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A musica na escola

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1. MINISTÉRIO DA CULTURA E VALE APRESENTAM GISELE JORDÃO RENATA R. ALLUCCI SERGIO MOLINA ADRIANA MIRITELLO TERAHATA (COORDENADORES) ALLUCCI & ASSOCIADOS…
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  • 1. MINISTÉRIO DA CULTURA E VALE APRESENTAM GISELE JORDÃO RENATA R. ALLUCCI SERGIO MOLINA ADRIANA MIRITELLO TERAHATA (COORDENADORES) ALLUCCI & ASSOCIADOS COMUNICAÇÕES SÃO PAULO - 2012 ISBN: 978-85-61020-01-9 PATROCÍNIO REALIZAÇÃO ALLUCCI & ASSOCIADOS C O M U N I C A Ç Õ E S
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  • 3. 3 O brasileiro tem uma ligação muito forte com a música. Ou melhor, com as diferentes músicas produzidas, tocadas e escutadas em cada região do País. Desta forma, quando se anuncia a volta de uma disciplina como Música para o currículo das escolas, a primeira reação, em geral, é de euforia. Pesquisas apontam que a grande maioria da população vê com bons olhos a lei que a torna obrigatória na formação acadêmica de jovens e crianças. Cientistas acreditam que a música possi-bilita o cérebro para formas superiores de raciocínio. Aliado a isso, as novas gerações poderão transformar nossa sociedade com mais criatividade, equilíbrio, alegria e cultura. Mas este livro não chega apenas para comemorar a Lei nº 11.769 ou lançar um olhar lúdico sobre o tema – mesmo que ele seja inerente à disciplina. Em “A Música na Escola”, convidamos você a embarcar em rodas de conversas, para – munido de informações, opiniões e pontos de vista – assumir o papel de mediador das informações aqui dispostas. Com um forte caráter pedagógico, já que tem como uma de suas vertentes amadurecer a discussão sobre como a disciplina deve ser con-duzida em sala de aula, “A Música na Escola” abrange questões históricas, cognitivas, conceituais, físicas e sociológicas, servindo como porta de entrada para profundas e fundamentais discussões sobre como oferecer uma educação musical adequada. Este material foi preparado considerando-se as diversas realidades brasileiras para o ensino de música na escola, esta - belecendo contribuição inicial para o professor que estará em sala de aula apresentando a música para os estudantes, bem como para os envolvidos no processo de planejamento de aulas, de discussão de conteúdos e afins. Os obstáculos e desafios são enormes, mas suas soluções estão na própria força motora do País: os cidadãos. Ao apoiar este projeto, a Vale se mobiliza e convoca os interessados para uma discussão em que a disciplina se concretize como uma grande ferramenta para o desenvolvimento pleno desses jovens, e que aconteça a condução de cada estudante brasileiro a uma história com experiências mais felizes.
