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A visibilidade feminina através da fala de Anna Rita Malheiros na Primeira República Brasileira

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A visibilidade feminina através da fala de Anna Rita Malheiros na Primeira República Brasileira Neide Célia Ferreira Barros 1 RESUMO: Este artigo é uma análise de como Anna Rita Malheiros,
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A visibilidade feminina através da fala de Anna Rita Malheiros na Primeira República Brasileira Neide Célia Ferreira Barros 1 RESUMO: Este artigo é uma análise de como Anna Rita Malheiros, pseudônimo do médico e dramaturgo Claudio de Souza, criou um espaço de visibilidade e fala às mulheres paulistas da Primeira República através da Revista Feminina ( ). Colocando em pauta questões sociais, econômicas e as lutas pelas causas e direitos femininos esta personalidade ganhou destaque dentro das edições do periódico. Assim este trabalho pretende enxergar que apesar da crítica de ser uma fala masculina ocupando um espaço feminino, a existência desta personagem foi muito importante para se visibilizar questões sufragistas e principalmente para que mulheres se vislumbrassem em âmbitos de fala como geradoras de discussões que ultrapassassem o doméstico. PALAVRAS-CHAVES: Gênero, Revista Feminina, História do Brasil, Primeira República. 1 Neide Célia Ferreira Barros é bacharel em Direito, Especialista em História Cultural pela Universidade Federal de Goiás e graduanda em História pela mesma universidade (UFG). Foi bolsista PIBIC/CNPq de 2012 a 2013, onde realizava sob a orientação da Profª. Drª. Ana Carolina Coelho Eiras Soares a pesquisa intitulada Propagandas na Revista Feminina ( ): embelezamento e corpo feminino no início do século XX. Na mulher o silêncio é um adorno. (Aristóteles) Em Janeiro de 1915 foi apresentada ao Brasil, através do jornal A Luta Moderna, uma professora de ideias fortes, que oscilava entre a vanguarda e o conservadorismo de seu tempo. Que defendia a liberdade das mulheres em diversos planos sociais, mas que acima de tudo acreditava que a missão feminina era ser mãe e esposa. Vencedora de um concurso promovido pelo jornal, no mês que este se tornara a Revista Feminina e seria publicada até 1936, Anna Rita Malheiros trouxe à luz debates polêmicos para sua época, como o homicídio marital em nome da honra e o voto para as mulheres. Contudo, Anna Rita, era mais uma ficção do teatrólogo Cláudio de Souza, que utilizava a personagem como pseudônimo para escrever em uma revista feita e direcionada para as mulheres. Neste trabalho pretendemos entender como a escrita desta personagem criou um importante espaço de visibilização e de fala para a mulher e para causas femininas no Brasil do começo do século XX. Partimos da ideia de que neste contexto havia um discurso preponderante da incapacidade feminina de falar sobre assuntos que ultrapassasse o doméstico, no entanto em oposição a isto Anna Rita Malheiros o fez com coragem e maestria, e desta forma nos faz entender que ela contribuiu para se reinventar uma imagem de mulher. Cabe salientar, que por mais que se tratasse de um homem, este fato era desconhecido pelo público, logo a ideia que se mantinha para as leitoras e leitores do periódico era de que uma mulher escrevia e era capaz de fazer críticas ao sistema e aos direcionamentos políticos, visto como espaços do masculino. Chegamos a esta interessante personagem/personalidade através de nossa pesquisa sobre as publicidades na Revista Feminina, onde buscávamos através dos vestígios e das representações contidas nos reclames veiculados pelo periódico, entender as construções de aparência e feminilidade no período da Primeira República. Nossa pesquisa foi dividida em três partes, sendo a primeira a catalogação de todas as publicidades encontradas na Revista Feminina durante seu período de publicação. Inicialmente trabalhamos com microfilme, cedido pela Biblioteca Nacional, e posteriormente com material digitalizado contido no acervo digital da Unesp e do Arquivo Estadual de