Others

A teia de Penélope - Ilmar Mattos - O Tempo Saquarema - Fichamento - completo

Description
O Tempo Saquarema - Fichamento - completo
Categories
Published
of 15
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
   A teia de Penélope* A ação desenvolvida pelos Saquaremas. Os procedimentos de que lançarammão para expandir a capacidade regulatória do Estado que ajudava a forjar,particularmente no que dizia respeito aos cidadões ativos; os esforços quedesenvolveram com a finalidade de alcançar a restauração do monopólio da mão-de-obra; e, por fim, a maneira pela qual buscavam empreender uma expansão,tecendo também com os fios da civilização os nexos entre os homens livres.1. Os Olhos do Soberano* Os Saquaremas aborreciam um poder fraco. A prevalência das paixõespartidárias, o predomínio das influências locais e a persistência das lutas entrefamílias - eram vistos como as razões de um poder fraco, e nele se nutriam.* Somente um poder forte poderia tanto oferecer suficiente garantia a ordempublica e a bem estendida liberdade , quando tornar audível a voz da Razãonacional, única e verdadeira indicadora do pensamento e necessidades publicas .P. 194* O poder forte, aos interesses comuns e gerais da sociedade; ele era apossibilidade de propiciar a maior possibilidade de propiciar a maior felicidade aomaior numero, o que no entender de Bentham, em quem também se insperava,era o único critério defensável do bem social. P. 194* O poder fraco guardava relação com a descentralização, e tinha no governo doEstado o seu instrumento natural, o qual não se empenharia em exterminar asfamílias, e sim em impedir as lutas entre elas, em neutralizar suas exagerações .P. 194* Da associação entre unidade do poder e unidade da Nação, assim como daassociação entre Poder forte e centralização, os Saquaremas faziam derivar aconclusão sobre a inaplicabilidade ao Império do Brasil da formula o Rei reina,mas não governa . Sustentavam, ao invés, e na formulação de Visconde deItaboraí por ocasião da crise de 1868, que aqui o o Imperador reina, governa eadministra . P.195* O Poder Moderador como a chave de toda organização política -, assim comona atribuição do Poder Executivo - de um papel fundamental na constituição deum poder forte e centralizado. P. 195* Uma organização política sólida e duradoura repousava na centralização, muitoembora a organização administrativa pudesse dispensa-la em parte. Todavia,quando a centralização administrativa aparecia reunida à centralização política ougovernamental, esta tornava-se uma força imensa. P. 197* De acordo ainda com Uruguai (visconde), nos governos Representativos o Poder Político reparte-se entre o Poder Executivo e as Câmaras Legislativas. Mas oPoder Administrativo, visto que as Câmaras não administram. P. 197* Destas repartições e distinção deveria resultar a prevalência do Executivo noPoder Político. Todavia, para que houvesse ordem e garantias para o cidadão,tornava-se indispensável que a legislação decompusesse o Poder Executivo. P.197  * O Executivo necessariamente forte e centralizado, além de dividido em governoe administração. Nestes termos, enquanto governo o Executivo cumpria um duplopapel: era cérebro em relação à Administração, que dele era o braço , e braço em relação ao Moderador, que dele era o cérebro , detentor da Razão,indicadora dos interesses de toda a sociedade. P. 199* ... o imperador devia reinar, governar e administrar porque sua figura sintetizavao papel de Partido que a restauração da moeda colonial atribuía à Coroa. Comouma espécie de grande agência administrativa, a Coroa deveria conduzir tanto asrelações externa quanto as internas, e o fazia por meio de seu braço : oExecutivo. P. 199* Conduzir a política externa era, nestes termos, resistir a pressão britânica, o quese consituia em argumento poderoso na defesa do fortalecimento do governo-geral.* Assim, no que diz respeito a este aspecto particular e prioritário da políticaescravista do Império até meados do século - a questão do trafico negreirointercontinental - as negociações e decisões deveriam incumbir com exclusividadeao governo-geral. P. 199* ... a defesa de um governo forte e centralizado se desdobrava na defesa danecessidade de ampliação dos recursos financeiros, de modo que se pudesseconstituir um eficiente aparelho administrativo”. P. 199* ...a coroa reivindicava também o monopólio da condução das relações internas.E nesse campo sua atuação era norteada por dois grandes referenciais quedestacavam o papel que lhe competia de não só garantir a restauração ereprodução dos monopólios, mas também de preservar as diferenças no interior da própria classe senhorial. P. 200* Esses referenciais eram a manutenção da Ordem e a difusão de umaCivilização: foram eles que ditaram o equilíbrio e a hierarquia, sempre mutável,entre os ministérios ou pastas que compunham o Executivo. P. 200* A medida que os Saquaremas foram consolidando suas posições no interior domundo do governo, unindo a seus propósitos mesmo aqueles homens livres nãoproprietários, o tema da Ordem passou a ser secundário, sendo suplantado peloda necessidade de difusão de uma Civilização. P. 201* Caracterizando um novo equilíbrio de forças, à Secretaria de Estado dosNegócios do Império competia conhecer a população do Império, por meio daorganização do registro civil, da realização de recenseamentos e daregulamentação dos direitos civis políticos dos estrangeiros: cuidar dos assuntosreferentes a saúde publica e ao controle sanitário; organizar o ensino primário naCorte e o superior em todo Império... p. 201* A centralização possibilitava uma vigilância que tanto era um controle sobre asinfrações das regras impostas quanto uma moldagem daqueles que se tinha emvista civilizar. P. 202* ...a topografia do pais, sua extensão, as divisões territoriais, a dispersão dapopulação, a dificuldade de comunicações, o pequeno numero de homenshabilitados para a gerencia dos