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A Substância Social Da Memória Eclea Bosi

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Ensaio sobre o caráter social da memória
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  J il tO~ Hlh ~·~ 11 :4 ; ..t r: ..... 21. uwuu t~~ na fOYJ ,. 4o Ltwu. Sf . t h -tr.UUlãfJMCOlosaa : Aadáa Ed,IOrial. ISUN , ã 74t 0 J. 1 1 Mcmúnu .. A p e a ci i~ ç a 1 1' 1tulo . U i uJu . : wo de Pt icoloJia lNb 1 Mcmón Pw l(  1 ã --- A SUBSTÂN IA SOCIAL DA M EMÓRIA História e rônica A história que estudamos na escola não aborda o passado re- cente e pode parecer aos olhos do aluno uma sucessão uni linear de lutas de classes ou de tomadas de poder por diferent es for -ças. Ela afasta, como se fossem de menor importância, os as- pectos do quotidiano, os microcomportamentos, que são funda- mentais para a Psicologia Social. Estes aspectos são abrangidos pelo que chamavam na Idade Média de · crônica (não esquecer a raiz chronos = tempo), ane -dótica, tecida de pequenos suce~sos, de episódios breve da fa- mília, de cenas de rua vividas por anónimos. As comunas medievais tiveram seus cronistas qu' narrava1n episódios agradáveis, pitorescos, enfin1, aquilo qu p d rno chamar de crônica urbana. Levund cn conta son ent os ro - nistas italiano s citemos, cn Mi I o, Landol fo ' ni or e Junior, autor de Historiae M edio lanenses 111 latirn vulgar ( éculo XII ; em Gênova, os Anais de Cá/faro di Rustico (século XII ; 13 ._ f~ ~  .. 1 \' \  O TEMPO VIVO DA MEMÓRIA ein Parn 1 a. o Chronicon (século XIII , em latim v ulgar , onde percebernos o hun1or n1aldizente do Irmão Salimbene da Par ina, obra rica cn1 p quenos episódios, em conversas de rua, de un1a janela para utra. A cidade de Florença conserva o registro de dois cronistas do s culo IV: Dino Compagni , que , na Croni ca delle o se occorrenti n e te npi suoi trata da vida familiar e política da ci dade, onde Da nt e se inspirou para descrever se us contemporâ neos e prometer a ida de alguns ao inf erno; e Gio vanni VilJan i. autor da Nuova Cronica que curiosamente começa a história de Florença pela descrição da Torre de Babel. Eis alguns cronistas 1-- - . do povo ou da pequena burguesia nascente. Na verdade, eles - e- . - .,,~, registraram a memória oral. Provando a oralidade da s fonte s. os C/,;. · - : -y 6: {: dicionários italianos buscaram nos cronistas florentinos as pa- lavras em uso na Idade Média. Quando, para vencer as corporações dos ofícios  , as si no- rie se instalam, a burguesia concentra seu poder nos centros ur banos: os Doria em Gênova, os Vendramin em Veneza, os Co lonna em Roma, os Mediei em Florença, os Visconti e os S forza em Milão, os Grimaldi em Mônaco .. A história destas cidade se torna uma história política compacta e vai regist rar o poder das grandes famílias, dos reinos, da guerra entre os estados. A crônica será relegada como um gênero literário meno r. que trabalha com o aspecto descontínuo dos eventos. Uma 4 ·c nu nuidade costurada pelo presente surge, unitária e tele l gi ·a. . l · d Lu1: como se todos os eventos tivessem um fin1: a g na XIV de Napoleão, das monarquias nacionais t ~. . . · d h1stOfll, Quando no s anos sete nta, as ran I s t n,l ~ · a . ntrJ.111 como a teoria evolucionista, a t eoria h cg li ano - n1ar , 1 ta e . . . . 6 . Pohoc a. em crise, entra em cri se tan1bé.1n o nodo da Hi 5 c na ~ O . . . 1 Iu oar con10 a e oceano de pequenas estonas tomara et · o , 4 '  J J,-  · ; e . l J- _   _ _, ,_ sun~TÀNC tA SOCIAL l)A MHM(JHIA ria d d ~.. t  t t.:, on t nu , o pontual, do qu , par ·e ã fra J mcntário, ao p nto d squ cer o te ido hist<. rico qu sus t ·n1a os fatos, como aso da psi ologia dos ini crocon1portam en to s. P r que a crônica a tradição oral cs t~ o de novo valorizadas? memória oraW um instrume nto precioso se desejamos constituir a crônica do quotidiano. Mas ela sempre corre o risco e ca1r nun1a · ideologização da história do quotidian , como se esta fosse o avesso oc ulto da história política hcgemônica. Os velhos, as 111ulher es, os negros, os trabalhadores ma nuais, camadas da população excluídas da história ens inad a na escola, ton1an1 a palavra. A história, que se apóia unicamente en1 docun1entos oficiais, não pod e dar conta das paixões individuais que se esconden1 atrás dos episódios. A literatura conhe- - ia já esta prática pelo n1enos desde o Romantismo: Victor Hugo faz surgir Notre Dame de Paris num quadro popular me dieval que a história.oficial havia desprezado. A mernória dos velhos pode ser trabalhada co1no un1 mediador entre a nossa geração e as testen1unhas do passado. E la é o intermediário inforn1al da cultura, visto que ex ist en1 1n ediadores formalizados constituídos pelas instituições (a esco la , a igreja, o partido político etc.) e que ex iste a tra nsn1is são de va lores, de conteúdos, de atitudes, e nfim , os con tituintes da cu ltura. A memória oral, longe da unilateralida lc para u qual ten dem certas instituições, faz int ervir pont s d~ vist~\ contradit -rios, pelo 1nenos distintos entre eles, e ní se cnc ntra a sua maior riqueza. Ela não pode atin°ir un1n t ria da história nem pretender tal fato: e la ilu stra o que c ha1na1nos h je a História das Mentalidades, a História das Sen, ibilidades. - 1 i

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Sep 5, 2017
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