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A Influência de Costumes Islâmicos No Candomblé e Na Umbanda _ Comunidade de Estudos Filosóficos e Espirituais _Caminho Do Oriente

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Texto sobre costumes islâmicos no Candomblé e na Umbanda
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  20/04/2017 A influência de costumes islâmicos no Candomblé e na Umbanda | Comunidade de Estudos Filosóficos e Espirituais Caminho do Oriente https://cefeco.wordpress.com/2013/02/15/a-influencia-de-costumes-islamicos-no-candomble-e-na-umbanda/ 1/8  A influência de costumes islâmicos no Candomblée na Umbanda 15/02/2013 tags: Òrìṣà  , candomblé  , culto tradicional africano  , Religião tradicional africana  , umbandaPor Mário Filho (hps://www.facebook.com/mario.filho.3386) Inicialmente permitam‑me fazer alguns comentários sobre a Linha do Oriente na Umbanda,especificamente a dos árabes. O nome “Jimbaruê”, que é um dos líderes da Linha do Oriente, foiadaptado do nome de um gênio (  jinn  em árabe). Os  jinn  (para os muçulmanos) são seres que Deuscriou, antes dos seres humanos e depois dos anjos, do fogo mais puro. Eles são dotados de livre‑arbítrio e, assim como nós, têm suas diversas crenças: há gênios muçulmanos, budistas, judeus,cristãos etc. Esse gênio foi o responsável pela condução das entidades que trabalham na Umbanda.Sempre vemos as afirmações de estudiosos dos cultos afro‑brasileiros sobre a influência docatolicismo popular no estabelecimento das Religiões e Cultos Afro‑brasileiros, no entanto poucosfalam sobre a influência que alguns muçulmanos tiveram no estabelecimento destas Religiões eCultos. Podemos dizer, analisando alguns textos acadêmicos, que a cultura africana sofreuinfluências muçulmanas, especialmente as obras de Roger Bastide ( in  o Candomblé da Bahia) e JoséBeniste ( in  Òrún Àiyé) , que afirmam que o sistema oracular de Ifá advém dos muçulmanos. Há autores que refutam essa idéia (Wándé Abímbólá, p. ex.) com os quais concordo, pois acredito quehouve, sim, uma simbiose entre formas oraculares: o Darb ar‑Raml  (árabe) e o Òpèlè  (Yorùbá), unindoas duas formas de geomancia.Muitos costumes muçulmanos passarem a fazer parte do culto afro‑brasileiro. O uso do turbante porhomens e mulheres é um dos mais visíveis. Foi introduzido pelos muçulmanos na África, quedesconheciam essa indumentária. Esse costume acabou sendo trazido para o Brasil. O uso da roupa branca e a sexta‑feira ser sagrada (consagrada a Oxalá) foram outros costumes muçulmanos trazidosao Brasil. Para os muçulmanos a sexta‑feira é um dia para se rezar em congregação, assim como osábado para os judeus e o domingo para os cristãos.Infelizmente o Brasil é uma país cujos habitantes não apreciam muito o estudo da história. Pouco sefala sobre os malês (negros muçulmanos escravizados) e a revolução que realizaram na Bahia. Não sefala sobre a influência que os cultos afro‑brasileiros sofreram deles. O culto Omolokô, por exemplo,advém, essencialmente dos malês. Assumano (corruptelo do nome Uthman) Sau Adio (um malê) fazparte da linhagem desse culto. No Omolokô há o uso da palavra árabe sunna  (tradição) para sereferenciar ao nome iniciático que no candomblé angola se chama dijina. Há uma série de adventosligados aos cultos afro‑brasileiros especialmente no Rio de Janeiro e na Bahia. Faz‑se referência aosmussurumi (muslimim, ) que quer dizer muçulmanos até mesmo em sambas de enredo. Aniceto doImpério, compôs uma música chamada