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A MISSÃO ABREVIADA do Padre Manuel Couto

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Alberto Osório de Castro A “MISSÃO ABREVIADA” Do Padre MANUEL COUTO UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA Faculdade de Teologia — Porto PORTO 1997 Padre Manuel…
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Alberto Osório de Castro A “MISSÃO ABREVIADA” Do Padre MANUEL COUTO UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA Faculdade de Teologia — Porto PORTO 1997 Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 2 ÍNDICE Apresentação ................................................................................................................. 3 0. Introdução ...................................................................................................................... 4 1. O Tempo ........................................................................................................................ 6 1. 1-O triunfo do liberalismo ........................................................................................ 6 1. 2-A supressão das Ordens Religiosas e o encerramento dos conventos ................... 9 1. 3-O provimento dos lugares e o desleixo pela “cura de almas” ................................ 10 2. O Homem Notas biográficas ........................................................................................................... 14 3. A Obra: Missão Abreviada 3. 1-As Missões Populares (Contexto) 3. 1. 1- Breve percurso histórico ................................................................................... 16 3. 1. 2- A praxis moral e sacramental da época ............................................................. 19 3. 2-O contacto com Santo Afonso Maria de Ligório (Pré-texto) 3. 2. 1- O exercício das Missões ................................................................................... 22 3. 2. 2- O espírito da moral da benignidade .................................................................. 23 3. 3-Missão Abreviada (Texto) 3. 3. 1- Organização interna .......................................................................................... 25 3. 3. 2- Linhas de força .................................................................................................. 26 3. 3. 3- Aspectos doutrinais relevantes .......................................................................... 32 Conclusão ........................................................................................................................... 41 Fontes ................................................................................................................................. 42 Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 3 APRESENTAÇÃO Circunstâncias várias impuseram-me a inscrição no seminário “Autores Espirituais Portugueses”. Se, num primeiro momento, foi um aceitar por outro remédio não haver, rapidamente se tornou um desafio pelo desconhecimento circunstanciado de marcantes autores espirituais portugueses, desembocando, no meu entender, numa satisfação final pelo nível que se atingiu, graças ao dinamismo e excelente qualidade do docente que levou todo um grupo a belas descobertas. No meu caso pessoal, esforçando-me por acompanhar o passo dos outros elementos — do que nem sempre fui capaz —, sinto-me feliz pela surpresa do encontro com uma personagem que, por uma obra sua, marcou fortemente a vivência cristã em Portugal ao longo de mais cem anos — de meados do século XIX até quase ao Concílio Vaticano II. O enriquecimento com que sinto ter sido beneficiado, seja pelo professor nas suas exposições, comentários e apartes, seja pelos colegas nas suas comunicações e achegas, seja ainda pelo estudo que fiz da “Missão Abreviada”, é muito grande, o que me leva a dirigir a todos o meu “bem hajam”! Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 4 0. INTRODUÇÃO Sendo este um seminário sobre Autores Espirituais Portugueses, o centro de gravidade é naturalmente constituído pelo estudo das obras que tenham escrito, suposta a sua vida de acordo com critérios evangélicos. O que, todavia, não dispensa o conhecimento desse mesmo autor, por mínimo que seja. Tocou-me a sorte, no contexto deste seminário, de estudar o Padre Manuel Couto, em especial a sua obra “Missão Abreviada”. Trata-se de um autor quase ignorado1 apesar de esta sua obra ter influenciado marcantemente o cristianismo em Portugal, tanto a nível popular2 , como mesmo entre o clero3 . Teve Missão Abreviada uma vasta difusão (como adiante veremos) e, talvez por isso mesmo, foi objecto de muitas críticas, não sendo a menor a de estar eivada de jansenismo: “O jansenismo influiu em Portugal talvez mais profundamente do que se julga; e necessário se torna fazer o «levantamento» das obras que mais alimentaram a piedade dos cristãos dos séculos XVII (nos finais), XVIII e XIX, para se avaliar a repercussão da heresia. A Missão Abreviada, livro da autoria de Manuel Couto, acusa certas correntes, bem próximas do jansenismo, e revela um pessimismo e uma ascese negros. O livro teve muitas reedições e larga fortuna (a ele se refere pejorativamente, algures, Júlio Dinis).”4 Para avaliar correctamente esta obra é preciso conhecer algo do seu autor e, sobretudo, situar uma e outro no seu tempo. Por isso, abrirei com a caracterização da época do Padre Manuel Couto (número um), para, após algumas notas biográficas (número dois), me centrar sobre a Missão Abreviada, objecto principal deste estudo (número três), procurando mostrar, em 1 Uma das maiores dificuldades que se me depararam foi, precisamente, a de obter dados sobre o Padre Manuel Couto. Não consta em qualquer das enciclopédias, e as referências escritas, directas e explícitas, são muito escassas: Dicionário de Literatura (cf. nota 4) e Dicionário Bibliográfico Português, embora aqui a propósito de uma obra que não Missão Abreviada. 2 A Irmã Lúcia nas suas memórias refere-se à existência de Missão Abreviada em casa de seus pais, como um dos livros por onde se faziam leituras nos serões de inverno, à noite, depois da ceia (Memórias da Irmã Lúcia, Fátima 6 1990, p. 215; e Id. , vol. II, Fátima 1996, vol. II, p. 52). 3 É fácil encontrar na biblioteca de qualquer seminário pelo menos um exemplar desta obra. 4 Maria de L. Belchior Pontes, Literatura Mística, in Dicionário de Literatura, dir. J. Prado Coelho, vol. II, Porto 1978, p. 649. Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 5 conclusão, que Missão Abreviada não merece ser conotada com o jansenismo, embora esteja, efectivamente, marcada por um certo tremendismo. Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 6 1. O TEMPO É de ferro e fogo o século XIX em Portugal: guerras contra agressores externos, guerras civis5 , sublevações populares6 e golpes de estado7 , ascensão e queda de classes sociais, novas ideias que varrem o país, desenvolvimento da maçonaria. Em resumo: mudança, instabilidade, insegurança. Transformações que não atingem apenas Portugal: são verdadeiras mudanças no velho continente que lhe irão modificar a fisionomia. Como afirma J. Lortz, é este século um ponto crucial da História: “On est encore trop près pour affirmer sans restrictions que l’époque présente [siècle 19e ] soit un point crucial de l’histoire. Il n’en reste pas moins que les bouleversements politico-sociaux dont l’Italie, l’Allemagne, la Russie, le Portugal, l’Espagne et la Turquie ont été le théatre sont autant de preuves du changement profond qui s’est produit.”8 É neste clima turbulento da centúria passada, que vai decorrer a vida do Padre Manuel Couto. 1. 1- O triunfo do liberalismo Na divisão da História em épocas ou idades, a Idade Contemporânea é marcada pela eclosão da Revolução Francesa (1789), o momento culminante da grande transformação político-social da Europa9 . É o triunfo das “Luzes”, reflectido e desenvolvido pelos franco-maçãos, propagandeado pelos enciclopedistas e que os exércitos napoleónicos irão semear Europa fora. “Ao mito da soberania real por direito divino, opor-se-á agora o mito da soberania nacional. 