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A​ ​TEMATIZAÇÃO​ ​DAS​ ​REDES​ ​PRIMÁRIAS​ ​DE​ ​MULHERES​ ​EM​ ​CASOS​ ​DE

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  COM   A DIFERENÇA   A   TECER RESISTÊNCIA 3º   Seminário   Internacional Desfazendo   Gênero 10   a   13   de   outubro   de   2017 Campina   Grande, Paraíba Simpósio   Temático nº   1: Violência sexual e   violência de gênero:   debatendo inscrições  políticas,   nomeações e   (des) articulações   teórico-metodológicas A   TEMATIZAÇÃO   DAS REDES PRIMÁRIAS DE   MULHERES EM   CASOS DE VIOLÊNCIA   DE GÊNERO:   CRUZANDO UM OLHAR PARA   AS   VÍTIMAS E   PARA O JORNALISMO. Anna Alice   Saliba    Nogueira 1   Mariana   Rosalina   Cordeiro   Ferreira da Silva 2  APRESENTAÇÃO  Aviolênciacontraasmulheresétemarecorrenteemtodasasmídias,aindaque muitas   vezes esse tipo   de crime   não seja tratado em   toda complexidade. Essaviolênciaéclaramenteevidenciadaatravésdeestatísticas.Apenassobre feminicídio,deacordocom‘’MapadaViolência2015:HomicídiodeMulheresnoBrasil’’, elaboradopelaFaculdadeLatino-AmericanadeCiênciasSociais(Flacso),acada100mil  1   Bolsista de Iniciação Científica na Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: annasnog@gmail.com.   2   Bolsista de Iniciação Científica na Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: silvamariana998@gmail.com.  mulheressãocontabilizados4,8assassinatos.Apesquisatambémrevelouque,em2013, 55,3%dessescrimesforamcometidosporfamiliaresdasvítimasenestetotal33,2%dos assassinos eram parceiros   atuais ou   exs. 3 Pensandonesseproblemaeapartirdaperspectivadosestudosemcomunicação,a  pesquisa“Narrativasdeumproblemacotidiano:Aviolênciadegêneroeotestemunho  jornalístico”vemsendorealizadanaUniversidadeFederaldeMinasGeraisemparceriacom oCNPq.Nasfasesiniciaisdapesquisaforamcoletadasdiversasnotícias,ondeforam identificadoscasosdeviolênciadegênero.Alémdisso,duranteoanode2016,trabalhamos nacoletaeanálisedetestemunhosdemulheresquesofreramalgumtipodeviolênciade gênero.Nototal,foram12entrevistadas,eapartirdafaladessasmulheresrealizamosuma tipificação para   fundamentar o    presente   trabalho.  Nesteartigo,propõe-seumareflexãosobreoauxílioàsvítimasnessassituaçõesde violênciarealizadoporoutrasmulheresdemaneiranãoinstitucionalizada.Procuramos compreender,apartirdaaproximaçãoentreasfalasdemulheresvítimasdeagressão entrevistadasedasnotíciassobreviolênciadegênerocoletadas,seépossívelidentificara existênciadeumaredeprimáriafemininadeapoioàsvítimase,emcasoafirmativo,comoela se configura. REFLEXÃO   TEÓRICO METODOLÓGICA Alógicaqueregeoscorposbaseia-seemumadistinção,tomadacomonatural,que afirmaadivisãoentresexo/gênero,causandoadualidadefeminino (dominado)/masculino(dominante).OsestudosdeJudithButlermostramqueessarelação  bináriaétomadacomopré-discursiva,apesardenãooser,poiséumaconstruçãosocialde ordenamentodoscorpos.Osgênerosmasculinoefeminino,usadosparafazeradistinção entreaspessoas,sãoestruturas,pontosdeconvergênciaderelaçõesconstruídassocialmente, culturalmente   e historicamente. (BUTLER,   2003) Paraabordaroconceitoaquiutilizado,recorremosaotermo“redeprimária’’,de Marques².   Essaredeprimáriaseriacompostapelasrelaçõesmantidasporproximidade,  3   Leia mais sobre os números e dados sobre a violência contra a mulher no Brasil em: http://www.compromissoeatitude.org.br/alguns-numeros-sobre-a-violencia-contra-as-mulheres-no-brasil/ ² Texto do autor mencionado: Redes sociais importam para a pobreza humana?  convívioeafeto,basicamenteafamília,vizinhançaeamizades.(MARQUES,2017)Épor  issoquedescartamosasrelaçõesinstitucionalizadasidentificadasnasentrevistas,por  exemplo entre delegada   e vítima, dentre outras. Aqui,contudo,desdobramosesseconceitoderedeprimáriaemredesprimáriasde apoiofeminina,reduzindooconceitooriginalapenasasmulheresqueestãonessecírculode sociabilidade.Essaescolhadeu-sepeloseguintemotivo:comoestudamosaviolênciade gênero,fizemosumexercíciodereflexãosobreoauxílioqueseriaprestadoaessamulherque sofreviolênciaporoutrasmulheres,emumexercíciodesolidariedadedegênero.Partimosdo  pressupostoqueatrocarealizadapelasredesdeapoioprimáriasseafirmapelareafirmação delaçossociais,diferentementederelaçõesinstitucionaisoumercantilizadas.Astrocasaqui nãopodemserpontuaiselocalizadas,e,consequentementeasolidariedadeéproduzidaem outro   nível.   (FONTES,   2017,    p. 90) Tambéméimportanteressaltaroplural(“redes’’,enão“rede’’),porquesão diferentesmodosdesocialização,cooperaçãoeapoio,emredessociaisdiversaseligadasque ocorremdeformaautônoma,espontânea/voluntáriaeinformalemespaçoseterritórios  próximos ,conformeregrasdereciprocidadeequealimentamovínculosocialentreas  pessoas. Porque,então,nossaideiadequedeveriahaverumasolidariedadeentremulheres,e quequandofoiidentificadoalgumapoionomaterialcoletadonósocompreendemos,apriori, como uma   forma   de empatia, não   se sustenta?   Porque: O“estar-juntos”nãodependesódepráticascompartilhadasditadaspelatradiçãoou mesmoporinstituições,masdependetambémdoslaçosdeempatia,solidariedadee amizadeformadosentreosindivíduosquecompõemumadadacomunidade.Nesse sentido,podemosafirmarqueossignificadoscompartilhadosoriginamuma comunidade,sim.Contudo,somenteosentimentodesolidariedadealimentaacoesão doslaçossociais,bemcomopossibilitaogestodereligaroindivíduoaotodo relacionalemúltiploqueéaredecomunitária(Morin,1997,p.22).(MARQUES, MARTINO, 2017, p.10) AorecorreraessavisãodeempatiavoltamosaMarqueseMartino,queafirmamque háum“endereçamentoaumoutrocomqualidadesquenãolhesãosingulares,masque caracterizamoutipificamaprópriarelação’’(MARQUES,MARTINO,2017,p.4)Esse endereçamentopodesertomadocomoarelaçãoentremulheresqueseconfigurapelo sentimentodepertencimentoaumacategoria,acategoriade‘“dominado’’,emoposiçãoade   “dominantes’’dafiguramasculina.Osautorestambémtrazemoelementodereciprocidade, quecausaidentificaçãoentreaspessoasafetadas.Contudo,hárealmenteumanoçãode comunidade partilhada pelas e   entre essas mulheres? Buscamosevidenciaraalteridade,asupressãodasdiferençasentreaspessoaspara quehajacompreensãoentreelas,nasrelaçõesfemininas.Porque,então,asmulheresnão  poderiamteressereconhecimentodesimesmascomomembrosdeumacoletividadeque sofre   injustiças   diante do   modelo de   masculinidade hegemônica? Oconceitodemasculinidadehegemônicadizsobreahierarquizaçãodomasculino sobreofeminino,determinandofunçõesepapéisdiferenciadosparacadaumdosgênerosque semantêmesemanifestamatravésdasrelaçõesdepoder.Ahegemoniadomasculinopode sersustentadapelaforçaeintimidação,sendoaviolênciadegêneroémaisumadas ferramentas de   manutenção dessa masculinidade. Comointuitodeanalisarerefletirsobreasquestõesfeitas,coletamososeguinte materialparaanálise:utilizamosas12entrevistascomponentesdocorpusdapesquisae, quantoàsnotícias,deumtotalde515relatos,identificamoseanalisamosapenasaqueles ondesepodeperceberapresençadaredeprimáriadeapoioemquestão.Das12entrevistas, em10foipossívelverificaramençãoatalredeprimáriadeapoio,oquepermitiuconstatar  queelastêmalgumgraudeimportânciaparaessasmulheres.Jánós515textosjornalísticos, a   rede foi assinalada 41   vezes. Subdividimosaanáliseemtrêscategoriasapartirdeelementosquesemostraram  bemevidentesnomaterialcoletado,sejaporsuarecorrência,sejaporqueabordama configuraçãodesseauxílioentremulheresnocasosdeviolência.Cadacategoriaserá explicada ao   decorrer do   texto. ANÁLISE   GERAL   4  Nossobancodedadosfoicompostodaseguintemaneira:demaiode2013ajaneiro de2014,duranteumasemanadecadamês-totalizando8semanas-,foramcoletadasnotícias dosseguintesveículos:JornalNacional,BalançoGeral,JornaldaAlterosa–2ªedição;  jornaisimpressosEstadodeMinaseSuperNotícia,programaderádioJornaldaItatiaia–1ª edição;eosportaisUOL,UaieG1.Erammatériasjornalísticassobrecrimesdeproximidade  4 Éimportanteenfatizarquealgumasnotíciasqueconstamnobancodedadosabordamomesmo caso/acontecimento, mas são de veículos diferentes.
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