a livrarias especializadas em Ciências Sociais e Medicina; também possui lojas de instrumentos musicais, igrejas, boates de strip tease e lojas de artigos religiosos, além de abrigar comitês de partidos políticos e movimentos sindicais. Com a abertura de casas noturnas no CONIC, na década de 1970, houve uma intensa movimentação noturna no lugar. As casas noturnas abrangiam um público amplo, com cabines de strip tease e boates voltadas para o público homossexual, além de bares noturnos frequentados pelos intelectuais da cidade e o Teatro Dulcina que oferecia uma gama de apresentações culturais. 5 O CONIC era visto como um lugar peculiar pelos seus frequentadores, como retrata o escritor Alencar Soares de Freitas em seu romance CONIC um detetive, palyboys e marginias. A linguagem é pejorativa mas mostra a visão do autor ao descrever sua vivência no local na década de 1980: O CONIC, onde à noite se abrigava a fauna exótica da capital federal: prostitutas, bichas, drogados, gigolôs etc. tinha quatro boates no edifício, sendo duas de bichas e duas de frequência variada; e dois cinemas, um deles passava filme cabeça, frequentado por gente sabida, com papos intricados e coisa e tal. (Freitas, 2010, p. 32). 1 Nas décadas seguintes houve o fechamento de várias boates e clubes de strip tease e também de várias lojas, sendo que os espaços onde funcionavam esses serviços permanecem fechados em sua maioria. Com o fechamento das boates, os pontos de prostituição migraram para outros setores do Plano Piloto. Alguns desses espaços foram utilizados para abrigar lojas novas com artigos voltados para o público jovem, mas a maioria permaneceu abandonada e se deteriorou com o tempo e a falta de manutenção, principalmente as lojas do subsolo. Essa transformação na paisagem funciona como atrativo para alguns grupos e como repelente para outros, essas paisagens são caracterizadas como paisagens alternativas, que serão caracterizadas no item 3.2. Os grupos que se organizam em torno de paisagens alternativas são muitas vezes chamados de tribos urbanas. Essas tribos são agrupamentos mais ou menos estruturados, constituídos predominantemente de pessoas que se identificam com rituais e elementos da cultura que expressam valores e estilos de vida. Moda, música e lazer típicos de um contexto social que os atrai. (Maffesoli, 1998). Os sujeitos participantes dessas tribos, na maioria das vezes, manifestam a sua identidade de forma estética mudando a cor dos cabelos, colocando piercing e tatuagem, etc. A estética é um meio de experimentar, de sentir em comum e é, também, um meio de reconhecer-se. (Maffesoli, op. cit. p. 108). Esse tipo de manifestação estética é encontrado com frequência no CONIC, não só pelos seus frequentadores, mas também por parte de alguns trabalhadores do local. Capas pretas de couro, lentes de contato para dar uma aparência sobrenatural aos olhos, cabelos espetados com sabão ou gel, roupas rasgadas de propósito ou pelo tempo de uso, usadas não para mostrar a marca de uma grife famosa, mas para mostrar as marcas do grupo ao qual pertence. Góticos, skatistas, rappers ou metaleiros, todas as tribos tem espaço no CONIC. 1 Esse texto foi escolhido devido a vivência do autor no CONIC na década de 1980 e pela dificuldade de encontrar qualquer publicação sobre o local em questão; serve apenas para expressar a opinião do mesmo em relação ao local. 6 A identidade grupal é buscada em marcadores imaginários: a roupa, o cabelo, os acessórios que compõem a estética do grupo. (Oliveira et al, 2003). Essas marcas fazem o grupo se sentir coeso, mas não é a única maneira para que essa coesão ocorra. A formação e frequência desses grupos no CONIC é relatada pelos seus frequentadores, como no supracitado relato de Freitas (2010). A imagem 3 mostra parte da paisagem interna do CONIC retratando os becos mal iluminados e mal cuidados, fatores esses que não atraem um público convencional que busca conforto e beleza nos lugares que frequenta. Imagem 3 Visão interna do CONIC atual 2 Além do sentido estético na formação do grupo, o mesmo pode ser identificado por um território comum de encontro. Este território, por ser dominado pelo grupo, exerce uma função protetora, familiar, topofílica, para os seus participantes. O grupo domina e imprime no território sua marca particular, seja pelo graffitti ou pelo barulho produzido por seus 2 Fonte das imagens 7 membros, que faz com que outras pessoas se afastem dos seus domínios, provocando, em alguns casos, a topofobia. A configuração espacial do CONIC contribui para essa função protetora. Por possuir poucas entradas principais (imagem 4), seus becos e praças ficam escondidas para os transeuntes que circulam no pátio exterior e para as viaturas policiais que não tem acesso direto ao local pois o mesmo não possui entrada para veículos no pátio principal; Possui um vasto subsolo quase totalmente abandonado que é usado ocasionalmente para festas de música eletrônica e rock (imagem 5) e para atividades ilícitas como o consumo e venda de drogas. Imagem 4 Entradas principais. Imagem obtida pelo Google Earth. Imagem 5 Festa Mad Drops #2 no subsolo do CONIC. Foto de divulgação Lucas Hamann. Para manter o domínio desses espaços e no intuito de afastar o diferente, ou seja, reafirmar a identidade, a tribo cria e reproduz alguns códigos, sejam eles verbais ou éticos, a constituição dos microgrupos, das tribos que pontuam a espacialidade se faz a partir do 8 sentimento de pertença, em função de uma ética específica e no quadro de uma rede de comunicação. (Maffesoli, op. cit. p. 194) (grifos do autor). Essa rede de comunicação aproxima os comuns contribuindo para que sujeitos que em geral não frequentariam os mesmos lugares passem a frequentar ou, mesmo que não venham a frequentar o mesmo lugar, devido à grande distância, se vejam como participantes de um grupo. Paul Claval classifica esse tipo de comunicação como simbólica. Na comunicação simbólica o que está em jogo não é a transferência de informação, mas um contato que permite os indivíduos sentirem-se próximos porque partilham dos mesmos saberes, tem as mesmas atitudes e se projetam no mesmo futuro; [...] A comunicação simbólica tem dupla função geográfica: ela permite aos indivíduos instalados em lugares distantes sentirem-se solidários a partir do momento que experimentam o sentimento de ter em comum as mesmas crenças. (Claval, 1999, pp ). Por meio da comunicação simbólica o grupo tem seus valores transmitidos usando músicas, poemas, imagens, etc. Esse tipo de transmissão favorece o surgimento de outros grupos geograficamente distantes, mas, com a mesma essência. Como ocorreu com os movimentos punk e hip-hop, que, por meio de mídias audiovisuais espalharam-se pelo mundo, em oposição a cultura hegemônica da época. Muitas tribos e movimentos surgiram e se perpetuam no CONIC em oposição às culturas hegemônicas e muitas outras ainda surgirão. O espaço urbano do CONIC compreende uma infinidade de lugares marginais que oferecem proteção para aqueles que buscam ser diferentes ou, mesmo que não busquem, se sintam assim. Com essa caracterização do objeto de estudo e do seu público frequentador temos base para elencar

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