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A Missao Da Igreja No Mundo Atual

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A missão da igreja no mundo atual
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  A MISSÃO DA IGREJA NO MUNDO ATUAL. Thiago de S.Dias 1    Antes de adentrarmos na missão da Igreja propriamente dita, precisamos analisar, mesmo que de modo sucinto, o cenário atual em que a Igreja está inserida, pois os pressupostos mundanos têm influenciado grandemente a igreja. Devemos lembrar que a oração de Jesus em João 17 não foi para que o Pai nos tirasse do mundo, mas sim que nos guardasse do mal. O mundo em que a Igreja está vivendo não é mais o mundo da idade média, nem o mundo do iluminismo. Atualmente, o cenário em que a Igreja está inserida é considerado por alguns estudiosos como um período de transição, onde os elementos da modernidade 2  parecem estar ruindo, e ainda não se tem algo que se sobreponha de modo estável, mas sim uma mistura de elementos. Com intuito de nomear tal período te m sido cunhado o termo “ pós-mode rnidade”.  Leandro Lima, ao analisar a pós-modernidade afirma: “ O mundo pós-moderno não tem apenas um rosto, mas muitos que às vezes se confundem, se misturam ou mesmo se opõe.”  3    Alister McGrath reconhece a dificuldade de definir o pós-modernismo: Fornecer uma definição precisa do pós-modernismo é algo praticamente impossível. Em parte, por não haver um consenso geral sobre a natureza da expressão “modernidade”, que o movimento se propõe a substituir ou suceder. De fato, é plausível a alegação de que a própria expressão “pós - modernismo” implica que a “modernidade” seja algo tão bem definido e compreendido que  –  qualquer que seja o seu significado  –  é possível afirmar que já terminou o que foi substituído pela pós-modernidade 4 . Entretanto, mais adiante Alister McGrath ensaia uma definição ao afirmar que pós-modernismo é: “movimento cultural de caráter genérico, 1  Pastor titular da 3ªIPB de Colatina-ES, formado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano José Manoel da Conceição. E-mail: thiago_souzadias@hotmail.com. 2   “ Modernismo era uma cosmovisão baseada na noção de que somente a ciência podia explicar a realidade ” (Cf: MACARTHUR JR, John. Princípios para uma cosmovisão bíblica.  p. 17) 3  LIMA, Leandro Antonio de. Brilhe a sua Luz. São Paulo: Cultura Cristã, 2009. p. 13. 4  MCGRATH, Alister E. Teologia Sistemática e Filosófica: Uma introdução a teologia cristã. Trad. Marisa K. A. de Siqueira Lopes. São Paulo: Shedd Publicações, 2005. p. 150-151.  sobretudo nos Estados Unidos, que surgiu a partir do colapso quanto à confiança anteriormente depositada nos princípios universais defendidos pelo Iluminismo”  5   Leandro Antonio de Lima segue a mesma linha ao declarar: Vive-se no período ou era chamada de Pós-moderna. Diante das muitas interpretações do próprio termo, é possível verificar que se trata de um período confuso, híbrido, sem uma teoria hegemônica, mas com várias que se contradizem, se misturam, se destroem ou se fortalecem mutuamente 6 . Embora a pós-modernidade não apresenta em si própria um conjunto de características que a define, pois a mesma é avessa a qualquer sistema elaborado de definições 7 , conforme bem expressou Leandro: Desde já, a primeira advertência que precisa ser aceita é que, se há a intenção de encontrar no tempo presente uma filosofia unificada que se denominaria de “pós - modernidade”, se estaria de fato assinalando a não existência da pós-modernidade . Pois aquilo que geralmente se denomina pós-modernidade é a ideia de que não há unificação de pensamentos ou de teorias 8 . Podemos destacar duas características presente no pós-modernismo que se sobressaem: relativismo e pragmatismo. Relativismo: Em termos gerais, o relativismo sustenta que toda a opinião humana é verdadeira e assim não há necessidade de justificativas para torna-la mais verdadeira que outras. Por conseguinte, qualquer defesa de uma verdade absoluta 9  é negada, ocasionando o surgimento do pluralismo. David Wells exemplifica esta verdade dizendo: “É tão possível quanto aleatório o fato 5  Ibid. p. 657. 6  LIMA, Leandro Antonio de. O Futuro do Calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p. 10. 7   DeMar vai na mesma linha ao dizer: “ O objetivo do pós-modernismo não é apenas rejeitar cosmovisões como opressivas, mas também rejeitar até mesmo a possibilidade de se ter uma cosmovisão” (Cf: DEMAR, Gary. Definindo Pós -Modernismo. p.1 Disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/pos_modernismo/def-posmodernismo_demar.pdf > Acessado em 25/10/2010 às 16:42). 8  LIMA, Leandro Antonio de. O Futuro do Calvinismo.  p. 78. 9  A expressão absoluta é usado no mesmo sentido que Francis Schaeffer a define: “ um conceito que não é modificável por fatores como cultura, psicologia individual ou circunstâncias, mas que é  perfeito e imutável. Usado como antítese do relativismo” (Cf. SCHAEFFER, Francis. O Deus que intervém. p. 304).  