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Por Thomas Boston Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todo vivente (Jó 30:23) A M O R T E A Morte Thomas Boston Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todo vivente (Jó 30.23). Pretendo falar agora a respeito do estado eterno em que o homem entra no instante em que morre. Notamos, pelas palavras do texto acima, que Jó tinha uma solene concepção desse momento, as quais são uma declaração geral da verdade, e uma aplicação pessoal dela. A declaração geral da verdade é que todos os homens, por meio da morte, serão removidos deste mundo; todos têm de morrer. Mas para onde irão? Eles têm de ir para a casa destinada a todo vivente; para o túmulo, essa casa sombria, triste, solitária, na terra do esquecimento. Onde quer que o corpo seja depositado até a ressurreição, para ali, como para uma residência, a morte nos leva para casa. Enquanto estamos no corpo, moramos numa hospedaria, numa estalagem, a caminho de casa. Quando chegamos ao túmulo, chegamos ao nosso lar, à casa eterna (Ec 12.5). Todos os viventes irão para essa casa; bons e maus, velhos e jovens. A vida do homem é uma fonte que corre para as vorazes profundezas da morte. Aqueles que agora moram em palácios terão de abandoná-los e voltar para essa casa; e aqueles que não têm onde reclinar a cabeça finalmente possuirão um lar. Essa casa está designada a todos por Aquele cuja decisão é firme. Não se pode alterar esse decreto; é uma lei que os mortais não podem transgredir. A aplicação que Jó faz a si mesmo desse princípio geral encontra-se expresso nestas 2 palavras: “eu sei que me levarás à morte”. Ele sabe que forçosamente terá de encontrar-se com a morte, sabe que o seu corpo e a sua alma terão forçosamente de separar-se; sabe que Deus, que estabeleceu o tempo em que isso vai acontecer, com certeza fará com que isso se realize. Houve momentos em que Jó desejou que a morte o alcançasse para levá-lo à sua casa. Sim, ele ousou precipitar-se para a morte antes do tempo: “a minha alma escolheria, antes, ser estrangulada; antes, a morte do que esta tortura” (Jó 7.15). Mas aqui ele reflete que Deus o levará a ela; sim, o conduzirá de volta a ela, como é o significado do texto. Dessa forma ele parece sugerir que nossa vida neste mundo não passa de uma fuga da morte, a qual estende os braços frios para nos receber quando saímos do útero materno. Mas embora tenhamos escapado por pouco das suas garras, isso não será por muito tempo; com certeza haveremos de ser conduzidos de volta para ela. Jó sabia isso; ele falou do assunto como algo certo, e o estava aguardando. Doutrina Todos com certeza têm de morrer. Embora essa doutrina tenha sido confirmada pela experiência de todas as gerações passadas, desde que Abel entrou na casa destinada a todo vivente, e embora todos saibam que com certeza morrerão, é preciso falar da infalibilidade da morte, para que essa verdade seja impressa na mente, e seja devidamente levada em conta. Por essa razão, considere o seguinte: 3 1º) “Há uma lei infalível de morte”, à qual todos os homens estão sujeitos: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez” (Hb 9.27). Isso está preparado para os homens, assim como os pais armazenam bens para os filhos; com toda certeza eles a receberão, já que Deus o determinou e guardou para eles. Não há nenhum “talvez” nesse assunto; “Porque certamente morreremos” (2 Sm 14.14 – RC). Embora algumas pessoas não queiram ouvir falar da morte, todo homem fatalmente haverá de morrer (Sl 89.48). A morte é um lutador com quem todos sem exceção terão de se atracar corpo-a-corpo; temos de entrar na competição, e é ela quem vai vencer: “Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem tão pouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem nessa guerra há licença para se ausentar” (Ec 8.8 – Tradução Brasileira). Naturalmente, aqueles que estiverem vivos quando Cristo vier a segunda vez, serão todos transformados (1 Co 15.51). Mas essa transformação será equivalente à morte; ela servirá aos propósitos da morte. Todas as outras pessoas têm de seguir no curso normal, o caminho de toda carne. 