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Artigo - Behaviorismo Radical

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  O behaviorismo radical e a psicologia como ciência ¹The radical behaviorism and the psychology as science Tereza Maria de Azevedo Pires Sério² Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ResumoAbstract A compreensão da proposta de B.F.Skinner para a psicologia é vista como um bom começo para oestudo das características atuais do behaviorismo radical. Em geral, Skinner apresenta e detalhasua proposta confrontando-a com outras propostas já existentes e aceitas na psicologia. Pretende-se acompanhar parte desta apresentação, analisando as principais contraposições afirmadas porSkinner entre o behaviorismo radical e outras propostas então em vigor na psicologia, em trêstextos desse autor: e oprimeiro capítulo de (1974). Acredita-se que seja possível, em cada um deles,destacarumaspectocomoilustrativodeumacontraposiçãodeSkinner;assim,noprimeirodeles,oaspecto destacado é o método a ser adotado nos estudos em psicologia, no segundo, o objeto aoqual ela se dedica e no terceiro, o modelo de causalidade que deve dirigir o estudo do objeto e aseleçãodosmétodos.Palavras-chave: behaviorismo radical, B.F.Skinner, objeto de estudo da psicologia, métodos dapsicologia,modelodecausalidade.The understanding of B. F. Skinner's approach to Psychology can be considered as a goodbeginningforthecomprehensionofradicalbehaviorismcurrentcharacteristics.Thepresentpaperdetails Skinner's analysis in three publications where he seems to choose to present aspects of hissystem by confronting his assertions with other ones already exiting, and generally accepted, inPsychology. The aim here is to follow through part of Skinner's writing, analyzing the mainoppositions argued by Skinner in the following publications:(1945), (1963), and (1974) first chaptermainly. As a result, the theme of choice, Skinner's arguments, and the corresponding maincontraposition guiding Skinner's exposition are identified and discussed in each one of thesemanuscripts.In thecentralissuearguedbySkinneristhe method of choice to be adopted in Psychology studies, in Psychology'ssubject matter is the central question tackled by Skinner, and, finally, in A thecausal mode that should underlie and guide the study of Psychology's subject matter andPsychology'sselectionofmethodsisthetopicofchoice.Key-words: radical behaviorism, B. F. Skinner, subject matter of Psychology, methods ofPsychology,causalmode The operational analysis of psychological terms (1945), Behaviorism at fifty (1963) About behaviorismThe operational of analysis of  psychological terms Behaviorism at fifty About behaviorismTheoperationalofanalysisofpsychologicaltermsBehaviorism at fiftybout behaviorism ¹EsteartigofoielaboradocomomaterialdidáticodadisciplinadepsicologiaComportamentalIIIdaFaculdadedePsicologiadaPUCSP,no primeiro semestre de 2005 e, como tal, esteve durante este período disponível no sítio do Programa de Psicologia Experimental:AnálisedoComportamento.OroteirodeleituraqueoacompanhafoielaboradopelaprofessoraDra.PaulaSuzanaGioia.²BolsistaCNPq,BolsaProdutividadeemPesquisa,processono.305032/02-0.Endereçoparacorrespondência:teiaserio@uolcom.br ISSN 1517-55452005, Vol. VII, nº 2, 247-261 Revista Brasileira deTerapia Comportamental e Cognitiva 247  Tereza Maria de Azevedo Pires Sério Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn. 2005, Vol. VII, nº 2, 247-261 248 Dentre as várias propostas de entendimentodoquesejaapsicologia(seuobjeto,seusméto-doseseupapelnasociedadecontemporânea),encontra-seaquechamamosdebehaviorismoradical. B. F. Skinner (1904-1990) é reconhe-cido como o principal autor do behaviorismoradical; a própria expressão 'behaviorismoradical', com as marcas que hoje a caracte-rizam, foi introduzida em um texto desteautor,publicadoem1945.Atualmente,outrosestudiosos vêm trazendo contribuições queexplicitam, complementam ou acrescentamelementosàspropostasinicialmentefeitasporB. F. Skinner. Compreender a proposta deSkinner para a psicologia é, assim, um bomcomeço para compreendermos