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A Visita da Morte. Casa paroquial, minutos após a missa das 18 h.

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Raul Sidarta A visão do sol escondendo-se no horizonte, semelhante à cortina do teatro que após uma peça emocionante se abaixa ao som dos aplausos de uma plateia exultante, junto ao toc toc dos sapatos
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Raul Sidarta A visão do sol escondendo-se no horizonte, semelhante à cortina do teatro que após uma peça emocionante se abaixa ao som dos aplausos de uma plateia exultante, junto ao toc toc dos sapatos de um homem que atravessava a rua muito elegante, emprestando sonoplastia ao momento deixando-o ainda mais exuberante. Dava a impressão, para quem de frente olha, que era o próprio astro-rei a caminhar. O homem traz o olhar penetrante, segue em direção ao seu lindo carro, um desses novos e possantes, de cor vermelha, um vermelho vibrante! Estacionado a dez metros do Bar I am faithful, cujo proprietário, o padre Gregório, que colocara a frase (Eu sou fiel) em inglês, sabendo que a coisa por aqui, em língua estrangeira se torna mais importante.seu confessor e cúmplice em muitas empreitadas mirabolantes, exceto no caso Maria, garota de vinte e cinco anos, mantida em cárcere há um mês e alguns dias. Esse Gregório de estatura acima da média, ostentava a pança de um rinoceronte, e muito embora fosse de sua natureza o temperamento arrogante, na hora da missa tornava-se muito simpático, usava palavras ludibriantes, sorria, chorava, fazia coisas dignas de um grande farsante. Mas, voltemos ao homem que sentado dentro do carro agora, é possível descrevê-lo; branca é a cor da sua pele, encaracolado é o seu cabelo, muito visto em anjos e arcanjos, e como tal, sua índole corresponde à aparência, não duvide, esse homem é pura autoconsciência. Ao toque de um botão os vidros das portas laterais deslizam sincronistamente e por baixo da luz artificial vemos o corolla, após, acionada a lanterna traseira, a qual chamamos pisca alerta, sair lentamente. Pela pista que pegou, o centro da cidade era o seu destino, dentro do carro ecoava uma canção que costumava ouvir quando ainda era menino, contudo, a expressão, mesmo parecendo estar sorrindo, é de quem mal a escutava, como se algo lhe estivesse afligindo. O assunto não saia de sua mente, tema sórdido, uma atitude inconsequente, por isso Rafael Nathan encontrava-se resoluto, e demonstrava-se, contundente! A quem iria procurar, em nada era inocente, muito pelo contrário, um sujeito perverso, indolente. Para os apreciadores do cantor Caetano Veloso, a música dentro do carro descrevia a bela São Paulo que, por àquelas horas já escurecida trazia um clima favoravelmente gostoso, e ele não percebeu invadir, pois o pensamento é deveras misterioso, a lembrança de um tempo nada jocoso. A infância não foi fácil para o menino do picolé, que percorria o centro da cidade sempre a pé. O irmão, Isaías Nathan, dois anos mais velho, fazia-lhe companhia. Começavam a trabalhar antes mesmo do calor do dia. A fábrica, como era chamado o local onde apanhavam o sorvete de palito, pertencia ao seu Zé, um português divertido, pelo menos para Rafael que a cada gesto do lusitano, se acaba de rir dizendo parecer o velho, de tanto que sacolejava, um boneco de pano. Parou o carro no sinal entre a Avenida São João com a Santa Ifigênia, vê-se que ao fundar a cidade os jesuítas não tiveram pena, porquanto em quase todas as ruas e avenidas fora dado o nome de um santo. Continuava distraído, lembrando-se agora de um momento fatídico; onde, após a venda de todos os picolés, se depararam com outros menores, aos quais Isaías apelidara; As ralés. O encontro nunca era amistoso, o grupo queria o dinheiro do jeito mais desonroso e Rafael agradecia a Deus por ter colocado ao seu lado um irmão tão corajoso. Todavia, às vezes até o pai abandona a cria, e o seu credo logo ficou abalado, pois em menos de dez minutos, após o ânimo estar por demais exaltado, o mais comprido, o que tinha o rosto marcado, resolveu anunciar que