de que 44% dos norte-americanos pensam que a Bíblia, o Alcorão e o Livro dos Mórmons, são expressões diferentes das mesmas verdades espirituais”  10  . O relativismo tem ocasionado um declínio moral enorme, pois ele é o inimigo natural da ética. Uma vez estabelecida que não haja verdades absolutas, o conceito de certo e errado torna-se subjetivo.  Ao analisar o declínio moral como consequência do relativismo, MacArthur declara: Previsivelmente a beatificação da tolerância pós-moderna tem tido seus efeitos desastrosos sobre a verdadeira virtude em nossa sociedade. Nestes tempos de tolerância, o que era proibido passou a ser encorajado. O que era tido como imoral é agora festejado. Infidelidade marital e divórcio foram normatizados. Impureza é o lugar-comum. Aborto, homossexualidade e perversões morais de todos os tipos são aclamados por grandes grupos e entusiasticamente promovidos pela mídia popular. A noção pós-moderna de tolerância está sistematicamente virando virtude genuína na cabeça deles 11 .  Além disso, o relativismo tem buscado conduzir a Igreja para o ecumenismo religioso, além de desmotivar a prática evangelística, pois se todas as “religiões conduzem a Deus”, não há porque evangelizarmos pessoas católicas, espíritas, budistas entre outros. Pragmatismo: O pragmatismo é uma filosofia norte-americana que se srcinou com William James (1842-1910), Charles Peirce (1839-1914) e John Dewey (1859-1952), que descontentes com a busca pela verdade da filosofia clássica racionalista, defendiam que a verdade é antes de qualquer coisa um valor que deve ser testado de acordo com seus resultados práticos 12 . Em termos gerais, o pragmatismo sustenta que uma crença será verdadeira se, e somente se, funcionar ou for útil para aquele que a possui 13 , ou seja,   “a marca 10  PIPER, John; TAYLOR, Juntin; KELLER, Tim. et. al.  A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós Moderno. Trad. Degmar Ribas. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p. 24. 11  MACARTHUR JR, John. Princípios para uma cosmovisão bíblica.  p. 26 12  Cf: LIMA, Leandro Antonio de. Brilhe a sua Luz. p. 85. 13  MORELAND, J.P. & CRAIG, William Lane. Filosofia e Cosmovisão Crista. São Paulo: Vida Nova, 2005. p.184.  do verdadeiro é a sua verificabilidade dos resultados e a eficácia de sua aplicação”  14 . O pragmatismo tem causado grandes males à Igreja Evangélica.  Atualmente a mentalidade que reina em muitos círculos evangélicos é que, se a igreja está crescendo, independentemente dos métodos que estão utilizando, é a vontade de Deus, tornando esta vontade não algo objetivo, mas amplamente flexível. Leandro Lima, ao analisar este cenário afirma: Cada vez mais a pregação da Palavra de Deus cede lugar para novos métodos como teatro, dança, comédia, show de rock, e outras formas de entretenimento. Pelo fato de que esses métodos realmente atraem multidões, eles são considerados como corretos em si mesmos, independentemente de serem bíblicos ou não. A cada momento, os grandes ícones da “mídia evangélica” aparecem com um novo slogan que se torna, automaticamente, a verdade do momento. É “tempo de colheita”, “tempo de se apaixonar”, “tempo de restituição”, “tempo de cura”, etc. Isso dura até que apareça outro mais interessante e que dê mais resultado 15 .  A filosofia pragmática está tão presente que é comum encontrarmos no cenário religioso brasileiro uma mescla de práticas evangélicas, católicas e espíritas, presente no mesmo grupo religioso, a fim de atrair o maior número de adeptos possíveis. Sobre isso, Leandro afirma:  Até há pouco tempo, havia grandes diferenças entre a igreja Católica, a Protestante e o Espiritismo, pois não havia técnicas em comum. Hoje a situação está bem diferente. A Igreja Católica copia a hinologia evangélica, copia o movimento pentecostal de sinais, maravilhas e línguas estranhas, e já existem padres superstar. Por outro lado, muitas Igrejas evangélicas têm copiado as técnicas do catolicismo e até mesmo do espiritismo. Não é incomum ver igrejas evangélicas fazendo “novenas” de oração e “abençoando” objetos ou água, o que sempre foi uma prática predominantemente católica. Algumas igrejas usam sal grosso em suas cerimonias de libertação, o que é algo que sempre pertenceu ao espiritismo [...] Por que as igrejas têm usado essas práticas? Por um único motivo: realmente funcionam. O povo brasileiro é tradicionalmente místico e a igreja evangélica tem crescido ganhando membros do catolicismo e do espiritismo, ou seja, de pessoas acostumadas a essas práticas em suas religiões. Essas pessoas têm dificuldades para, de uma hora por outra, abandonar tudo isso e passar a crer apenas no Deus invisível. Elas precisam de algo para apalpar, para ver e sentir. E, portanto, os pregadores estão arranjando coisas desse tipo para elas; então elas dizem: “É de Deus!” Portanto, deve ser aceito como verdade e ninguém pode 14  CHAUÍ, Marilena. Um Convite à filosofia. 13ª ed. São Paulo: Editora Ática, 2008. p. 97 15  LIMA, Leandro Antonio de. Brilhe a sua Luz.  p. 85

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Aug 1, 2017
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