Raízes da África. Algumas estrofes coloco abaixo:“Assumano, Alabá. Abaca, Tio Sani  Comunidade de Estudos Filosóficos e Espirituais ʺCaminho do Orienteʺ  20/04/2017 A influência de costumes islâmicos no Candomblé e na Umbanda | Comunidade de Estudos Filosóficos e Espirituais Caminho do Oriente https://cefeco.wordpress.com/2013/02/15/a-influencia-de-costumes-islamicos-no-candomble-e-na-umbanda/ 2/8 E Abedé me batizaram na lei de mussurumiComo vêem tenho o corpo cruzado e fechadoCarrego exé na língua, não morro envenenadoViajei semana e meia daqui pro Rio JordãoLugar em que fui batizado com uma vela em cada mãoCinco macota d’Angola me prepararam de berçoEnquanto Hilário Jovino me cruzou com sete terçosMesmo assim, me considero um insigne mirimFilho de cuemba não cai Ogum, Xangô, Alafim”Para esclarecermos, vejamos o que o sambista e escritor Nei Lopes nos diz:“Assumano’, algumas vezes erroneamente grafado como ‘Aço Humano’, foi o nome através do qualse fez conhecido Henrique Assumano Mina do Brasil, famoso alufá radicado no Rio de Janeiro epertencente à comunidade da Pequena África, na virada do século XIX para o XX. Residiu no nº 191da Praça Onze e tinha como freqüentadores de sua casa, entre outros, o célebre sambista Sinhô e oornalista Francisco Guimarães, o Vagalume, fundador da crônica de samba no Rio.”[O nome “Assumano” é o abrasileiramento do antropônimo Ansumane ou Ussumane (do árabeOthman ou Utmân), usual entre muçulmanos da antiga Guiné Portuguesa.]No mesmo contexto, João Alabá, falecido em 1926, foi um famoso babalorixá, certamente baiano,radicado no Rio de Janeiro. Um dos mais prestigiados de seu tempo, sua casa era no número 174 darua Barão de São Félix, nas proximidades do terminal da Estrada de Ferro Central do Brasil. Seunome marca sua srcem nagô ( alàgbà  , chefe do culto de Egungun; pessoa venerável, de respeito; ouantropônimo dado ao segundo filho que nasce depois de gêmeos). Era pai de santo da legendária TiaCiata (nome árabe Aisha), também mãe‑pequena de sua comunidade religiosa.Da mesma forma, Cipriano Abedé, falecido em 1933, foi um famoso babalorixá do Rio de Janeiro, noprincípio do século XX, com casa, primeiro na rua do Propósito e depois na rua João Caetano,próximo à Central do Brasil. O nome Abedé, redução de Alabedé, designa uma das manifestações ouqualidades do orixá Ogun. Já “Abaca” é provavelmente corruptela de Abu Bacar, nome muçulmano, mas o personagem não foipor nós identificado. “Tio Sanim”, por sua vez, parece ser o mesmo Babá Sanin, morador na rua dosAndradas, e mencionado no já referido livro de João do Rio.” (A presença Africana na músicapopular brasileira. in Revista Espaço Acadêmico, nº 50, 2005, edição eletrônica, disponível em hp://www.espacoacademico.com.br/050/50clopes.htm(hp://www.espacoacademico.com.br/050/50clopes.htm) )Acrescentando, podemos dizer que Tio Sani (Assumano ou Uthman Sau Adio), que faz parte dalinhagem do Omolokô, era conhecido nos Terreiros de Candomblé como Bàbá Sanim ou Obá Sanya,foi um dos companheiros de viagem de Bamboxê Obiticô e Mãe Aninha pelo Rio de Janeiro. Nascidona Nigéria, adotou, no Brasil, o nome de Joaquim Vieira da Silva, foi um dos fundadores da Casa deCandomblé conhecida como Ilê Axé Opô Afonjá, junto com Mãe Aninha e Bamboxê Obitikô. Funda,também, no Rio de Janeiro junto com Mãe Aninha e Bamboxê Obitikô, uma Casa de Candomblé no   20/04/2017 A influência de costumes islâmicos no Candomblé e na Umbanda | Comunidade de Estudos Filosóficos e Espirituais