São Paulo. A princípio catalogamos os dados em fichas, foi feito inicialmente a partir de fichas de coleta individual, onde constava cada propaganda, data da revista em que foi publicado (mês, número, ano), espaço utilizado, tipo do produto, e empresa anunciante. Num segundo momento separamos as publicidades que tratavam de embelezamento e saúde e nelas nos ativemos com mais cuidado, analisando os discursos que apresentavam. E por fim, analisamos a partir da teoria de Gênero de Joan Scott, que afirma que as relações entre os sexos (masculino e feminino) são construídas na cultura, buscamos entender como os discursos da revista e de suas publicidades tiveram um papel importante como espaço pedagógico (ainda que não formal) no ensino de como ser mulher neste período. Nos meandros dos reclames, a leitura dos artigos da revista era fundamental para compreender todo o discurso publicitário. Em meio a escritas e imagens percebemos a reincidência da fala da colunista Anna Rita Malheiros, que publicou diversas introduções do magazine desde 1915, quando ganhou o formato de revista (com maior quantidade de páginas e seções definitivas), que manteve até Todavia a escritora do bom feminismo, Anna Rita, foi desmascarada pela Profª Sonia de Amorim Mascaro 2 que revelou ser esta um pseudônimo do irmão da dona da revista 3, o médico e literato Claudio de Souza. (GELLACIC, 2008, p.14-15) Vale aqui lembrar que a Revista Feminina é considerada um marco do jornalismo nacional, por ter sido uma das primeiras revistas direcionadas às mulheres, e também pela sua ampla circularidade, sua duração (de 1914 a 1936) e sua vasta tiragem. Fruto da Empreza Feminina Brasileira empreendimento dedicado à produção de produtos destinados às mulheres a publicação do periódico pretendia ser mais que um 2 Em sua tese de Mestrado denominada A Revista Feminina: Imagens de Mulher ( ) a professora Mascaro descobriu através da entrevista com D. Avelina de Souza Haynes (filha dos fundadores da revista e redatora por um grande período) que Anna Rita Malheiros era o pseudônimo de seu tio, Cláudio de Souza. 3 A dona da Revista Feminina e sua principal mentora foi D. Virgilina de Souza Salles, que comandou o periódico até seu falecimento, em Sendo então sucedida por seu esposo (e co-fundador da revista) João Salles e sua filha D. Avelina de Souza Salles (nome de solteira). simples entretenimento, almejava ser uma leitura educativa e saudável que pudesse melhorar os lares brasileiros. Natália Conceição Silva Barros, em sua tese de mestrado sobre a imagem feminina na imprensa pernambucana nos anos 1920, afirma que os jornais e revistas deste período tinham um importante papel pedagógico na sociedade e marcavam os espaços de masculino e feminino: A imprensa nesse período tem uma grande relevância na organização da cidade, apontando espaços para cada um dos gêneros e nomeandoos segundo o comportamento desempenhado por alguns homens e algumas mulheres. Controlará imagens e discurso e até desejos e ações. A imprensa surge como um grande mecanismo de controle, imiscuindo-se na vida de homens e mulheres na cidade, socializando sentimentos e ações anteriormente considerados privados. Tendo isto em vista, perseguimos as práticas femininas e masculinas que mobilizaram a imprensa do período. (2007, p.18) Do mesmo modo Bárbara Heller ressalta a importância da revista na construção dos discursos e das imagens a respeito da feminilidade em tal período. Diz esta autora que mesmo que o boletim não faça parte dos textos canônicos (...) não se pode negar a colaboração para a formação cultural do país (...) um periódico que publicou regularmente por 22 anos. (2003, p.2) Assim, entendemos que a Revista Feminina contribuiu para a constituição e consolidação das imagens de mulher da época, imbuindo e difundindo discursos através de suas tiragens, seja em seus textos, seja em suas publicidades. Pois como bem lembra Silvia Sasaki os reclames disseminam muito mais que as possibilidades de simples aquisição, eles incutiam e incutem gostos, hábitos e discursos em seus leitores. (2010, p.1) Deste