2º) Meditemos no assunto todos os dias. Todos veem que “os sábios morrem, que perecem igualmente o louco e o bruto” (Sl 49.10 – RC). Há lugar suficiente para nós nesta terra, apesar das multidões que viveram nela antes de nós. Eles já se foram, para nos dar lugar; assim como nós temos de partir para dar lugar a outros. Faz muito tempo que a morte começou a transportar os homens a outro mundo, e vastas multidões já se foram; contudo o trabalho continua sendo feito; a morte consegue novos moradores todos os dias para a casa designada a todos os 4 viventes. Quem jamais ouvirá a cova dizendo: “Basta! Chega!”. Há muito que ela devora, mas quanto mais ganha, mais quer. Este mundo é como uma grande feira ou mercado, onde alguns estão chegando, outros saindo, uma multidão confusa, a maioria sem saber por que está aqui. Ou parecem pessoas numa estrada que vai a uma grande cidade, estrada por onde alguns já passaram, alguns ainda estão andando, e outros por sua vez estão chegando: “Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece” (Ec 1.4 – RC). A morte é um mensageiro inexorável, irresistível, que não pode ser dissuadida de executar as ordens que recebeu, nem mesmo pela força dos poderosos, pelo suborno dos ricos, ou pelas súplicas dos pobres. Ela não respeita os cabelos brancos, nem tem pena do inofensivo bebê. Nem os valentes e ousados conseguem superá-la, nem os covardes são poupados nessa guerra. 3º) O corpo humano é formado de matéria perecível: “tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19). Os mais fortes não passam de frágeis vasos de barro, que facilmente se quebram em pedaços. A alma está pobremente abrigada enquanto permanece neste corpo mortal, que não é uma casa de pedras, mas uma casa de barro, cujas paredes vão se desfazer. O fundamento dessa casa não é a rocha, mas o pó; suas paredes se desfazem diante da traça, embora esse inseto seja tão frágil que um leve toque do dedo o mate (Jó 4.19). Esses fundamentos são como pólvora, uma pequeníssima faísca perto deles lhes porá fogo e levará a casa pelos ares: a semente de uma uva passa, ou um cabelo no leite, podem sufocar alguém, prostrando no pó toda a casa de barro. Se considerarmos a composição e a estrutura de nosso corpo, a 5 forma espantosa e admirável como somos feitos; e como é regular e exato o movimento dos fluidos, e o equilíbrio dos líquidos orgânicos de que depende a vida; e que a morte tem tantas entradas quantos poros há no corpo; e se compararmos a alma e o corpo, temos de reconhecer que é mais surpreendente a vida do que a morte; e que é mais estranho ver o pó movendo-se para cá e para lá sobre o pó, do que estirado sobre o próprio pó. Embora a lâmpada de nossa vida não seja violentamente apagada, chegará o tempo em que se apagará por falta de óleo. Não são as indisposições e doenças a que somos propensos meros precursores da morte, que vêm preparar-lhe o caminho? Elas nos recebem assim que colocamos o pé no mundo, para nos dizer logo na entrada que só viemos ao mundo para sair dele logo, logo. Todavia, alguns há que são arrebatados num momento, sem serem previamente alertados pela doença ou por algum incômodo físico. 4º) Nossa alma é pecaminosa, por isso o corpo é mortal: a morte acompanha o pecado, assim como a sombra acompanha o corpo. Os ímpios têm de morrer, em virtude da ameaça contida no pacto das obras: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). E aqueles que temem a Deus têm de morrer também, a fim de que, como a morte entrou pelo pecado, o pecado possa sair por meio da morte. Quanto a estes, Cristo removeu o ferrão da morte; embora não tenha removido a morte em si. Por essa razão, embora ela se agarre a eles, como a víbora o fez na mão de Paulo, ela não lhes fará mal. Mas pelo fato de a lepra do pecado estar nas paredes da casa, ela precisa ser derrubada, e todo o seu material precisa ser exposto. 