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A peregrinação de Chris Two

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percorreu todo o corpo de Chris e este, completamente rendido aos encantos do Anjo, retribuía carícias, beijos e suspiros. Aos poucos, os corpos fundiram-se,…
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percorreu todo o corpo de Chris e este, completamente rendido aos encantos do Anjo, retribuía carícias, beijos e suspiros. Aos poucos, os corpos fundiram-se, primeiro em lentos movimentos, depois em acelerados gestos e finalmente em espasmos loucos e violentos, até que um choque súbito percorreu os dois seres. Caíram numa estranha sonolência, mistura de prazer e cansaço ofegante, ficando entrelaçados, num sepulcral silêncio, entrecortado por beijos, carícias e suspiros. “Vamos percorrer o Paraíso?” Sussurrou ela ao ouvido dele. “Contigo vou a qualquer lado” murmurou Chris. Olharam-se fixamente, durante um longo período de tempo, acariciando-se. O Anjo abriu as asas cobrindo os dois corpos adormecidos. O Paraíso Entraram na região Ocidental do Paraíso, constituída por grandes cidades, densamente povoadas, ordenadas em círculos concêntricos. As ruas eram movimentadas, não aquele movimento frenético que caracteriza as grandes cidades, mas cadenciadas. As almas bem-aventuradas passeavam calmamente, sem correr, tranquilas. Chris cruzou-se com a alma de uma vizinha, que tinha falecido recentemente. Era viúva de um velho amigo e Chris ao cumprimentá-la perguntou pelo marido. A alma olhou para Chris de forma estranha, embora bem-educada. Reconheceu-o mas parecia não se lembrar do marido e respondeu que não era casada, continuando, imperturbável o seu caminho. O Anjo explicou: “Aqui, neste Paraíso, as almas não se relacionam com quem foram casadas, em vida. ” Mais á frente encontraram uma outra conhecida de Chris, Annie Hopkins. Cumprimentaram-se, abraçaram-se efusivamente, pois Annie, amiga dos tempos de escola, morrera havia alguns anos. Falaram durante bastante tempo, recordando velhos amigos e histórias de infância. A certa altura Chris perguntou-lhe como ela se sentia no Paraíso. Annie confirmou-lhe que se sentia bem e contou-lhe a sua história. Em vida não acreditava no Paraíso nem no Inferno e quando perguntavam para onde queria ir quando morresse, a resposta era invariável: “Tal como todos os outros, eu não quero morrer. Mas a morte é a coisa mais certa da vida. Quando morrer irei, com toda a certeza, para o mesmo sitio que vão todos os outros. ” Um dia, ao atravessar uma rua, foi atropelada e morreu. A sua alma despertou no Purgatório, onde foi queimada no fogo purificador e depois de expiados os seus pecados, enviada para o Paraíso. Ao entrar no Paraíso perguntou a um anjo, porque a tinham mandado para o Purgatório se durante a sua vida ela foi moralmente exemplar. O anjo respondeu: “Em vida querias ir para onde todos fossem…a tua vontade foi respeitada!” Depois deste encontro, Chris e o Anjo, visitaram uma ilha verdejante, fresca, banhada por águas tranquilas, serenas, conhecida pela Ilha do Castigo e habitada pelas almas que infringiram as regras do Paraíso. É uma ilha pequena e pouco povoada. Voaram para outro local e passaram por uns pastos verdejantes, onde pastavam cavalos alados, brancos, ovelhas, cordeiros, vacas, mas todos brancos. No Paraíso os animais eram todos brancos, fossem eles cães, gatos, ou búfalos, rinocerontes, leões, zebras e elefantes. Chegaram a uma outra cidade, habitada por almas masculinas, solitárias, que durante as noites divertiam-se com prostitutas doces e belas. Chris e o Anjo passaram aí uma noite, num dos inúmeros bares, onde os sumos naturais e o leite são as únicas bebidas que acompanham os espetáculos de dança erótica. No dia seguinte passaram por um Paraíso inabitado, completamente vazio. Perante o espanto de Chris Two, ao ver tanto esplendor e beleza num local sem almas bem-aventuradas, o Anjo explicou: “É um Paraíso criado apenas para as almas dos governantes virtuosos, mas nunca, nunca, foi habitado…” Entraram numa zona do