o behavioris-moradical.QuandoSkinneriniciaseusestudosempsico-logia,outraspropostasdeentendimentodestaáreajáestavamemdiscussãoeaapresentaçãodos aspectos que caracterizavam seu enten-dimento da psicologia (aspectos que passa-riamacaracterizarobehaviorismoradical)foifeita, freqüentemente, a partir da contrapo-sição com essas outras propostas então emvigor.Deumaformageral,essacontraposiçãocom as demais propostas é guiada por ques-tões relacionadas ao objeto e aos métodos dapsicologia e ao modelo de causalidade quedeveria orientar a construção de explicaçõesdasaçõeshumanas.Comoobjetivodeilustraressas contraposições e como, a partir delas, éapresentada a proposta de Skinner para a psi-cologia,vamosexaminartrêsdiferentesexem-plosdetextosdesseautor.Emcadaumdessesexemplos será destacado um dos aspectosmencionados - o objeto de estudo da psicolo-gia, os métodos adequados para estudá-lo e omodelo de causalidade; tal destaque é apenasuma estratégia de apresentação, pois tais as-pectos mantêm entre si relações estreitas, deformatalque,aotratardecadaumdeles,Skin-nertenhatambémabordadoosdemais.Se considerarmos o artigo escrito por Skinner(1963/1969) sobre os cinqüenta anos de beha-viorismo(considerandocomomarcodoiníciodo behaviorismo as propostas apresentadasem 1913 por J. B. Watson), a contraposiçãocom as demais propostas é feita a partir dequestõessobreoobjetoeosmétodosdapsico-logia. Skinner (1963/1969) inicia assim seuartigo:Nesse trecho, Skinner aponta dois caminhosalternativos para a psicologia na definição deseu objeto de estudo e dos métodos apro-priadosparaestudá-lo:ocaminhoquecondu-ziuaoquegenericamentepodemoschamarde'mentalismo'eocaminhoquefoitrilhadopelobehaviorismo. O caminho behaviorista inserea psicologia entre as ciências que estudam avida ou, mais precisamente, os organismosvivos(éassimqueentendemosaafirmaçãodeque a psicologia “é parte da biologia”) e, aofazê-lo, já está indicando as dimensões de seuobjeto de estudo e de onde os psicólogosdeveriam partir para encontrar seus métodosdeestudo,depesquisa.Skinner segue, no artigo, contrapondo essas 3 Primeiro exemplo: o objeto de estudo dapsicologia Behaviorismo,comênfaseno ,nãoéoestudocientífico do comportamento, mas uma filosofiadaciênciapreocupadacomoobjetoemétodosdapsicologia. Se a psicologia é uma ciência da vidamental da mente, da experiência conscienteentão ela deve desenvolver e defender uma metodologia especial, o que ainda não foi feito comsucesso. Se, por outro lado, ela é uma ciência docomportamento dos organismos, humanos ououtros, então ela é parte da biologia, uma ciêncianatural para a qual métodos testados e muitobem sucedidos estão disponíveis. A questãobásicanãoésobreanaturezadomaterialdoqualomundoéfeitoouseeleéfeitodeumoudedoismateriais, mas sim as dimensões das coisas estudadas pela psicologia e os métodos pertinentes aelas. (p.221) ismo- --- 3 Há, hoje, um conjunto significativo de publicações nas quais propostas de B.F.Skinner para a psicologia são objeto de análise, de talforma que listá-las e comentá-las daria srcem a pelo menos um novo artigo. A título de exemplo, porém, algumas dessas publicações(com destaque itálico para aquelas produzidas em língua portuguesa) devem ser indicadas: Moore (1975, 1981, 2000), Day (1980,1983),Richelle (1981), , Modgil e Modgil (1986), Smith (1986), , ,,Chiesa(1994), ,ToddeMorris(1995), , ,Moxley(2001).  Abib (1985, 1997) Tourinho (1988, 1994, 1995, 1997a, 1997b) Andery (1990) Lopes Junior(1992,1997) Micheletto(1995) Carrara(1998) CarvalhoNeto(2001)  Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn. 2005, Vol. VII, nº 2, 247-261 249 O behaviorismo radical e a psicologia como ciênciaduasalternativas mentalismoebehaviorismo- e, ao fazer isto, busca compreender como apsicologia de início recorre ao mentalismo equais as condições que possibilitaram a emer-gência de uma concepção oposta, no caso, obehaviorismo.Eleconcluiaparteintrodutóriado artigo (1963/1969) deixando bem clara adivergência central entre essas duas alterna-tivasesugerindoasgamasvariadasdementa-lismoquepodemexistirdentrodapsicologia:Esses dois parágrafos merecem alguns