Law

A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO: OPRESSÃO, EXPLORAÇÃO E MANUTENÇÃO DO SISTEMA

Description
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO: OPRESSÃO, EXPLORAÇÃO E MANUTENÇÃO DO SISTEMA Nirleide Dantas Lopes Resumo: O presente trabalho tem o intuito de demonstrar que a violência contra
Categories
Published
of 15
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Related Documents
Share
Transcript
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO: OPRESSÃO, EXPLORAÇÃO E MANUTENÇÃO DO SISTEMA Nirleide Dantas Lopes Resumo: O presente trabalho tem o intuito de demonstrar que a violência contra a mulher não é um problema atual, mas ao relacioná-la ao modo de produção capitalista, esse problema social é intensificado, principalmente quando o capital entra em crise, podendo ser visto ser visto em vários aspectos, sobretudo quando situamos o mercado de trabalho, porque que as mulheres têm salários inferiores em relação ao dos homens, sofrem discriminação, assédio moral e sexual. Quando são mães, a situação se agrava, pois as proletárias, não têm com quem deixar os seus filhos para exercer atividades laborais, uma vez que o número de creches é reduzido e limitado, fazendo com que abdiquem do emprego e passem a ser sustentadas pelo seu companheiro. Essa situação abre espaço para práticas violentas, do homem sobre a mulher, tendo em vista que o homem agora detém o poder econômico e a mulher fica mais uma vez encarregada pelo cuidado. Palavras-chave: Violência contra a mulher. Patriarcado. Capitalismo. Opressão. INTRODUÇÃO Não é tarefa fácil relacionar a violência contra a mulher ao sistema capitalista, tendo em vista que a maioria das produções teóricas, em torno das relações de gênero, insiste em considerar a opressão da mulher apenas como uma questão cultural, desconsiderando as contradições e as desigualdades sociais impostas pela sociabilidade erguida pelo o capital. Desigualdades essas, que são vistas, por exemplo, no mercado de trabalho, na esfera pública e privada, tendo o patriarcado como um dos mecanismos de sustentação desse sistema, dado que nele a mulher é duplamente explorada. Em vista disso, as políticas para as mulheres no capitalismo, têm um caráter contraditório, pois não expressam seus valores fundamentais, ou seja, como esse é um sistema de exploração, não há possibilidade de emancipação humana das mulheres, pois o coração da sociedade capitalista não é o Estado, são as relações de produção capitalista. (MASCARO, 2016, p. 20). Relações de produção capitalistas que são de flexibilização, precarização, desmonte de direitos, provocando modificações irreversíveis na vida cotidiana do trabalhador e da trabalhadora. Por isso, para fundamentar esse posicionamento, foram utilizados alguns dos argumentos levantados pelas feministas classistas, que defendem a ideia da opressão da mulher, alinhada ao surgimento da propriedade privada, seguindo às argumentações de Marx e Engels em: A origem da família da propriedade privada e do Estado, A sagrada Família, Ideologia Alemã, que é reafirmada no manifesto Comunista. 1 O presente trabalho é resultado de pesquisa bibliográfica e documental, cujo qual se pretendeu comprovar essa inafastável relação da violência contra a mulher associada ao capitalismo/patriarcado A IGUALDADE DAS MULHERES NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO Para que possamos entender a opressão das mulheres na sociedade de classes e assim a dominação do homem, remodelada na contemporaneidade, é relevante uma breve abordagem sobre a reestruturação do capitalismo e as características do Estado. Segundo Mandel (1982), em o Capitalismo Tardio o Estado é produto da divisão social do trabalho e este surgiu da autonomia crescente de certas atividades superestruturais, mediando à produção material, cujo papel era sustentar uma estrutura de classe e as relações de produção, ou seja, o Estado sustenta a estrutura de classe burguesa, por isso é fundamental que a luta pela libertação das mulheres estejam alinhada à transformação da sociedade, em busca de uma ação política efetiva, já que