estava armado, e com um canivete, desses chamados suíços e bem afiado, pulou em cima de Isaías, como fazem os gatos, não demorou a Rafael perceber que o irmão estava ensanguentado, no entanto, não pôde fazer nada, tamanha a força da paulada, que abriu a sua nuca fazendo-o cambalear até cair antes de alcançar a calçada... De repente, como tudo que não se espera acontece, o pensamento ficou mudo, sentiu encostar à sua cabeça algo que lhe pareceu pontiagudo, e a conclusão da lembrança acabará ficando para depois, visto que o estranho entre o ontem e o agora se interpôs. Rafael olhou pelo retrovisor lateral esquerdo calmamente; era um garoto magrinho, com a idade que não passava dos dezoito, certamente muito nervoso ao passo que tremia ao empunhar aquele trinta e oito. Desce filho-da-puta! disse o rapaz irritadiço do lado de fora do veículo. As mãos de Rafael permaneceram ainda por alguns instantes, dando a impressão de que não reagiria, sobre o volante. Foi quando o nervosismo do garoto se fez mais evidente, puxou o cão da arma para trás se tornando ainda mais exigente: Sai logo do carro, filho-da-puta! Pelo lado de fora, em frente ao seu carro o atravessar de um lado para o outro das pessoas era constante, e Nathan começou a deslizar as mãos sobre o volante, depois as discorreu sobre o restinho do painel, como se estivesse a acariciar uma amante, alcançou a trava da porta, concludente, foi quando a buzina do veículo de quem estava atrás, desatento ao que ocorria a sua frente, ressoou estridente, o semáforo mostrava a cor verde e muitos tentavam, absortos ao que acontecia, sair rapidamente. A confusão deixara o delinquente, momentaneamente apavorado, e com os olhos esbugalhados, direcionava as faces para os dois lados.diante a sua fragilidade, Rafael não hesitou, abriu a porta do carro com estupenda agilidade e, trazendo na mão uma pistola Colt quarenta e cinco, aquilo sim é uma arma de verdade, apontada para o rosto do assaltante, dispara dois tiros a queima-roupa, sem piedade. Ao se sentar no banco do corolla parecia ter emprestado ao mundo um ato de caridade, pois saia vagarosamente, deixando um homem, pelo menos, que de longe espreitava toda a cena, cheio de curiosidade. Deslumbrado por torturas medievais, Manoel Joaquim não poupava nem o próximo, muito embora se declarasse ortodoxo, fascinava-o tais rituais. Admirador do frade Tomás de Aquino e a sua Santa Inquisição, pelos métodos aplicados quando desejava uma confissão, do ateu, do agnóstico, ou do pagão. A tortura que Manoel mais preconizava era a denominada Limpeza da Alma, cujo torturador, após amarrar os braços e as pernas do torturado, como o desenho de uma estrela que conserva os extremos afastados, derramava-lhe litros e litros de água goela abaixo. Antigo proprietário de máquinas caça-níquel, não é dentre os personagens desta história o mais temível. Baixo e gorducho, morava em um apartamento num bairro considerado de luxo. Naquela noite era a segunda vez que voltava do banheiro, um cala-frio percorria-lhe o corpo inteiro, sempre ao lembrar que receberia a visita do anjo açougueiro, como costumavam chamar aquele homem vestido de preto que carregava um perpetuo sorriso, como se lhe fosse um defeito. É claro que ele não o machucaria, trazia um trunfo na manga e isso o garantiria. No entanto, não havia porque não rezar uma Ave Maria. Escorregou a bunda gorda pela poltrona, e ajoelhando-se ali na sala encarou o quadro da Madona, mas o peso sobre os joelhos logo começou a incomodar, nas panturrilhas, sentiu uma espécie de comichão, provavelmente causada pela posição, já que ao tentar aliviar a dor do segmento de membro inferior sentouse em cima delas, fazendo com que o peso sobre a articulação que compreende a coxa com a perna obstruísse a natural irrigação do sangue que vem das artérias. A Visita da Morte. Estacionou o carro na metade da Rua da Consolação, vinte minutos, foi o tempo que Rafael levou para completar o percurso. É certo que, permaneceu sentado dentro do automóvel por alguns segundos, encarando-se pelo retrovisor, sentiu-se imundo, e só por isso lembrou