negócios nas localidades, a pequena integraçãoeconômica entre as províncias... p. 202* Os sempre vigilantes olhos do imperador eram condições para o triunfo daOrdem, possibilitando a difusão da Civilização; o triunfo da Civilização era a  condição para a difusão dos valores de uma Ordem. Sob o olhar dominante evigilante do Poder, o Progresso era a Conservação. P. 203* Estes olhos vigilantes se apresentavam como a garantia da liberdade, impedindotanto o movimento furtivo daqueles que pretendiam restaurar as trevas dadominação colonial quanto os atos dos que colocavam sempre em primeiro planosuas ambições pessoais e particulares. P. 204* ...esse papel de vigilância reafirmava o caráter que a moeda colonial lheatribuíra. O momento de restauração dessa moeda era também o momento emque a cidade tornava a sublinhar sua diferença em relação à das Naçõescivilizadas , p. 204* ...o caráter pré-burguês do Estado imperial, o qual se definia fundamentalmentepela interdição do acesso ao aparelho de Estado nos membros da classeexplorada fundamental; os escravos. Nestes termos, os cargos da administraçãopublica estavam, por essência, reservados ao contingente de homens livres emgeral, quer fossem detentores de monopólio, quer fossem apenas proprietários desuas pessoas. P.208* ...o que se apresentaria, desde então e cada vez mais, como representação dosinteresses gerais, assumindo a forma do governo do Estado em oposição aosinteresses particulares, não era senão uma forma superior de organização de msegmento desses últimos, objetivando uma restauração e mesmo uma expansão.Ou dizendo de outra maneira, aquilo que se constituía e é apresentado comopúblico emergia dos interesses particulares, do que é apresentado como privado.P. 209*A constituição do público assumir seu conteúdo, muitas vezes, da construção denovos espaços neutros , isto é, e fora do alcance dos monopólios que dedistinguia o governo da casa. Relatórios dois presidentes de províncias, referentea necessidade de construção e de prédios públicos: cadeias, escolas, câmarasmunicipais. Fala-se também da necessidade da construção de estradas, pontes ecanais públicos não só porque se acreditava que tais melhoramentos materiaispropiciava riqueza de civilização, mas também porque deixa época joanina eisdesentendimentos se constituíam como maneira eficaz de estreitar as aliançasentre os monopolizadores de terras e de escravos e aqueles que detinham acapital, além de aproximar a casa do estado . p. 210Competia ao chefe de polícia tomar conhecimento das pessoas que de novo eviesse a habitar o distrito: conceber passaporte , o obrigar os vadios, mendigos,bêbados, prostitutas, turbulentos é assinar termo de bem viver, e aos legalmentesuspeitos da pretensão de cometer algum crime , termo de segurança; vigiar associedades secretas e coibir os ajuntamento ilícitos; inspecionar os teatros eespetáculos públicos; além de organizar a estatística criminal da província e, por meio dos seus delegados, subdelegados, juízes de paz e pároco, o arrolamentoda população. P. 211Construção de prédios públicos, realização de melhoramentos materiais,levantamento de dados e confecção de mapas, exercícios de ir à vigilância econtrole punham em contato, a cada passo, o elemento particular e o governo, até  mesmo porque não raras vezes e está em último era obrigado a recorrer aoprimeiro, como decorrência da escassez de recursos, da extensão do território eda dispersão da população. P. 212Professores- todos esses e algumas mais, em graus variados em situaçõesdiversas , nos níveis o local, e municipal, provincial ou geral, tornaram-se peças eestratégicas no jogo de constituição do estado do imperial e da classe senhorial, o jogo e não sei travava e exclusivamente entre o governo da casa e o governo doestado.p. 213:... agentes da administração pública, e também da centralização.... A postura queadotamos em relação ao estado na parte anterior, o qual não foi consideradoapenas e nem principalmente em seu aspecto de dominação ou coação , massobretudo de direção. Por isso mesmo, o conjunto dos agentes administrativosque deve ser entendido como um conjunto de dirigentes, em que pese diferençasinternas e o grau relativo de homogeneização. P. 213Neste sentido, o redator de uma folha local não raro se constituía como agente dacentralização muito mais significativo do que um empregado público. Os valoresde ordem, a de adesão ao império e ao imperador , de respeito à constituição aospoderes políticos que as folhas locais difundiam, ao lado das campanhas em proldos melhoramentos materiais, cumpriam um papel conservador e integrador quenão encontrava a comparação no desempenho do mais dilingente o dosempregados públicos. P. 213 ... a ação centralizadora que a instituição desenvolveu não se prendenecessariamente aquelas regulamentações, e assim a sua rotina e ritual,poderosos e eficientes meios de difundir uma civilização, isto é, os princípiosconservadores que também os saquaremas professavam. P. 214 A guarda nacional foi o mais eficiente e poderoso agente difusor das noções deordem, disciplina e hierarquia, da associação entre unidade do império e unidadeda nação, do estabelecimento da relação entre a tranquilidade e segurançapública e Monarquia. P. 214Todavia, se os jornais, a guarda nacional, o teatro de Martins Pena, os médicos ,os professores e outros agiam no sentido de uma adesão de um contingentesignificativo dos homens livres aos valores professado pela classe emconstituição, um papel também estava reservado aos empregados públicos. P.214E deste embate entre o exercício da administração e as normas que insistiam emdisciplinar a atuação daqueles por ela diretamente a responsáveis resultava a teiade Penélope. E também a estratégia que os Saquaremas definiram para, nestecampo particular , alcançar uma centralização, ao mesmo tempo que a justificava.P. 215
Search
Tags
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks