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A Viscosidade Laboral

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uma sátira ao modo laboral português, os tiques, as artimanhas, o espírito latente
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  A Viscosidade Laboral – excertos de diários e confidênciasde alquimistas e aprendizes (o mote de como fazer funcionar um trabalhador; o óleo que besunta o engenho doque trabalha) A viscosidade é a propriedade dos fluidos correspondente ao transporte microscópico de quantidade demovimento por difusão molecular. Ou seja, quanto maior a viscosidade, menor a velocidade em que o fluido se movimenta.”. Inspirado em Luís Mendonça. excertos dum alquimista estagiário Mês 1 – primeiras semanas ‘impressões – o embrião da análise revoltada’ «...O biscoito ganho aquando da exposição esmiuçada duma ideia que quer ser aprovada sob o aval morno da chefia ou seja, que não entre em atrito com, que seja posta como se duma idiotice ou desvio de carácter se tratasse (para que a chefia nasua benevolência aceite ouvi-la, ou mesmo como supra-alquimista transforme com osseus poderes essa idiotice em matéria positiva, não hão os deuses arcaicos comer odesgraçado que deu um arroto-ideia. Fortuna do aprendiz o supra-alquimista estar por  perto para tapar os induzidos buracos), para então depois ser assimilada e associada aum núcleo abstracto e comunitário da equipa de trabalho, ou seja o supra-alquimista...    A ideia que por sua vez é exposta como inovadora para um sistema que poder-se-iatornar mais rentável sobre um objectivo equacionável de boa distribuição de tempos ede tarefas, pelo bom funcionamento em equipa, torna-se um anti-corpo num meio queestá viciado moldado numa gestão que gravita à volta da sua auto-preservação que presume mascarar-se de ocupada e trabalhadeira e sublime mas em perpétuo martíriode razões misteriosas. O desequilíbrio hierárquico por filosofias que soam eficazescontra uma inércia instaurada faz doer os calos ao alquimista-mor. Ele parte para acruzada às mouriscas ideias inoportunas.    Assim que conquistadas e assimiladas, (como as moscas fazem com os alimentos:vomitam uma substância enzimática sobre o alimento tornando-se liquefeito eassimilável) é estratégico denegrir-se a imagem do autor das tais ideias ou entãoescarafunchar-se um erro ridículo (como se operasse e do erro srcinasse a catástrofeda morte do paciente) para que toda a suspeita de apropriação seja excluída.É atribuído um tempo de dissipação de acto, isto é: a ideia só será aplicada, e já comum cunho de chefia, (por encadeamento toda a mesma equipa inerente que não seja asuplente nem descartável), quando esses idealistas ou aprendizes de alquimista que fazem perguntas entretanto já foram corridos (centro de emprego). O fluxo é feitoestafeta por novos substitutos das ideias e do bulir, porque “o meio está em constantedevir” já dizia a grande mosca alquimista.Quando essa conquista se torna dolorosa ou demasiado óbvia, a chefia-alquimista age  descaradamente como a varejeira ou como a melga (estratégia mais avançada em que paralelamente se desgasta pelo cansaço e se suga na medida dos possíveis em fracçõesde desatenção; há casos em que os insectos são esborrachados mas depois d'umnascem mil buzinantes). Usa uma filosofia de maratona e desbaste físico e psicológicoa longo prazo vencendo pela desistência do aprendiz que apregoa aos ventos paz esossego e vai dizendo: 'a minha vida não é isto'. O aprendiz acabará eventualmente por sucumbir ao seu eco.   Mês 2 – degeneração ‘O Medo - o que acontece quando as estratégias anteriores não resultam?’ Entramos no viscoso ele mesmo.Nesse meio pouco higiénico onde aprendizes estagiam para alquimistas, as fugas possíveis são poucas bloqueadas pela subordinação a uma complexa e difícil emancipação às dependências sociais quer económicas quer psicológicas quer emefeito placebo. O espaço ainda que 'bastante' e 'suficiente' fica circunspecto ao raio deacção da chefia o que provoca uma sensação omnipotente de claustrofobia e vigíliaconstantes, impregnando a liberdade de movimentos com pseudo-ordens roçando oditatorial, mascarado em pseudo-liberalismo e melhor do mundo.O meio fica portanto, contaminado. Tal como todos os que estão inseridos no mesmo.Como ficou restrito e contaminado, o único ponto de fuga possível é o próprio meio detrabalho; porquê? Porque julga-se que se está na América e as oportunidades paraalquimistas esbanjam-se pelas ruas da fartura, o que já está em desuso alterando-se para Julgas que estás na Suécia? (país longínquo não muito bem conhecido). Nestainfecção inevitável, sem escape, tudo empestado, o que acontece? A contaminaçãotransforma-se em dependência psicológica e física. Surge o nascimento simbiótico dostress, a maravilhosa ressaca do stress; o almejar do stress, o culto do stress, a filosofiado coelho atrasado de Alice.O alquimista tenro fica viciado no modus operandis que o atormenta aliviando-se doveneno em transposições platónicas para o mundo das ideias, ideia a priori que ascoisas por auto-análise se recomponham, ideia a priori que correspondendo àsexigências seja poupado, ideia a priori que seja valorizado e o seu canudo de alquimistavalha por seu desempenho. Amortece nesse leito tépido do projectar-se e suporta o flagelo, já extenuado preparado para uma nova etapa da metamorfose.Nesta etapa do processo, neste caminhar cultural patológico, decididamente crónico edecididamente importado já de longa data, a madre supra melga alquimista injecta oacidoso éter da destruição do eu. Uma farpa que penetra quanto mais se contorce queafunda qual areia movediça quanto mais se esperneia. Um lamiré que projecta ultra-agudos desconcertantes profundamente alcalinos que perfuram barreiras de som eatingem o mole do protegido carácter. Agora fragmentado pela ressonância desseabrasivo fica ferida e mostra-se susceptível aos olhos da má fé.      