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  • 5. 5 Escutar. O verbo mais utilizado e praticado neste projeto. Em um primeiro momento, escutamos que o ensino de música voltaria às escolas do ensino básico. Felizes com o acaso por unir as vertentes que movem nossos trabalhos, cultura e educação, escutamos, então, uma a outra, na busca da melhor maneira para contribuir com esse processo, tão importante e oportuno. Neste momento, nos demos conta da abrangência, da responsabilidade e de nossa vontade de acertar. Percebemos, então, que teríamos que escutar muito além de nossos corações. Idealizamos o projeto, o apresentamos ao Ministério da Cultura, que nos escutou e ofertou a possibilidade de reali-zá- lo com os benefícios da lei de incentivo. Mais um passo dado, foi a vez de escutar um sim de nosso patrocinador, que acolheu A Música na Escola com todo o carinho e o respeito e, assim, começou a tornar real esse empreendimento. Vale, nossos mais sinceros agradecimentos por partilhar o escutar conosco. Foi tempo de Sergio e Adriana nos escutarem para que, da maneira que desejávamos, nós escutássemos a eles. Mais que esperado, os dois brindaram o trabalho com seus inestimáveis conhecimentos musicais e educacionais. Queridos parceiros, foi com a contribuição de vocês que esta discussão ganhou, definitivamente, corpo e direção. Os quatro reunidos fomos à busca de contribuições valiosas, celebradas por nossos hábeis colaboradores, que nas rodas de conversa, nos artigos e nas práticas generosamente trabalharam com suas presenças, seus escritos, seus con-teúdos e, principalmente, com seu otimismo. Queríamos escutar mais e mais; percebíamos a pertinência de nossa ideia inicial a cada voz que se levantava na desmistificação do fazer musical, na escuta que ia revelando a música, a música dos sons e do silêncio, das paisagens, dos instrumentos, do corpo e da voz. Com esta contribuição para A Música na Escola, esperamos que nossa escuta se transforme em conhecimento para todos aqueles que, como nós, partilharem do resultado destes encontros. Este conteúdo foi pensado, principalmente, para os professores brasileiros. E é deles que ficamos, agora, na expectativa de escutar as opiniões, sugestões e críticas, para que possamos completar este ciclo e, torcemos, abrir muitos outros, plenos de escutas e vozes. Gisele Jordão e Renata R. Allucci Escutar
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  • 7. Um dos principais desafios para o homem neste início de século XXI é o de repensar os modelos de educação vigentes, de modo a preparar os estudantes para um panorama que se apresenta hoje muito distinto daquele que tínhamos há vinte anos. Como cotejar, de maneira viva e atualizada, as múltiplas vias que se abrem a partir dos avanços tecnológicos sem abrir mão de determinados fundamentos imprescindíveis para um desenvolvimento humano amplo? Se no contexto da sociedade presente colocam-se – como temas urgentes – a consolidação de um desenvolvimento sustentável e um maior comprometimento solidário nas relações, a transformação desse cenário global passa necessaria-mente pelo fortalecimento da formação de cada indivíduo e, consequentemente e para tanto, pelo fortalecimento da edu-cação como um todo. Nesse sentido, a educação musical, agora oficialmente reincorporada ao ensino básico em nosso País, mostra-se como uma das ferramentas preciosas para a real efetivação desses anseios. Dependendo de como é vivenciada, a prática musical apresenta-se como laboratório privilegiado para o exercício de determinadas qualidades transversais a toda educação, como a cooperação, a paciência, a gentileza, a relativização da com-petição, a escuta de si e do outro. O desenvolvimento de tais qualidades é, paradoxalmente e ao mesmo tempo, responsa - bilidade pertinente a todas as disciplinas e a nenhuma delas exclusivamente. Mesmo sabendo que podem (e devem) ser trabalhadas em todos os campos, na música essas qualidades são quase sempre pré-requisitos, engrenagens, encaixes para um movimento conjunto. Além disso, a prática musical é também especialmente propícia para o fluir da criatividade, e pode trabalhar, sem grandes obstáculos, o exercício da liberdade com responsabilidade. Ancorada em matrizes e tradições sólidas – nem sempre exteriormente visíveis em sua superfície – a música produzi-da e ouvida hoje se manifesta em múltiplos vivos vieses que se renovam continuamente. De ouvidos abertos a essa plura - lidade, nosso “A Música na Escola” abre espaço para uma educação musical que espelhe e filtre esse fazer multifacetado, abrigando generosamente a variedade dos métodos e repertórios. E não é justamente aí que reside, resiste e se insinua a riqueza da cultura do nosso País? Não é o Brasil o território porto seguro para os amálgamas, onde as