5 Revolução Liberal (1820), lutas dos Absolutistas / Liberais (1832-34), lutas entre Cartistas e Setembristas (1837), Janeirinha no Porto e tumultos em Lisboa (1868), revolta republicana no Porto (1891). NB.: Sirvo-me essencialmente, nestas três notas (5, 6 e 7), do excelente trabalho de J. Azevedo: Esboço de Cronologia da História da Igreja em Portugal, in Estudos Contemporâneos 0, (1979), p. 157-209. 6 Revolta da Maria da Fonte (1846) (começou por ser um ataque à lei que proibia os enterramentos nas igrejas, mas degenerou numa sedição política pedindo o afastamento dos Cabrais), Patuleia (1846). 7 Golpe de Gomes Freire de Andrade (1817), Vila-Francada (1823), Abrilada (1824), revolução de Setembro (1835), Belenzada (1835), golpe de Costa Cabral (1842), revolta Setembrista (1844), a Emboscada (1846). 8 J. Lortz, Histoire de l’Église, Payot, Paris 1962, p. 306. 9 Cf. J. Clemente Zamora, O Processo Histórico, Livraria Renascença Editora, Lisboa 3 [1972 ?], p. 247. Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 7 Para que isto se apresente com caracteres lógicos, será preciso negar a intervenção divina nos actos humanos, combater o sobrenatural, criar uma filosofia puramente racionalista. Para que o povo se entusiasme a ponto de chegar à rebelião e ao sacrifício, será preciso pregar-lhe doutrinas universais de igualdade, de fraternidade do género humano e de liberdade política.”10 Portugal não estava imune às várias transformações em curso: revoluções de carácter político, com uma dimensão anticatólica e forte vertente de paixão nacionalista; revolução económica e social, onde uma sociedade aristocrática dava lugar a uma outra de cariz utilitarista, assentando na importância do lucro e num mais relevante papel das funções públicas; surgimento de uma nova classe, a operária e o proletariado; revolução intelectual, que leva as pessoas a afastarem-se da Igreja; fermentação de ideias sociais; alteração de convergências do pensamento, pela mudança do eixo aristotélico e cartesiano para o de Kant, Hegel, Feuerbach e Comte. Não é sem razão que Lortz, no seu livro de História da Igreja, titula o capítulo referente ao século XIX como «L’Église centralisée en conflict avec la culture sans foi»11 . E Augusto Rodrigues, na mesma linha, sintetiza assim este mesmo tempo: “No fundo, aqui como lá fora, embora em Portugal com implicações específicas, a questão que se levantava era a mesma: como conciliar a fé e a razão, a liberdade e a autoridade, o progresso e o passado. Mas não se pode falar em Portugal de um movimento oposicionista semelhante ao empreendido na Alemanha, pois a Geração de 70, se ironizou o dogma, fê-lo no mesmo plano em que atacava a Igreja e a sua aliança com as velhas estruturas, condenando-se sim as péssimas consequências do absolutismo religioso inaugurado em Trento e as do «pesado dogmatismo» imposto pelo espírito católico.”12 A Guerra Peninsular marca o princípio do século em Portugal. As invasões napoleónicas terminam em 1811, com a expulsão dos franceses. Mas as ideias semeadas, quer pelos gauleses invasores, quer pelos ingleses, que combatendo aqueles se constituem em novos invasores, vão caldear um ambiente cada vez mais explosivo. Até porque a corte se havia retirado para o Brasil de onde só vai regressar em 4 de Julho de 1821, altura em que a lei de bases de uma nova Constituição fora já aprovada13 e a elaboração da 10 Ibidem. 11 J. Lortz, ob. cit., p. 299. 12 M. Augusto Rodrigues, Problemática Religiosa em Portugal no Século XIX, no Contexto Europeu, in Análise Social 16, (1980), p. 418. Veja-se, também do mesmo autor, Religião Católica em Portugal, III parte, alínea B), in Dicionário de História de Portugal, vol. V, p. 274. 13 Em 8 de Março de 1821. Cf. J. H. Saraiva, A Revolução Adiada, in História de Portugal, dir. J. H. Saraiva, Publicações Alfa, vol. VI, Lisboa 1983, p. 10. Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 8 Constituição estava em marcha, fruto das Cortes Constituintes que tinham sido inauguradas seis meses antes, no dia 26 de Janeiro. Para a constituição dessas cortes haviam decorrido eleições em Dezembro de 1820 que provocaram uma composição bastante diferente das anteriores: a nobreza e o clero são claramente minoritários; predominam os juristas, os comerciantes, os proprietários, espelhando as mudanças sociais que ocorrem no país. A evolução da sociedade e das classes sociais em Portugal vai caracterizar-se essencialmente por dois movimentos simultâneos: progressiva decadência da nobreza e do clero, umbilicalmente muito ligados, e crescente importância da burguesia. Surgem, neste contexto, as lutas liberais, opondo absolutistas (nobreza e, associado, grande parte do clero, sobretudo a hierarquia, os titulares e as ordens religiosas) a liberais (burguesia e povo). “As revoluções liberais abriram outro quadro: de 1789 a 1802, em França passou-se da monarquia “cristianíssima” ao nacionalismo eclesiástico pleno (“Constituição Civil do Clero”), à separação hostil e à concordata Napoleão--Pio VII, formalizando esta última o regalismo constitucional que durou até este século (França 1905, Portugal 1910)”.14 O triunfo do liberalismo, com a abdicação de D. Miguel, pela assinatura da Convenção de Évora-Monte15 , vai significar um virar de página na vida cristã em Portugal. 1. 2- A supressão das Ordens Religiosas e o encerramento dos conventos Apenas quatro dias depois16 , assina o ministro da Justiça, Joaquim António de Aguiar (1792-1871), a Lei de Supressão das Ordens Religiosas que, na sequência do ‘trabalho’ da Comissão de Reforma Geral Eclesiástica, irá ter uma vasta e profunda repercussão na vivência cristã ao longo de decénios. É o culminar de todo um longo processo de assalto do poder civil à Igreja e aos seus domínios. Na verdade, já a Constituição de 1822, embora afirmando a religião Católica como a religião da Nação (art. 25), assinalava como prerrogativas da rei a apresentação para os bispados e os benefícios do Padroado real (art. 123), o que, em conjunto com outras medidas, se traduzia numa efectiva ausência de liberdade religiosa. A Carta Constitucional (1826) ia na mesma linha. Em 1832, por decreto de 30 de Julho, declarava-se, sem margem 14 M. Clemente, Relações Igreja-Mundo ao Longo da História, in Lumen 24, (Jul/Ago 1997), p. 265. 15 Em 26 de Maio de 1834. 16 Embora datado de 28 de Maio, foi, de facto, assinado o decreto em 30 de Maio de 1834 (M. Oliveira, História Eclesiástica de Portugal, União Gráfica, Lisboa 1940, p. 322). Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 9 para dúvidas, que a faculdade de apresentar párocos para as igrejas e eclesiásticos para benefícios pertencia exclusivamente ao poder executivo «segundo a Carta»17 . Passo a passo se caminha para o desenlace final: abolição do Tribunal do Santo Ofício (que, na realidade, já não funcionava), abolição do Tribunal da Legacia (pretendendo-se um corte com Roma), abolição do antigo “estado do clero” (os clérigos passam a ser simples cidadãos), suspensão da colação de benefícios eclesiásticos (enquanto não era feita —pelo poder civil!— nova divisão de paróquias), projecto de extinção das Ordens Religiosas, acabando-se por extinguir os mosteiros menores, proibição de admissão de candidatos ao noviciado. Considerava-se a Igreja como viciosa e, portanto, a necessitar de ser “reformada”. Por isso, e para isso, todas estas medidas, mas dimanadas e determinadas pelo poder civil. Decreta ainda a criação da Comissão de Reforma Geral Eclesiástica (1833), transformada em 23 de Agosto em “Junta do Exame do estado actual e melhoramento temporal das ordens regulares”, para executar os decretos que a própria Comissão de Reforma havia elaborado. Dado o golpe de misericórdia com o decreto de extinção das Ordens Religiosas, encerramento dos conventos e incorporação dos bens das ordens na fazenda nacional, estava cumprido o ‘trabalho’ da Junta do Exame, pelo que a seguir foi também ela extinta (10.10.1834). É certo que o maior problema não foi a confiscação dos bens, mas a pretensão do Estado em superintender e ordenar a esfera do religioso. A afirmação de Lortz, quanto à Igreja em França, aplica-se em Portugal da mesma forma: “Le vrai danger n’était pas la suppression des privilèges du clergé ni la confiscation de ses biens, c’était surtout la constitution civile du clergé, laquelle consacrait une rupture complète entre l’Église de France et Rome et faisait triompher définitivement le gallicanisme.”18 De facto, com a supressão das ordens religiosas e o encerramento dos conventos, populações de extensas áreas do território nacional vão ficar entregues a si mesmas, descristianizando-se progressivamente. 