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A Telepatia Canina

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Será que os cães conseguem ler a nossa mente? Como nos entendem tão bem? Exploramos aqui diversos estudos científicos sobre a relação dos cães connosco. https://www.mundodosanimais.pt/
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  • 1. A TELEPATIA CANINA www.mundodosanimais.pt
  • 2. TODAS AS EDIÇÕES EM: www.mundodosanimais.pt/ revista
  • 3. ARTIGO DISP www.mundodosanimais.p
  • 4. PONÍVEL EM: pt/caes/telepatia-canina
  • 5. MUNDO DOS ANIMAIS
  • 6. www.mundodosanimais.pt Q ualquer pessoa que já tinha convivido com um cão sabe que os cães, entre todos os animais, parecem ter uma sintonia especial connosco. Quantas e quantas histórias lemos sobre o cão que deu uma atenção muito especial ao dono quando este estava a passar por um momento menos bom (mais triste, mais desiludido ou stressado), ou até quando se encontrava doente ou com alguma dor ou mal-estar. Quando o cão parecia saber coisas so- bre o nosso estado de espírito que em princípio não teria como saber — e nós não teríamos como lhe contar. Neste artigo, vamos olhar para alguns estudos científicos que visam entender aquilo a que, não oficialmente, chama- mos de telepatia canina. Os mecanis- mos que levam um cão a compreender- -nos melhor que qualquer outro animal. Qual o alcance das suas capacidades, e qual o limite das mesmas. No fundo, descobrir o melhor amigo do Homem.Fotografia: Tal Atlas / via Flickr A Telepatia Canina
  • 7. MUNDO DOS ANIMAIS Podem os cães ler a nossa mente? O s cães estão tão sin- tonizados connos- co que podem ler as nossas mentes, de acordo com um estudo publi- cado na Learning & Behavior. O mesmo estudo indica que os cães, provavelmente, já nas- cem com essa habilidade. À medida que os cães se en- contram junto dos seres huma- nos, mais habilidosos se tornam em telepatia canina, que resulta da hipersensibilidade dos senti- dos. Todos aqueles que têm ou já tiveram cães em casa duran- te algum tempo, com certeza repararam na forma como os cães nos entendem de uma forma particularmente bem, de- tetando sinais do nosso cansa- ço, stress, dores de cabeça ou outros problemas antes de nós, conscientemente, os exibirmos. Os cães são também conheci- dos por conseguirem detetar se uma pessoa tem cancro. Pare- cem igualmente sentir quando estamos felizes e/ou de ótima saúde. Monique Udell e a sua equipa, da Universidade da Florida, re- fletiram sobre o porquê de os cães serem tão perspicazes a ler a nossa mente, e como o conseguem fazer. A questão é, os cães nascem com essa ha- bilidade, ou vão aprendendo com a experiência do contacto humano? Para explorar estas e outras questões, Udell e a sua equipa planearam duas experiências, envolvendo tanto lobos como cães domésticos. Nas expe- riências, foi dada a oportunida- de aos dois animais de pedirem comida, a uma pessoa atencio- sa e a uma pessoa indiferente. Os investigadores observaram pela primeira vez que os lobos, tal como os cães domésticos, são capazes de ir pedir comi- da à pessoa atenciosa, aproxi- mando-se dela. Isto demonstra que ambas as espécies, domesticadas ou não domesticadas, têm a capacida- dedeproduzirumcomportamen- to mediante a atenção que uma
  • 8. www.mundodosanimais.pt Fotografia: @dihpardal Diogo Fernando / via Flickr pessoa demonstra, consciente ou inconscientemente, por eles. Uma vez que os lobos não têm experiência no contacto com seres humanos, é assim muito provável que esta habilidade já nasça com eles. Os cães, além de nascerem com a habilidade, podem aper- feiçoar à medida que mantém o contacto com seres humanos, pelo que um cão que viva com pessoas desde bebé, terá em adulto uma capacidade supe- rior de ler a mente dos seus do- nos, do que um cão que, por al- gum motivo, como o abandono ou o nascimento na rua, não conviva de perto com pessoas durante bastante tempo. Segundo a investigação, “os re- sultados sugerem que a capa- cidade dos cães para seguir as ações humanas deriva de uma vontade de aceitar as pessoas como companheiros sociais, combinada com o condiciona- mento de seguir os gestos e as ações dos seres humanos e adquirir reforço. Os tipos de sinais, o contexto em que são apresentados e a experiência prévia, são todos importantes”.
  • 9. MUNDO DOS ANIMAIS comunicação humana de uma forma que, anteriormente, es- tava atribuída apenas a bebés humanos de 6 meses de idade” explicou o co-autor de um novo estudo, Jozsef Topal, à Disco- very News. “Eles leem as nos- sas intenções de comunicação de uma forma pré-verbal, uma forma semelhante aos bebés” acrescentou Topal. A comunica- ção pré-verbal é a forma que os bebés nos interpretam e se ex- primem sem usar as palavras, pois não aprendemos logo a fa- lar. Os investigadores afirmam que Ler a nossa mente? Não exa- tamente O segredo dos cães parece es- tar nos nossos próprios olhos: os cães seguem os movimen- tos dos nossos olhos, que lhes dão sinais das nossas inten- ções. Os bebés humanos tam- bém possuem esta habilidade, descrita na publicação Current Biology. Esta revelação talvez explique porque motivo os do- nos costumam tratar os seus animais de estimação como se fossem crianças. “Os cães estão recetivos à Fotografia: Peer / via Flickr
  • 10. www.mundodosanimais.pt de anos, nos quais muitos dos atributos selvagens (como os lobos) foram transformados e adaptados pelos desafios de uma vida em conjunto com os seres humanos. Topal e a sua equipa suspeitam que os cavalos e os gatos do- mésticos também sejam capa- zes de ler as nossas intenções, uma vez que vivem de forma próxima a nós há também mui- tos anos. Num estudo à parte, publicado na Animal Behavior, os inves- tigadores descobriram que os os atributos sociais dos cães atingem o nível de uma criança com dois anos de idade, uma vez que o único talento que lhes falta é a linguagem. “Estes atri- butos dos cães ajudam a forta- lecer a ligação cão-humano, que é atualmente única tendo em consideração as diferenças biológicas entre as duas espé- cies”. Os cães foram os primeiros animais a ser domesticados e aparentemente sem benefícios diretos, como alimento ou pas- toreio. A cognição social dos cães evoluiu durante milhares Fotografia: Ricardo Mangual / via Flickr
  • 11. MUNDO DOS ANIMAIS
  • 12. www.mundodosanimais.pt Fotografia: brando.n / via Flickr
  • 13. MUNDO DOS ANIMAIS cães comunicam com as pes- soas para pedir, mas não para informar. Seja como for, fazem- -no de forma bastante concen- trada e intensa. Juliane Kamins- ki, líder deste segundo estudo, indicou que “fica demonstrado como os cães estão sintoniza- dos de forma intencional com a comunicação humana e quão importante determinados sinais são para eles, de forma a per- ceber quando é que a comuni- cação é relevante e direcionada para eles”. Topal pensa ser possível que os cães, por vezes, sejam até superiores aos seres humanos adultos no que diz respeito a interpretar intenções, uma vez que estão atentos a todos os sinais como odores, sons e ou- tras pistas que possam indicar algo. “Os cães aprendem facil- mente a associar até os com- portamentos inconscientes dos seus donos com as respetivas intenções. Desta forma, um cão adquire a habilidade de anteci- par o comportamento seguinte do seu dono, e isto em deter- minados casos dá a sensação de que o cão acabou de ler a nossa mente” concluiu Topal. Os cães compreendem-nos melhor que qualquer outro animal Apesar dos chimpanzés serem os nossos parentes mais próxi- mos, nenhum animal nos com- preende tão bem como os cães. É isto que sugere um novo es- tudo, publicado na revista cien- tifica PLOS One, ao concluir que os chimpanzés podem não ligar muito quando uma pessoa aponta para um objeto, mas os cães prestam atenção e sabem exatamente o que essa pessoa quer. “Penso que estamos a olhar para uma adaptação muito es- pecial dos cães, para serem sensíveis ás várias formas de comunicação dos seres huma- nos” disse a co-autora do estu- do, Juliane Kaminski, psicóloga da Max Planck Institute for Evo- lutionary Anthropology, citado pela Discovery News. “Existem múltiplas evidências a sugerir que as pressões seletivas du- rante a domesticação alteraram os cães de tal modo, que eles ficaram perfeitamente adapta- dos ao seu novo nicho, que é a companhia humana”.