do moribundo, havia respingos de sangue em seu rosto, mas nada pensou de tão profundo, não o inquietava ter matado, porquanto nem sentia remorso, ficara sim, indignado, por estar tão próximo. A camisa também se encontrava respingada, era preta, e mesmo estando em alguns pontos molhada, sequer parecia manchada. Não haveria a necessidade da troca, resolveu sair do carro, não sem antes arrancar da porta o coldre que lá havia com o velcro colado. Atitudes assim não o deixavam encrencado, Rafael sempre fora bastante precavido, até então, só houve uma vez que o pegaram distraído, e era justamente no que pensava, ao entrar no edifício Santa Carmelita a cinco metros de onde estacionara, já que a lembrança havia sido interrompida logo após levar aquela paulada, quando cambaleando caíra antes de alcançar a calçada. Desejo que você não tenha se perdido. Qualquer coisa volte à página quatorze, eu espero, afinal, sem você essa história não faz sentido. Então, ainda tonto e deitado no chão viu seu irmão Isaías, convulsionar, como acontecia a sua tia, acreditando estar possuída, sempre que ia a igreja orar, mas diferentemente dela, Isaías não gritava nem falava, só tremia sem parar, até que gemeu entre os dentes, depois se calou e parou de respirar. Rafael nem se preocupou quando passou pela portaria, o bairro é de grã-fino, porém, aquele prédio não condizia. Estivera ali não fazia duas semanas, por isso não o surpreendeu o fato de no elevador não haver câmeras. Ajeitou a pistola Colt quarenta e cinco, escorando a coronha ao cinto. Casa paroquial, minutos após a missa das 18 h. Padre Gregório Simão adentrou em seu quarto, sorriu ao encarar o seu coroinha Renato, sentado, na poltrona vermelha posicionada de frente para a entrada, completamente pelado. O menino começou a prestar serviços a igreja aos dez anos de idade, levado pela mãe, uma beata, que prometera entregá-lo ao Senhor antes de sua puberdade, embora não tivesse nascido o bebê com qualquer enfermidade, a oferta fora feita ainda na maternidade. Seria o menino para Deus o seu servidor! E quando o bondoso prior, durante a celebração, mencionara a necessidade de ter um ajudante, a mulher arrepiou-se, como se sentisse Aquele que está em toda parte, Ubíquo: a quem não podemos resistir ao menor embate, falar através da boca daquele abade. Porém, o envolvimento, aqui relatado, entre Gregório e o abençoado, apelido dado pelo padre, principalmente quando se encontrava, como agora entre as coxas do garoto, ajoelhado. Não era em si um pecado, porquanto nos dez mandamentos o sexo entre iguais não seja sequer citado, e a instituição do celibato fora criada apenas para impedir que a fortuna evaporasse entre os seus herdeiros legitimados. É bem verdade, que não deixava de ser um relacionamento precipitado, embora o termo pedofilia não seja crime prescrito em nenhum artigo do Código Penal, por outro lado, aquele que abusa de crianças ou pratica atos lascivos com menores infringe a lei e é passivo de pena judicial. Mas nada disse preocupava Gregório, um homem inteligente, teólogo, que adora sentir dentro de sua boca o membro quente daquele menino simplório. E no momento em que o pároco sentia estar próximo do final de sua oração, o telefone soou como uma explosão. Alô?! disse Gregório irritado. Padre! do outro lado, a voz de alguém bastante assustado. Sim! Aqui...é Manoel... Manoel?! Manoel. Padre! Aquele que mandou desviar seu carregamento... Sim, sim! O que você quer desgraçado?! Pedir perdão!... Em seguida Gregório ouviu um estampido, foi quando, por um segundo afastou o celular do ouvido. E ao encostá-lo novamente a concha auditiva, ouviu uma outra voz, agora bastante conhecida: Feito! O padre sorriu e logo colocou o celular em cima do criado-mudo. Deu dois passos em direção a Renato, que o olhava confuso. Antes de voltar a ajoelhar-se Gregório juntou as palmas das mãos: Obrigado meu bondoso Deus! Para finalmente cair de joelhos aos pés do seu santo, cobrindo-lhe a genitália, como se a cabeça fosse o manto, e a boca a receber lenha, a fornalha. Edifício Santa Carmelita. Prostrado no mesmo local, onde há pouco, ajoelhado, rezara a Ave Maria, encarando a figura da santa no quadro, encontrava-se Manoel Joaquim de barriga pra cima, o trinta e oito ao lado, com um rombo na nuca de quase um palmo, esvaindo-se em sangue sobre o tapete, que não levara um minuto para ficar ensopado, podemos ver isso tudo por cima do ombro do homem de cabelos cacheados, pois é ele, quem atento observa a morte arrebatar mais um de seus escravos. O barulho poderia ter aguçado a curiosidade de algum morador, por isso, antes de sair Rafael certificou-se, olhando através do olho-mágico, de não haver claridade no corredor. Do lado de fora, optou por tomar um táxi. Praça da Sé, por favor! disse Rafael com o peculiar sorriso. Lá tomou o metrô rumo ao Paraíso. Às três da madrugada, Rafael acabara de escrever a última página de seu livro, Criança Mimada, Adulto Frustrado, e, já preparava o café para tomar, enquanto comia algumas torradas, quando o telefone vibrou em cima da mesinha lá da sacada. Sim? disse Rafael. Bom dia! É o senhor Rafael quem está falando?! Sim! Olá, senhor Rafael! Eu sou o cabo Paulo... Em que posso lhe ser útil, cabo? Desculpe acordá-lo, mas é que achamos o seu carro. Ah, que bom cabo! Assim que amanhecer, eu passo... de qual delegacia mesmo, você disse estar falando? Bem, senhor Rafael! Eu não estava a serviço quando encontrei o seu veículo... Ainda que soubesse o que significava aquela última frase dita pelo policial, não pensou em conversar sobre propina, não pelo telefone, pois lhe pareceu um acontecimento excepcional; como, em menos de vinte e quatro horas, os policiais já estavam de posse do seu corolla? Onde disse mesmo que achou o carro? fingindo-se de desentendido. No centro! Pela manhã, quando ainda estava de serviço, anotei o número da placa de três veículos descritos pelo rádio da viatura... Sim, entendo. Mas prendeu também o sujeito? Não. O veículo foi abandonado na Rua da Consolação. Ah, sim. Então, aonde que eu posso te encontrar? Olha seu Rafael.Eu à tarde, vou estar ali perto da São João... Tudo bem! Pode ser lá por volta das 16h? Sim! Vou estar lá num bar que fica a mais ou menos cinco metros dos cruzamentos da São João com a Santa Ifigênia... Rafael Nathan terminou o seu café, escovou os dentes e foi deitar, mas não dormiria assim tão facilmente, precisava refletir sobre o estranho telefonema, desejaria o sujeito apenas dinheiro ou lhe traria algum problema? Afastou-se do telefone público e foi sentar-se dentro do corolla, estacionado ali no centro mesmo, perto da rua Aurora, pensava o cabo Paulo enquanto olhava um drogado pedir esmola a transeuntes em disparada, que fingiam não dar bola, na coisa mais estranha já registrada em sua memória; um homem reagir tão rapidamente e depois com frieza ir embora, fora realmente uma visão, e não fosse pela grande perturbação que mais tarde enfrentaria, daria uma bela história! Todavia, Zói de bomba, como era apelidado, se encontrava numa sinuca de bico, como disse o seu parceiro Tônico de Castro, pois havia a necessidade de contar aquele fato a Ada, jovem por quem estava apaixonado. Hesitara, até então, por medo da reação que a amada teria ao saber que seu irmão fora estupidamente baleado, uma criança que sequer dezessete anos havia completado, confundido num assalto por causa de sua compleição, pois era ele tão magrinho quanto o ladrão, um garoto que vivia na cracolândia, vulgo Gabo, esse sim, um delinquente tão ruim quanto o Diabo.Foi tudo bastante inusitado, o homem desceu do carro no cruzamento da Santa Ifigênia com a São João, já armado, e atirou duas vezes na direção do pobre coitado. Porém, não se deixe influenciar, pois a versão que acabou de ler, faz parte da mentira que Paulo pretende contar. Porquanto todos sabemos de que não se é necessário muito esforço para mentir, há em Gênesis uma boa referência do irmão que resolveu do outro subtrair, os direitos exclusivos do primogênito, enganando, com a ajuda da mãe, o próprio pai (que já não enxergava), recebeu a bênção, após com as vestes do mais velho, se vestir. Paulo estava incorporado à polícia havia dez anos, dos quais, nove, entregues a mais pura honestidade, contudo não eram os conceitos morais que mantiveram a sua integridade, e sim, o medo que perturba grande parte da humanidade. O de ser surpreendido em flagrante seja roubando ou num ato de promiscuidade. Ao conhecer Ada, não demorou muito para que Paulo quisesse casar, afinal, aos trinta e seis anos de idade, um homem precisa de um lar, entretanto, para tanto havia a necessidade de mudar, primeiro deixou de ser um assíduo frequentador de bar, e passou a dedicar-se a outras atividades, muito comum entre policiais; alguns fazem bicos de segurança outros correm atrás, e foi essa a sua opção, induzir, garotos viciados que viviam no quarteirão a cometerem delitos, sob coação. Embora a lei tenha mudado, não estava bem claro, como diferenciar o traficante do usuário, que então acabavam dependendo da interpretação do PM ou do delegado de plantão.enquanto Paulo tecia o seu embuste, Ada, que trabalha no supermercado, no turno da madrugada, faz alguns ajustes para deitar-se sobre a mesa do almoxarifado, desconcerta a calcinha puxando-a para o lado, abre as coxas e logo o gerente, um senhor malafeiçoado penetra-lhe com o pênis a vagina e começa a tremelicar o seu corpo suado. Toda madrugada arranjava-se assim, três homens em quatro semanas, o Zé da faxina, o Carlos da carpina e agora o Serafim, não sossegava a Ada enquanto seu turno não chegasse ao fim. Dizia ser culpa do próprio nome, afinal, era como se chamava a mulher do tataraneto de Caim. Bairro, Clínicas, 5h20 da mesma madrugada. Como se não bastasse contrair-se, como o verme que não deseja ser novamente pisoteado, ao ser tocada na vagina, pelos dedos purulentos, fétidos e ensebados, ainda precisava fazer um grande esforço para evitar o beijo de estriquinina do sujeito mal-encarado, se bem que, seria a sua preferência, para aplacar a penitência, que entre a composição daquela saliva, houvesse realmente peçonha, no entanto, o que Maria sentia era o gosto amargo da maconha. E na cena terrificante; o lazarento não parava de esfregar o seu corpo nu cheio de pústulas sobre o dela um só instante. Porém, a bolinação não ia, além disso, visto que o sujeito em seu credo fora vítima de feitiço, e a falta da ereção, com apenas vinte e sete anos de idade, aumentara o seu suplício. O trabalho feito por sua ex-esposa no terreiro de seu Jorge, um pai-de-santo que dizia beber um chá da planta tóxica, Dieffenbachia picta Schott, muito conhecida como; comigo ninguém pode, era muito respeitado no meio do candomblé, com fama de deixar um rico sem fortuna, e um homem sem mulher, só não pôde com a diabetes que lhe fez perder o pé. Depois lhe conto esse caso, por enquanto, vamos nos ater a esse velho sobrado de fachada conservada, afinal, era onde passara os dias e as noites, a jovem raptada, que não sabia mais para quem apelar, visto que começou pedindo a Cristo, depois a todos os santos e até a Oxalá, mesmo sendo evangélica, quando se encontrava sozinha, como agora, pensava em Iemanjá, acalmava-a a lembrança da imagem da santa saindo do mar. Entretanto, na hora do aperto, todos os santos e demais autoridades deveriam estar em férias, pois a nenhuma de suas rezas, resolveram escutar. Ela chegou a pensar que fosse a própria Liliti; a primeira mulher de Adão, que renunciara ao cônjuge por não aceitar a submissão, a culpada por seu clamor em vão, porém, logo viam outras lembranças e acabavam-se as esperanças de obter a redenção. Na infância a bíblia na mão, o púlpito, o seu pai e a pregação, as histórias, o envolvimento da mulher e sua eterna maldição. Eva, Dalila, Salomé ou a mulher de Potifar, esta última de tão má, sequer o nome foram capazes de registrar... E Maria só se acalmava, depois de muito chorar, embora não lhe adiantasse nada, pois sabia que só lhe restava esperar. Um mês e alguns dias antes do sequestro. O Programa Universidade para Todos, decreto 5493, artigo 1º da lei , conhecido como ProUni, sancionado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não ficou imune da reprova
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