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A natureza da arte ESPECIAL. Arte Pará, ano 34, sob curadoria de Paulo Herkenhoff, integra experiências através das obras que se exibe para nós.

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ESPECIAL BELÉM DOMINGO 11 DE OUTUBRO DE 2015 A natureza da arte Arte Pará, ano 34, sob curadoria de Paulo Herkenhoff, integra experiências através das obras que se exibe para nós. 2 3 Imagem de Luiz Baltar,
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ESPECIAL BELÉM DOMINGO 11 DE OUTUBRO DE 2015 A natureza da arte Arte Pará, ano 34, sob curadoria de Paulo Herkenhoff, integra experiências através das obras que se exibe para nós. 2 3 Imagem de Luiz Baltar, na capa. Presidente Lucidéa Batista Maiorana Presidente Executivo Romulo Maiorana Jr. Diretor-Editor Corporativo Ronaldo Maiorana Diretora Administrativa Rosângela Maiorana Kzan Diretora Comercial Rosemary Maiorana Diretor Industrial João Pojucam de Maraes Filho Diretor Redator-Chefe Walmir Botelho D Oliveira Diretor de Novos Negócios Ribamar Gomes Diretor de Marketing Guarany Júnior Diretores José Edson Salame José Luiz Sá Pereira Fundação Romulo Maiorana Presidente Roberta Maiorana Assistente Executiva Fabricia Sember ESPECIAL Edição e Textos: Vânia Leal Edição de Arte: Cauê Moreno Fotos: Iwabuchi End. Av. Romulo Maiorana, 2473 Marco. CEP Tel.: Papo Dez Papo Dez O Arte Pará ao longo de seus 34 anos, desenha uma trajetória de mudanças estruturais em seu conceito, fruto do diálogo entre curadores, artistas, produtores, pesquisadores, educadores e gestores da instituição. O resultado se constitui de ARTISTAS CONVIDADOS E SELECIONADOS Anna Maria Maiolino Ayrson Heráclito Bárbara Wagner e Benjamin de Búrca Carlos Mélo Cristiano Lenhardt PATROCÍNIO: uma retroalimentação com deslocamentos e desafios em seu processo vivo e contínuo, que não atende uma ação tradicional de salão permanente e estável mas, buscar artistas emergentes no Brasil. Cada vez mais, fortalece a premissa na convocação do público para Daniel Lie Elza Lima Fabiana Faleiros Francisco Klinger Carvalho Luiz Baltar Luiz Braga interagir e fertilizar o terreno para que, muitas gerações depois, se cumpra com uma revisão da função social da arte. Os curadores pedagógicos são os embaixadores do grande público e provocam maior permanência e extensão à ação educativa. qualquer quoletivo Rafael RG Romy Pocztaruk Virgínia de Medeiros Yuri Firmeza Wagner Barja APOIO CULTURAL Governo do Estado do Pará Secretaria de Estado de Cultura Secretaria de Obras Públicas Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos do Município de Belém Sistema Integrado de Museus O Liberal na Escola Sol Informática REALIZAÇÃO: 34ª Edição Arte Pará Da exposição para a história O ano de 2015 representa um importante passo no processo evolutivo do Arte Pará e no atendimento dos valores e metas da Fundação Romulo Maiorana: ter a arte como foco central para a cidadania, mediar caminhos de oportunidades, a liberdade de ações e expressões e o respeito à diversidade. Nesses 34 anos, desenvolve competências no sentido de buscar qualidade em todos os segmentos do projeto. História e memória Se fizermos um recuo na história e memória do Arte Pará, vamos lembrar que nas edições anteriores os artistas entregavam a obra física para avaliação do júri (pinturas, desenhos, esculturas, gravuras, fotografia entre outras categorias). Posterior, veio o portfólio impresso. E logo depois, o portfólio online. Artistas de todo o país enviavam seus projetos e havia uma seleção geralmente formada por três júris convidados e mais o curador geral. Nessa edição, a equipe do Arte Pará baseada em constante diálogo com o curador geral Paulo Herkenhoff, decidiu mudar o formato. Convidou Paulo Herkenhoff, curador geral do arte pará três curadores para desenvolver o seguinte projeto: Armando Queiroz ficou responsável em convocar 20 artistas das regiões Norte e Centro Oeste. Bitu Casunde teve sua base na região Nordeste e Pablo Lafuente na região Sul e Sudeste. Assim, em Julho, os três curadores se reuniram no Rio de Janeiro juntamente com o curador geral Paulo Herkenhoff e definiram a edição do Arte Pará 2015 com 16 artistas. A artista convidada é Anna Maria Maiolino. Sobre Maiolino Paulo Herkenhoff nos diz: Anna é uma das figuras centrais da Arte Brasileira. É um privilégio para o país ter uma artista como ela, com uma densidade psicológica ímpar e um discurso mais interiorizado que se constitui no feminino. Não estamos falando só de uma arte brasileira, estamos diante de uma grande artista. Belém terá um momento privilegiado. É uma reflexão sobre proximidades estéticas e divergências conceituais. 