as mazelas desse sistema caem majoritariamente sob as mulheres. Mandel (1982, p. 336), por sua vez, entende que: [...] O Estado burguês se distingue de todas as formas anteriores de dominação de classe por uma peculiaridade da sociedade burguesa que é inerente ao próprio modo de produção capitalista. O isolamento das esferas públicas e privadas da sociedade, que é consequência da generalização sem igual da produção de mercadorias, da propriedade privada e da concorrência de todos contra a todos. A partir dessa citação percebe-se que Mandel aponta três características que distingue o Estado Burguês de todas as formas anteriores. Fazemos a pergunta: Existiu dominação de classe no Estado burguês? Lógico, mas como exposto à cima o que vai diferir são as diferentes formas de dominação de classe que antes era baseada na terra. O mesmo ocorre com as mulheres, com o fortalecimento das estruturas de classes, sustentado por uma sociedade capitalista, patriarcal e racista. No que se refere à ampliação da legislação social, Mandel diz que: 1 Carole Pateman (1993, p. 38) em o Contrato sexual, afirma que o patriarcado refere-se a uma forma de poder político. 2 tratou-se de uma concessão à crescente luta de classe do proletariado, destinandose a salvaguardar a dominação do capital de ataques mais radicais por parte dos trabalhadores, mas ao mesmo tempo correspondeu também aos interesses gerais da reprodução ampliada no modo de produção capitalista (p.336). Nesse sentido, o nível de desigualdade gestado pelo desenvolvimento do capitalismo deixa em seu percurso, severas marcas na vida das mulheres. Logo esse grupo social que já é tão prejudicado por ser socializado na ordem patriarcal de gênero, posto que a [...] instauração da propriedade privada e a subordinação das mulheres aos homens são dois fatos simultâneos, marco inicial da luta de classes. (MORAES, 2000, p. 89). E como afirma Saffioti: O aparecimento do capitalismo se dá, pois, em condições extremamente adversas à mulher. No processo de individualização inaugurado pelo modo de produção capitalista, ela contaria com uma desvantagem social de dupla dimensão: no plano superestrutural, era tradicional uma subvalorização das capacidades femininas traduzidas em termos de mitos justificadores da supremacia masculina e, portanto, da ordem social que a gerava; no plano estrutural, à medida que se desenvolviam as forças produtivas, a mulher vinha sendo progressivamente marginalizadas da função produtiva, ou seja, perifericamente situada no sistema de produção (p.65-66, grifo nosso). No avanço desse sistema a mulher tem algumas conquistas por meio dos direitos de cidadania tais como: o voto, a participação na vida pública, entre outros. Em se tratando da cidadania, Marshall (1967), realiza um estudo sobre o desenvolvimento da cidadania, afirmando que ela surge com os direitos civis, políticos e sociais a partir da revolução industrial, sendo nesse sentido, a cidadania, um direito uno, pois quando os três elementos da cidadania se distanciam um dos outros, logo passaram a parecer elementos estranhos entre si. (MARSHALL, 1967, p. 66). Posto isso, é importante pontuar, que esses direitos contribuíram de alguma forma para a autonomia das mulheres, mas, no entanto, não conseguiu alterar as desigualdades econômicas e de classe social, pois as mulheres ainda vivem em um sistema de opressão/exploração. Quando nos referimos às mulheres trabalhadoras a situação ainda piora, já que essas, no mercado de trabalho, são constantemente exploradas, subordinadas e precarizadas, recebem salários inferiores, além de terem menos oportunidades, além do que estão sujeitas a uma dupla jornada de trabalho. Quando estudante a situação se agrava ainda mais, visto que agora ela enfrentará uma tripla jornada. Por isso, fica claro afirmar, que não é apenas a conquista dos direitos sociais, mas sim a luta por uma nova ordem societária. 3 A luta por igualdade das mulheres, por meio de uma nova ordem societária é defendida por mészáros (2011) em Para além do capital: Rumo a uma teoria de transição onde ele fala sobre a liberação das mulheres através da igualdade substantiva, pois segundo ele não se pode pensar em igualdade absoluta entre homens e mulheres dentro da ordem metabólica do capital. Diz ele: Liberação das mulheres à guisa de permanente lembrete de promessas não cumpridas e não cumpríveis do sistema do capital e transformam a grandiosa causa de sua emancipação numa dificuldade não integrável ao domínio do capital. Não pode haver nenhum modo de satisfazer a exigência da emancipação feminina que veio à tona há muito tempo, mas adquiriu urgência num período da história que coincidiu com a crise estrutural do capital sem uma mudança substantiva nas relações de desigualdade social estabelecida (MÉSZÁROS, 2011, p.223). Percebe-se que só se pode falar de igualdade entre homens e mulheres se essa for substantiva, porque lutar pela extinção das desigualdades, opressão e exploração, enfim, lutar por emancipação plena, liberdade, exige a defesa de valores libertários (CISNE, 2005, p. 03). Isto é, exige o fim da propriedade privada e da divisão sexual do trabalho. Heleieth Saffioti em sua obra A mulher na sociedade de classes: mito e realidade (2013) aborda que o capitalismo não criou a inferiorização social das mulheres, mas se aproveitou do mesmo contingente feminino, acirrando a disputa e portanto, aprofundando a desigualdade entre os sexos. Nesse sentido, que o movimento feminista classista, assume uma perspectiva revolucionária, materialista e dialética em que defende a libertação das mulheres alinhada à mudança de toda a sociedade. Outro ponto importante que deve sempre ser lembrado e problematizado, por feministas que produzem conhecimento em torno da luta de classe, é questão do termo empoderamento. Esse termo vem sendo utilizado com muita freqüência, por grupos de mulheres, coletivos, associações e outros movimentos no sentido de que as mulheres precisam de poder e o acesso a ele poder pode ser conquistado por meios de diversos caminhos, através da: educação, emprego, formal ou não. Segundo world bank (2002 apud SORJ, 2016, p. 259) [...] Tal empoderamento compreende a expansão da capacidade das mulheres de fazerem escolhas estratégicas em suas vidas para desenvolver os seus problemas, porém as mulheres não exercem poder no capitalismo. No entanto, quando se referem ao empoderamento sem considerar os processos sociais e a sua dimensão de totalidade que as criam e as formam (IAMAMOTO, 2001, p.18) ocultam que diversas mulheres ao buscar o tal empoderamento se sujeitam a trabalhos precários, inumanos e sem proteção. Muitas vezes o trabalho é até considerado escravo. Nesse sentido, Iamamoto descreve que: 4 [...] Atribuindo unilateralmente aos indivíduos a responsabilidade por suas dificuldades. Deriva na ótica de análise dos problemas sociais, como problemas do individuo isolado, perdendo-se a dimensão coletiva e isentando a sociedade de classes da responsabilidade na produção das desigualdades sociais. (IAMAMOTO, 2001, p.18) Tendo em vista os questionamentos a cima se percebe que nessa sociedade desigual não podemos nos afastar da luta de classe, tendo o movimento feminista como representante das lutas das mulheres, colaborando nas estratégias de enfretamento às formas de opressão para que não haja um obscurecimento das relações mais profundas da sociedade do capital, pois, de acordo com Saffioti: Não se pode generalizar, para todas as mulheres, a mesma forma de opressão a que estão submetidas. É inegável que todas as mulheres sofrem discriminação e opressão de gênero. Essas opressões, no entanto, são vivenciadas de forma diferenciada de acordo com as condições materiais de cada um. (SAFFIOTI, 1992, 191). Em se tratando do obscurecimento das relações da sociedade do capital, alguns teóricos afirmam que após a Segunda Guerra Mundial, houve muitas mudanças na sociedade (mudanças relacionadas ao consumo, à mídia, à vida e até nas artes). Esses teóricos têm como base a perspectiva pós-moderna para justificar tais mudanças. A influência pós-moderna vem adentrando, contundentemente no movimento feminista, seguindo a lógica cultural do capitalismo contemporâneo, ou seja, é funcional