Ocidente onde se situam os chamados Paraísos Centrais, quatro Paraísos vizinhos. Começaram por visitar o Paraíso Grego, onde as bem-aventuradas almas gregas começam os dias num bosque delicioso, gozando de todos os prazeres, ou caminham em prados encantados, cuja norma são os jogos eróticos, terminando os seus dias numa imensa casa que irradia uma luz pura e ouvem-se vozes doces e encantatórias. No terceiro dia de viagem visitaram o Paraíso Romano, um Éden primaveril, rodeado de prados e bosques. As almas bemaventuradas romanas deliciam-se com jogos eróticos e orgias que se prolongam por longos meses. Daqui partiram para o Paraíso Gaulês, onde as almas virtuosas dos franceses podem ascender a deuses, desde que em vida tenham sido gaullistas ou neogaullistas, através de um burocrático processo de aperfeiçoamento celestial. Chegaram finalmente ao Paraíso Cristão, onde as almas dos justos vivem com os anjos. Para os cristãos a ida para o Paraíso é a recompensa máxima, por isso as almas que o habitam são profundamente fervorosas. Não é um Paraíso muito tranquilo, pois os cristãos mais fundamentalistas, são almas neuróticas O quarto dia foi todo passado no Paraíso do Norte, uma enorme mansão, que tem como única via de aceso uma ponte tricolor, maravilha da tecnologia nórdica, mas que não pode ser atravessada por anjos a cavalo, pois ficará destruída. Frente á enorme mansão situa-se a Valhala, habitada pelas Valquírias que ofertam cerveja e um hidromel retirado das tetas de uma cabra. Pela manhã, bem cedo, as almas são despertas pelo som da flauta de Ligur, o pastor. Depois, com o canto do galo vermelho, iniciam-se os jogos preferidos das almas nórdicas, a luta corpo a corpo, com armas de ferro. Quando Braga toca a sua lira, os combates cessam e as almas vão fazer os seus curativos, auxiliados por belas virgens e tomar a sua refeição na enorme mansão. Estas refeições consistem em carne de javali, que renasce sobre a faca que o corta em fatias. Os escudos das almas guerreiras são os seus pratos e sobre a mesa jovens virgens dançam e tocam lira enquanto ao redor da mesa exibem-se em posses eróticas belas prostitutas. Actualmente o Paraíso nórdico tem mais uma andar, dois jardins e um enorme lago com cisnes coloridos. Chama-se Paraíso social-democrata e é aberto a todas as almas social-democratas, sem julgamento. As almas de outros quadrantes políticos são submetidas a um rápido julgamento, para poderem ser admitidas e passam sempre pelo antigo patamar da mansão, antes de poderem ascender ao novo patamar. Chris e o Anjo permaneceram três dias neste Paraíso, partindo depois para o último dos Paraísos Ocidentais, o Paraíso americano com as suas cinco regiões distintas: Uma a Sul para as almas sul americanas, centro americanas e do Caribe, mais quatro a Norte. O Paraíso Sul americano é pacífico e liberto de inquietudes. Consiste numa grande mansão, onde as almas bemaventuradas passam o seu tempo em intermináveis e amenas conversas. É composto por dois níveis: um nível luxuoso, para as almas dos ricos e um nível modesto e austero, para as almas dos pobres. O Paraíso dos indígenas norte americanos é reservado apenas a estes. Situa-se atrás da Montanhas Sagradas. As almas dos justos coroam-se de penas, andam de rostos pintados, fumam longos cachimbos e dançam. O Paraíso dos Canadianos é delicioso e consiste em prados verdejantes, bosques com árvores carregadas de frutos e florestas imensas, onde as almas caçam. È interdito às almas do Quebeque, que vão para o Paraíso dos franceses. Os outros dois Paraísos são dois altíssimos arranha-céus, um para republicanos, Texanos do petróleo, criadores de gado, ricos muito ricos, evangelistas e funcionários da Wall Street. O outro é para democratas, investidores e donos dos sectores de mineração, ricos e ricos muito ricos, proprietários de plantações de amendoins, funcionários da Wall Street e economistas neokeynesianos. Qualquer destes dois Paraísos é vedado aos pobres, que para não se sentirem deslocados permanecem no Inferno, mesmo depois de mortos. Chris e o Anjo permaneceram