4 5 Sacudimento Da África ao novo mundo Faz que vai Corpo, gênero e dança. O artista Ayrson Heráclito que mora em Salvador- BA, traz em sem trabalho, Os Sacudimentos: a reunião das Margens Atlânticas, e assim promove O Sacudimento da Casa da Torre e O Sacudimento da Maison des Esclaves em Gorée que formam um díptico (combinação de duas imagens que estabeleça algum tipo de relação. Sendo que esta relação pode ser de sequência da foto ou de significados entre si). O eixo central é o «sacudimento» ou o «exorcismo» de dois grandes monumentos O Sacudimento da Casa da Torre Díptico I_2015 O Sacudimento da Maison des Esclaves em Gorée Díptico I, 2015 arquitetônicos ligados ao tráfico atlântico de escravos e à colonização. O artista fez duas performances pensadas como um díptico. Ele nos diz. Essa duplicação da ação performática, em cada margem atlântica, foi percebida como uma proposta articulada de intervenção em dois grandes monumentos arquitetônicos; um associado ao antigo sistema colonial português, no caso da Casa da Torre dos Garcia d Ávila, na Bahia, e o outro ao sistema escravista que ligou a África ao Novo Mundo, no caso da Maison des Esclaves [Casa dos Escravos], na ilha de Gorée. Aryson diz ainda: Esse questionamento que eu me fazia tinha, no entanto, de ser proposto e efetuado por meio de linguagens artísticas, como a performance, a linguagem fílmica e a fotografia. Para o artista produzir seu trabalho significa refletir sobre questões do escravismo e a prática do sacudimento, realizada todos os dias na cidade da Bahia e no Recôncavo por tantas pessoas ligadas às religiões de matriz africana. O trabalho do artista está no Museu do Estado do Pará (MEP). Bárbara Wagner (Brasília, Brasil) e Benjamin de Burca (Munique, Alemanha) vivem entre Recife e Berlim. No Arte Pará apresentam o videoinstalação Faz que vai em que entrecruzam questões de corpo, gênero, com a dança típica do Nordeste brasileiro ao ressaltar quatro personagens [Tchanna, Bhunno, Ryan e Edson] que executam variados ritmos coreográficos, como o funk, brega, swingueira, quadrilha em conjunto com o frevo. Bitu Cassundé reforça ao dizer: Nesse trabalho, enquanto elemento pulsante da cultura local, o frevo instiga relações entre patrimônio e produto, numa nova construção de subjetividade, que implicam em questões tradicionais, econômicas e sociais. Os artistas operam nas narrativas documentais com objetivo de olhar com atenção as relações multifacetadas entre tradição e progresso vivenciadas em economias emergentes. Os artistas se concentram ainda em práticas coletivas e rituais tradicionais que perdem sua conotação de resistência simbólica e política para se tornarem produtos da indústria de turismo e entretenimento. O corpo, câmera e movimento se relacionam no espaço e o registro da dança Faz que vai faz uma leitura do sentido do carnavalesco presente em diversas estratégias de preservação do Frevo como imagem, patrimônio e produto. Originalmente ligado à ideia de resistência, inerente aos movimentos de Capoeira performados na frente de bandas militares nos carnavais do início do século XX, hoje o Frevo é expressão cultural quase-acrobática celebrada como tradição autêntica de Pernambuco. Reconhecida em 2012 pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade a dança sai, em definitivo, das ruas para o palco, e suas formas de representação passam a ser fortemente promovidas pelo poder local como o maior espetáculo da economia da região. Para além da desconstrução dessa forma celebratória, FAZ QUE VAI que toma o nome de um passo de Frevo articula os modos pelos quais novas subjetividades implicam essa forma de tradição popular, diz os artistas Barbara e Búrca. 6 7 Mediação Arte Pará Arte apreciada de maneiras distintas: uma ação de estar entre muitos O que está por trás do termo mediação? Os múltiplos sentidos nos fazem ser investigador para perceber as camadas de suas significações. Mirian Celeste Martins foi buscar a origem da palavra e nos esclarece: De raiz grega medhyo - que está no meio - e latina medius, a, um que está no meio, no centro; que concilia opostos; que observa neutralidade, indica intercessão, intervenção, mediação -, o termo tem sido usado no senso comum como uma ponte entre dois. No educativo Arte Marisa Mokarzel, curadora e pesquisadora Pará estamos trabalhando com esse conceito há um bom tempo, e a cada edição temos estudado suas significações e o mais importante: provocar no grupo de mediadores envolvidos na formação Arte Pará, o conceito na própria experiência. Aliar à mediação o conceito de cultura gera mais conexões. Então, mediação cultural se dá tanto na relação com o contexto cultural da obra como no contexto cultural de quem é afetado por ela. Assim, nossa construção no projeto educativo Arte Pará foi conectado a uma ação de estar entre muitos. Não é entre dois, como um elo entre aquele artista e aquele que lê. Entre muitos não mede quem sabe mais, e sim em meio a uma rede ampla de pensamentos, histórias atualizadas constantemente na seguinte plataforma: em uma ação fundamentada que se renova a cada edição para que os estudantes estejam entre : as obras dos artistas e as conexões com o acervo do museu. Entre a figura do artista. Do curador. Dos textos expositivos. Entre o interesse gerado pelo Arte Pará. Entre o crítico. Entre as mídias pedagógicas. Entre os percursos escolhidos pelos professores. Entre as opiniões. Entre as vozes internas com um grande desejo de provocar no outro, uma experiência com a arte, já que ela é fundamental e nos ensina a ver. A formação do educativo imbuída nesse foco convidou Mariana Kellerman, Márcia Pontes, Val Sampaio, Marisa Mokarzel, Armando Sobral e ainda a artista visual de São Paulo Elen Grubber, Luana Machado e Paula Sampaio para aliarem-se à curadoria educacional do Arte Pará num fórum dinâmico de trocas e reflexões no ensino e aprendizagem em arte contemporânea para ver, significar e viver arte e cultura. Nessa construção colaborativa, o projeto Arte Pará firma parceria com a SETRANS- Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém que coloca à disposição das escolas estaduais, municipais e particulares, ônibus pela manhã e tarde durante os dois meses de exposição para fazer o translado dos estudantes das escolas para os museus. Armando Sobral, ateliê do porto A ação, conversa aproximada dos artistas sobre seus processos de trabalhos com o público escolar, firma-se cada vez mais como momento articulado que puxa fios de conexões que encoraja o público a levantar pontos de vista diversos, problematizando para todos os envolvidos o convívio com a arte. Ver, ouvir e sentir isso de perto é uma experiência única. Às quintas-feiras, escolas agendadas poderão interagir com o fazer artístico. Uma equipe preparada do núcleo Educação Arte Pará vai promover ações educativas pensadas e planejadas a partir dos trabalhos dos artistas. O Projeto arte Pará é um projeto que já está incluso no calendário escolar da cidade, e a curadoria, pesquisa, artistas, e mediadores se prepararam para estabelecer relações a partir de cada ação. Afinal, todos têm a responsabilidade de facilitar a comunicação e a apreciação. Queremos que o público visitante tenha experiências distintas. Todas serão importantes. Nenhuma melhor que a outra, apenas diferentes. Isso torna a arte especial. 