modo, a revista contemporânea de ideias eugenistas, modernizantes e sanitárias construía o ideário de uma mulher limpa, branca, moderna e saudável. Demonstrando assim a historicidade da noção de feminino. Pois ao observarmos que tais noções são gestadas aos moldes de seu tempo, vamos de encontro com a fala de Scott que diz não haver uma natureza biológica que conduz as ações de homens e mulheres, e sim, uma organização social em torno do seu sexo biológico. Contudo o enfoque deste trabalho é a fala masculina de Claudio de Souza, como importante agente neste processo formativo, pois ele, através do pseudônimo de Anna Rita Malheiros, abriu por diversos anos a revista com um discurso direto, falando em nome e para mulheres. Em suas falas argumentava sobre os assuntos mais complexos da revista. Falava de bom e mau feminismo, de divórcio e do sufrágio feminino. Reclamava das escolhas econômicas do poder administrativo, e bradava contra a degradação dos valores morais e cristãos pelas mãos dos Bolcheviques. Era a principal agente de discursos politizados do periódico. Como mesmo menciona Gisele Gellacic que o fato de possuir um homem escrevendo como uma mulher em uma revista exclusivamente feminina legitima o lugar secundário delas dentro da sociedade, e talvez até sua incapacidade de falar sobre alguns assuntos. (2008, p.15). Dr. Claudio de Souza nascido no ano de 1876, no berço de uma tradicional família paulista 4 graduou-se em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro em Posteriormente casou-se com D. Luiza Leite de Souza, filha do barão e senador Luiz de Souza Leite, e foi um eminente médico e professor da Escola de Farmácia de São Paulo. Dedicou-se também ao higienismo como fundador da Liga de Profilaxia Moral e Sanitária e o Dispensário Claudio de Souza que oferecia cura gratuita a sifilíticos e alcoólatras, ambos na cidade de São Paulo. Como médico publicou diversos livros sobre tratamento psiquiátrico e outras diversas publicações acadêmicas. (PENCLUBE, 2013, online) Contudo, apesar do desempenho eficaz como representante da medicina, seu nome ficou gravado na história por suas obras literárias. A que passou a dedicar-se exclusivamente em 1913, abandonando o consultório médico. Este escritor, que começara a escrever com apenas 14 anos de idade, publicou novelas, romances e peças teatrais, e foi sagrado em Agosto de 1928 o terceiro ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras, onde foi por duas vezes presidente. Seu grande êxito foi como escritor de teatro. Escreveu mais de quarenta peças, tendo destaque para a obra Flores das Sombras (1916) e sendo algumas delas traduzidas para o francês e espanhol. (Academia Brasileira de Letras, 2013, online) Sua importância como literato chegou 4 Filho do escrivão Sr. Cláudio Justiano de Souza e D. Antônia Barboza de Souza. aos nossos dias, sendo seu nome título de prêmio de literatura, museu (Casa de Cláudio de Souza 5 ) e projetos culturais. (Imagem 1 Divulgação do projeto 6 Era uma vez... Claudio de Souza ) Com o pseudônimo de Anna Rita Malheiros, Claudio de Souza foi introduzido como colaborador na edição de mudança. No mês da transição do nome de A Luta Moderna para Revista Feminina, em uma publicação que ainda carregava os dois títulos e mantinha a aparência de um jornal, Anna Rita assinou seu primeiro texto. A apresentação dizia: Abrimos a seguinte enquête somente para senhoras: - Qual deve ser o papel da mulher nas sociedades modernas? (...) Publicamos em seguida a resposta de D. Anna Rita Malheiros, talentosa professora que promete honrar-nos de hora avante com sua colaboração assídua. (Revista Feminina, Janeiro de 1915, p.11, grifo nosso) Pronto! Estava criada a personagem. Anna Rita era toda a expectativa de mulher moderna que a revista falava. Uma professora, recatada, frequentadora das altas rodas paulistas, feminista adepta ao bom feminismo, claro! e bem informada. Vale salientar que a fala reafirma a feminilidade da autora que estava sendo inserida, já que o 5 Localizada em Petrópolis, Rio de Janeiro. Endereço eletrônico: texto destaca