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A Seducao de Helena Light

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feminino, helenismo, beleza.
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  Colei;;ao L&PM Pocket, vol.396 Publicado srcinalmente pela L&PM Editores, em formato l6x23,emabril de 2004 1 u edi9ao na colegao L&PM POCKET:novembro de 2004Capa:Marco Cena Leituracrítica:LuísAugustoFischerRevisiio: J6 Saldanha e RenatoDeitosMapa:FernandoGondaISBN:85.254.1366-6M835tMoreno,CláudioTr6ia: romancedeurnaguerra/ CláudioMoreno. - PortoAlegre: L&PM, 2004.328 p.; 18 cm. l .Fic9aobrasileira-romanceshistóricos. I.Título. II. Série. CDD 869.9381 CDU821.134.3(81)-31 l.6 Cataloga9aoelaboradaporIzabel A. Merlo, CRB 10/329.© CláudioMoreno,2004troia.livro@terra.com.brTodos os direitos desta edi9ao reservados a L&PM EditoresPortoAlegre: Rua ComendadorCoruja, 314, loja 9 - 90220-180Floresta - RS/ Fone:(0xx51)3225.5777 lnformac,5es e pedidos:info@lpm.com,brwww.lpm.com.brImpresso no Brasil .i,, i ' Para Ana, minha primeira leitora.  I I a praia, desfigurada, o cabeloemdesalinho, os olhos L'?, bugalhados como furorprofético: Aonde vais,Páris''Tu sabes aondevais? Tu vaistrazer um incendio Igno raso imensobraseiroquevaisbuscaralém das ondas1 . Se viessem de outra pessoa, essas palavrasterríveis le riam feito a tripulac;aodesanimar.Nenhum dos presentes, contudo, deu-lheatenc;ao,porque essaera a sinadapobreCassandra.Umdia, Apolo em pessoa, o deus dos oráculos, ofereceu a ela o queelabemescolhesse,emtroca deseuamor. Cassandra pediu-lhe o domda profecía, noquL' foi prontamente atendida.Entao, jovem comoera,orgu   lhosa desua rarabeleza, julgou quepodia brincar com o deusassimcomo brincava comos homens;quando Apolo tentou levá-la para o leito, esquivou-se agilmente e disscque talvez um outrodia, se elativesse vontade Apolo,furioso, naopodía tirar-lhe o domque já tinhaconcedido, mas naoia deixar-se enganar por urnasimples mortal.Fingindo que aceitava a brincadeira, pediu-lhe ao menos um beijo - afina , umsó beijo, na boca.Cassandraachouqueerapouco e deixou Apolo beijá-la.Foi oseu fim: o deus,com sua saliva, impregnou-a comurna terrível mal   dic;ao:nuncamaisalguém acreditaría no queeladissesse, muito menosemsuas profecías. Eneste inferno ela vivia, e neste inferno ela haveria de morrer, pelasmaosde Clitemnestra, quando a guerra de Tróia acabasse:sempre prevendo o queia acorrer, mas incapaz de convencerquernquerque fossedas coisasqueela previa. Porisso,naquele momento ninguém deu a menor importancia as palavras inflamadas que dirigiu a Páris - excetoele pró   prio, que hesdeuoutrosentido, num pensamentosecreto: Cassandraternrazao: eu voubuscaralém das ondas um fogo abrasador,sim, mas é deamoresse fogo quequei   mameu corac;ao . <). A SEDU<;AODE HELENA T:ilvc,. enviada por Afrodite, urna frescabrisacome   ', 1111:1 .?oprarem direc;ao a Grécia, querendo inflar as velas ,, ii, ,,idasdosnavíosqueaguardavamno porto. Párisdeu , 11L11,<, esperadosinal: as velas foram ic;adas, e os longos 1,·11111s se ergueram a urna sóvez e mergulharam ao mes- 11111 IL·111po na águaazuldomar,para voltar ase erguer, e , 11llar a baixar, numacadencia vigorosa que a vozdo ti- 1111111L·iro comandava.Rapidamente, aterra foi ficando para 11 :1?;: as muralhas de Tróia foram diminuindo na distancia, ,.1ã111 ¡mucotempo o próprio monteIda tinha desapareci   do no horizonte.Navegarampor muitos días. Nao era 11111a viagem curta até Esparta, e os navíos de Páris tive- 1 :1111 de aportar emmuitasilhas e em muitosreinos dife- 1c11tcs - masemtodoseles, em cada porto que tocavam, I ';íris ouvia notícias sobre a extraordinária beleza de Hele   na. Depé,naproa deseu navío, ele examinava ansioso o horizonte,implorando aos deusesquenaoretardassern 111ais o taosonhadodíaemqueele iría encontrar essa111ulher amadaportodos e que,pelapromessadadeusa,agora he pertencia.Quando finalmente chegou a Esparta, Menelau o re   cebeuem seu paláciocom as honras de umhóspedeilus   tre.Nesta noite, Páris tratou de apresentar-se na salado banquete vestido com todo o apurodeum príncipe da casa realde Tróia, sabendoqueia encontrarHelena. O seu luxo, a sua pompaasiática contrastavam corn a sim   plicidade dostrajesespartanos.Omanto púrpura quetra   ziasobre os ombros era bordadotodoemouro, e de ourotambém era a fivela que o prendíasobre o ombro.A moda frígia, os cabelosdourados de Páriscaíam em espessos caracóis,contrastando corn sua pele bronzeada pelosoldomonte Ida e por esta longa jornada pelomar. Cami- 3839  nhandoemdire¡;;ao a Menelau, que o aguardava, com a rainha a seu lado,Párissentiu-se confiante: Menelau po   dia ser mais forte doqueele,masnao tinha nemmetade desua beleza e desua elegancia.Realmente,Páris tinha umbeloporte,mas,naquelanoite, Afrodite decidiu tomá-lo aindamaisbelo, e maisalto, infundindo-lhe norosto um encantosem igual, que o tornasse irresistível aos olhos de qualquermulher que o vissenaquele momento. Sendo o filho de umreí,Párisnao vinha com as maos vazias:tinhatrazido de Tróia urnasérie de finos presentesparaHelena,como forma de agradecer a hospitalidade dorei Menelau, e os dispósnamesa,diantedela. Perturba   do,naoousava olhá-la diretamente no rosto; se tivesse levantado o rosto, teriapercebido que os olhosdela bri   lharam de prazer quando viu, na mesa, a sua frente, aque   lacole¡;;ao de rarasriquezasdo Oriente - as sedas macias, as jóiasfaiscantes, os frascosdelicadoscom fragráncias desconhecidas.Elanaodissenada;no entanto, algo de voluptuoso na maneira comque a maodela alisava os tecidos fez Párissentir-secomo se estivesse colhendo a sua primeira carícia.Entao, numgestoquepassariaporsimples hospitalidade,Helena tomou urna ta¡;;ade ouro das maos da escravaqueservia a bebida,encheu-acom o vinho generoso de Esparta e estendeu-apessoalmente ao encantador estrangeiro,que até agora tinha evitado oseu olhar - e elasabia muito bemporque. Quando aindaera urna menina nacasadeseu pai, Helenajá percebia quecausavaumestranho efeito noshomens aoseu redor - como se,ao ve-la, algumacoisaqueelaaindadesconheciafizesseacender,no fundo doscora¡;;oesmasculinos,urnachama interior quepunha nos olhosdelesurna luz que a assustava.Depois,quando se tomou mulher, descobriu, maravilhada, que aquilo era o brilho dodesejoque a sua beleza despertavapor ondequerqueelaandasse. Ao palácio deseu pai, o rei Tíndaro, come¡;;aramentao a chegarreis e heróis de toda a Grécia 40para disputar a sua mao.Homensespeciais,homens no   bres, guerreiros ilustres, todos jogaram-se a seus pés, e elaainda nem tinhadezoito anos Foi um deslumbramen   to,quando se deuconta de todo o poderque sua beleza  he dava e quando,por fim, entendeuqueseriaassimportoda a sua vida. Desdeentao,assimcomo as deusas, no Olimpo, apreciam o suavearomadoincensoque os mor   tais,aqui embaixo, queimamem sua homenagem,assimela se acostumou a fama ea admira¡;;aoquesua belezatrazia. Era a mais bonita domundo, e achava natural ser cobi¡;;adapeloshomens e odiadaportodas as mulheres.Porisso,sentiu urna estranhaemo¡;;aoquandonotouque o hóspede deseu maridoaindanaotinhaconseguido, até aquelemomento,olhardiretamenteparaela. Já estavaacostumada;sabiaque só urnacoisaconseguiria fazer umhomemtao refinado comoaquele, de maneirastaoeducadas e elegantes,agircomtamanha timidez em sua presen¡;;a:eleestava apaixonado - ea idéiacausou-lheumsúbitoarrepio de prazer.Entao,sorrindo como urnaboa anfitria, voltou o rostoparaele e estendeu-lhe ata¡;;a como vinhoperfuma   do.Páris fitou oseu rosto, e entaocompreendeu: ostra¡;;os dabelarainhalembravam osda própriaAfrodite Eracomo se, a sua frente, eleagorativesse a deusadoamor e dabelezatransformadaemurnamulher, de came e osso, cujamaodelicadaeletinhaafloradolevemente ao receber ata¡;;a queela oferecia. Estavataopertodelaquantatinhaestadoperto da deusa,naqueleestranho julgamento no altodomonteIda, e percebeu,inebriado,que o cheiro deseu corpoeracomo o inesquecível perfumeque Afrodite espalhava a seu redor.Ele levou entao ata¡;;a aos lábios e sorveu o primeiro gole,olhando-adentro dos olhoscomtamanhaintensidadequeela,diante de tanta paixao, enrubesceu, perturbada, e tratou dese afastar,indo servir ata¡;;a de Menelau, que falava a Párissobrecarros e cavalos,semperceber o queestava se passando a seu lado. A partir desse dia,Páris só pensavaemHelena.Pas- 41  sava o diacom Menelau, quelhe mostrava, orgulhoso. todas as maravilhas de Esparta,esperandoansiosamenll'pelahorado jantar, quandoentao poderiave-la mais uma vez - elasim, a verdadeiramaravilha do reino. Essahos   pitalidade generosa de Menelau naoimpediaquePáris o odiasse mortalmente quando,conversandocomele, o reipassava o forte brac,;o de guerreiro sobre os ombros de Helena e acariciava-lhe levemente a penugem dopescoc,;o. Páris,entao,sufocado pelo ciúme deurna mulher queaindanao erasua, afastava os olhos dacena e fingia ocu   par-secom o prato a sua frente - masnao adiantava,porque ela própria chamava a sua atern;ao,forc,;ando-o a falar com ela, fazendo-lhe alguma perguntacordial sobre os costumes de Tróia,fingindo uminteressequenao ti   nha, só paraqueele a olhasse,enquantoela, comurna ponta de riso no canto da boca, larn;:avaseusbrac,;os alvosem torno do pescoc,;o domarido. Assim, mesmo a distancia, comec,;aram a viver um só para o outro, unidos por todosaquelesfios invisíveis queEros, o deusdoamor,estendeentre os que se dese   jam.EErosestava ali, em volta da mesa,embora nin   guémtivesse percebido osuave tremular da chama das velasque anunciou a sua chegada.Eleestavaaliporqueera o filhoquerido de Afrodite e estava cumprindo o de   sígnio da mae,quequeria juntar o homemmaisbelo de todos com aquela mulher que, na terra, representava tuda o que a deusaseria se vivessecomourna mortal.A sortedeles já estava trac,;ada, e Erosdeu início a danc,;a do amor.Se Helena beijava a filha,Hermione, Párisdava um jeito de pegar a menininha nocolo e beijá-la nomesmolugarondeela tinha pausado os lábios. Se Helena afastava de siatac,;a de vinho, Páris aproveitava a distrac,;ao de Menelau para puxar atac,;a para seu lado e beber um galedemora   do,semicerrando os olhosnumaexpressao de prazer.Na   quelashorasencantadasdo jantar, Helenacomec,;ou a vestir uma túnica de tecido maispesado,que se abriacada vez ,¡111· ,·la se inclinava sobre a mesa - e Páris podia ver, q11:1sl'11t1m delírio, o seio firme, com o pequeno botao 1111111m·scido que denunciava a excitac,;ao queelasentia ao ¡w1n·herqueeleagora enxergava o seu carpo. <) olhartinhafeito sua parte, instalando umdesejo 111.,1q1ortável nacarne de Páris e Helena. Ela era muito 111;1is prudente, e conseguiaesconder de Menelau e dos rn11ros a sua perturbac,;aocadavezque via Páris. Ele, no ,·111a11to, embriagadopelodesejo,agia com aquela impru   drncia dos apaixonados, que vivem na ilusao confortável de que ficaram invisíveis e queninguém a seu redor con   :;cgueperceber os olharesdemoradosou os suspiros so   lridos, carregados de significac,;ao. Já nao havia segredol'l1tre as damas de companhiaque viviam no palácio e que 1i11 hammais intimidade com a rainha; nos aposentosonde as mulherespassavam o dia trabalhando nos teares,cor   riam livremente maliciososcomentáriossobre a belezadoestrangeiro.Numatardeemqueelas se entregavam a ani   madasespeculac,;oessobrecomoseria a virilidade de Páris,umadelas,mais atrevida, olhou sugestivamenteparaHe   lena e disseque invejava a mulher quetivesse a sorte de deitar comele,pois os deusestinhamdado a ele um cor   po feito maispara o amor doquepara a guerra - e Helenaapenas sorriu, sem dizerpalavra,exultante, encantada por saberqueela o teria nomomento em quequisesse.Páris tinha passado a maior parte desua vida entre a gentesimplesdomonte Ida, e pouco ounada conhecia do jogo sutil das mulheres.Noentanto, talvez por heranc,;a dopai, o velho Príamo,que tinha sidoamadopormuitas - ou talvezpor umpresenteespecial da própriaAfrodite, para torná-loirresistível -, o certo é queele,desdequechegara a Esparta,sentía-se como se soubesse exatamente o que fazer, nahoracerta,sem a menorhesitac,;ao.Porisso,nao podiadeixar de perceber os olhares divertidos que as aiasdeHelenacomec,;aram a lanc,;aremsuadirec,;ao, sempreque o encontravam no palácio.Vendo nisso um 4243
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