peculiaridades das culturas, sejam elas de origem indígena, europeia ou africana, se entrecruzam e se espraiam, dando forma a uma vasta gama de sotaques, sabores e ritmos? QUATRO BLOCOS – DEZ ABORDAGENS Tendo essas referências como norte para a organização desta publicação, levantamos conteúdos e definimos tópicos, que geraram e resultaram nos temas das dez rodas de conversa que constituem o eixo de nossa proposta. Os dez temas relacionados ao ensino de música foram explorados, passo a passo, por um total de 26 colaboradores, todos com experiên-cias no fazer e particularidades no observar. Na maioria dos casos, os colaboradores foram convidados a refletir, num primeiro momento, sobre um determinado tema produzindo um artigo conciso, pontuando e aprofundando seu recorte. Os 22 artigos inéditos aqui disponibilizados estabeleceram e focalizaram os pontos de partida para as posteriores dis-cussões das rodas de conversa. 7 Sergio Molina Vozes e ouvidos para a música na escola
  • 8. As dez abordagens de conteúdo foram reunidas em quatro grandes blocos: A) Justificativas de por que música na escola (rodas de conversa 1 e 2); B) Fundamentos da educação musical (rodas de conversa 3 e 4); C) A música do Brasil e do mundo (rodas de conversa 5 a 7); D) A educação com música (rodas de conversa 8 a 10). De antemão, esclarecemos que não consideramos que os dez temas devam necessariamente ocupar espaços equi valentes em um projeto de educação musical. A opção pela pluralidade apenas sugere que a educação pela música, e para a música, se faz mais abrangente se contemplada por vários ângulos. E não há contradição entre a opção pela pluralidade e a necessidade de especialização em alguns ou vários dos tópicos ora levantados, uma vez que no cursar dos mais de 12 anos que compreendem o ensino básico na escola, haverá tempo e espaço suficientes para vivências distintas, que poderão ser conduzidas por professores especializados em diferentes linhas comple-mentares1. Princípios e fins: blocos A e D No Bloco A – “Justificativas de por que música na escola” – as rodas de conversa 1 e 2 (“Por que estudar músi-ca?” e “Música, neurociência e desenvolvimento humano”) propõem um olhar investigativo para a questão. Sem entrar neces sariamente nas minúcias dos métodos e conteúdos, procuram os princípios estruturadores que perme-ariam as ações pedagógicas e seus reflexos nos estudantes. O Bloco D, na outra extremidade, também não se debruça obrigato ria mente sobre a discussão de métodos e conteúdos, mas se volta, por intermédio de tópicos específicos, a um pensar da música em um contexto educacional que se expande para além da própria música. É esse o espaço destinado para a discussão sobre quem será esse educador que estará no dia a dia à frente das clas - ses (roda de conversa 8), para um olhar verdadeiramente amplo e eficaz para a questão da inclusão (roda de con-versa 9) e para as possibilidades de inter e transdisciplinaridades que a música pode suscitar quando absorvida nas escolas (roda de conversa 10). Os meios: blocos B e C Já os blocos centrais, B e C, propõem um enfrentamento direto das questões “como” ensinar música e “o que” ensinar. O embate sadio entre os métodos de educação musical – sejam os “tradicionais” (roda de conversa 3) ou “criativos” (roda de conversa 4) – e as possibilidades de repertório (rodas de conversa 6 a 8) pressupõe um fazer que traba lhe em dupla via, tanto das partes para o todo quanto do todo para as partes. O equilíbrio com liberdade nesse trilho tênue poderá oferecer oportunidades, ora para desenvolver os processos de musicalização (sem sobrevalorizar as expectativas pelo resultado), ora para trabalhar criativamente a apreciação de obras referen - ciais, sejam do repertório popular urbano e de tradição mais regional, sejam clássicas ou de culturas mais afas-tadas. Atentar criteriosamente para a multiplicidade dessas sonoridades estimula o estabelecimento de conexões revisitadas com os métodos de educação musical, conexões essas que terão que se erguer e sustentar através de adaptações vivas e pontuais, para cada classe de alunos, localização geográfica e momento. A leitura das rodas de conversa e artigos que se seguem mostrará que, mesmo quando convidados inicial-mente para especular nos recortes, nossos colaboradores, amparados por suas experiências “de campo” na área musical, não se esquivaram de refletir sobre a complexidade das soluções de ordem prática, estabelecendo sugesti-vas tramas polifônicas entre os temas. 8 Sergio Molina 1 Se fôssemos sugerir uma “escuta musical” para os quatro blocos do “A Música na Escola”, poderíamos constatar a estruturação de uma macro-forma A-B-A’, onde B abarcaria os blocos B e C e o A’ final (Bloco D) retomaria em contraponto motivos temáticos gerados pelo primeiro A (Bloco A).
