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A Sedição Cuiabana de 1834 - Português - PRONTO

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Texto apresentado em 2013 - André Nicacio Lima
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  A sedição cuiabana de 1834: os corpos militares e a integração de grupos subalternosao espaço público no Brasil Boa tarde. Meu nome é André Nicacio Lima, sou doutorando em história social naUniversidade de São Paulo e pretendo apresentar brevemente alumas re!le #es teóricasdecorrentes da minha pes$uisa. %%%& estudo $ue venho desenvolvendo é uma an'lise de um movimento pol(ticoocorrido no Brasil no século )*). Mais especi!icamente, na cidade de +uiab', prov(ncia deMato rosso, no ano de -/0. Acredito $ue nem todos a$ui este1am !amiliari2ados com atra1etória pol(tica brasileira. +onvém, portanto, situar meu ob1eto de estudo num $uadromais amplo, $ue é o da constru3ão do 4stado nacional. I A *ndepend5ncia do Brasil é eralmente apresentada como uma rupturaconservadora, reali2ada sem rande mobili2a3ão popular e de!inida rapidamente em termosmilitares e diplom'ticos. +ontudo, se essas caracter(sticas podem ser atribu(das 6 rupturacom Portual, -77, são inade$uadas para de!inir o processo mais amplo no $ual este !atose insere. 4m primeiro luar, por$ue as caracter(sticas conservadoras da *ndepend5ncia !oramseriamente amea3adas nas décadas seuintes. & reime mon'r$uico e a unidade territorial!oram impostos militarmente contra pro1etos republicanos reionalmente bem8sucedidos. &!uturo da escravidão !oi $uestionado em pro1etos de lei, na imprensa e nas contesta3#esarmadas. & predom(nio pol(tico dos randes propriet'rios rurais cheou a ser derrubadoreionalmente por randes revoltas populares. Nesse sentido, a década de -/9, conhecidano Brasil como Per(odo :eencial, !oi o momento de maior amea3a a um pro1etoconservador $ue, em linhas erais, acabou por se consolidar em meados do século.4m seundo luar, se as campanhas militares da *ndepend5ncia !oram relativamente pe$uenas e alcan3aram sucesso rapidamente, o mesmo não se pode di2er das revoltas,  motins e revolu3#es $ue eclodiram entre --; e -0 nas diversas rei#es do Brasil. Amobili2a3ão popular e a viol5ncia marcaram tanto o Brasil $uanto a maior parte dos pa(sesda América e da 4uropa na primeira metade do século )*). & $ue di!erencia o Brasil neste$uadro não é, portanto, a pe$uena escala dos con!litos, mas o !ato de $ue na maior parte doscasos eles ocorreram após a ruptura com Portual, não se mani!estando como uerras de*ndepend5ncia.Portanto, a revolta $ue estudo se insere numa con1untura mais ampla, $ue podemosdenominar ciclo revolucion'rio liberal no Brasil <--;8-=9>. Nesse per(odo, a constru3ãode um 4stado nacional inspirado no liberalismo envolveu não apenas a cria3ão ou re!ormade institui3#es pol(ticas, 1ur(dicas e coercitivas, mas também a orani2a3ão de setores dasociedade para a pro1e3ão de seus interesses no overno. &s espa3os modernos de pr'tica pol(tica, como a imprensa não o!icial e as associa3#es come3aram a se di!undir  principalmente após a *ndepend5ncia e tiveram uma enorme e pansão entre -/- e -//<ver r'!icos>. Após a re!orma constitucional de -/0 e a cheada ao poder do partidoconservador <o  Regresso >, em -/;, essa amplia3ão deu luar a uma !orte retra3ão. MarcoMorel, em seu estudo !ocado no :io de ?aneiro, a!irma $ue a imprensa se retraiu em ra2ãodo controle e repressão estatal e da mudan3a de posi3ão pol(tica de l(deres liberais, $uediante das revoltas passaram a condenar os @e cessos da opinião pblica. Cuanto 6sassocia3#es, a e pansão e a retra3ão t5m uma dinDmica semelhante, podendo ser situado o'pice das sociedades pol(ticas na primeira metade da década de -/9. Além de Marco Morel, $ue !e2 mestrado e doutorado a$ui na Sorbonne sob aorienta3ão de Eran3ois )avier8uerra, outros autores t5m demonstrado $ue os espa3os da pol(tica iam para muito além das institui3#es do 4stado. F o caso de Alain 4l Gousse!,nosso colea na Universidade de São Paulo, $ue analisou o intenso debate sobre o !uturo daescravidão e do tr'!ico de escravos, demonstrando $ue entre -/- e -/= o antiescravismo predominou no debate pblico e $ue o papel da imprensa !oi central para a perpetua3ãodessa institui3ão nas décadas seuintes. Apesar de centradas no :io de ?aneiro, capital do Brasil na época, essas pes$uisasimp#em a reabertura do debate sobre o papel da sociedade civil no processo de !orma3ãodo 4stado nacional. *sso por$ue as interpreta3#es cl'ssicas da pol(tica imperial tendem aadotar recortes institucionais, estudando o parlamento e a a3ão dos ministros, por e emplo,  mas dei ando de lado o papel da es!era pblica ou da sociedade civil. +onsiderando $ue o4stado liberal criado pelas revolu3#es dos séculos )H*** e )*) na 4uropa e na América eramarcado pela crescente orani2a3ão dos interesses para a disputa de pro1etos alternativos, por $ue o Brasil seria uma e ce3ãoI Para o principal desses autores, ?osé Murilo de+arvalho, a e plica3ão est' na @revolu3ão buruesa abortada, $ue teria mantido o poder do4stado nas mãos de uma elite burocr'tica a!astada dos interesses da sociedade. Sua an'lise,como a de outros historiadores, pressup#e a insini!icDncia da pol(tica !eita nas ruas, nasreda3#es, nos espa3os privados, nos campos de batalha. +om isso, desaparecem de uma sóve2 a dimensão violenta do processo e a a5ncia histórica dos $ue não tinham acesso aos postos pol(ticos do 4stado. Meu estudo trata de uma revolta plane1ada em associa3#es pol(ticas e nos $uartéis,envolvendo ma1oritariamente pessoas das classes subalternas. Um movimento violento,inspirado pelo liberalismo pol(tico, $ue eclodiu no per(odo de maior abertura da es!era pblica até então J a primeira metade da década de -/9. Minha contribui3ão ao presentedebate vai no sentido de a>+ompreender as revoltas da primeira metade do século )*) nos$uadros de um ciclo revolucion'rio caracteri2ado pela di!usão do ide'rio liberal, emsuas muitas variantes, por toda a sociedade brasileira, incluindo as classessubalternas. b>Cuestionar o pressuposto de uma insini!icDncia da sociedade civilnesse per(odo, propondo assim uma an'lise interal da história pol(tica, para alémdos espa3os institucionais do 4stado. Nesse sentido, destacar o papel da viol5ncia naresolu3ão de con!litos, bem como a atua3ão pol(tica de setores e clu(dos dacidadania ativa.c>Apresentar um instrumento peculiar de orani2a3ão pol(tica dasclasses subalternas, muito importante na revolta cuiabana de -/0K o ena1amentonos corpos militares. II <4ste é um mapa com os principais movimentos armados do ciclo revolucion'rio liberal noBrasil.>  Ao contr'rio de outros movimentos do per(odo, a sedi3ão $ue eclodiu em +uiab' nanoite de /9 de maio de -/0 é praticamente inorada pela historiora!ia acad5mica.*niciada com a tomada do $uartel de +uiab', o sa$ue ao comércio e o assassinato dehomens de oriem portuuesa, ela se desdobrou na tomada do poder provincial por uma 1unta revolucion'ria durante cerca de tr5s meses. A repressão se estendeu até o ano de -/;e boa parte dos condenados !uiu para a Bol(via. & movimento reivindicava $ue !osseme pulsos da prov(ncia os indiv(duos nascidos em Portual, bem como se inseria nas polari2a3#es $ue marcaram a !orma3ão dos rupos pol(ticos nos anos -/9, entre liberaismoderados, liberais e altados e restauradores <ou caramurus >. 4ra, portanto, uma revoltaantilusitana e !undada no ide'rio liberal, ao de!ender a soberania popular contra o $ue eravisto como heran3a do absolutismo e da ordem colonial. & movimento !oi plane1ado no interior dos corpos militares e da Sociedade dos Zelosos da Independência dei ar em portuu5s com a tradu3ão para o inl5s entre par5nteses, uma associa3ão pol(tica liberal sediada em +uiab'. Ainda $ue não contassemcom uma tipora!ia 6 época, muitos dos homens $ue atuavam na pol(tica mato8rossense, e$ue se envolveram na revolta, estavam orani2ados em torno de um periódico impresso na prov(ncia de oi's. Associa3#es pol(ticas, imprensa, reuni#es em espa3os privados emani!esta3#es pblicas de insatis!a3ão marcaram a orani2a3ão da sociedade civil nos$uadros de um 4stado liberal em +uiab', no Brasil e em boa parte da América e da 4uropa.A e pansão de instrumentos modernos não implicava necessariamente o esva2iamento deespa3os tradicionais de sociabilidade e orani2a3ão coletiva. Cuanto a isso, importadestacar o papel $ue os corpos militares tiveram como espa3os de pr'tica pol(tica para osrupos subalternos, !ormalmente e clu(dos das decis#es.  Numa sociedade !undada em pro!undas hierar$uias de condi3ão 1ur(dica <livre eescrava>, classe, ra3a e acesso a instrumentos de poder, é uma hipótese da minha pes$uisa$ue a intera3ão das classes subalternas <mais precisamente dos livres pobres e libertos> 6!orma3ão de um espa3o pblico teve como importante instrumento a orani2a3ão e politi2a3ão no interior dos corpos militares. 4stas institui3#es tradicionais permitiam acria3ão de la3os de solidariedade e sociabilidade a indiv(duos e clu(dos da cidadania ativa esem acesso a outros meios de in!lu5ncia. 4m momentos de crise, as tropas acabavam muitasve2es por cumprir um importante papel pol(tico, especialmente <mas não apenas> $uando as
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