comentários. A diferença entre as duas alternativas não está propriamente nos eventos quesão considerados como pertencentes ao domínio de estudo da psicologia, mas sim emcomo eles são considerados. Podemos interpretar a afirmação que inicia o trecho citado(“) como uma afirmação de que aperspectiva behaviorista radical lida com umtraço que parece ser exclusivamente humanoe quem tem sido visto como constitutivo doobjeto de estudo da psicologia: a privacidade.A privacidade não seria, assim, preocupaçãoexclusivadeperspectivasmentalistas;estudar“o contato especial” que “cada pessoa” estabelece com “a parte do universo contida dentro de sua própria pele” deveria, segundo obehaviorismoradical,serpartedasatividadesde pesquisadores sobre o comportamento . ESkinnervaimaislonge,chamandonossaatenção para aspectos metodológicos nesse estudo; para ele, as tentativas de mensuração feitas das possíveis transformações que estãoocorrendonocorpodapessoaquandoelaestáemcontatocomessastransformações(ouseja,as “invasões com instrumentos científicos”),mesmo recorrendo-se a instrumentos cadavez mais sofisticados, não eliminam o fenômeno da privacidade: o reconhecimento dequetaismedidasnãotornampúblicososeventosemquestãoevidenciaquearelaçãodapessoa com o 'mundo dentro de sua pele' continuaasersingular,única.O que, de fato, diferencia as duas alternativas(amentalistaeabehaviorista)éanaturezaquecada uma delas atribui aos fenômenos envol-vidos na privacidade; em uma visão behavio-rista, esses fenômenos têm a mesma naturezaque os demais fenômenos que constituem ohomem: são fenômenos físicos, materiais; emumavisãomentalista,aocontrário,essesfenô-menos são de natureza diferente da naturezados demais fenômenos que constituem o ho-mem: não são de natureza física, são de natu-rezamentaloupsíquicaeseriaissoqueosdis-tinguiria como objeto de estudo à parte. En-tretanto, podem ser identificadas diferenças,dentro da concepção mentalista, no que se O fato da privacidade não pode, é claro, serquestionado. Cada pessoa está em contato es-pecialcomumapequenapartedouniversoconti-da dentro de sua própria pele. Para tomar umexemplo que não acarreta controvérsias, cadapessoa está singularmente sujeita a certos tiposde estimulação proprioceptiva e interoceptiva.Embora, em um certo sentido, possamos dizerque duas pessoas podem ver a mesma luz ououviromesmosom,elasnãopodemsentirames-ma distensão do ducto biliar ou o mesmo mús-culo contundido. (Quando a privacidade é inva-dida com instrumentos científicos, a forma deestimulação é mudada; as escalas lidas peloscientistas não são os próprios eventos pri-vados.).Psicólogos mentalistas insistem que há outrostipos de eventos que são unicamente acessíveisao proprietário da pele dentro da qual elesocorrem, mas que faltam a eles as dimensõesfísicas de estímulos proprioceptivos ou intero-ceptivos. (...) A importância atribuída a este tipode mundo varia. Para alguns, ele é o únicomundoqueexiste.Paraoutros,eleéaúnicapartedo mundo que pode ser diretamente conhecida.Para outros ainda, ele é uma parte especial da-quiloquepodeserconhecido.Emqualquercaso,o problema de como alguém conhece o mundosubjetivo de outro deve ser enfrentado. Ao ladodaquestãodoquesignifica“conhecer”,oproble-maéodaacessibilidade. (pp.225-226) ----O fato da privacidade não pode, é claro, ser questionado.”-- 4------- 4 Devemos ressaltar que neste trecho já fica pelo menos sugerida a distinção entre privacidade (“contato especial” que “cada pessoa”estabelece com determinados estímulos) e estímulo privado (estímulo ao qual apenas o indivíduo por ele afetado tem acesso direto).Além disso, é possível, também a partir desse trecho, supor que tais estímulos privados não são necessariamente ou exclusivamenteestímulos proprioceptivos ou interoceptivos, pois ao apresentar seu exemplo, Skinner parece ressaltar que o escolheu por ser “umexemplo que não acarreta controvérsias”; podemos supor, a partir dessa afirmação, que existam exemplos nos quais a caracterizaçãodosestímulosenvolvidos possatrazercontrovérsias;comisso,aexpressão“dentrodesuaprópriapele”mereceriaosmesmosreparos.  