cinco dias neste conjunto de Paraísos, antes de deslocarem-se para Oriente. O Oriente do Paraíso é uma região vasta, caracterizada por uma paisagem variável, algumas vezes transformista, que engloba montanhas altíssimas, prados verdejantes, selvas, lagos, rios e oceanos. Chris e o Anjo começaram a sua Peregrinação aos Paraísos do Oriente entrando pelos Paraísos de Leite e Mel, também conhecidos pelos Paraísos do Profeta de Alá. A luxuosa antecâmara deste Paraíso era uma enorme pérola, oca, com uma bela mulher em cada canto, prontas a serem possuídas pelos crentes bem-aventurados. Daqui as almas seguem por vias diferentes. Umas, as almas mais puras, vão para o Celestial Paraíso das Mil e Uma Noites, cujo caminho é por uma montanha de grande altitude que no cume tem uma ponte sobre um profundo abismo. Passando a ponte, as almas entregam-se aos prazeres sexuais e aos jogos eróticos. As almas de ambos os géneros estão em igual número. Chris e o Anjo pernoitaram neste Paraíso de delícias eróticas. No dia seguinte visitaram o Celestial Paraíso dos Paraísos, uma região deslumbrante, onde os tapetes voadores transportam as almas recém-chegadas, levadas para pequenos e frescos bosques, nas proximidades de prados luxuriantes e bebem licores refrescantes. Os rios são de mel e de leite, as virgens usam vestidos com decotes sedutores, os jardins são compostos pelas mais exóticas e belas plantas e flores, vinhos e perfumes estonteantes, incenso dos mais variados odores e aromas, frutos de extrema doçura e sumarentos, aves multicolores, música celestial e muita, muita sensualidade. Mais de 72 virgens, jovens de olhos escuros, aguardam o mais simples dos crentes. Cada momento de prazer dura mais de mil anos e as faculdades masculinas são aumentadas cerca de 200 vezes. Também as almas crentes das mulheres têm lugar aqui, embora o Profeta não especifique as companhias masculinas das eleitas, para não despertar o ciúme dos seus antigos maridos e assim possam manter a eternidade do seu casamento. Chris e o Anjo pernoitaram várias noites neste Paraíso, a convite do Arcanjo Gabriel, antes de partirem para o Paraíso do Grande Oriente. Este é um Paraíso formado por 4 pisos. O primeiro piso é para as almas virtuosas. O segundo é reservado para os que morreram em serviço da causa pública. O terceiro é para as almas apaixonadas, que morreram de amor. O quarto piso é para os teólogos. Este foi o último Paraíso visitado por Chris e o Anjo. Existem mais de 800 Paraísos nesta região celestial a Oriente do Paraíso, só que todos eles estão vedados, pelo que o Anjo não levou Chris a visitá-los. O mesmo passa-se com a terceira região celestial os Paraísos da Núbia pois alguns deles estão localizados nas mais díspares regiões como por exemplo o dos antigos egípcios que está no Sol para o caso das almas mais virtuosas ou nas diferentes constelações zodiacais conforme o grau de virtude o Anjo explicou o seguinte “Os Paraísos da Núbia são exclusivos e identitários o que os leva a vedar a entrada a quem não pertença á identidade a qual esse Paraíso é destinado são conjuntos de pequenos Paraísos em muitos casos de pequenas ilhotas havendo alguns que os designam por Paraísos Arquipelágicos ou o Arquipélago dos Paraísos outra das características é a sua baixa densidade populacional muitas das almas africanas entram diretamente no Paraíso Cristão a Ocidente ou nos Paraísos do Leite e do Mel ou mesmo no Paraíso das Mil e Uma Noites a Oriente. ” A viagem ao Paraíso havia chegado ao fim. Chris e o Anjo voltaram para casa Reflexão O Anjo começou: “Conheceste o Paraíso, agora vou levar-te ao Inferno”. “Ir ao Inferno, Anjo, é perturbador”, disse Chris Two, demonstrando algum receio pela proposta do Anjo. “Denoto algum receio…” O Anjo acariciou-o e sorriu. “Não é receio” respondeu Chris á carícia do Anjo, continuando: “A ideia da existência de um Inferno é profundamente injusta, para com a noção de Deus. Os poderosos, os mentecaptos, os dementes, os que vivem da cobiça e da intriga, criaram, divulgaram e implementaram a marca Inferno. Serve-lhes os interesses e assenta como uma luva na noção que essa escumalha tem de Deus. Um Deus tirânico, Senhor dos Exércitos, impiedoso, paternalista, racista, classista, tenebroso… Assusta-os a ideia de um Deus que deixa a sua obra criadora em plena liberdade, consciente do livre arbítrio e do livre pensar, do valor crítico e autocrítico, um Deus que permite o erro, porque só o erro permite o ato de corrigir, noção base de aperfeiçoar, de criticar, de analisar… Um Deus fora-da-lei, porque as leis são dos Homens e para as sociedades dos Homens, porque para Deus o Homem está para além da Lei. É inconcebível para esses senhores um Deus que se reflete na praxis da Liberdade. Não! Isso nunca! Para eles só há um Deus! O tirano, o que coloca a lei acima do Homem, o que separa os povos e define as fronteiras, o que gera a diferença entre ricos e pobres, entre possuidores e desapossados, entre os que poupam porque têm em demasia e os que esbanjam, porque o dinheiro não chega para o pão, entre os que cultivam o trabalho, porque são patrões e os que não o cultivam, porque estão desempregados…e aí temos o Inferno…na Terra. A condição desumana, a ignorância, a indiferença, a distorção dos valores, a gula, enfim…Deus é Liberdade e habita no Homem. Todas as restantes patranhas são instrumentos de domínio, servem para enganar a fome e para a calar. Quando não resulta, sempre há o Inferno, para os que não se calam e proclamam, bem alto, a fome que sentem. O Anjo ouviu Chris em silêncio. Depois replicou: “Tens absoluta razão. Exceto num pormenor: e se Deus esquecesse? Falas na injustiça dos Homens mas e se o Inferno não for apenas esse mecanismo de domínio que tu tão bem descreveste? Já pensaste? O Inferno ser consequência de um esquecimento de Deus? E este ter passado a culpa para o Homem? E o Homem ter assumido essa culpa, até porque serve os interesses dos que querem exercer a Tirania e a exploração sobre os seus semelhantes? O Inferno começa na Terra e é vastíssimo, não se sabendo muito bem onde acaba, quais as suas fronteiras. Tem uma localização, um ponto de referência para as almas, mas faz-se sentir na vida, na Cidade dos Homens, através da infelicidade, da cegueira dos sentimentos, da guerra, da doença, da pobreza, da Tirania, do abuso, da violência…Seria uma lista extensa designar as manifestações do Inferno na vida dos Homens. Localiza-se por debaixo do Paraíso, mas não nas regiões celestiais. Para se chegar ao Inferno há que ficar em frente a Jerusalém e descer pelo Templo. Aliás tudo o que cai do Paraíso acaba no centro do Inferno, se atravessar o Templo. O sábio Alabar, viu o Inferno ao identificar o Paraíso na inversão de um sorriso. Descobriu o sábio que o Inferno umas vezes é um pântano, outras um deserto, outras terras vulcânicas. O ar cheira a enxofre e as almas condenadas têm um odor nauseabundo. É muito variável o Inferno, Chris. Para os escravos capturados em África, o Inferno era a embarcação dos negreiros. Este Inferno localizava-se no mar imenso. Para os judeus na II Guerra Mundial localizava-se em Auschwitz e outros campos de concentração. Para os Palestinianos situa-se em Gaza e nos campos de refugiados. Há de facto muitos Infernos criados pelos Homens, mas porque Deus esqueceu-se. E ao esquecer, foi esquecido” “Entendi. Mas dizme uma coisa antes de partirmos: Inferno e Paraíso são interdependentes?” Perguntou Chris. O Anjo sentou-se e respondeu-lhe: “Vou contar-te o que se passou com um amigo, chamado Raymond, há alguns anos. Raymond estava cansado, não tinha dormido bem nas últimas noites, acossado por insónias e pesadelos e recostou-se no sofá da sala, acabando por adormecer. Foi um sono profundo e reconfortante. Sonhou que tinha feito uma viagem pelo Paraíso. Na parte final do sonho um Anjo deu-lhe uma flor. Foi então que Raymond despertou. Ficou surpreso ao acordar pois nas suas mãos estava uma linda flor. Emocionado teve um ataque cardíaco e morreu. Quando a sua alma despertou estava no Inferno e um demónio ofereceu-lhe uma flor, igual á que lhe oferecera o anjo no Paraíso. Raymond, intrigado perguntou ao