Mês 3 – demência, amnésia, falta de memória ‘Os filhos da indução cultural patológica e crónica sobre o medo’ ...perda de memória aquando da resolução desse assunto ou objectivo que da teoriaquando chega à prática esvanece-se como se perdesse. <=> (esqueci-me). <=> Processoda criação de algo quando transposto para um suporte... <=> ultra-inibição ou trauma? <=> ...súbito esquecimento do pensamento anterior: - por trauma de autonomia de pensamento surgido - inibição extrema que apaga o pensamento que brota e associasrcinalmente ou personalidade independente...mirrada… Salve… compreendo,racionalismo… serei eu?... vozes…» in. Diário e confidência dum aprendiz-alquimista (antes do suicídio lutando contra a metamorfose)   excertos dum alquimista expulso «...Perfurada a couraça esconde-se sem convicção essa chaga que se transportaaberta. Os aprendizes chocam e atropelam-se, enfurecem-se e atiram-se aos pescoçosuns dos outros atribuindo culpas mútuas. Descobrem um outro processo de tornar oveneno uma droga aprazível. É inevitável o distanciamento pelo evitar do confrontocom a grande autoridade. A lei de Pavlov comprova-se até mesmo em aprendizes de feiticeiro. O meio interno toma conta do funcionamento externo. Os tenros alquimistastransportam para suas moradias a consciência desnorteada pela culpa, esse vírus quenão se viu, tal como a sobrevivência indistinta que se move sem essência...Surtem efeitos as réplicas do epicentro medo. Nasce a complacência e a partilha que purgam ou fazem catarse a essa azia emotiva e psicológica. Esses lapsos decamaradagem seja espasmódica ou contextual alentam o para além nos patamaresdas ideias psicóticas e uma não cristalização num palco que se impõe como real eabsolutista. As personalidades fragmentam-se e nasce o eu que caracteriza a projecçãodo mesmo. Esse eu epidérmico, facial e marioneta do outro eu que analisa o exterior contemplando as acções do que se apresenta como alquimista, arquitectando-o aomesmo tempo protegendo-o.Os alquimistas que ainda não são alquimistas, fechados nessa redoma magnética,nesse vazio e abstracto invisível que impõe à matéria daquele que está condicionado,desprendem-se do discernimento nítido. Uma vez atingido o eu que arquitecta ou umavez estando em iminente estado de sugerido perigo; porque já foi aplicada a magia-mor, os pós macabros assustadores, o medo salpicado; ele verde naive qual aranhaencolhe-se malucando estratégias defensivas convencido que ainda não foi descoberto. A sua índole que considera merecedora dum espólio enobrecedor envenena-semisturando o arquitectado defensivo com a postura quotidiana, esse eu que acha ser eé arquétipo de si mesmo: o lado bom que o alquimista tenro projecta de si mesmo éminado num orgulho ou coisa mole atingida, que se transforma num malabarista doseu carácter, perdendo-se angustiado não conseguindo ripostar à chefia psicótica que  se julga alquimista. É o início da quimera e da batalha dos eus que quais antagónicosD. Quixotes se viram contra os seus colegas alquimistas tenros estagiários julgando-osbarulhentos moinhos-chefias. A têmpera desse vómito que atingiu o eu que se julgava escondido e protegidoimpregna-se na sua índole. É o nascimento da baba que se atira às costas dos outros, o prodígio de todos os alquimistas e o graal para os verdes estagiários que já setransformaram.»   in. Diário e confidência dum ex-alquimista (depois de ter sido excomungado) Leis da Alquimia Portuguesa (trecho) «...E da baba que tocou veio a voz, e da voz despertou a inteligência e dela brotou ababa que se atira às costas dos outros...O que é imposição é apoteose.O que é pergunta é amargo.O que se submete e finge ser autoritário é aprendiz escolhido.O que pensa pelo grande e é viscoso é o bobo.O que atiça os aprendizes com a baba e só ama o grande é o braço direito.O que aprende as magias e leis da manha será o eleito.O que esconde na resposta a divergência será o sábio.O que usa os ombros do outro para trepar será o alquimista-lança. Aquele que não aceita a ordem será expulso, a culpa é para ele.» in. Leis da Alquimia Portuguesa Secreta – arma secreta nº3 excerto dum alquimista desiludido «…O funcionamento em trabalho atinge os píncaros dum remoinho existencialistadecadente, sobre a questão invisível que paira qual espectro que se crava, quer sequeira quer se não queira, não fosse o orçamento de estado ser agora uma miragem:algum alquimista será expulso, algum será o bode expiatório. É inevitável noconsciente que se diz inconsciente não existir uma contaminação dessa baba que já seinstaurou. É inevitável não existir influência na postura associada a um tempo de vidaque resulte e se estique por uma estratégia de sobrevivência. Os outrora alquimistasque por lapsos sentiram fraternidade, jogam agora o jogo do cinismo e pelas costasatiram baba uns aos outros, criando alianças estratégicas por egoísmo destituindo fortes que enfrentam. O morno do meio que antes abafava e sufocava é agora ooxigénio do aspirante a alquimista.» in. Diário e confidência dum alquimista reformado (depois de ter alegado falta de saúde)
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