  • 14. www.mundodosanimais.pt É mesmo possível que esta ha- bilidade já nasça com os cães, uma vez que cachorros de ape- nas seis semanas e sem qual- quer treino específico, já a pos- suem. Para realizar este estudo, Ka- minski e os seus colegas com- pararam quão bem os chim- panzés e os cães conseguem compreender o apontamento humano. Uma pessoa apontou para um objeto visível que se encontrava fora do seu alcance, mas dentro do alcance do ani- mal. Se um chimpanzé ou um cão pegassem no objeto, se- riam recompensados com um petisco adequado (fruta para o chimpanzé e ração seca para o cão). Os chimpanzés mostraram-se entusiasmados pela recompen- sa, mas ignoraram os gestos humanos. Os cães passaram o teste. Os chimpanzés não com- preenderam a intenção da pes- soa, ou seja, não viram o apon- tamento como algo importante e por isso, decidiram ignorar esse gesto. “Sabemos que os chimpanzés têm uma compreensão muito flexível dos outros; sabem quan- do os outros podem ou não po- dem ver, quando os outros po- dem ou não vê-los a eles, etc” explicou Kaminski. Não são, por isso, de alguma forma ignorantes, apenas não evoluíram a tendência de pres- tar atenção aos seres huma- nos, pois não necessitam disso no seu habitat natural. Os pró- prios lobos não possuem esta habilidade: “Os lobos, mesmo quando criados no seio de um ambiente humano, não são fle- xíveis com a comunicação das pessoas como são os cães” disse. E os gatos? Investigações anteriores de- monstraram que os gatos do- mésticos também prestam atenção ás pessoas e com- preendem os gestos humanos. Kaminski, no entanto, men- cionou que “os investigadores precisaram de os selecionar de entre mais de uma centena de gatos” sugerindo assim que apenas alguns gatos se colo- cam a par dos cães no que diz respeito a compreender as pes- soas.
  • 15. MUNDO DOS ANIMAIS Os cães sentem mesmo os nossos problemas Confortar pessoas angustia- das, por exemplo, pode estar mesmo implementado no cére- bro canino. Um recente estudo, publicado na Animal Cognition, concluiu que os cães podem ser realmente os melhores ami- gos do Homem, sobretudo se a pessoa estiver de alguma for- ma angustiada. Essa pessoa angustiada nem precisa de ser alguém que o cão conheça pre- viamente. “Eu penso que existem bons motivos para suspeitar que os cães são mais sensíveis ás emoções humanas que qual- quer outra espécie” disse a co- -autora Deborah Custance à Discovery News. “Nós domes- ticamos os cães por um longo período de tempo e fizemos uma criação seletiva para eles se comportarem como nossos companheiros. Assim, os cães que responderam de forma sen- sível ás nossas pistas emocio- nais tiveram maiores chances de serem os escolhidos como animais de estimação e de cria- ção” concluiu. Custance e a colega Jennifer Mayer, ambas do departamen- to de psicologia da University of London Goldsmiths Colle- ge, expuseram 18 cães a qua- tro encontros separados de 20 segundos cada com humanos, entre os quais se encontravam tanto os donos como estranhos. Numa das experiências, as pessoas emitiram sons a simu- lar aflição e fizeram de conta que estavam a chorar. A maio- ria dos cães tentou confortar a pessoa, independentemente de ser o próprio dono ou um estranho. Os cães atuaram de forma submissa, aninhando-se e lambendo as pessoas. As in- vestigadoras afirmam que este comportamento é consistente com empatia, preocupação e tentativa de dar conforto. Sobre o que irá dentro da ca- beça de um cão, existe outro estudo recente, publicado na PLOS One, que demonstra que o cérebro dos cães reage assim que eles observam pessoas. Neste caso, os investigadores treinaram os cães para respon- der a sinais gestuais que indi- cavam se iriam receber comida ou não.
  • 16. www.mundodosanimais.pt Fotografia: Jelly Dude / via Flickr O núcleo caudado do cérebro dos cães, uma área associada à recompensa nos humanos, mostrou ativação quando os cães sabiam que iam receber comida. “Estes resultados indicam que os cães prestam muita atenção aos gestos humanos” disse o líder da investigação Gregory Berns, diretor do Emory Cen- ter for Neuropolicy. Apesar de este último estudo ter tido como amostra de recompensa a comi- da, Custance e Mayer pensam que os cães, ao longo de milha- res de anos de domesticação foram tantas vezes recompen- sados pela sua aproximação a pessoas angustiadas que isso pode ter ficado implementado nos seus cérebros. O fenómeno pode ter um ele- mento do subconsciente. “Os cães bocejam contagiados pelo bocejo humano” disse Matthew Campbell, professor assistente do departamento de psicolo- gia da universidade da Geór- gia. “Nós selecionamos os cães para estar sintonizados con- nosco emocionalmente”. Descubra mais sobre cães em: - www.mundodosanimais.pt/caes
  • 17. Inspirar pessoas a melhor dos ani
  • 18. a cuidar imais Produção: Carlos Gandra Conteúdos: Carlos Gandra Contacto geral geral@mundodosanimais.pt Colaboração editor@mundodosanimais.pt A Revista Mundo dos Animais é uma publicação gratuita. Sinta-se livre para a distribuir por email, twitter, blog ou qualquer outro meio, desde que nenhum dos conteúdos seja de alguma forma alterado. Todas as edições podem ser ace- didas gratuitamente em: www.mundodosanimais.pt/revista Visite-nos em: © 2016 Mundo dos Animais www.mundodosanimais.pt /mundodosanimais @mundodosanimais +MundodosanimaisPt
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