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Abra sua mente, gay também é gente

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  www .psicologia.pt ISSN 1646-6977 Documento produzido em 01.07.2012   MARTINS, B. F.; GREGOVISKI, V. R. 1   Siga-nos em facebook.com/psicologia.pt   “Abra sua Mente, Gay Também é Gente”: Falando o Preconceito 2012 Bianca Figueiredo Martins Acadêmica de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria/RS Vanessa Ruffatto Gregoviski Psicóloga formada pela Universidade de Passo Fundo/RS E-mail de contato: vane.ruffatto2@hotmail.com RESUMO O presente artigo de revisão bibliográfica busca elucidar sobre a problemática do preconceito com homossexuais nos dias de hoje, fazendo uma retrospectiva com aspectos históricos e  buscando compreender quanto esse preconceito influencia no psíquico da pessoa, inclusive na construção de sua identidade e manutenção de sua saúde. Palavras-chave: homofobia, homoafetividade, preconceito, sexualidade. 1.   INTRODUÇÃO O termo ‘homossexual’ refere-se a relações sexuais entre duas pessoas do mesmo sexo. Deriva-se do prefixo grego que significa ‘mesmo’. Foi empregado pela primeira vez em 1869,  por um médico húngaro chamado Benkert” (CAPRIO; BRENNER, 1967, p.77). Segundo Nunes e Ramos (2008) a referência ao comportamento homossexual é algo que está presente em nossa sociedade há muito tempo. Porém, ele vem sendo mais notório desde a Grécia Antiga. Existem muitos pontos levantados que fazem com que haja uma dúvida se de fato o comportamento tido por gregos poderia ser considerado homossexual, visto que a ênfase não era dada ao sexual.  www .psicologia.pt ISSN 1646-6977 Documento produzido em 01.07.2012   MARTINS, B. F.; GREGOVISKI, V. R. 2   Siga-nos em facebook.com/psicologia.pt   O nome dado na época era pederastia, que significa “amor por rapazes”. A relação acontecia entre o mestre e o discípulo, sendo que por ser mais velho e ter mais poder sobre a situação, o mestre era ativo. Era um passo necessário a ser dado para que o cidadão grego pudesse alcançar status social. Porém, ao crescer, o homem deveria abandonar totalmente toda e qualquer relação sexual com outros homens, visto que esse ato era mal visto na sociedade. O mesmo ocorria na ilha de Lesbos, só que ao invés da situação acontecer com homens, acontecia com garotas, com o mesmo intuito de demonstrar poder e hierarquia. E desta mesma ilha é que vem a srcem do termo “lésbicas”. Mais tarde, em uma era mais voltada para a religião que seguia os mandamentos sagrados presentes na Bíblia, o nome dado ao ato sexual masculino era “sodomia”, fazendo referência às cidades de Sodoma e Gomorra (cidades devastadas pela ira divina). E com isso, o preconceito principalmente contra homossexuais masculinos [01] vinha se intensificando cada vez mais. Homossexuais eram vistos como doentes. Foi apenas em 1971 que a Associação Americana de Psiquiatria, e posteriormente outros órgãos de saúde, retirou a homossexualidade da lista de doenças. No Brasil, apenas em 1999, foi promulgada a resolução que obrigava psicólogos e  profissionais da área a não tratar homossexualidade como doença. A primeira pesquisa mais abrangente sobre a homossexualidade foi feita por Alfred Kinsey, que desenvolveu uma escala de zero a seis, que demonstra a variação do grau de padrões homossexuais presentes em cada pessoa: “Exclusivamente heterossexuais; Predominantemente heterossexuais e só acidentalmente homossexuais; Predominantemente heterossexuais, porém mais que apenas acidentalmente homossexuais; Igualmente heterossexuais e homossexuais; Predominantemente homossexuais, porém mais que apenas acidentalmente heterossexuais; Predominantemente homossexuais e só acidentalmente heterossexuais; Exclusivamente homossexuais” (CAPRIO; BENNER, 1967, p. 78) Klein também faz pesquisas na área de homossexualidade, desenvolveu uma escala, a escala KSOG, semelhante a aquela de Kinsey, porém incluía sete novos aspectos: “Atração, comportamento e fantasias sexuais, preferência emocional e social, auto identificação e estilo de vida, estas características medidas em relação ao passado, presente e o ideal do individuo.” (NUNES; RAMOS, 2008, p.3). O avanço científico em relação ao tema “homossexualidade” é o que está acabando com mitos criados ao longo do tempo por uma sociedade homofóbica.  www .psicologia.pt ISSN 1646-6977 Documento produzido em 01.07.2012   MARTINS, B. F.; GREGOVISKI, V. R. 3   Siga-nos em facebook.com/psicologia.pt   2.   Barbárie e Preconceito A sociedade passou, assim, de época em que o comportamento homossexual era tido como normal a uma época aonde se é necessário brigar por direitos humanos básicos. Cada dia que  passa é mais comum presenciarmos casos de violência física ou psíquica contra homossexuais nos meios de comunicação. Mas ao que devemos isso? É dado a tal forma de preconceito o nome de homofobia. Homofobia “é uma forma de inferiorização, consequência direta da hierarquização das sexualidades, que confere à heterossexualidade um status superior e natural.” (BORRILLO, 2001, p.3). A homofobia não se resume apenas à violência corporal praticada em alguém que seja considerado homossexual, mas também em terror psicológico. É um ato intolerante que faz com que homossexuais, assumidos ou não, sejam vistos como pessoas desprezíveis e repugnantes,  pelo simples fato de não sentirem atração física por pessoas do sexo oposto. É uma forma banal de afirmar que as pessoas heterossexuais são superiores àqueles homossexuais, e que tal verdade é incontestável, sendo gays, lésbicas, bissexuais e etc., merecedores de punição e/ou exclusão social. Homofobia faz com que a pessoa transforme-se. Muitas vítimas têm traumas que fazem com que seus comportamentos se modifiquem, passando então a viver em um pânico constante de uma represália social. A homofobia cognitiva funda, assim, um saber a respeito do homossexual e da homossexualidade baseado em preconceitos que os reduzem a estereótipos (BORRILLO, 2001,  p.7) É principalmente na infância que se internaliza toda critica social negativa relacionada à homossexualidade, levando muitos homossexuais a conflitos que fazem com que eles se sintam inferiores aos demais indivíduos, tendo valor próprio questionável, como se possuíssem uma espécie de imperfeição e até mesmo doença. “Em outras palavras, pode-se dizer que quando o estereótipo é muito forte ou pernicioso, membros do grupo alvo tendem a aceitá-lo e incorporá-lo à sua auto-imagem, fazendo com que sentimentos negativos com relação à própria orientação sexual sejam generalizados para o self como um todo” (SILVA, 2007, p.1, grifo do autor). Silva (2007) também faz referencia a Allport, que criou a teoria de “traços devido a estigmatização”, esta diz que o individuo tem reações defensivas perante o preconceito social,  www .psicologia.pt ISSN 1646-6977 Documento produzido em 01.07.2012   MARTINS, B. F.; GREGOVISKI, V. R. 4   Siga-nos em facebook.com/psicologia.pt    podendo ser elas extrovertidas (gerando obsessão) ou introvertidas (gerando uma espécie de ódio  por si mesmo). Homossexuais que incorporam críticas sociais negativas sobre a sua sexualidade ao  self acabam passando pelo mesmo que acontecia com mais intensidade antigamente às mulheres: por se considerar inferiores, tornam-se passivos perante agressão e assumem que a culpa é deles e não do agressor. Uma das principais características do que o preconceito causa é o sentimento de vergonha. Esse é um dos motivos que levam homossexuais a viveram como heterossexuais ou a não assumir a sua orientação sexual à família e amigos. Criam-se defesas psíquicas para isso: negação (processo inconsciente que faz com que o indivíduo “drible” sua sexualidade; é diferente de não assumir, pois negando o indivíduo sequer assume para si mesmo que sente atração pelo mesmo sexo, visto que a simples ideia de isso ser verdade faz com que o individuo sinta repulsa), formação reativa (tem um comportamento que é o oposto; nessa categoria se enquadram os “homossexuais latentes”, que são aqueles que não assumem sua orientação e se tornam fervorosos críticos ao comportamento GLBT, podendo até mesmo estar na condição de agressores físicos), racionalização (uma determinada atitude é distorcida e explicada desviando o foco da homossexualidade), raiva e hostilidade (age de maneira hostil e sarcástica, mesmo quando não sofre preconceito, apenas com a intenção de  provocar), encobrimento (para muitos é uma defesa extremamente necessária e saudável para conseguir lidar com a situação, o encobrimento nada mais é do que não revelar publicamente o seu gosto, fazendo com que os outros vejam comportamentos heterossexuais nele), alguns autores acreditam que a supercompensação (orgulho excessivo e alta busca por ascensão social, financeira e etc.) também é uma defesa. Estudos feitos apontam que apesar da homossexualidade não ser mais considerada uma doença, gays e lésbicas são mais propensos a determinados transtornos mentais, sendo eles relacionados ao preconceito e a estigmatização, como estresse, transtorno de humor, transtorno de ansiedade, transtorno alimentar e etc. A maior tendência à ansiedade pode ser explicada com base no fato de que homossexuais têm que conviver mais frequentemente com a pressão psíquica sofrida pelo preconceito. Também se deve a uma maior incidência do medo de rejeição. Em adolescentes assumidos, Silva (2007) cita que índices de violência física e verbal sofrida são maiores, assim como o número de suicídios quando comparado a suicídios dos que
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