ao capitalismo, há então o que José Paulo Netto chama de semiologização do real, pois a materialidade da vida social não é posta em questão. É importante pontuar, também, que a critica pós-moderna é uma critica dogmática ao marxismo. As análises sobre a pós-modernidade chegam à pauta do movimento feminista, tendo em vista que há um crescente aumento nos estudos de gênero referenciados pela pós-modernidade que desconsideram a perspectiva de totalidade, apoiados em abordagens pós-estruturalistas. Essas abordagens enfatizam nas diferenças e não consideram a sociedade de classes para justificar as desigualdades das mulheres, denominada como a fuga da realidade a qual Sousa (2005) apontou que: [...] Esta tendência revela-se necessária ao desenvolvimento da ordem burguesa e não como algo residual, ao contrário, é um componente sócio-objetivo - como 5 Lukács bem assinalou - que limita a elaboração teórico-filosófica em diferentes momentos do estágio de desenvolvimento do capitalismo, posto que passa a repelir da razão moderna duas de suas categorias constitutivas: o historicismo concreto e a dialética. Uma vez que por meio destas, é possível ao sujeito superar o momento imediatamente dado e conduzir a compreensão histórico-transitório do capitalismo, o que em direta conseqüência abre a possibilidade de instauração de uma nova sociabilidade (2005, p.07). Por isso, atualmente, a categoria gênero e o movimento feminista encontram-se ambos, em uma cisão entre duas tendências, são elas: a liberal e a socialista que possui pontos divergentes e também comuns. A primeira assume uma postura que não considera o capitalismo como fator central para se estudar as relações de desigualdades entre o homem e a mulher. Já a segunda analisa a opressão da mulher, considerando a dimensão classe e gênero. Esse cenário vem se apresentando dessa forma, porque as diversas transformações no mundo contemporâneo rebatem na vida da mulher moderna, fazendo surgir inúmeras formas de enfrentamento à situação de opressão vivida pelas mulheres. Por fim, conclui-se que a análise de conjuntura não pode ficar ausente da luta de classes. No que se refere à violência contra a mulher, são diversos os fatores que contribuem para tal violência, mas as desigualdades sociais se expressa com maior evidência. Como senão bastasse ainda tem de conviver com o preconceito nos espaços públicos e privados. 3- A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER COMO MANUTENÇÃO DO SISTEMA É hora de efetuar uma revolução nos modos das mudanças, hora de devolver lhes a dignidade perdida e fazê-las, como parte da espécie humana, trabalhar reformando a si mesmas para reformar o mundo. (WOLLSTONECRAFT, 2016, p. 69) A citação da autora wollstonecraft (2016), nos faz refletir sobre algo tão incoerente que é a dignidade de que as mulheres tanto almejam. E coloco como incoerente, tendo em vista que há de se perguntar: Que dignidade é essa que as mulheres procuram? Será que essa dignidade é possível na sociedade capitalista, ou é apenas ilusão? Em se tratando da violência contra a mulher, como forma de destruição de sua dignidade, esta se apresenta na contemporaneidade, como expressão da questão social em que é agravada pela desigualdade social, decorrente do modo de produção capitalista. Evidencia-se nessa conjuntura, 6 não apenas os preconceitos e as diversas formas de opressão, as quais as mulheres convivem, mas também diferentes formas de exploração. É importante deixar claro que, a opressão a qual as mulheres estão sujeitas não surge com a sociedade de classes, contudo nessa sociedade a desigualdade entre o homem e a mulher é remontada, favorecendo apenas o homem, tendo em vista que não há alterações na estrutura do patriarcado (sistema de dominação-exploração do homem sobre a mulher), ou seja, enquanto as mulheres continuam sendo exploradas, o patriarcado é sustentado. Sobre o sistema do capital destaca Santos: O sistema do capital se beneficia da opressão das mulheres, tanto do ponto de vista ideológico, por meio da reprodução do papel conservador da família e da mulher, como na perspectiva da