Caminho do Oriente https://cefeco.wordpress.com/2013/02/15/a-influencia-de-costumes-islamicos-no-candomble-e-na-umbanda/ 3/8 Bairro da Saúde, em 1895. O Prof. Agenor Miranda Rocha afirma que Tio Sani ou Sanim eramuçulmano (in SODRÉ, Muniz e LIMA, Luis Felipe de. Um Vento Sagrado. Rio de Janeiro: Ed.Mauad, 1996).Alabá, ou João Alàgbà foi o Sacerdote que ficou responsável pela mantença do Terreiro fundado noRio de Janeiro por Tio Sani, Bamboxê Obitikô e Mãe Aninha. João Alabá era conhecido por suas curasutilizando rituais malês, um deles citado por Aniceto do Império Serrano. João Alabá era amicíssimode Henrique Assumano Mina do Brasil.O nome Assumano é uma corruptela do nome árabe Uthman (Ussman), que adquire, na África agrafia de Uthmanu (Ussmanu). Muitos muçulmanos pelo mundo usam o nome de Uthman. A esposade Assumano, Tia Gracinha, foi uma das fundadoras do rancho carnavalesco “Rei de Ouro”, que veioa dar srcem à Escola de Samba Império Serrano. A obra de um dos maiores cronistas do samba brasileiro, Francisco Guimarães (conhecido como Vagalume), chamada “Na Roda do Samba”, editadapela primeira vez em 1933, pela Editora São Benedicto, traz algumas informações sobre Assumano.Vamos a elas:“Fervoroso adepto da religião africana, Sinhô ( conhecido, naquela época, como o rei do samba  , g,n.),amais abandonou o seu PAE ESPIRITUAL – o PRINCIPE DOS ALUFÁS, o grande, o conceituado erespeitado HENRIQUE ASSUMANO MINA DO BRASIL, o seu protector na Vida e que era tambemde JOSÉ DO PATROCINIO FILHO (por intermedio de Sinhô) e o é de muita gente bôa, da altasociedade e perfeitamente, optimamente installada na vida!” “As primeiras audições das producçõesdo grande e inolvidavel muzicista popular, eram feitas na residencia de ASSUMANO, no sobrado n.°191 da rua Visconde Itaúna, onde Sinhô conheceu e fez amizade com o primoroso jornalistaRaymundo Silva. Depois da benção do ALUFÁ, o samba corria mundo com uma procuraassombrosa. Sinhô foi o musicista popular mais festejado, mais querido e mais preferido do publico.”A Drª. em história comparada da UFRJ, Juliana Barreto Farias, em seu livro Cultura, identidade ereligião afro‑brasileiras na cidade do Rio de Janeiro ‑1870‑1930: cenários e personagens  , traça um esboço biográfico bastante interessante sobre Assumano:“Filho de Muhammad Salim e Fátima Faustina Mina Brasil, negros vindos da Costa da África,Assumano, “uma figurante impressionante de preto”‑ nas palavras do compositor e escritorAlmirante – morava na rua Visconde de Itaúna, dizia trabalhar no comércio e dar consultas em suaresidência, inclusive para pessoas conhecidas na sociedade carioca da época, como é o caso doornalista e escritor Medeiros e Albuquerque.“Em 25 de outubro de 1927 , então com 47 anos, foi preso em flagrante, quando ‘dava consulta’ a Nairdos Santos, sendo levado para a Repartição Central da Polícia do Rio de Janeiro. Os investigadorespoliciais apreenderam alguns objetos em sua casa, entre os quais, um par de chifres de carneiro, trêscaramujos grandes, um pedaço de pele de cabra e fios de cabelo. Além disso, também foramencontradas receitas em caracteres arábicos, conforme depoimento do investigador Ruy Vasconcellos.Na conclusão do processo que se instaurou contra Assumano, consta que ele foi processado comoincurso no artigo 157 do Código Penal de 1890, sob acusação de falso espiritismo e cartomancia. Masos peritos concluíram que os objetos apreendidos não seguiam “as modalidades mais usuais naprática das ‘macumbas’ ou da ‘Magia Negra’”; sua especialidade era apenas “a prática de precesquasi sempre em linguagem africana, preocupando‑se mais com a prática da caridade”. O processofoi arquivado em 28 de janeiro de 1928.