que a enquete era destinada apenas à mulheres. Diz Gellacic que a Revista Feminina se intitulava porta-voz das causas femininas e vangloriava-se por ser feita por mulheres e para mulheres. Entretanto esta acredita que grande parte dos artigos que eram assinados por figuras femininas era na verdade produzidos pela própria família Souza Salles, ou traduções de textos estrangeiros. (2008, p.15) Contudo Sandra L. Lima afirma que o mascaramento de um homem como principal porta-voz (...) não tira o mérito das causas defendidas, mas torna seu pensamento ilegítimo. (apud Gellacic, 2008, p.15) Todavia, como explicaremos com um pouco mais de cuidado a seguir, acreditamos que a presença de Anna Rita com falas tão fortes em uma revista de grande importância cultural em tal período cria um espaço de visibilidade da mulher, e reafirma um espaço de fala para o feminino. A historiografia nos mostra que há um silêncio da fala feminina, sobre si mesma e sobre os outros. Uma ausência de preservação, de visibilização e até mesmo de produção escrita. Grande parte da percepção sobre as mulheres do passado se dá através da fala masculina, como menciona Sávia Barros Diniz: O tema Mulheres define a abordagem histórica de um gênero que foi, durante séculos, interpretado e adivinhado sob a luz do olhar masculino. (2012, p.2) Michelle Perrot nos lembra que acesso [da mulher] a escrita foi tardio e suas produções domésticas (...) facilmente dispersas. (2008, p.17) Assim excluída da órbita da criação, coube à mulher o papel secundário da reprodução na literatura. (ALVES, 1998) As mulheres se inseriram no mundo da escrita na contemporaneidade primeiro pela correspondência, depois pela literatura e, por fim, pela imprensa (PERROT, 1998, p.58) e foi no século XIX que começaram a fazer parte das redações de jornais. Contudo houve uma grande resistência à grafia feminina. R. Howard Bloch traz que muitas permanências da misoginia medieval recaíram sobre as mulheres dos séculos posteriores. Este autor demonstra que a literatura do medievo apresentava uma fala constante da mulher como confusão. Um ser demasiadamente falante, e que com sua fala provocava a desordem e a intriga. Para ele a ideia de mulheres faladeiras era motivado sem dúvida pelo desejo de silenciá-las. Aponta também que estas permanências, tão presentes na literatura ocidental, gerou uma desqualificação da fala feminina até o final dos anos Quando por exemplo, Jules Barbey d Aurevilly ( ), importante novelista francês deste período afirmou que as mulheres quando escreviam eram como quando falavam (tagarelas, dissimuladas) inundavam e eram incompreensíveis. O filosofo francês Proudohon, contemporâneo de d Aurevilly, também se manifestou, afirmando considerar uma decadência nas artes a presença feminina na escrita. (BLOCH, 1995, p.23-26) Michel Foucault diz que um discurso sempre se liga a desejo e a poder, e que a produção de uma fala é controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos tendo como função eliminar os poderes e perigos e dominar os acontecimentos aleatórios de uma sociedade. Deste modo o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo (...) pelo que se luta sendo sempre o poder do qual nos queremos apoderar. Desta forma, o discurso de verdade autorizado e institucionalizado, ou seja, aceito por um grupo que se detém no poder, exerce pressão nos demais discursos fundamentando e modificando os espaços de fala. Determinando e invalidando. Afirmando o que é palavra proibida e delimitando o que é loucura. (1998, p.8-10;17-18) Deste modo a segregação da fala feminina, e a desautorização, invalidando-a como fútil e desnecessária, quando não maliciosa e geradora de conflitos, é um espaço de desempoderamento da mulher. Assim, quando Anna Rita Malheiros apresenta falas politizadas, quebra-se este paradigma da mulher matraca que fala apenas de efemeridades. Sai do espaço da moda, da beleza e do doméstico. Ainda que esta autora reafirme estes papéis, ao falar de assuntos do espaço público visibiliza a possibilidade feminina de tocar tais âmbitos. Ainda que Anna Rita