inserção precária e subalterna no mundo do trabalho. No bojo dessas determinações é necessária uma luta ampliada para obter uma nova condição social, política e econômica para as mulheres, que possibilite igualdade entre os gêneros. O próprio sistema dominante está atravessado por várias contradições, que abrem caminho para lutas e transformações que objetivam uma nova ordem social. (SANTOS, 2010, p. 04). Como vimos à violência contra a mulher está intimamente relacionada ao patriarcado que surge em decorrência da sociedade capitalista, esse último, se apresenta de forma mais contundente em seu estagio monopolista. É importante lembrar que a violência contra a mulher sempre existiu, ela é histórica, pode estar alinhada até o surgimento da humanidade. O fato é, existe uma grande diferença entre a violência contra a mulher praticada na era medieval e a praticada na idade moderna. A violência contra a mulher ocorre em todas as classes sociais, mas há uma grande diferença da que acontece na periferia, tendo em vista que a situação das mulheres não privilegiada por sua posição de raça e classe, as quais constituem a maioria da classe das mulheres e a parte dessa classe mais afetada pela globalização, deve ser colocada no centro da análise. (FALQUET, 2016, p.43) Por isso, deve ser tratada considerando as desigualdades sociais impostas pelo sistema, pois [...] o sexo, fator de há muito selecionado como fonte de inferiorizarão social da mulher, passa a interferir de modo positivo para atualização da sociedade competitiva na constituição das classes sociais. (SAFFIOTI, 2013, p.66). No período histórico denominado feudalismo, na Europa medieval, mais precisamente, a opressão das mulheres em relação aos homens era vista como algo cultural, ou seja, a cultura era 7 determinante. Um exemplo é casamento, ele era uma forma de fortalecer as alianças entre as famílias, em que as mulheres eram encarregadas aos afazeres domésticos e cuidadas dos filhos. A felicidade da mulher, tal como era então entendida, incluía necessariamente o casamento. Através dele é que se consolidava sua posição social e se garantia sua estabilidade ou prosperidade econômica (SAFFIOTI, 2013, p. 63). A diferença é que nessa época não havia consciência de classe das mulheres, enquanto sujeitos explorados, nem mesmo de desigualdade entre os homens. Saffioti (2013) retrata que nas sociedades pré-capitalistas, antes da revolução agrícola e industrial a mulher das camadas trabalhadoras era ativas, enquanto a família existiu como unidade de produção, as mulheres e as crianças desempenhavam um papel econômico fundamental ( 2013, p. 62). A mulher só passa a se reconhecer enquanto classe com surgimento da propriedade privada e com a divisão sexual do trabalho. Isso pode ser comprovado seguindo as argumentações de Engels no livro: As origens da família, a propriedade privada e o estado. Segundo Engels [...] desenvolvem-se a propriedade privada e as trocas, as diferenças de riqueza, a possibilidade de empregar força de trabalho alheia e com isso a base dos antagonismos de classe (2004, p.8). Tendo em vista o exposto, entende-se que a violência contra a mulher, quando tratada como expressão da questão social deve ser enfrentada a partir de abordagens que considerem a sua historicidade e sua relação com o modo de produção capitalista, dispondo de base com recorte de classe na finalidade de combater esse sistema desigual que oprime e estigmatiza as mulheres cotidianamente A obra Sexo e poder: a família no mundo de Goran Therbon, publicada em 1941, ganha visibilidade entre as feministas classistas quando nesta é discutido as configurações do patriarcado nesse período. Therbon aponta que em 1900 o espancamento da esposa era natural e legítimo na maior parte do mundo. Logo, este autor é enfático ao falar dos sistemas familiares na modernidade, apontando que o patriarcado no mundo não era igual, porque o poder dos homens dentro da família mudava dependendo da classe e da cultura. Além disso, nossa história não com
Search
Similar documents
View more...
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks