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A variabilidade na arqueologia (comple

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  CLASSIFICAç Ão EM ARQUEOLOGIA Robert C. DunnellUSF UNIVERSIDADE DE SAO PAULO Reitorq Suely Vilela I/ice-reitor Franco Maria Lajolo Tradução Astolfo G. M. Araujo I dusP I ED]TORA DA UNIVERSIDADE DE SAO PAULO Diretor-Presidente PlinioMartins ìlho PresidenteYice-?residenle coMISSÃO EDITORlAL José Mindlin Carlos,¡ lberto Barbosa Dantas Benjamin Abdala JúniorCarlos Augusto Monteiro Maria Arminda do Nascimento A¡¡uda Nélio Marco Yincenzo B\zzo Ricardo Toledo SilvaDiretora Editoriøl Direlorø ComercialDire torø Á dmini slrø /iøa Editoras-øssisten/e¡Silvana Biral Ivete Silva Peter GreinerMarilena Vizentin Carla Fe¡nanda Fontana Mônica C¡istina Guimarães dos Santos ú1þ(? edusp  antropologia cultural ultrapassada, complicada por dados muito in- feriores. Os interesses, e não os métodos, da antropologia cultural e de sua aníloga antiga chamada 'feconstrução cultural , é que são uma contribuição valiosa para ^ arqueologia. Ainda aqui, o impor- tante não é criticar a reconstrução cultural como tal, mas simples-mente ressaltar a sua exclusão do domínio da ciência e diferenciá-la da arqueologia. Na discussão das relações da arqueologia com a história e a antropologia sociocultural, abordagens alternativas ao estudo dos a¡tefatos têm sido indicadas. História e antropologia sociocultural não são, é claro, as únicas alternativas em termos do estudo das ati- vidades humanas. Existem vários campos de conhecimento bem de-senvolvidos, principalmente dentro das chamadas humanidades, quese ocupam de um segmento mais restrito das atividades humanas. Muitos tipos de estudo e investigação têm algo a oferecer sobre os vestígios do passado do homem. A arqueologia é apenas um desses estudos, a ciência voltada especificamente para esses vestígios. O problema a ser examinado nos capítulos seguintes é simples-mente um delineamento de como se passa de uma ciência em geral para uma ciência dos artefatos - essencialmente uma substituição da ciência no esquema geral apresentado na Parte I pela arqueologia conforme definida aqui. A definição de arqueologia fornece todos os elementos necessários para se dar o passo básico de ciência para uma ciência de artefatos. Dado o esquema anterior, isso é dito prin- cipalmente em termos de uma mudança de arranjo das coisas para o arranjo cultural das coisas. Aqui não se faz nenhuma tentativa de desenvolver novos meios que permitam dar esse passo, mas busca-seantes tornar explícita a manifestação implícita desse passo na litera- tura de arqueologia. ú6 C las s i.fi e açâ o e m Árg ue o logia 6. Classific çã.o emArqueologia PnnR eu¡ sE possa utitzar diretamente as proposições explicadas na Parte r, é necessário que possamos tratar a arqueologia como um caso especial de ciência, como uma restrição característica do campogeral. A definição de arqueologia fornecida no Capítulo 5 permite esse tipo de derivação mediante a estipulação dos tipos de restriçõesnecessárias para converter a ciência, que é uma noção abstrata, na ciência dos artefatos, que é uma das várias ciências específicas. Utili- zando essa definição, a arqueologia pode ser vista como uma ciência restrita à explanação dos artefatos em termos culturais. A sistemá- tica, ou os meios de formular unidades, que foi o assunto discutido na Parte r, é tida em comum por todas as ciências especiais; porém a forma específica das unidades empregadas e os tipos de escolhas e decisöes tomadas em sua formulaçäo são diferentes para cada ciên- cia. São os tipos particulares de arranjos de fenômenos, governados em sua forma pela teoria da ciência específica, que fornecem o mate-rial básico para a ciência e suas operações. Osfenômenos cøtegorizødos ?ara uso ?or uma ciência especfca costun ørt denorninør-se dødos, e o termo será empregado aqui esffitamente a esses fenômenos cate-gorizados. O termo fenômeno seút mantido para coisas e aconteci-mentos sem essa categorizaçáo. Em seu sentido mais abrangente' os r67  , dados da arqueologia são os artefatos. Como os meios de distinguir os artefatos de outros fenômenos foram necessariamente discutidos ao se definir a arqueologia, o problema a ser considerado agora ê. como esses dados são estruturados para explanação pela arqueologia. Dada a nossa restrição à teoria formal, a transição lógica de ciênciaem