seja uma ficção, gerando um espaço de fala masculino, o que pretendo neste texto é salientar que todos que liam a revista acreditavam que se tratava realmente da escrita de uma mulher, logo permitia que outras mulheres se visualizassem capazes do mesmo tipo de trabalho e abordagem, e consequentemente gerava um espaço de visibilidade feminina. Anna Rita: Uma mulher engajada. Dada à dimensão limitada de um artigo e a proposta de uma ideia, escolhemos trabalhar apenas com as falas desta autora no ano de 1921, por ser um ano importante de militância política feminista no Brasil em busca de direitos, e também por ser tratar de um dos anos de mudanças nas abordagens da revista. Ana Carolina Eiras Coelho Soares em seu trabalho de doutoramento abordou os papeis desejáveis à homens e mulheres pela ótica do Código Civil (de 1916) e da Revista Feminina (entre 1916 a 1925). A revista foi dividida por esta autora, no período por ela analisado, em duas partes. Na primeira fase que durou de 1915 à 1917 a revista tratou basicamente de família e casamento, onde relatava os deveres dos casais, especialmente o papel da mulher como ente fundamental e aglutinador da relação familiar. E na segunda (a partir de 1918) o periódico falou da condição legal feminina destacando as atividades militantes de mulheres em busca de direitos. (2009, p.78-87) E é para este momento que se volta nosso olhar, buscando destacar de que forma as falas militantes de Claudio de Souza travestido de sua personagem Anna Rita, criou um espaço de fala e visibilidade feminina. Como já mencionado, tais anos foram fundamentais para a estruturação do movimento feminista. A volta de Bertha Lutz ao Brasil (1918) que possibilitou a fundação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino (1921) e a emergência do feminismo em diversos países da América do Sul fortaleceram as organizações femininas em busca de direitos. Como fala Ana Alice Alcântara Costa a partir dos anos 1920, a luta sufragista se amplia, em muitos países Latino-americanos, sob a condução das mulheres de classe alta e média, que através de uma ação direta junto aos aparelhos legislativos, logo conquistam o direito ao voto. (2005, p.12-14) Tais mobilizações podem ser notadas através das tentativas da legalização do voto em tal período. Em 1920, por exemplo, Maurício de Lacerda propôs na Câmara Federal a emenda nº. 8 (19/10/1920) que pedia o direito feminino ao voto, contudo não obteve sucesso. No ano posterior Octávio Rocha, Bethencourt da Silva e Nogueira Penido propuseram um Projeto de Lei com o mesmo intuito, que também não foi aprovado. Já no senado, em 1920, Justo Leite Chermont teve o Projeto de Lei nº. 102 (1919) aprovado em primeira discussão, mas não conseguiu obter o aceite final. (RIBEIRO, 2013, online) Em Julho de 1921 a revista comemorou a apresentação de um projeto de emenda no Congresso Constituinte de São Paulo que tentou permitir o voto de mulheres. Mesmo sem sucesso a revista aplaudiu a ação do Senador Fontes Júnior, apresentando sua foto estampada, como mostra imagem abaixo, em um texto intitulado São Paulo e o voto feminino. E em meio ao relato do processo legislativo e louvores ao que considerava uma vitória do verdadero feminismo, ou seja, aquele que não pretende superpôr-se ao homem e masculinisar a mulher, o escrito dizia em tom de agradecimento pelo menos um dos nossos legisladores não foi surdo aos nossos apellos. Apesar do texto não vir assinado por Anna Rita supõe-se que é de sua autoria, pois no mês posterior (Agosto de 1921) inicia sua seção se referindo ao texto de julho como nossa última chronica. (Revista Feminina, Julho e Agosto de 1921) (Imagem 2 Senador Fontes Júnior, Revista Feminina, Julho de 1921, p.3) No mês de Agosto (1921) o tom do texto era um pouco mais pesado, demonstrava frustração com a derrota da emenda sufragista e tentava explicar o porquê da perda. Reproduzia a fala de outro jornal que tinha tratado do mesmo assunto: Desde que a mulher brasileira nada reclama no terreno da política (...) e est
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