6 5º) De acordo com a descrição das Escrituras, a vida do homem neste mundo não está longe da morte senão por uma pequena distância. As Escrituras a representam como algo vão e vazio, de pouca extensão, de pouca duração. A) Em primeiro lugar, a vida do homem é algo vão e vazio: ao mesmo tempo que existe, ela desvanece e, veja!, já não existe mais. “…os meus dias são vaidade” (Jó 7.16 – Trad. Brasileira). Se achamos que o aflito Jó estava sendo parcial nesse assunto, ouçamos o sábio e próspero Salomão descrever os dias da sua própria vida: “Tudo isto vi nos dias da minha vaidade” (Ec 7.15), ou seja, nos meus dias vãos. Moisés, que era um homem muito ativo, compara nossos dias a um sono: “são como um sono” (Sl 90.5), o qual não se percebe enquanto não acaba. A comparação é a seguinte: são poucos os homens que têm uma correta noção da vida antes que a morte os desperte; aí então passamos a saber que estávamos vivos. “acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro” (Sl 90.9 - RC). Quando ouvimos uma história sem muito valor ela talvez nos afete um pouco, mas logo nos esquecemos dela: dessa forma o homem é esquecido, quando o conto da sua vida se acaba. Ela é como um sonho, ou uma visão noturna, em que não há nada sólido; quando a pessoa acorda, tudo desaparece: “Voará como um sonho e não será achado, será afugentado como uma visão da noite” (Jó 20.8). A vida é como uma sombra: “Com efeito, passa o homem como uma sombra” (Sl 39.6). O homem, neste mundo, não passa de uma estátua ambulante: a sua vida não é mais do que uma representação da vida, está impregnada de morte. 7 Se olharmos os vários períodos da nossa vida, talvez cheguemos à conclusão que são um amontoado de vaidades. “a juventude e a primavera da vida são vaidade” (Ec 11.10). Nós entramos neste mundo como os mais indefesos dos animais. Os filhotes do passarinho e dos animais conseguem virar-se em certa medida, mas os bebês humanos são completamente dependentes, incapazes de sobreviver sozinhos. Gastamos nossa infância em brincadeiras e prazeres sem valor, dos quais depois lembramos com desdém. A juventude é uma flor que logo murcha, e que rapidamente cai; é um tempo em que nos apressamos para agradar a nós mesmos com toda estupidez e desconsideração, numa variedade de coisas vãs, como que nadando numa enorme enchente dessas coisas. Mas antes que o percebamos, tudo passa; e nos achamos na meia-idade, rodeados de uma nuvem de preocupações, através da qual temos de avançar tateando. Quando nos vemos acossados pelas ferroadas das dificuldades, temos de forçar caminho através delas, para levar a cabo os projetos e planos que temos em mente para quando estivermos mais velhos. Quanto mais nos alegramos nalgum prazer terreno que conquistamos, mais dificuldade teremos para abrir mão dele. Daí chega a velhice, ocupada com sua própria sequência de enfermidades, canseira e sofrimento (Sl 90.10), e nos conduz para bem perto do túmulo. Em resumo: “Toda a carne é erva” (Is 40.6). Todas as fases e épocas da vida são vaidade. “O homem em seu melhor estado”1, sua meia-idade, quando o calor da juventude passou, e as aflições da velhice 1 A citação do texto segue a tradução do Autor (Bíblia King James). A Versão Revista e Atualizada no Brasil (também a Revista e Corrigida, a Tradução Brasileira, e a Tradução da Sociedade Bíblica Trinitariana) diz assim: “Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade”. 