8 9 Do que permanece Imagens que nos fazem pensar em imagens diversas As mostras do Arte Pará estão em diversos pontos da cidade, formando um circuito artístico convidativo que envolve vários espaços - Museu do Estado do Pará, Casa das Onze Janelas e Museu Paraense Emílio Goeldi Rocinha. Esses espaços no período de outubro a dezembro promovem diálogos e propostas educativas aliadas aos trabalhos de artistas de diversas partes do País. No Museu Paraense Emílio Goeldi o Arte Pará, neste ano, integra sentidos entre ciência, arte e natureza às representações artísticas contemporâneas. A exposição Do que permanece vem contribuir com essa questão agregando maior conhecimento sobre questões de história e memória de nossa região e imagens que nos fazem pensar em imagens. Três artistas dialogam com a ciência e a arte A artista Romy Pocztaruk transforma ciência em arte. Pra ela fazer uma expedição entre a ciência e a arte resulta em imagens de campos diferenciados. O vídeo Manual do Mundo: motor (Link para o vídeo: https://vimeo. com/ ) iniciou quando a artista assistiu Manual do mundo, um dos canais do YouTube, que ensina experiências e se assemelha com O mundo de Beakman, um programa de televisão que trazia um pesquisador explicando fatos científicos de maneira engraçada e dinâmica. O artista Carlos Mélo com o vídeo Emissão se apropria da narrativa do crítico francês Pierre Restany que escreve um texto fundamental para reflexão contemporânea da arte brasileira: o Manifesto do Rio Negro, no qual define e estrutura o conceito de Naturalismo Integral ao contrapor realismo e poder. Ao se apropriar Mélo provoca uma desordem ao emitir uma voz feminina num auditório e ao microfone a leitura do texto. Já Yuri Firmeza com o vídeo Vida da minha vida coloca na roda de discussão a ideia de ruína, pelo apagamento da memória. O artista opera em um plano particular no processo do Alzheimer do qual sua avó é portadora. As camadas de tempos e com essas o emaranhamento entre memória e esquecimento. O curador Bitu Cassundé sobre o artista diz: O corpo de sua avó em uma dimensão visceral. A potência na fragilidade do corpo de sua avó boiando na piscina, marcado por rugas acentuadas que não são meras presenças do passado a ser resgatado como lembrança do que já não é mais. Assim, o artista entende e trabalha em seus vídeos a ruína não como o que está estagnado, cristalizado e imutável. A ruína é um bloco heterogêneo e provisório de tempos não lineares. Nada é, tudo foi ou será. Três artistas de lugares distintos se aliam e atravessam uma linha do tempo sem fim: dos que se foram, dos que ficaram e dos que estão por vir. O conflito é forte e pulsante entre o real e o ilusório. 10 11 Fluxos Paisagens mutantes O ritual Arte como convivência O artista Luiz Baltar mora em Bonsucesso (zona Norte do Rio de janeiro) e trabalha em Botafogo (zona Sul). Nesse percurso que cruza a cidade, ele passa horas dentro de ônibus. Ao invés de ficar desassossegado, aproveita o tempo para capturar imagens que passam e refletem na caixa de vidro do ônibus. As fotografias são expandidas no formato de longos instantâneos. O congestionamento cria distorções: espaciais e temporais. A própria cidade que observa, se transforma no mesmo ritmo das cenas na janela. Esse movimento por vezes, é não linear; por vezes, caótico; raramente, porém, retilíneo e uniforme. Distâncias, velocidades e acelerações inconstantes. As imagens capturadas são achatadas, alongadas ou se repetem sem controle, como se fossem eventos no tecido espaço-temporal (quadridimensional) da relatividade. Elementos são interrompidos de maneira brusca. Surgem, assim, os fantasmas e brotam ruídos inusitados. Durante a captação de imagens que dava corpo ao projeto de panorâmicas o artista diz: Comecei a perceber o transporte coletivo como um espaço afetivo e sensorial privilegiado para entender a cidade, as constantes transformações do espaço urbano e as relações dos moradores. A caixa de vidro e ferro que me transporta, passou aos poucos a ganhar importância. Deixou de ser um espaço de confinamento para significar também um tempo para contemplação e reflexão. Outro ponto de observação do artista são os elementos do interior do ônibus que alargam a relação sensível com o espaço como: os passageiros e suas particularidades que também interferem no espaço coletivo. Os elementos materiais como as barras horizontais e verticais que dividem e assinalam os limites do espaço propiciando composições. Sobre essas anotações, Luiz descreve: A luz que entra em grande quantidade pelas laterais envidraças modelando e projetando sombras; as janelas que refletem o interior ao mesmo tempo que mostram a paisagem que corre. A poética dessas inúmeras paisagens mutantes, que Baltar evoca no percurso de seu cotidiano, são pontuais em criar um deslocamento inesperado entre o visível e instâncias sensoriais. Fluxos de Baltar abre frestas para nos fazer pensar sobre o que não se deixa ver entre a manifestação da realidade e as camadas do mundo à nossa volta. A escolha do local para execução de seu trabalho é sempre um espaço de convivência? Fale sobre esta proposta. Para chegar escolha do local que irá receber o trabalho geralmente há uma negociação entre a instituição e eu. Do momento que está definido preciso presenciar o ambiente por alguns dias, a partir daí começo a planejar. Na minha experiência a ideia da obra vem até que rápido, o processo e como vou realiza-la que é o mais detalhado. Para Belém houve a intenção de escolha para um lugar? Já para o 34º Arte Pará, não conhecia o espaço pois, nunca vim para Belém antes. O curador Pablo Lafuente me enviou fotos e pesquisei pela internet antes sobre a história do MEP. Por conta de nunca ter Daniel Lie vivenciado a cidade e o local do trabalho, achei crucial vir para Belém do Pará com duas semanas de antecedência para desenvolver a obra. Já tinha tido algumas ideias prévias do que vai ser a obra, mas muito é definido no espaço e no fazer. A proposta inicial é realizar uma instalação entre as colunas que estão próximas ao jardim interno do MEP e que esse trabalho tenha seu processo criativo encerrado com o público. A partir daí estou integrando elementos das minhas vivencias no passado o espetáculo e o ritual trabalhei anos em festas da cena noturna paulistana considerada alternativa e hoje tenho frequentado festas terreiros de matrizes africanas. Considero ambas rituais fortíssimos e a intenção da obra Podre Show é misturar elementos estruturais das duas experiências. Os materiais utilizados passam constantemente por mudanças. Como se dá o pensamento criativo a partir desses materiais? Tenho a intenção de trabalhar com a realidade e deixar a realidade esclarecida. Para tal comecei a perceber aspectos da vida e relacionei com arte, e vice-versa. Como tudo é passageiro, hoje coloco no espaço elementos que carregam o tempo em si, por isso elementos orgânicos como frutas e plantas. 12 13 Dito Escuro Silêncio e esquecimento Real e a imaginação Entre fabulações e realidade Rafael RG, desde 2011 pesquisa os cervos do Arquivo Público do Estado de São Paulo, principalmente o jornal carioca Última Hora, criado em 1951 por Samuel Wainer, jornalista paulista que faleceu em No percurso da pesquisa encontra oito imagens que compõe a série que está no Arte Pará denominada de Dito Escuro. Este fato ocorreu no ano de 2013 e quando o artista encontrou a pasta com as oito imagens. Percebeu que estava classificada com o seguinte título: antisemita - racismo e os personagens das imagens eram negros e estavam associadas à situações de preconceito racial. Como artista pesquisador, digitalizou o material em seu acervo pessoal, porém, no primeiro momento, preferiu deixar em estado de espera para refletir melhor sobre o que fazer com ele. Preconceito Racial Um fato em especial fez o artista usar este arquivo: Ao passar por uma situação vergonhosa de preconceito racial, percebeu que o material seria a resposta que buscava para, através de seu trabalho em arte, falar sobre este tipo de acontecimento. Ao fazer a primeira apresentação de Dito Escuro, o artista inclui novos elementos ao trabalho devido à experiências pessoais e acontecimentos que vivenciou. Paralelo às fotografias encontradas, o artista leu um texto que citava uma charge do jornal argentino Crítica. Em 2014, quando passou um mês em residência artística em Buenos Aires, foi à Biblioteca Nacional Argentina em busca desse material. O artista diz que a pesquisa em
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