17 Cf. F. Almeida, História da Igreja em Portugal, vol III, Porto 2 1970, p. 38. 18 J. Lortz, ob. cit., p. 294. Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 10 1. 3- O provimento de lugares e o desleixo pela “cura de almas” Por outro lado, o clero regular, no provimento de lugares, como já vimos, passava a ser nomeado, não pelo respectivo ordinário, mas pelo governo19 . Cá, como em França, era a mera “funcionarização” clerical: “En effect, pour les législateurs, toutes les religions étaient identiques et les ministres du culte ne devenaient plus que de simples employés de l’État, élus comme des parlementaires.”20 O mesmo afirma Joyce Riegelhaupt, estudioso de assuntos portugueses deste tempo: “Embora o Estado Liberal possa ter reduzido o papel da Igreja como proprietária de terra, certo é que utilizou o clero local como seu agente administrativo.”21 Em 1862, por decreto de 2 de Janeiro, obriga-se a concurso documental o provimento de dignidades e canonicatos das sés catedrais e benefícios paroquiais em todas as dioceses do reino, continente e ilhas. O concurso obrigava a requerimento dirigido ao ministro dos negócios eclesiásticos e de justiça22 ! Era a invasão na esfera do múnus pastoral da Igreja, particularmente no dos bispos. E, para melhor ser possível controlar as pessoas, chegou-se ao ponto de fazer depender de despacho governamental favorável (embora nunca negado) a recepção de ordens sacras, medida que mitigava a proibição de ordenações sacerdotais de 1836! A nomeação de bispos pela Santa Sé, essa passava sempre pela sua apresentação pelo governo23 . Roma, por sua vez, dado tudo o que se estava a passar em Portugal, não confirmou as nomeações episcopais que o liberalismo fizera. Surgiu, assim, o “cisma português”, período que se estendeu de 1832 até 1842. Praticamente todas as dioceses foram afectadas. Ou porque, com a vitória dos liberais, estes afastaram os bispos anteriores (de nomeação miguelista ou assim conotados), ou porque Roma não ratificou os prelados que D. Pedro e 19 Esta foi, em matéria religiosa, umas das ideias dominantes e postas em prática pela Constituição de 1822. Cf. A. Roque de Almeida, Para Ler a História da Igreja em Portugal, Ed. Perpétuo Socorro, Porto 1996, p. 151. 20 J. Lortz, ob. cit., p. 295. 21 J. F. Riegelhaupt, Camponeses e Estado Liberal: a Revolta de Maria da Fonte, in Estudos Contemporâneos 2/3, (1981), p. 137. 22 F. Almeida, ob. cit., vol. III, p. 40. 23 Esta situação, mesmo com pequenas cambiantes, só foi modificada nos nossos dias, com a alteração da Concordata de 1975. Padre Manuel Couto — MISSÃO ABREVIADA 11 o seu governo nomeara para substituir seja os anteriores seja os que, entretanto, tinham morrido. Foi uma década de confusão porque as pessoas, e até clérigos, pretendendo manter-se fiéis aos seus legítimos pastores, não sabiam bem a quem acorrer. Prudentemente, a Santa Sé nunca declarou cismáticos os vigários capitulares intrusos, como algum dos bispos fora da sua diocese e refugiado em Roma insistentemente pedia24 . Com o reatar das relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé, em 1842, o panorama das dioceses vacantes foi-se, pouco a pouco, recompondo. É forçoso concluir que, com a prerrogativa governamental do provimento de cargos, não seriam indicados os que estivessem em desacordo com este estado de coisas, com esta ordem, os que, numa palavra, dissentissem. O consequente desleixo na “cura de almas” era, desgraçadamente portanto, frequente e natural. O que motivou uma inédita censura pública de Pio IX aos bispos portugueses: “Entre tantas e tão graves amarguras que Nos oprimem, não podemos deixar de sentir particularmente uma dor profunda, conhecendo, como conhecemos, o deplorável estado em
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