8 ainda não o alcançaram, “é pura vaidade” (Sl 39.5). A morte colhe alguns no botão da infância, outros na flor da juventude, e outros quando já se tornaram fruto. Poucos são deixados de pé até que, como cereal maduro, deixam o chão: todos morrem uma hora ou outra. B) Em segundo lugar, a vida do homem é algo breve. Ela não é apenas uma vaidade (um sopro), mas uma vaidade de vida curta. Considere o seguinte: 1º) A maneira que a vida do homem é contada nas Escrituras. Ela era na verdade contada algumas vezes em centenas de anos; mas ninguém jamais chegou aos mil anos, o que mesmo assim não tem comparação com a eternidade. Em nossos tempos, as centenas de anos foram reduzidas a um punhado: setenta ou oitenta é sua extensão máxima (Sl 90.10). Mas são poucas as pessoas que chegam a essa extensão de vida. A morte raramente espera até que os homens se curvem, por causa da idade, para entrar na sepultura. Contudo, como se a palavra “anos” fosse grande demais para descrever algo tão pequeno como a vida do homem na terra, vemo-la calculada em meses: “contigo está o número dos seus meses” (Jó 14.5). Nossa trajetória, como a da lua, transcorre em pouco tempo: estamos sempre crescendo ou decrescendo, até desaparecermos. Mas com frequência ela é contada em dias; e esses não passam de poucos: “O homem, nascido da mulher, é de bem poucos dias” (Jó 14.1 – Versão Revista e Corrigida). Não somente isso, mas é apenas um dia, no cálculo das Escrituras; e um dia do assalariado, que fica olhando quando termina o dia para entregar o trabalho que fez: “até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia” (Jó 9 14.6). Sim, as Escrituras encurtam a vida a uma medida ainda menor de tempo, chamando-a de “um momento”: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação...” — embora perdure por toda a nossa vida, é chamada de “momentânea” (2 Co 4.17). Noutro lugar, ela é reduzida mais ainda, ao ponto de não ser possível nem calcular: “à tua presença, o prazo da minha vida é nada” (Sl 39.5). Em concordância com isso, Salomão nos diz: “há tempo de nascer e tempo de morrer” (Ec 3.2); mas não menciona um tempo de viver, como se nossa vida não passasse de um salto do útero materno para a sepultura. 2º) Considere as várias comparações por meio das quais as Escrituras representam a brevidade da vida humana. Ouça Ezequias: “A minha habitação foi arrancada e removida para longe de mim, como a tenda de um pastor; tu, como tecelão, me cortarás a vida da urdidura” (Is 38.12). A tenda do pastor é removida rapidamente, pois os rebanhos não podem ser alimentados por muito tempo num só lugar; assim é a vida do homem nesta terra, some rapidamente. É uma teia que ele constantemente está tecendo; ele não fica ocioso um momento sequer: em pouco tempo ela é feita, e então é desfeita. Cada movimento de respiração é um fio dessa teia; quando se dá o último suspiro, conclui-se a teia. O homem expira, e então se desfaz, não respira mais. O homem é como erva, e como uma flor: “Toda a carne é erva”, até mesmo a mais forte e a mais saudável, “e toda a sua glória, como a flor da erva” (Is 40.6). A erva floresce pela manhã, mas quando cortada pelos ceifeiros, à noite está murcha. Assim também o homem, às vezes está andando para cá e para lá, tranquilo, pela manhã, e à noite já é um cadáver, derrubado por 10 um golpe súbito de alguma das armas da morte. A flor é algo fraco e delicado, de curta duração, onde quer que cresça. Mas repare, o homem não é comparado à flor do jardim, mas à flor do campo, que pode ser pisada a qualquer tempo por algum animal. Assim também nossa vida está sujeita a centenas de acidentes todos os dias, e qualquer deles pode acabar conosco. Mas embora possamos escapar de todos eles, com o passar do tempo esse prazo murcha, essa flor desaparece por si mesma. Ela se desfaz “Tal como a nuvem se desfaz e passa” (Jó 7.9). Ela parece grande como uma nuvem da manhã, que promete grandes coisas, e desperta a expectativa do agricultor; mas o sol desponta, e a nuvem se dispersa; a morte chega, e o homem desaparece. O apóstolo Tiago pergunta: “Que é a vossa vida?” (Tg 4.14). Ouça a sua resposta: “Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”. Ela é frágil, incerta, e não perdura. Ela é como fumaça, que sai da chaminé, como se fosse escurecer todo o céu; mas rapidamente se dispersa, e não se vê mais. Assim vai a vida do homem, e “quem é ele?” Ele é um sopro: “Lembra-te de que a minha vida é um sopro” (Jó 7.7). Ela é um golpe de vento passageiro, um curto bafejo: “vento que passa e já não volta” (Sl 78.39). Nosso fôlego está em nosso nariz, como se estivesse