‘Não houve qualquer tipo de denúncia formal contra Assumano, mas os investigadores policiais queo prenderam já sabiam que no sobrado 191 da Praça Onze havia um ‘indivíduo que praticava oexercício ilegal da medicina’. Certamente o delegado Antonio Augusto M. Mendes, que presidiu osautos contra Assumano e tinha ‘jurisdição prorrogada para repressão do falso espiritismo e   20/04/2017 A influência de costumes islâmicos no Candomblé e na Umbanda | Comunidade de Estudos Filosóficos e Espirituais Caminho do Oriente https://cefeco.wordpress.com/2013/02/15/a-influencia-de-costumes-islamicos-no-candomble-e-na-umbanda/ 4/8 cartomancia’, também já teria ouvido falar do Pai Assumano, ‘protetor espiritual’ do sambista Sinhô,dos jornalistas do Correio da Manhã José do Patrocínio Filho, Raymundo Silva e Medeiros eAlbuquerque e do senador Irineu Machado, seu compadre.“As informações biográficas sobre Assumano são esparsas ou mesmo conflitantes. Em algunsmomentos, ele é descrito como um famoso Pai de Santo e, em outros, como um negro malê, o‘príncipe dos alufás’, o líder islâmico que trabalhava com os astros e costumava passar dias em jejum.Dessa forma, Assumano Henrique Mina do Brasil, que trazia grafado em seu nome a descendência“mina”, parecia transitar por práticas religiosas que remetiam às tradições da África Ocidental, regiãode onde vieram seus pais. ‘Os “minas” também podiam ser encontrados nos registros policiais, talvezpelo fato de que sua reputação de escravos e libertos rebeldes atraía as atenções do sistemarepressivo. A polícia do Rio de Janeiro os mantinha sob estreita vigilância, perscrutando sinais de suaorganização, particularmente da prática do Islam, tendo em vista a revolta dos malês ocorrida naBahia em 1835. Segundo Mary Karasch, no Rio de Janeiro dos anos 1840, mina assumira umsignificado adicional: “orgulhosos, indômitos e corajosos muçulmanos de língua árabe que eramescravos alfabetizados, inteligentes, capacitados e cheios de energia – e que trabalhavam duro paracomprar sua liberdade”. Uma filiação que chegou ao século XX como vemos a partir da trajetória deAssumano Mina do Brasil.‘Seja como for, na cidade do Rio de Janeiro em fins do século XIX e nas primeiras décadas do séculoXX, a despeito de toda a repressão policial, das medidas da elite para reformar e disciplinar a cidadee de uma espécie de campanha da imprensa, que estigmatizava as religiões afro‑brasileiras e os“macumbeiros” e “feiticeiros” em geral, encontramos além do Pai Assumano, outros líderes famosos,pessoas comuns, africanos, descendentes de africanos, e mesmo trabalhadores brancos, policiais epolíticos freqüentando terreiros e casas de cultos de srcem africana.”No Tambor de Mina, casa de tradição Fanti‑Ashanti, há a manifestação do Povo da Turquia (paísmuçulmano há mais de mil anos). Há uma música cantada no Maranhão, composta por PaulinhoAkomabu, da Casa de Mina, que diz assim:“Akomabu traz sua forçaSeu canto de fé, de lá de AfricaMaranhãoSalve, Nan AgotineQuerebetan de Zomadono e hierarquiaSalve o Egito, salve o povo da TurquiaÔ Ô Ô Badé AkomabuBadé na casa de NagôÔ Ô Ô Badé AkomabuBadé na casa de NagôBadé sou negro mina eu souBoroboró, pretas minas que fundaramResistiram e cuidaram da nossa religião 

EFC NIVEL 4

Jul 30, 2017
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