demónio que flor era aquela. O demónio respondeu: A flor da morte. O Inferno e o Paraíso necessitam um do outro, Chris. Alimentam-se mutuamente. Conheceremos o Bem sem termos perceção do Mal, ou vice-versa? Claro que não. Um não existe sem o outro. ” Chris refletiu prolongadamente, deitado na cama, preguiçosamente observando o Anjo. Depois, acariciando o rosto do Anjo perguntou: “Vamos?” O Inferno As Portas do Ocidente das Trevas são a entrada. Tenebrosa região, de fumos e gases, que a enxofre tresandava e a fezes. Por ali entrava cada alma condenada a este Inferno ardente. Acompanha-a um guardião Entra a alma condenada numa sala oval, sem janelas, de calor imenso É a alma confrontada com o seu passado, assume a culpa de todo o mal e num momento intenso implora limpar o pecado. Em seguida são levadas para o jardim dos suplícios, onde são lançadas na lava incandescente em longos martírios de dor crescente. No Inferno este é o passo primeiro. O passo segundo no Inferno da alma consiste em esperar ao lado do carcereiro. A cada tortura ele pede calma á alma sofrida. “É vasto o Inferno. Imenso. Muito maior que o Paraíso… E mais intenso, não achas querida?” Chris esboçou um sorriso Passaram para uma zona de grutas profundas. Na sua escuridão habitavam as almas dos maquiavélicos, sussurrando, manipulando e conspirando entre si. Mais á frente o solo tornou-se árido e arenoso, lugar habitado pelas almas dos que detinham títulos académicos, mas que foram em vida medianamente medíocres e que nunca estiveram á altura do título que orgulhosamente ostentavam. Já os teólogos medianamente medíocres residiam nos terrenos áridos rochosos. Neste Inferno os ricos que assumiram a sua riqueza de forma ignóbil e os nobres sem nobreza de espírito continuam a viver em mansões e palacetes opulentos, dedicando-se á magia e coisas ocultas. Quanto aos ladrões, homicidas, vigaristas, pedófilos e almas vingativas, habitavam em ruas nauseabundas, por onde buscam restos inexistentes. Entraram depois numa zona, imensa, onde só existiam jaulas. O Anjo explicou: “Esta é uma área para as almas dos que viviam normalmente as suas vidas. Só que cometeram diversas faltas menos graves. No Inferno a cada falta cometida em vida corresponde uma jaula e essa falta acompanha, eternamente, a alma, o que implica que esta fica enjaulada para todo o sempre, porque a falta cometida em vida é uma ferida que nunca sara. ” Mais á frente a paisagem altera-se ligeiramente. Entraram no Inferno dos Ignorantes. Talvez porque tenha sido teorizado por eruditos, juristas e teólogos, o Inferno é muito pior para os ignorantes do que para os ladrões, vigaristas, pedófilos, homicidas, etc. Os ignorantes são os únicos que podem ter uma segunda morte, ou seja, a alma dos ignorantes pode morrer, não é eterna (o que no Inferno é mais um alivio do que um castigo). As suas almas, depois de morrerem, renascem no mundo terreno, como animais domésticos, abandonados durante a sua infância. Quando estes animais morrem, as suas almas, que são as almas dos ignorantes que morreram no Inferno, renascem como vermes. Ao tornarem a morrer, voltam ao primeiro ciclo, ao Inferno e recomeçam todo o ciclo de novo. O Inferno seguinte foi o dos voluptuosos. A alma dos voluptuosos é encaminhada para o Inferno porque a volúpia é crime no Paraíso. Com o propósito de castigarem estas almas, os demónios esculpiram duas estátuas em chamas: Uma de mulher esbelta, outra de homem com porte atlético. Para a primeira estátua, os demónios auxiliares atiram as almas voluptuosas dos heterossexuais masculinos e das adoradoras de Lesbos. Para a segunda estátua, os demónios atiram as almas voluptuosas das heterossexuais femininas e dos homossexuais masculinos. Chris e o Anjo passaram por uma antecâmara em que um espelho de sombras espelha os delitos. Cada vez que a alma condenada olha-se no espelho, este reflete todos os crimes e pecados, cometidos em vida, por essa alma. Neste Inferno, há um anjo, criado por Deus, que tem tantos dedos como o número de almas c
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