  • 9. PRÁTICAS O leitor – professor, coordenador de curso, estudante – que se deparar com as 39 práticas de educação musical su geridas por este projeto, não encontrará aulas de violão, piano, flauta, violino, ou de qualquer outro instrumen-to. Assim como os debates e artigos, as práticas aqui reunidas refletem uma espécie de consenso tácito entre os edu-cadores: o de que o objetivo da música na escola não é o de formar instrumentistas (função que poderia ficar mais a cargo das escolas de música). Assim como a aula de Matemática na escola, por exemplo, não objetiva a for-mação de matemáticos, a aula de música não teria como primeiro fim um treinamento de músicos2. A maioria dos 24 educadores convidados organizou suas aulas em atividades coletivas por meio das quais a musicalidade latente de cada aluno é estimulada através de vivências e práticas interativas. Para exercer tais atividades, os alunos necessitam, em geral, apenas do próprio corpo (incluído aí, a voz), espaço livre – quase sem-pre com a sugestão de se afastar as carteiras na classe – a formação em semicírculo e um bom aparelho para ouvir música. Cuidamos apenas de tentar contemplar diferentes faixas etárias (infantil, ensino fundamental e médio) e, na medida do possível, equilibrar atividades que explorassem diferentes parâmetros musicais (noções de tempo, altura, intensidade, timbre, forma, criação, improvisação, interpretação, grafismo e leitura musical). As práticas disponibilizadas não devem ser tomadas como uma “proposta curricular”. São 39 descrições crite-riosas de trabalhos de educadores musicais, muitos deles com larga experiência de atuação no dia a dia da sala de aula, que aqui reunidos podem proporcionar o entendimento de quão vastas, criativas e eficientes podem ser as abordagens. Ao se deparar com este conjunto, o jovem professor poderá também constatar a necessidade de am - pliar, reciclar ou especializar sua própria formação como educador. E a familiarização de um professor com uma determinada prática poderá servir também como “porta de entrada” para a leitura de uma roda de conversa, arti-go, e da bibliografia oferecida, pois a maioria das aulas estabelece algum vínculo, direto ou indireto, com os dez temas elencados. CODA Orquestrando a diversidade, este “A Música na Escola” acolhe a polifonia das ideias acreditando no decorrente entrelace silencioso de suas teias, com o intuito de pensar uma educação musical que, reverenciando o passado, construa-se no presente, de modo a prover de autonomia as crianças para o enfrentamento e a invenção do futuro. Parte do sucesso dessa jornada passa provavelmente por encarar a questão não como um grande problema a ser solvi-do, mas como um estimulante desafio a ser enfrentado; uma oportunidade inédita para contribuirmos coletivamente de forma qualitativa e significativa para a formação dos brasileiros deste século XXI, dando voz aos educadores e ouvidos aos estudantes. 9 Vozes e ouvidos para a música na escola 2 O que não quer dizer que o estudo de um instrumento não seja importante na formação musical. Se em alguns contextos o desenvolvimento de habilidades motoras específicas (vin-culadas a algum determinado instrumento) pode se apresentar como uma primeira dificuldade e até um impedimento para o desenvolvimento da musicalidade, em outros, é justamente por intermédio de um instrumento que o estudante encontra vias fluentes para sua expressão musical.