sempre batendo asas para partir; entrando e saindo, como um viajante, até que se vá, não retornando mais até que os céus deixem de existir. C) Em terceiro lugar, a vida humana é fugaz; não é apenas uma vaidade passageira, mas uma vaidade arisca. Você já reparou a rapidez com que a sombra se move no chão, num dia nublado e ventoso, escurecendo de repente os lugares belamente 11 iluminados pelo sol, mas desaparecendo logo em seguida? Assim é a vida do homem na terra, pois ele “Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece” (Jó 14.2). O movimento da lançadeira de um tecelão é muito rápido; num momento é lançada de um lado do tecido para o outro; contudo “Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão” (Jó 7.6). Quão rapidamente o homem é lançado através do tempo para dentro da eternidade! Veja como Jó descreve a velocidade do tempo da vida: “Os meus dias foram mais velozes do que um corredor; fugiram e não viram a felicidade. Passaram como barcos de junco; como a águia que se lança sobre a presa” (Jó 9.25,26). Ele compara os seus dias ao mensageiro dos correios, um corredor que se apressa a levar notícias, e não se detém nunca. Mas embora o passado fosse como Aimaás, que ultrapassou o etíope2, nossos dias serão mais velozes do que ele; pois eles escapam como alguém que foge por sua vida diante do inimigo que o persegue. Ele corre com todo o vigor que tem; mas os nossos dias correm tão rápido quanto ele. Mas isso ainda não é tudo; mesmo aquele que foge por sua vida não pode correr o tempo todo; ele precisa parar, de vez em quando, deitar-se, ou entrar nalgum lugar para recobrar forças, como Sísera o fez na tenda de Jael.3 Mas nosso tempo não para nunca. Por essa razão é comparado a navios, que navegam dia e noite sem interrupção, até chegarem ao porto desejado; e é comparado a navios ligeiros, navios do desejo, nos quais os homens rapidamente chegam ao céu desejado; ou navios de prazer, que navegam mais rapidamente do que os navios da aflição. Contudo, na falta de vento, 2 2 Samuel 18.23. — N. do T. 3 Juízes 4.17. — N. do T. 12 interrompe-se o movimento do navio; mas o movimento do nosso tempo é sempre ligeiro. Por isso é comparado à águia em pleno voo; não no voo normal, pois isso não basta para representar a ligeireza de nossos dias; mas quando ela se lança sobre a presa, numa velocidade extraordinária. É assim, assim mesmo, que nossos dias se esvaem. Havendo assim discorrido a respeito da morte, aproveitemos a ocasião para compreender a vaidade do mundo. Isso nos capacitará a suportar, com um contentamento e uma paciência cristãos toda sorte de tribulações e dificuldades que tivermos de passar aqui no mundo; nos ajudará a mortificar nossas paixões; nos ajudará a sermos leais ao Senhor com todo o coração, a qualquer custo; e nos ajudará a preparar-nos para a aproximação da morte. 1) Por essa razão, olhemos, como num espelho, a vaidade do mundo, e de todas as coisas que estão nele, as quais os homens tanto valorizam e estimam; e por isso fixam nelas o seu coração. Tanto os ricos quanto os pobres estão igualmente concentrados neste mundo; eles lhe dobram o joelho; mas ele não passa de um deus de barro: eles fazem a corte à grande vaidade, e correm avidamente para agarrar essa sombra. O homem rico se mata pelos seus abraços; e o pobre se fatiga nessa perseguição infrutífera. É de admirar que os sorrisos do mundo nos conquistem, quando os buscamos tão apaixonadamente, mesmo quando em troca nos olhe com desdém! Mas olhe para o túmulo, homem! considere e seja sábio; ouça o ensino da morte; e aprenda: “aproveite o mais que puder, logo você será forçado a abandonar tudo que possui neste mundo”. Embora você se encha 13 dos frutos deste mundo, todos eles se irão quando você entrar na cova, a casa debaixo da terra, destinada a todo vivente. Quando vier a morte, você terá de dar um eterno adeus a todos os seus bens desta terra: você terá de deixar todos os seus bens a outrem: “e o que te
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