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A Rua - Fichamento

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  A rua Jonathan Colin 1.   Este texto é um capítulo do livro  História de duas cidades: Paris, Londres e o nascimento da cidade moderna . O livro analisa a estruturação das duas cidades por vieses distintos, tais como ruas e restaurantes, por exemplo. 2.   O autor inicia o texto com a pequena história do poeta inglês Arthur Symons, cujos fortes laços de admiração com autores franceses fizeram de sua relação com o país um objeto de fascínio quando por lá esteve. 3.   Symons fora classificado como um  flâneur devido a sua experiência na França: andar  pelas ruas despropositadamente. 4.   Tal caracterização ganhou destaque nas visões de Baldelaire e, posteriormente, de Walter Benjamin, que atribuiu à França a criação do  flâneur  . 5.   A associação feita entre o modo de caminhar característico ao que se entende por alguém  flâneur reside no fato de que tal caminhar só fora possível devido as melhorias urbanas, a saber, ruas, calçadas, sarjetas, iluminações etc. 6.    Note-se que, embora o fato de caminhar urbanamente por Londres seja uma fato que  pode expressar “irrelevância” para alguns –   afinal, todos andam, caminham de lugares  para outros  –   para os historiadores, é preciso compreender que até por trás das tendências sociais há uma razão. Ora, locomover-se em grandes espaços, ocupados pelo comércio e trânsito requer uma estrutura básica de locais próprios ao andar. Em suma, “o processo pelo qual os londrinos e parisienses aprenderam a caminhar como ima atividade de lazer é mais complexo do que pode parecer”.  7.   Em pontos de comparação, pode-se afirmar, segundo Colin, que as significativas mudanças ocorridas na Inglaterra não chegaram tão rapidamente aos franceses. 8.   Ao poderem caminhar, londrinos e parisienses puderam, de fato, conhecer suas cidades. Até então, “quem escolheria andar, quand o podia pegar uma carroça ou uma carruagem?”. Ruas sujas 1.   As fontes utilizadas neste tópico para ilustrar a comparação entre Londres e Paris são os trabalhos de comentaristas franceses do final do século XVIII. 2.    Na Inglaterra, as ruas eram largas e possuíam calçadas para que a população, de facto, caminhasse. Na França, porém, reinavam as carroças. 3.   O que pode-se apreender inicialmente de tais diferenças é que as ruas representam mais um aspecto que reflete o imaginário social inglês de uma época em que seu país estava à frente de muitos outros, sobretudo por proporcionar a liberdade civil, política e social como meio de garantir a circulação das pessoas no espaço econômico e, neste caso,  público. Em outras palavras, era melhor gerar boas condições de vida para a população do que joga-la em condições desfavoráveis.  4.   Outro ponto comparativo entre as ruas de ambos os países é a limpeza, que se fazia muito mais presente na Inglaterra do que na França e, embora as ruas inglesas de fato fossem sujas, sua população tomava a atitude de limpa-las. 5.   A situação de sujeira falta de estrutura adequada e, até mesmo, inexistência de calçadas, fez da Inglaterra um exemplo a ser seguido. Como evidência disto, recorre-se a fontes, como Mercier, para confirmar tal proposição  –    “Em seu  Parallèle , Mercier reivindicou que calçadas ( trottoirs ) do estilo londrino fossem adotadas em Paris. Caso contrário,, ele advertiu, Londres, onde o pedestre tinha preferência, sempre deixaria Paris enverg onhada”. 6.   As carruagens na França chegavam a causar muitos acidentes. Veículos em velocidade sobre o barro das ruas fazia com a lama também fosse arremessada aos pedestres, logo, isso influenciava na maneira de se vestir, afinal, qual a razão de vestir boas roupas se havia certeza de que, logo após sair de casa, a lama jogada pelas rodas dos veículos as sujaria (embora saiba-se que nos bulevares seria possível usar roupas finas) era? Com tais condições, a noção de  flâneur   tornava-se inadequada à Paris. 7.   Até aqui, o que se percebe é que este texto complementa aquele visto na primeira unidade acerca das ruas e estradas na Frnaça, trazendo, contudo, maior aprofundamento sobre o estado de tais espaços. 8.   O exemplo dos bulevares revela questões relativas ao pensamento sobre classes sociais na França e o quanto havia uma manutenção de distinções: os bulevares eram “áreas  protegidas, com um número limitado de entradas e saídas”. Tentava -se impedir que tais espaços se tornassem meios de circulação intensa na cidade, o que fazia com que as vias de acesso aos mesmos fossem restringidas. Observando vitrines 1.   “As primeiras calçadas de Parias apareceram na década de 1780, como parte de uma revitalização das cercanias do Odéon”. 2.   Foi também neste período que foram criadas novas ruas, que convergiam no Place de l’Odéon. Tais inovações eram fruto de investimentos feitos por especuladores. 3.   Embora houvesse “construções de teto plano”, nas palavras de Colin, estas, construídas às custas do rei, não eram destinadas ao trânsito de pedestres, mas sim a venda de mercadorias. 4.   Contudo, para além de tais investimentos, as calçadas em Paris eram raras: em 1822, Paris só possuía 267 metros de calçada. 5.   A situação das ruas parisienses desencadeava sérios problemas ao comércio. Como exemplo, tem-se o Colisée, que fora fechado dois anos após sua inauguração por localizar-se longe demais da maioria da população e, logo, não recebia tanto movimento  pois as pessoas não podiam chegar lá tão facilmente. O Colisée, inclusive, segundo o autor, representou a primeira forma de shopping da capital francesa. 6.   Desta maneira, outro tipo de loja começou a emergir na França: os  passage.  Eram arcadas de lojas cobertas, localizadas na área nordeste do Palais Royal. A relevância desses estabelecimento é que eram cobertos e, assim, proporcionavam aos  flâneurs  a  possibilidade de passear, vislumbrar objetos que estavam à venda. Portanto, é  importante perceber quais questões ligadas à infraestrutura dialogavam, diretamente e de maneira prática, com a economia. 7.   “Embora as vitrines fossem tributadas, as várias vidraçarias de Londres competiam livremente entre si, o que mantinha os preços baixos”. Aqui, pode -se fazer uma relação com o texto “A Grã - Bretanha e os outros”, na medida em que se vê nesta característica das vitrines inglesas um exemplo claro do pensamento econômico inglês da época, que versava sobre o crescimento com base no consumo interno e na manutenção de condições básicas para que isso seja efetivado socialmente. 8.    Na França, por outro lado, as vitrines eram raras: “Antes da segunda metade do século XIX, havia poucas vitrines de lojas em Paris para serem observadas além daquelas das arcadas, e ainda assim não se prestava muita atenção nelas”. 9.   É oportuno ressaltar como a busca por melhores condições de estruturação do mercado e. sobretudo, para o ato de comprar, passou a fazer parte do projeto sócio econômico europeu a partir da Inglaterra e posteriormente da França: “Foi somente com o aparecimento das grandes lojas de departamentos, como a Samaritaine (1869), que Paris superou Londres como local de observar vitrines sem necessariamente comprar, algo como uma cidade onde comprar se tornou, por si, uma forma de arte”. 10.   A pechincha era uma marca dos  flâneurs não propositalmente, mas porque ao estarem andando e observando mercadorias, acabavam por pechinchar. Aqui, a lógica é diferente de ser um comprador. Ora, alguém pode sair de casa para comprar alimentos no mercado, assim, já saí sendo um comprador, com tal objetivo. Os  flâneurs não, pois estavam ali para observar, admirar e andar. A questão é que, durante tal processo, interessavam-se por algumas mercadorias e acabavam tendo que pechincha-las. 11.   Os preços fixos foram adotados na França, porém, posterior à Inglaterra, que já adotara tal prática, pelo menos, desde 1780. 12.   A dimensão do tempo também fora um aspecto remodelado pela tabela de preços, uma vez que, se não era necessário mais gastar tanto tempo conversando com o vendedor a fim de acordarem um preço justo, podia-se pagar diretamente aquele valor já estabelecido e ir embora.
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