Tereza Maria de Azevedo Pires Sério Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn. 2005, Vol. VII, nº 2, 247-261 250 refereàexclusividadedadimensãomentaloupsíquica e no que se refere às possibilidadesde conhecimento das dimensões nas quais ouniverso é por eles dividido. Segundo Skin-ner, há, dentro do mentalismo, desde verten-tes que afirmam que a única dimensão douniverso que existe é a dimensão mental, atévertentes que, reconhecendo a existência dasduas dimensões, afirmam que a dimensãomental é a única que pode ser diretamenteconhecida, passando por aquelas que nãorestringem a possibilidade de conhecimentodireto à dimensão mental, mas afirmam serelaespecialenquantoobjetodeconhecimento.Qualquer que seja o caso, a compreensão dasdiferenças entre a concepção mentalista e abehaviorista envolverá: a) a explicitação doque é conhecer para cada uma dessas concep-ções, e b) a discussão sobre acessibilidade doseventosquesãoobjetodeconhecimento.Seconsiderarmosoartigonoqualaexpressãobehaviorismo radical aparece com as conota-ções que a distinguem ainda hoje (Skinner,1999/1945), nele a contraposição com outraspropostas para a psicologia é feita em termosquase estritamente metodológicos. Nesse ar-tigo, Skinner apresenta sua posição com rela-ção a uma proposta bastante específica sobrecomo os psicólogos deveriam proceder aoabordar seu objeto de estudo: o operacionis-mo . Em termos bem gerais, o operacionismoapresenta-se como um procedimento paragarantir que os cientistas fundamentem todoo conhecimento produzido em fenômenosdiretamente mensuráveis, de forma a evitarproblemas ocasionados pela inclusão, nasdescrições e explicações científicas, de conceitos que envolvem elementos não fundamentados em observações, conceitos que não têmbase empírica. Os cientistas conseguiriam talgarantia se passassem a definir seus conceitoscom base nas operações que executavam comoobjetivodeidentificaremedirosfenômenosaos quais o conceito se referia . Assim, porexemplo, no caso da psicologia, ao invés dedefinir conceitos tais como sensação, percep-ção ou inteligência buscando identificar oselementos constituintes dos fenômenos abar-cados por tais conceitos, o cientista deveriadefini-losdescrevendooqueelefazparaiden-tificar e medir esses fenômenos; com isso,necessariamente,elerestringiriasuadefiniçãoaaspectosempíricos.O operacionismo teve um certo impacto napsicologia e, segundo alguns autores (porexemplo, Rogers, 1989) está presente até hojeno fazer do psicólogo. Pelo menos inicial-mente,oimpactoquetevedeveu-seaofatodeque foi visto como um caminho para superarosproblemasdecorrentesdeconcepçõesmen-talistas Sendo assim, no artigo de 1945, Skin-ner apresentará o que entende por behavio-rismo contrapondo-o não mais com posiçõesque se declaram mentalistas e sim com posi-ções que pretendem superar o mentalismo,entre elas o behaviorismo tal como ele seconfigurava na época em que Skinner escre-veuoartigoemquestão .Skinneriniciaseuartigo(1945)afirmandoqueo operacionismo não trouxe nenhuma novacontribuição para a prática dos cientistas e, decerta forma, não poderia mesmo fazê-lo devi-doaoslimites presentes no conhecimentodis-ponívelnaépoca.Comoconseqüênciadecon-dições históricas relacionadas à produção deconhecimento sobre o homem, não estavaainda disponível um conhecimento que per-mitisse compreender adequadamente o pro-cesso de formulação de conceitos. SegundoSkinner,asteoriasdelinguagemexistentesnaépoca não estavam ainda preparadas para talempreendimento porque, entre outras coisas,ainda não se tinha completado o desenvolvi- Segundoexemplo:desafiosmetodológicos 5--67 567 Este artigo teve srcem na participação de Skinner em um simpósio sobre operacionismo, organizado por E.G. Boring; no artigoencontramosaapresentaçãoqueSkinnerfezepartesdodebatequeocorreuentreosexpositores.Para maior número e detalhes mais precisos sobre o operacionismo e sua importância na psicologia ver, por exemplo, Lopes Júnior(1992;1997).Paraumaavaliaçãomaisprecisasobrequaleraessebehaviorismoequemodefendiaver,porexemplo,LopesJunior(1992), Tourinho(1995),Carrara(1998).  Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn. 2005, Vol. VII, nº 2, 247-261 251 O behaviorismo radical e a psicologia como ciênciamento de “uma concepção objetiva do com-portamento humano” (p.417). Feitas as críti-cas e apresentada a recusa ao caminho opera-cionista, Skinner passa a apresentar sua pro-posta que, neste caso, envolve diretamenteumanovaabordagemdocomportamentover-bal(expressãopropostaporSkinner(1957)pa-ra tratar de fenômenos tradicionalmente cha-madosde'linguagem').Segundoele,Tratar conceitos como respostas verbais seriao grande passo a ser dado para que pudés-semos superar os obstáculos criados pela au-sência de uma teoria não dualista sobre com-portamentoverbal(deumaformabemgeralesimplificada, uma teoria dualista distinguiriacomo sendo de dimensões diferentes a pala-vra-dimensãofísica-eosignificado- dimen-são não física - na análise dos fenômenoslingüísticos). Este passo possibilitaria a com-preensão do comportamento verbal em todasua extensão, inclusive do comportamentoverbal do cientista, e traria elementos neces-sários para o entendimento do que ocorre, napsicologia, quando descrevemos ou expli-camos as ações humanas recorrendo a con-ceitos considerados subjetivos (termos que sereferem ao sujeito e que podem ou nãoenvolver elementos não acessíveis a outrosque não o sujeito). Buscar “os significados, osconteúdos e os referentes” entre os determi-nantesdaresposta(ouseja,dapalavraouafir-mação dita ou escrita) dirige nosso olhar paraascondiçõesnasquaisarespostaéemitida(ouseja,paraasituaçãopresentequandoarespos-ta é emitida e as transformações na situaçãoproduzidas pela emissão da resposta) e nãoparaaformadaresposta.Assim,porexemplo,para identificarmos o significado daquilo queuma pessoa está dizendo, de pouco adiantaráregistrarmos e discutirmos as palavras e asafirmações que estão sendo ditas; precisamosidentificarascondiçõesnasquaisapessoaestádizendoaquiloe,mais,ahistóriaqueelaviveue que permitiu que tais condições estivessemrelacionadascomaqueledizer.Como Skinner mesmo afirma, com essa ma-neira de ver, não há nenhum problema emlidar com os aspectos relacionados à emissãodas respostas verbais consideradas como 'ter-mos subjetivos'. As pessoas, em sua vida coti-diana,falamdesimesmasefalamdeaspectosseus aos quais outros não têm acesso, e vêmfazendoissohámuitotempo.Odesafioparaopesquisador em psicologia está exatamenteem descobrir como tudo isso acontece: comoaspessoaspassamafalardesimesmasecomopodemfalardeaspectosaosquaisapenaselastêmacesso.SegundoSkinner,Devemos notar que o primeiro aspecto a serconhecido nos conduz para a busca das “con-dições estimuladoras específicas” que ante-cedem a emissão de respostas verbais que en-volvem termos subjetivos. Não há nenhumarestrição quanto a que condições podem serestas. Quaisquer condições estimuladoras po-democuparolugardeestímulosantecedentesparataisrespostasverbais.Osegundoaspectoa ser conhecido nos conduz à busca de res-postasparaapergunta“porquecadaresposta[verbal] é controlada por sua condiçãocorrespondente?”. Esta busca parte de umasuposiçãoqueconstituiaprópriadefiniçãodecomportamento verbal: as transformaçõesproduzidas pela emissão da resposta verbalque são responsáveis pela relação entre a res-postaeascondiçõesqueaantecedemreferem-se a transformações em comportamento deoutros homens; a existência de uma comuni-dade verbal é condição necessária para a pro- Umavantagemconsideráveléganhaaolidarmoscom termos, conceitos, constructos, etc bemabertamente na forma em que eles são obser-vados - isto é, como respostas verbais. Não há,então, perigo em incluir no conceito aqueleaspecto ou parte da natureza que ele destaca. (...)Significados, conteúdos e referentes devem serencontradosentreosdeterminantes,nãoentreaspropriedades,daresposta.(p.418)O que nós queremos conhecer no caso de muitostermos psicológicos tradicionais é, primeiro, ascondições estimuladoras específicas sob as quaiseles são emitidos (isto corresponde a 'encontraros referentes') e, segundo, (e esta é uma questãosistemática muito mais importante), por quecada resposta é controlada por sua condiçãocorrespondente.(p.419)
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