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  • 11. Quando o ensino de música voltou a ser obrigatório no Brasil e sua efetiva implementação definida para agosto de 2011, nos deparamos com uma inquietante pergunta: qual o sentido da música na escola? Lançamo-nos ao desafio de tentar respondê-la reunindo profissionais da área de música e da educação que também se sentiram desafiados e, em uma atitude generosa, decidiram compartilhar seus pensamentos e fazeres. A experiência de ouvir estes diferentes educadores, músicos, educadores musicais; de perguntar, pensar juntos sobre a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas brasileiras, remeteu-me ao trabalho das fiandeiras. Ao fiar e desfiar fios constituindo um tecido... Nossa vivência também foi de fiar, de (com) fiar! O tecido é produto de uma tensão – a urdidura e a trama – na educação, a referência e o movimento respectivamente. Tecemos a educação nesta tensão de uma relação assimétrica entre adulto-jovem. Tecer os fios da educação requer paciência, assim como Penélope que tecia o manto à espera de Ulisses, trabalho interminável... A Educação como um tecido, uma trama feita por múltiplos fios que vão, a cada segundo, conferindo uma nova textura, um novo desenho... A educação passa pela questão de ser, de se tornar humano. Educar, portanto, não se restringe a determinados assun-tos, muito menos em abordar temas específicos ou em ser estabelecido como um processo realizado de modo fixo, nem tampouco a ser realizado, apenas, por instituições específicas. É nesta perspectiva que revisitei o que foi dito e escrito sobre a música na escola ao longo deste projeto, apontando, de alguma forma, as possibilidades e desafios que foram apresentados. Se, como afirma Carvalho (2007:21), em conformidade com o pensamento de Hannah Arendt, o papel do professor é ensinar: iniciação deliberada e sistemática nas linguagens, procedimentos e valores referentes tanto a sua área de conhecimento quanto à cultura e aos valores da escola. Qual o papel do educador de música? Quem é ele? Qual sua formação? Outro aspecto a ser considerado é que também existem, como lembra o autor (2007:20), várias instituições forma-tivas e maneiras de acolher os novos, no entanto, em cada caso, variam-se os procedimentos e os objetivos. Nesse sentido, ensinar na “escola de música” é diferente de se ensinar na “escola convencional” onde a matéria músi-ca irá conviver com todas as outras que já fazem parte do currículo educacional. Como será esta convivência? De fen de - mos uma interrelação profunda e significativa, isto é, que todos os fazeres educacionais dialoguem entre si para um co - nhecer melhor o mundo, para melhor estar no mundo... Vou me valer de uma afirmação de Hannah Arendt em seu texto Sobre a Educação para fomentar tais reflexões: A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a respon sa bi - lidade por ele, e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos no - vos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las aos seus próprios recursos e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar o mundo comum. (2001: 247) 11 Adriana Miritello Terahata Música na escola: uma experiência de (com) fiar
  • 12. Acredito que nesse inquietante pensamento de Hannah Arendt, residem alguns aspectos fundamentais de serem pensados ao se propor o ensino de música nas escolas. Ao nos indagarmos se amamos o mundo o bastante..., pergunto: a que mundo estamos nos referindo? E, no mesmo sentido: de que criança estamos falando? Pensar a educação é nos debruçarmos amorosamente sobre essas questões e, por se tratar de uma relação de se ensi-nar e se aprender, respondermos, de alguma forma, a elas: que mundo queremos apresentar para as crianças e que crian - ças que remos educar? Hannah Arendt (2001) afirma que não podemos deixar as crianças entregues aos seus próprios recursos, isto é, temos responsabilidade em ensinar o maior número possível de recursos para que as crianças tenham condições de lidar com o maior número de possibilidades. Isto não significa dizer que “doutrinaremos” os pequenos prevendo situa - ções e simulando reações, mas implica dizer que as crianças, ao experimentarem uma diversidade de situações no âmbito protegido da escola, poderão desenvolver tais recursos. Isto também significa por à disposição
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