geral para uma ciência de artefatos é uma questão ða derivação do arranjo cultural apartir do arranjo em geral. A sistemática é necessariamente parte de qualquer esforço cien-tífico, apesar de ela própria raramente constituir o foco desse esforço. Os meios pelos quais as unidades utilzadas foram criadas e o modocomo são identificadas no mundo fenomenológico são geralmente implícitos, visto que o investigador aprendeu implicitamente o que tem sido tradicionalmente empregado. A ava\açáo de tais unidades é até menos comum do que a sua apresentação explícita. A arqueolo- gSa náo é uma exceção. Essa deficiência é muito mais relevante paru. a arqueologia do que para outras ciências Íïsicas porque, como já foi dito, o objeto de estudo da arqueologia não pode ser visto como algo externo ao investigador. O investigador é parte dele, assim como oseu trabalho. A tentaçio de usar seu próprio bøckground cultural à guisa de teoria para criar e manipular as unidades, em vez de tratat esse mesmo background como objeto de estudo, é grande e danosa. A sistemática explícita, porém, permite que o arqueólogo separe analiticamente seu background cultural. da teoria empregada em suas investigaçõe s, fazendo também com que a teoria parcamente expres- sada ou não-expressada seja explícita. Existem, obviamente, importantes exceções a essa síndrome do implícito que grassa na literaflrra arqueológica, trabalhos que consi-derani ponderadamente a sistemática em relação tanto aos fenôme- nos quanto aos problemas. Por va¡ias razöes, tais trabalhos não fo- ram explícita e sistematicamente empregados, seja pela maioria dos arqueólogos orientados para assuntos substantivos, seja pelo núme- ro crescente de pesquisadores orientados para métodos estatísticos. Apesar da escassez de uso explícito, obras como Prehistorlt of Haiti: A Study in Method de Irving Rouse, 7be Archøeology ofAlkølai Ridge,r68 C løs s ific aç ão e m Arq ue o logi a de J. O. Brew, e mais dois artigos, um de Alex D. Krieger, intitulado  The Typological Concept , e outro de Albert Spaulding, statistical Techniques for the Discovery of Artifact Types , formam a base im- plícita de quase tudo o que na literatura pode ser chamado de arqueo-logia. É diffcil avaliar se esses trabalhos, num sentido histórico, foram de fato a derivação das unidades empregadas na literatura ou se são simplesmente expresSões explícitas de uma abordagem preexistente, porém implícita, utlhzada pelos pré-historiadores. A despeito disto, os arranjos tradicionalmente empregados na arqueologia são com- preensíveis em termos das noções discutidas nesses estudos. Talvez o elemento mais notável seja o fato de que nenhum deles levou a umaumento significativo na clareza da sistemática dentro da discipli- na. A principal suspeita, dentre as causas dessa condição, é o fato de que'nenhum deles apresenta um esquema completamente liwe deconexões substantivas. Além disso, em maior ou menor grau, todos os trabalhos estão desnecessariamente imbuídos de propriedades in- ferenciais. Foram esses aspectos inferenciais que receberam atenção por parte dos autores e dos estudantes, e esses mesmos aspectos so- freram severas ejustificadas críticas e rejeição. O artigo de Spaulding se preocupa tanto com o agmpamento do primeiro tipo discutido no Capítulo 4 quanto com a classificação, enquanto os estudos de Brew, Krieger e Rouse se mantêm basicamente no campo da classificação. Necessariamente, estes três ultimos estudos e sua elaboração subse- qüente formam a base do exame da classificação em arqueologia que será desenvolvido aqui, enquanto a referência de Spaulding constitui a base para o agrupamento, discutido no capítulo seguinte. No âmbito dos arranjos característicos da arqueologja, a classi- frcaçáo tem um papel crucial na transição da ciência em geral parauma ciência dos artefatosr posto que, conforme foi mostrado, a clas- si-ficação é o único meio de criar as unidades intensivamente defi-nidas necessárias para a ciência. Essas unidades, como sucede com outros tipos de ciência, tornam-se dados na medida em que com- preendem todos os atributos relevantes dos fenômenos estudados no tipo particular de investigação representado pela arqueologia. Além C I as s ific aç ã o e m Arg u e o I ogi a úg  do mais, elas fornecem os termos a partir dos quais os dados podem ser discutidos e manipulados. É conveniente, portanto, determinar as especificações a que toda classificação deve chegar para uma arqueo- logia em termos gerais antes de tratar formas mais específicas. Lembrando as considerações anteriores a respeito da classifica- ção, é necessário que o campo para. ^s classificações seja definido, juntamente com o problema para. o qual a classificação se dirige e os atributos a serem usados na criação de classesifl{esse nível mais geral de interesse, o;campd é aquele delimitado pelo conceito- de ar- -t_çfato, objetos que devem alguns de seus atributos à ação humana. [ditiãËhr ìé igualmente fornecer, para esses dados, categorias que sejam culturais, uma vez qve o objetivo fundamental é gxpliç41o5_ produtos do comportamento humano, e com eles o comportamen- to que os criou em termos das idéias compartilhadas por artesãos e usuários. Convém enfatizar novamente que a localização no mundo tridimensional é um atributo do objeto, tanto quanto sua cor. Ob- viamente, algumas suposições adicionais são exigidas além daque- las necessárias para a construção da classificação em geral, de modoa derivar classificações que atendam a essas estipulações especiais. Com efeito, a solidez da base formal da arqueologia, e portanto da arqueologia enquanto ramo da investigação científica, pode ser ava- liada a partir (e é uma função) do número de suposições adicionais que precisam ser feitas. As suposições adicionais são introduzidas pela especificação das características gerais que as feições utilizadas na criação de classes devem apresentar. O campo gerú. a partir do qual os atributos de- finidores podem ser retirados está implícito na noção de artefato. Sornente os atributos que podem ser considerados resultantes da ati- vidade humana são úteis. A identificação de tais atributos é produto de um estudo comparativo similar em todos os aspectos, exceto em termos de escala, à identificação dos artefatos em si. A estipulação do campo de atributos apropriado garante que os objetos identifi- cados como produtos da atividade humana sejam posteriormenteestruturados como produtos da atividade humana. Por exemplo, é possível usar um conjunto de atributos artificiais, tanto intuitiva- mente como explicitamente, a fim de identificar um objeto comoartefato, para depois categorizn o objeto em termos dos atributos naturais nele presentes que apenas incidentalmente estão relaciona- dos com a sua natureza enquanto artefato.IJma concha, como ele_ mento de um sambaqui, pode ser imediatamente identificada como artefato e isso normalmente é feito, embora não necessariamente sob o rótulo de artefato . É possívelr porém, que o universo das conchas seja categorizado em termos de cor, resultando em classes de mexilhões castanhos, mexilhões brancos e mexilhões castanhos e brancos. Se as diferenças em coloração se devem à preservação diferencial da camada externa das conchas, autilizaçáo da cor como uma dimensão das feições é claramente errônea numa classificação cultural. Esses tipos de erro são evitados mediante uma declaração explícita dos requisitos gerais que um atributo deve apresentar para os objetivos da arqueologia. Ressalte-se que a adequação de qualquer conjunto de atributos deve ser determinada paru cadacaso particular como um produto de um estudo comparativo. Nenhuma enumeração absoluta de atributospode ser refta e rotulada de relevante ou cultural . os atributos que podem mostrar-se relevantes irão diferir de caso para caso. O material de que os artefatos são feitos fornece um excelente exemplo. No domínio dos artefatos de pedra, a composição química não é mo- dificada - apenas a sua forma. |{o entanto, a composição química é freqüentemente cultural, constituindo o produto de uma seleção ma-nifesta em termos de uma locahzaçáo artificial. Geralmente, a rele-vância da composição química não vai além de seus efeitos a respeitode se o material vai lascar ou esmigalhar sob impacto, uma simples distinção de duas feições. só a partir de comparações detalhadas como ambiente, porém, é que se pode averiguar se esse conjunto simples de feições é adequado ou se um conjunto mais complicado envolven-do cor, textura, dureza etc. está envolvido na seleção. A ocorrência de øpenas blocos de arenito como elementos de aquecimento em fornosde terra, quando tanto o calcário como o arenito estão disponíveis, Cløssificação em Árqueologia r7r , 170 C las s ific a ç ão e m zlr que o logia
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